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Zero de Conduta

Zero de Conduta

10
Ago07

No creo en brujas, pero que las hay, las hay

Pedro Sales
Vai para um mês que Alberto João Jardim e o governo se envolveram num braço de ferro sobre o cumprimento da lei do aborto nesta região autónoma. Pelo meio, José Sócrates foi entrevistado na SIC e asseverou, com uma rara convicção, que a lei iria ser cumprida. Há dois dias, e sem que nada o fizesse prever, João Jardim cedeu e esclareceu que, afinal, o orçamento para 2008 da Madeira lá teria uma verba para a realização do aborto nos hospitais da região.

Desde Novembro que o Governo vinha negociando uma extensão temporal do regime de benefícios fiscais para as empresas não financeiras na zona franca da Madeira. O novo regime, ontem aprovado em Conselho de Ministros, já tinha recebido autorização da União Europeia e significa uma redução de impostos, no valor de 300 milhões de euros, para as empresas não financeiras sediadas na ilha. Não tenho particular apreço por teorias da conspiração, mas não deixa de ser uma extraordinária coincidência que, sem nada que o faça prever, a acalorada resistência de João Jardim tenha sido quebrada na véspera do Governo desbloquear uma das principais medidas para compensar os custos da região como zona ultraperiférica. Pode tudo ter sido tudo um estranho acaso, mas lá que dá que pensar sobre a forma como funciona politicamente o “grande líder” de Marques Mendes, lá isso dá.
26
Jul07

Um silêncio ensurdecedor

Pedro Sales
José Sócrates não podia ter sido mais claro sobre a recusa do Governo Regional da Madeira em aplicar a nova lei do aborto. Ao contrário do Presidente da República, que se pôs fora da questão remetendo-a para os tribunais, o primeiro-ministro não deixou espaço à ambiguidade: “Não admito outro cenário que não seja o de aplicar a lei também na Região Autónoma da Madeira”.As palavras que escolheu conferem-lhe, agora, uma pesada responsabilidade. Não pode ser desautorizado por Jardim. Sócrates tem a vantagem do seu partido já pouco ter a perder na Madeira e de, no passado, já ter dado provas de que não se importa de sacrificar o PS local.

(ilustração de Nuno Saraiva)

As críticas que fez ao “silêncio ensurdecedor” dos líderes dos partidos da direita não podia ter sido mais certeira. Não deixa de ser curioso, aliás, ver PSD e PP, sempre lestos a defender a autoridade do estado, neste “silêncio ensurdecedor” sobre o abandalhamento progressivo que vem da Madeira. O mesmo Paulo Portas que mobilizou uma fragata para proteger “a aplicação da Lei portuguesa” em águas extra-territoriais não tem nada a dizer sobre o incumprimento da lei numa Região Autónoma. Marques Mendes, esse, já só se preocupa em angariar uns votos para as directas, nem que para isso tenha que sacrificar a sua credibilidade política, aceitando participar, pela primeira vez, na festa anual do PSD Madeira.
18
Jul07

É a Madeira, estúpidos

Pedro Sales
Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Ferreira Leite, Aguiar Branco. Um a um, todos eles vão defender a necessidade do PSD recuperar a confiança do eleitorado. Credibilidade vai ser a palavra chave nas directas deste partido. O que se está a passar na Madeira, onde Alberto João Jardim se recusa a aplicar uma lei da República, defendendo um regime de excepção para uma matéria sufragada em referendo, é a oportunidade de ouro que têm para demonstrar que querem ser levados a sério.

“Na minha formação política, primeiro estão os grandes princípios da defesa da pessoa humana e só depois está o positivismo da lei escrita”, proclama o líder madeirense ao Diário de Notícias, dizendo que se recusa a aplicar a lei do aborto porque o “Não” ganhou na Madeira. Claro está que, tratando-se de Jardim, tanto apego à “defesa da vida humana” tem o preço do costume: sacar mais uns cobres aos cubanos. Jardim Ramos, responsável pela pasta no Governo Regional, resume o assunto de uma forma exemplar. No caso da Madeira ser obrigada a cumprir a lei, terá que ser o continente a pagar a factura.

“Ninguém está a impedir a aplicação da lei, a região não tem é dinheiro”, explicou, sem se rir, o mesmo João Jardim que ainda há poucas semanas inaugurava estradas para cumprir uma dívida pessoal com a D. Maria pela forma exemplar como esta educou os seus filhos. Pedir confiança aos portugueses e "ter o governo da Madeira às costas", sem se demarcar de Jardim, ora aí está uma equação que não parece augurar grande futuro às hostes laranjas.

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