Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
"the dissidents continue to broadcast extravagant claims of success"

Arquivos das comunicações da CIA no 25 de Abril de 1974.

(via Spectrum)


Etiquetas: , , ,

publicado por Vasco Carvalho às 06:00
link do post | comentar |

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Uma Esquerda sem Heróis
(publicado no Público de hoje)
0. A já ida discussão entre o presidente Hugo Chavez e o rei Juan Carlos é ainda motivo para que em Portugal, à esquerda do governo PS, recrudesçam elogios à figura do primeiro-ministro espanhol Zapatero: entre o presidente venezuelano e o rei bourbon, salve-nos o primeiro-ministro espanhol, sugerem entre outros os cronistas Daniel Oliveira e Rui Tavares. Se bem entendo, por detrás destes elogios a Zapatero está a vontade de colocar em cima da mesa, para debate, questões importantes.

1. Em primeiro lugar, os elogios a Zapatero valorizam o seu perfil de líder sóbrio, sobriedade celebrada por oposição à excentricidade de Hugo Chavez. Se é assim, compreendo este elogio; compreendo que depois de tantas experiências históricas em que inúmeros “Grandes Homens” caíram em desgraça, quanto menos aventureiro nos (a)parecer o líder, mais seguros estamos de que tudo continue a correr mal e não pior do que mal. Note-se porém que há qualquer coisa de paradoxal nesta atracção pela sobriedade; em bom rigor, se a crítica à excentricidade de Chavez pretende ser uma crítica ao “culto da personalidade”, então a solução não poderá ser um outro culto de uma outra personalidade.

2. Não se trata aqui – no sublinhar deste “paradoxo” – de uma questão meramente “lógica”. Trata-se de uma questão com implicações políticas. Veja-se que se focalizarmos a crítica ao “culto da personalidade” na figura de Chavez, estaremos a proceder de modo semelhante ao que fazem vários sectores políticos de direita que hoje criticam o “populismo” do presidente eleito da Venezuela e que ontem elogiaram outros “Grandes Líderes”, de Margaret Tatcher a Augusto Pinochet. Esta semelhança com a direita, que em si mesmo não é um problema, faz com que, todavia, percorramos um mesmo caminho com ela: o caminho de – e para usar uma imagem de gosto duvidoso – deitar fora o menino com a água do banho, isto é, o caminho de secundarizar os processos anticapitalistas que decorrem na Venezuela por causa da crítica à personalidade de Chavez.

3. Ou seja: tal como criticamos o elogio de direita à figura do “Grande Homem” que quer comandar a História a golpe de espada, devemos criticar Chavez; mas, e por esta mesma razão, a nossa crítica a Chavez não pode ser simétrica àquela crítica da direita, uma crítica especificamente dirigida a Chavez. A menos, claro está, que queiramos adoptar uma posição de neutralidade num dos processos políticos e sociais mais conflituosos da actualidade, um processo onde de novo se decidem vários enlaces das lutas de classes. Devemos criticar o “culto da personalidade” de Chavez, mas devemos fazê-lo, antes de mais, por razões que não o seu famigerado estilo “populista”: devemos fazê-lo porque queremos que os processos políticos de transformação social se desenvolvam em termos de não-líderes e de não-heróis; e queremos que assim seja porque entendemos que só assim é que tais processos podem ser processos de transformação do poder, processos de alteração da natureza do poder – à imagem do “nosso” PREC –, processos que revolucionam as lógicas de liderança do poder antigo.

4. O processo político e social em curso na Venezuela tem em Chavez uma figura cimeira mas não se reduz – e muito menos queremos que se reduza – à graça ou à desgraça de Chavez. Na realidade, o significado revolucionário do auto-culto de Chavez é contraditório: ele ambiciona alimentar um processo de mobilização de “massas” mas ele também procura manter este mesmo processo de mobilização, que tem implicado rupturas políticas com o capitalismo em variados domínios, “sob controlo” da elite chavista, elite entretanto instalada no topo da velha máquina do poder antigo, o Estado. É criticando este “controlo” que interessa fazer a crítica a Chavez.

5. Julgo também compreender que, no contexto português, os elogios a Zapatero tenham o condão de manter vivas as esperanças na possibilidade de uma política socialista diferente da política vigente no governo Sócrates. São esperanças que não me animam porque não as acho realistas – cada um tem o “seu” pragmatismo… – e porque entendo que a crítica do “socialismo real” implica a crítica da tradição marxista-leninista mas também a crítica da tradição social-democrata: o “socialismo num só país” e a “revolução a partir de cima” fracassaram e a alternativa não é regressar à “social-democracia num só país” ou ao “reformismo a partir de cima”.

6. Resumindo, podemos simpatizar com a figura de Zapatero mas não me parece que o zapaterismo possa fazer sombra ao processo revolucionário em curso na Venezuela, um processo que é parte das viragens sociais e políticas sul-americanas e que é motivo de alento, aprendizagem e experiência para todos os que se encontram sobre o lado esquerdo.

Etiquetas: , ,

publicado por José Neves às 17:12
link do post | comentar | ver comentários (6) |

Zero TV
ZERO DE CONDUTA
Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com
Indecisão 2008
Subscreva
Zero links
arquivos

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Feeds