Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Um relatório inconveniente
O João Miranda tem razão numa coisa. Existe um preocupante sinal de "politização da academia e do desrespeito pelas regras tradicionais de debate". Não tem é nada a ver com o caso Watson. Está na capa de hoje do Washington Post. O relatório sobre a consequência para a saúde humana do aquecimento global, elaborado pela agência federal dos EUA responsável pela prevenção e estudo das novas doenças, foi "editado de forma significativa" pela Casa Branca. Resultado, um estudo original de 14 páginas foi amputado da maioria do seu contéudo, tendo sido entregue aos congressistas e imprensa um documento com 6 páginas.

Testimony that the director of the Centers for Disease Control and Prevention planned to give yesterday to a Senate committee about the impact of climate change on health was significantly edited by the White House, according to two sources familiar with the documents. Specific scientific references to potential health risks were removed after Julie L. Gerberding submitted a draft of her prepared remarks to the White House Office of Management and Budget for review. Instead, Gerberding’s prepared testimony before the Senate Environment and Public Works Committee included few details on what effects climate change could have on the spread of disease. A CDC official familiar with both versions told the AP that Gerberding’s draft “was eviscerated.”

O politicamente incorrecto a censurar a ciência, quem diria, meu caro Watson. E o pior é que este está longe de ser o primeiro caso.

publicado por Pedro Sales às 18:41
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Sábado, 29 de Setembro de 2007
A nova guerra fria
(Calote gelada a esverdeado. A versão de alta definição desta imagem da
Agência Espacial Europeia pode ser encontrada aqui).


O aquecimento global está a derreter o Pólo Norte a uma velocidade superior às previsões dos modelos climáticos mais pessimistas. A calote gelada tem, actualmente, 3 milhões de quilómetros quadrados, tendo diminuído na última década a uma média anual de 100 mil quilómetros quadrados. Uma redução tão acentuada que permitiu - pela primeira vez desde que há registos - a abertura de uma nova rota de navegação marítima no topo do planeta.

Uma catástrofe ecológica eminente que deveria preocupar as principais nações, poderíamos pensar. Nem por isso. Em todas as tragédias há quem vislumbre oportunidades de negócio e as que, agora, estão à mão de semear no Pólo Norte são as mais apetecíveis: petróleo e gás natural. Em grandes quantidades. Enquanto a maioria dos líderes mundiais se juntavam em Nova Iorque para anunciar a sua preocupação com o aquecimento global, o mundo que verdadeiramente conta festeja as possibilidades entreabertas com a abertura de um novo corredor marítimo que permite revolucionar o comércio internacional. Basta ler o artigo da Time, transcrito esta semana pela Visão, para perceber como só agora começou a guerra fria pelo controlo político, e económico, desta região, envolvendo os Estados Unidos, Rússia, Canadá e Noruega.

Suprema ironia. As novas reservas de combustíveis fósseis estão agora acessíveis graças à destruição ecológica causada pela emissão poluente desses mesmos combustíveis. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma. O problema é quando o ser humano se intromete na equação.

publicado por Pedro Sales às 16:46
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