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Zero de Conduta

Zero de Conduta

26
Mar08

O pelhourinho

Pedro Sales

Desculpem lá não entrar na histeria nacional que varre a imprensa e blogosfera, e que já vai no Procurador Geral da República, mas talvez valha a pena parar um pouco para perceber que o que se passou no Carolina Michaellis é um caso disciplinar que deve ser resolvido dentro da escola, sendo completamente descabido que o própro PGR se envolva pessoalmente na investigação criminal do sucedido.


O mesmo Procurador Geral da República que precisou de ler quatro edições de uma investigação efectuada pelo Expresso - com base em material de prova que estava há anos na posse do MP - para perceber que tinha que fazer qualquer coisa sobre o Casino de Lisboa, dedica agora meios e recursos para investigar aquilo que, sendo um lamentável caso de indisciplina e insolência, não deve deixar de ser equacionado à luz da relativa gravidade do incidente.

Mas o coro de apoio ao anúncio feito por Pinto Monteiro não se fez esperar. Afinal a “turba” de “canalhas” tem que ser posta na ordem e os professores não têm meios para o fazer. A sério? Será que quem anda há uma semana a proferir afirmações destas, que passam por uma verdade incontestável e inquestionável, alguma vez perdeu dois segundos para ler o que é que diz o estatuto do aluno em vigor? Se não, aqui está:

Artigo 27.º (Medidas disciplinares sancionatórias)

a) A repreensão;
b) A repreensão registada;
c) A suspensão da escola até cinco dias úteis;
d) A suspensão da escola de 6 a 10 dias úteis;
e) A expulsão da escola


Advertência, Suspensão, ou expulsão com decorrente perda do ano lectivo. O que é que querem mais? Colocar uma míuda malcriada no pelourinho e, de permeio, fazer um retrato de toda uma geração a partir de um caso que, podendo não ser isolado, será sempre ultra-minoritário? Quer me parecer que há por aí muito boa gente que "anda nisto" apenas para provar que esta é que é mesmo a geração rasca.
11
Dez07

Debate à Esquerda 1: Forma é conteúdo.

José Neves
Apesar de ânimos exaltados e de promessas de divórcio, continuo a achar que o debate blogoesférico à esquerda tem pernas para andar. A partir da leitura do que até aqui foi escrito (aqui, ali, ali, ali, ali, ali, ali e mais não sei onde), gostava de assentar, ao longo dos próximos dias, três ou quatro ideias. A primeira ideia é muito simples e é esta: o debate à esquerda é um debate sobre conteúdos e um debate sobre formas: o como se diz importa tanto quanto aquilo que se quer dizer. E importa não por “polidez” mas sim porque quem não ambiciona atingir a autoridade religiosa de uma verdade canónica – e creio que ninguém neste debate o deverá ambicionar – não diz que fulano se “converteu”. Quem não tem respeito pela nobre autoridade da honradez militarista não diz que sicrano se “rendeu”. Quem não se dá bem com a autoridade política do dogmatismo doutrinário não diz que as posições de beltrano se “desviam”. Quem não gosta da autoridade biologicizante dos purismos genéticos não diz que as leituras daquele estão “contaminadas”. Quem não aceita a autoridade científica que faz da história uma cadeia de mecanismos não diz que o partido tomado por aqueloutro conduz “objectivamente” a isto ou aquilo. Quem não quer usufruir da autoridade do paternalista não diz que há ideias "ingénuas" e que alguém pensa assim ou assado porque tem menos de 30 anos de idade. Quem não precisa de autoridade psiquiátrica não diz que o outro está “desligado da realidade”.
08
Nov07

Engorde, pela sua saúde

Pedro Sales
Um estudo, hoje publicado no prestigiado Journal of the American Medical Association, diz que os gordos têm uma menor taxa de mortalidade porque são menos atreitos a morrer de várias infecções e doenças como Alzheimer, Parkinson e ou o cancro do pulmão. Segundo este estudo, em 2004, morreram menos 100 mil pessoas com excesso de peso do que seria expectável entre pessoas com um índice de massa corporal normal.
26
Set07

O Sócrates, estadista global, não se lembra do José, poluidor nacional

Pedro Sales
José Sócrates defendeu, na Conferência sobre as alterações climáticas promovida pela ONU, que “os países mais desenvolvidos têm que acordar metas em torno da redução de emissões". Intervindo como presidente em exercício da União Europeia, Sócrates referiu que a União está "preparada para reduzir as emissões de dióxido carbono (CO2) em 30 por cento até 2020".

Fica-lhe bem tanta ambição. O problema é que é difícil dissociar o José Sócrates presidente em exercício da União Europeia, do José Sócrates primeiro-ministro de Portugal, um dos poucos países europeus que se está a afastar dos objectivos do Protocolo de Quioto. Num relatório de Junho deste ano, a Agência Europeia de Ambiente chama a atenção para que, entre 1990 e 2005, Portugal aumentou as emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa em 42,8%. No mesmo período, a União Europeia dos 15 diminuiu a emissão de CO2 em 1,5% e a União dos 27 em 7,9%. Mas não se pense que o cenário tem propensão para melhorar. Em 2004-05, quando os outros países estavam a diminuir as emissões, Portugal subiu mais 1%. Até 2012, temos que dimínuir o excesso de emissões, relativamente a 1990, dos 42,8% para os 27%, caso contrário começaremos a pagar centenas de milhões de euros pelos direitos de emissão de CO2.

Faz efeito, e até dá uma certa pose de estadista em sintonia com o seu tempo, ir ao estrangeiro prometer que a Europa vai melhorar a eficiência energética e diminuir os níveis de poluição. Convinha era que não fôssemos precisamente nós a estragar a pintura. Durante os 15 anos em que os níveis de CO2 nacionais estiveram a disparar de forma alarmante, José Sócrates teve responsabilidades directas, na pasta do ambiente ou como primeiro-ministro, durante seis anos. Um registo 100% verde, como se vê.
22
Set07

Parque Natural das Pedreiras da Arrábida

Pedro Sales
As autarquias atravessadas pelo Parque Natural da Arrábida acusam o Governo de pressionar o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade para “isentar a SECIL da necessária avaliação de impacto Ambiental, para a ampliação das pedreiras que a empresa explora no Outão”. A notícia vem na edição de hoje do “SOL”, onde também se pode ler que o governo socialista revogou, em 2005, a legislação que impedia a ampliação das quotas de extracção no Parque Natural. Resultado: a SECIL pode estar prestes a conseguir aumentar as quotas, permitindo a “extracção do dobro da massa mineral (36 milhões de m3) e o prolongamento por mais 23 anos da actividade da SECIL na Serra da Arrábida, até 2044”.

Aqui chegados, vale a pena recordar que, em 1948, as pedreiras na Arrábida ocupavam 10 hectares, valor que subiu para os 40 hectares em 1958, 170 em 1978. Actualmente são 320 hectares, contribuindo para o cenário lunar de uma parte considerável das encostas da serra da Arrábida. Em 2001, o ministro do ambiente deu uma entrevista à RTP dizendo que “as pedreiras na Arrábida têm que ser fortemente limitadas”. O ministro dava pelo nome de José Sócrates.

Para além das cada vez mais comuns acusações de governamentalização dos organismos públicos, , o “SOL” refere que a SECIL forneceu um milhão de euros ao ICNB para a plantação de pradarias marinhas. “Um projecto que foi muito conduzido pela Secretaria de Estado”, como aliás se viu na televisão, com as imagens do secretário de Estado a mergulhar na baía de Sesimbra. Pode não ter nada a ver, mas o financiamento directo de um instituto público por uma empresa privada que depende de um voto favorável desse mesmo organismo, deveria, pelo menos, levar o Governo a ter algum cuidado e cautela. Há dinheiro que queima.
14
Jul07

Oportunidade perdida?

Vasco Carvalho
Seguro, seguro nada o é. Mas o que parece, assim de longe, é que perto de 30% dos Lisboetas vão votar por uma cidade à esquerda do atavismo Socrático. O que vejo, assim sem ver, é que nem José Couceiro conseguiria montar uma campanha de direita mais fraca, com falhas absolutas de estratégia e de elenco. E o que se ouve, distintamente, é a negação total do neo-fascismo, do racismo, da homofobia e demais ervas daninhas mal disfarçadas de projectos políticos.

E fica esse sabor a oportunidade perdida. A memória de um momento raro na vida da cidade onde pouco mais que esses 30% seriam suficientes para disputar as eleições a um PS em queda e a um PSD dividido. De umas eleições em que uma frente de esquerda tolerante, abrangente e convincente teria conseguido mobilizar Lisboa para opções políticas de transformação profunda.

A Lisboa de António Costa será, na melhor das hipóteses, um tronco sem direcção própria num imenso pantanal Socrático. A Lisboa de esquerda ficou a esbracejar, à espera desse barco que tarda em chegar. Um ou dois ramos soltos não atrairão a atenção de quem busca, aflitivamente, terra firme para não se afundar no lodo.

Resta o limitado espectro de convergências pós-eleitorais com António Costa: seja à esquerda ou à direita, aí se verá a inutilidade de servir de muleta a uma muleta.
13
Jul07

Vamos fazer um suponhamos, está bem?

Pedro Sales
Alguém imagina o chinfrim que iria neste momento no PP se, com Ribeiro e Castro na liderança do partido, o seu candidato e líder parlamentar aparecesse fora da vereação em todas as sondagens na véspera das eleições para a capital? Quantos comunicados, conferências de imprensa e piadas nos jornais já teriam sido feitos pela sempre enérgica dupla Nuno Melo, Telmo Correia?

Paulo Portas exigiu directas no partido, dizendo que ninguém fazia oposição a José Sócrates. Com ele à frente do PP tudo seria diferente e os portugueses, finalmente, teriam direito a uma “oposição firme e credível” ao governo socialista. Já passaram três meses e, pelo que se está a ver, oposição firme só a que fez a Ribeiro e Casto. Domingo, como o próprio Paulo Portas afirmou, é também o dia do “teste à liderança” do homem que um dia se divertiu a fazer piadas com o ministério do mar.

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