Sábado, 29 de Dezembro de 2007
Se não sabe porque é que pergunta?
O Banco de Portugal garantiu ontem que a mais recente contra-ordenação ao BCP reporta-se a novos casos porque “a natureza e actividade destas sociedades foram sempre ocultadas pelo BCP, nomeadamente em anteriores inspecções.” Ora aí está uma bela definição da forma como funciona a instituição presidida pelo senhor Constâncio. Se os prevaricadores não confessam a extensão das irregularidades, o Banco de Portugal arruma as malas e dá a inspecção e fiscalização por encerrada. Entre cavalheiros de bem é assim. Mais valia enviar uns formulários e dispensava-se mesmo o indizível senhor Constâncio. Bem vistas as coisas, o resultado final não deveria ser muito diferente e sempre se poupava uns cêntimos valentes ao erário público.

publicado por Pedro Sales às 19:21
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007
Para Uma História Sanitária da Academia Portuguesa
Este post do Miguel Vale de Almeida lembrou-me um anúncio do departamento de gestão do ISCTE. Era um anúncio que se dirigia a todo aquele ou aquela que se aprestava para escolher a sua futura licenciatura. O mais importante no anúncio era uma legenda que comentava uma fotografia parecida com esta aqui em cima e que dizia: "Esta será a última cadeira da tua licenciatura em Gestão".
Perante isto, e já lá vão alguns anos, uns quantos entre nós refilámos contra a banha-da-cobra que presidia à propaganda em causa. Altas instâncias do ISCTE, no entanto, responderam que não se tratava de uma "falsa promessa", como nós acusávamos, mas que sim se tratava de um "estímulo". Acabei por aceitar o argumento e, na verdade, até acabei por fitacolar o anúncio-panfleto sobre a tampa da sanita cá de casa; se era um "estímulo" para tantos, então também poderia sê-lo para os visitantes cá de casa, ajudando-os a sentirem a nossa sanita como se fosse sua, o que é sempre complicado. Infelizmente a coisa resultou tão bem que houve algum malandro ou alguma malandra que se sentiu suficientemente à vontade para levar o panfleto-anúncio consigo. Se o virem por aí, é favor trazerem novamente. É que a malta por aqui gosta de fazer merda à grande e à francesa, como só os grandes líderes de gestão sabem fazer.

publicado por José Neves às 21:13
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Domingo, 25 de Novembro de 2007
Economia espiritual? É no Bombarral

Meditação pela paz Mundial, no Bombarral, "liderada pelo reputado economista e activista espiritual, Alfredo Sfeir-Younis", Oeste-TV. Ver também a entrevista da Oeste-TV ao economista espiritual, aqui.

Um evento new age no Bombarral? Estranho, mas possível. O maior "parque oriental" da Europa? OK, um bocado forçado, mas porque não? Um movimento mundial pela paz, com meditações semelhantes em Washington, D.C. liderado pelo mesmo Dr. Alfred Younis e pelo seu "Zam
buling Institute For Human Transformation", com escritório em Lisboa e base no Bombarral? Já é exagero, não?

Não, nem por isso. A coisa fica mais estranha a cada busca no Google. Ora atentem:


Alfred Sfeir-Younis (ou aqui), reputado economista chileno, filho de distintas famílias libanesas, quadro de topo no Banco Mundial de James Wolfensohn, de nome espiritual Cho Tab Khen Zambuling e alto padre Maia, encontrou o seu retiro no Bombarral.

Há uns anos, Don Alfredo, "o Embelezador", estava nas ruas de Seattle, a vigiar os movimentos de protesto e a tomar nota das reivindicações feitas pelos manifestantes para informar os seus colegas de direcção do Banco Mundial (aqui). Hoje está em Portugal, a avançar a causa da economia espiritual.

Meditemos no assunto porque isto não é normal. Nem no Bombarral.



publicado por Vasco Carvalho às 04:51
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
Matámos os heróis, tudo bem. Mas e os líderes, deixamo-los andar por aí?
Caro Daniel, creio que estamos de acordo em relação a Chavez e à Venezuela. Pelo menos mais de acordo do que estávamos antes desta conversa se iniciar. Deve ser da dialéctica, como tu dizes.

A minha crítica às tuas posições tinha origem aqui: achava eu que essas posições se estavam a embaraçar nos mil e um debates por regra desenvolvidos em torno da figura de Chavez e que, assim, deixavas para segundas núpcias o debate sobre as transformações em curso na Venezuela. Do meu ponto de vista, tal não só tornava a tua posição susceptível de convergir com a crítica da direita a Chavez, como também tornava a tua própria posição “crente” na propaganda chavista que tende a resumir na figura de Chavez os processos revolucionários em curso na Venezuela.
(Reconheçamos no entanto, com ironia se preciso for, que este auto-culto chavista teve o condão de, no momento do golpe de estado, criar a ilusão junto da direita golpista venezuelana e dos ministérios dos negócios estrangeiros espanhol e norte-americano – e português? – de que lhes bastaria colocar Chavez atrás das grades de uma prisão para que o regime fosse à vida…)

Não creio, no entanto, que o problema do excesso de liderança de Chavez seja um problema que devamos restringir a Chavez. Explico-te sucintamente – e portanto simplisticamente – as razões pelas quais essa restrição de alguma forma me embaraça:

Tomo Chavez como uma dupla figura de liderança. A um tempo, líder de um movimento revolucionário; a um tempo, líder de Estado.

Comecemos pelo Estado. Enquanto líder de Estado, o que me afasta de Chavez é o mesmo que me afasta de qualquer outro líder de Estado, de Bill Clinton a George Bush passando por José Sócrates. Isto é, o que me afasta de Chavez enquanto líder de Estado é a própria figura de líder de Estado. Este afastamento tem que ver com o facto de eu não desejar a democracia representativa como “última etapa” da vida política em sociedade e nisto provavelmente diferimos. Embora o tipo de líderes que temos não me seja indiferente, para mim a “corrupção” não reside no facto de termos líderes populistas, carismáticos ou corruptos; a corrupção da democracia, para mim, reside no facto de termos líderes.
Esta diferente perspectivação tem implicações políticas concretas. Por exemplo: contrariamente ao que o BE fez nas autárquicas, eu não daria tanta importância, numa campanha eleitoral autárquica, à crítica dos “corruptos” de Gondomar, Felgueiras e Oeiras; eu sim daria mais importância à promoção de ideias como o orçamento participativo ou outras poetices do género.

(Sei que isto – a recusa da democracia representativa como necessidade democrática – parece muito infantil e muito pouco realista, muito aventureirista e muito irresponsável, muito perigoso e muito ingénuo. Mas te digo que não só vi, ainda há poucos dias, em plena estação de metro, um pastor de uma seita religiosa muito moderna pregar semelhantes balelas, como também te confesso que me dou à ousadia de achar que no actual estado da luta – e que vivam os “homens da luta”! – é muito difícil alguém achar-se superiormente maduro, realista, sensato e responsável. No actual estado das esquerdas europeias, julgo que ninguém tem “lata” para se armar em mais “consequente” do que outrem e, com sorte e com mais uns fracassos políticos estrondosos pelo caminho, daqui a uns poucos anitos já ninguém à esquerda começará uma frase com aquele insuportável advérbio de modo que desde logo considera o interlocutor o mais inapto dos seres políticos: Objectivamente, blá,blá,blá…)

Passemos ao Movimento e por aqui fiquemos que se faz tarde. Enquanto líder de um movimento revolucionário, o que me afasta de Chavez é o mesmo que me afasta de qualquer outro líder de movimento revolucionário. Não me interessa, na verdade, qualquer alternativa que se construa simetricamente à dominância.
Não exigo, por certo, que a alternativa seja absolutamente assimétrica e estou certo que não existe tal coisa como este "absolutamente"; mas, e para concretizar novamente com um exemplo bem perto de nós, confesso que me revejo muito mais no BE enquanto alternativa na medida em que o BE seja um partido que tem mais do que um simples rosto a “dar a cara”. (E não é que o FL - quem muito admiro - não tenha uma cara laroca, que a tem).

publicado por José Neves às 02:20
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