Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Um partido desmantelado
Portugal tem dois milhões de pobres e mais dois milhões de pessoas que só subsistem com os apoios estatais. É neste contexto que Menezes, num país em que a carga fiscal fica a léguas da média europeia, se propõe a desmantelar um Estado que, diz, oprime as pessoas com o seu peso excessivo. Que pessoas? Os pobres que só têm uma creche e uma escola para os filhos, ou direito a protecção na saúde graças ao incipiente estado social que ainda vamos tendo?

Mas, como se tem reparado nestes últimos meses, nada do que Menezes diz é para fazer sentido. É para fazer efeito. Defende uma fúria liberalizadora ao mesmo tempo que confessa que o seu modelo é Sarkozy, sem se deter três segundos para reparar que este é o representante europeu de uma direita economicamente proteccionista e intervencionista. Tudo porque, como na “opressão” do peso do Estado, alguém lhe deve ter dito que ficava no ouvido e aparentava uma imagem de “solidez” politica que procura incessantemente transmitir.

Menezes criticava Marques Mendes porque dizia que este era um líder fraco e não se fazia notar na oposição ao governo. Se neste campo o PSD tem sido um deserto desde que Menezes chegou à liderança, é justo dizer que nunca existiu uma liderança mais fraca do que a de Menezes. Não por causa da sua imagem, popularidade ou eficácia, mas porque representa a derrota da política e da ideia de confronto de alternativas às mãos de uma pequena equipa de especialistas em escrutinar as mais pequenas tendências do dia-a-dia. O líder que prometia o poder às bases entregou a linha estratégica do maior partido da oposição a uma equipa de especialistas comunicacionais.

Os liberais podem estar esfusiantes com o liberalismo do homem que se tornou conhecido dos portugueses insurgindo-se contra o elitismo liberal de Durão Barroso. Não se iludam. Quando chegar a altura de apresentar propostas, e alguém na Cunha e Vaz lhe soprar que esse modelo já não vende e que é mais fácil o partido ser desmantelado nas urnas do que desmantelar o Estado, o autarca de Gaia será o primeiro a meter as proclamações liberais na gaveta. Está escrito. O populismo de Menezes não é um defeito, é mesmo o seu feitio.

publicado por Pedro Sales às 11:59
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E eu faço uma aposta ainda mais radical. Com esse programa nunca vais conseguir ganhar a aposta
“Faço a aposta radical de, em meia dúzia de meses, desmantelar de vez o enorme peso que o Estado tem e que oprime as pessoas”. Luís Filipe Menezes, em entrevista ao Expresso

publicado por Pedro Sales às 04:18
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E o mais engraçado é que ele diz estas coisas sem se rir
"Eu ando há dois meses a denunciar a situação de insegurança, disse há 15 dias que a situação no Porto estava descontrolada. O ministro Santos Silva veio dizer que eu estava a exagerar, afinal no dia seguinte houve um suicídio e toda a gente já percebeu que há um descontrolo." Luís Filipe Menezes, em entrevista ao Expresso.

publicado por Pedro Sales às 04:12
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Um emprevisto de última hora acontece a qualquer um
"A entrevista estava marcada para as nove e meia. Acabou para ser adiada para as cinco da tarde porque o líder do PSD tinha que ir ao Porto festejar os anos de um filho."
Início da entrevista de Luís Filipe Menezes ao Expresso.

publicado por Pedro Sales às 04:08
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