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Zero de Conduta

Zero de Conduta

28
Out07

O Banco de Portugal supervisiona a banca, mas quem é que supervisiona o Banco de Portugal?

Pedro Sales
15
Out07

Amigo dos seus amigos

Pedro Sales
As notícias sobre a generosidade cristã da gestão de Jardim Gonçalves no BCP continuam. Agora, parece que deram a mão a um dos principais accionistas do banco e "esqueceram-se" de lhe cobrar 15 milhões de euros em juros. Alguém tem que explicar a Jardim Gonçalves que, para quem está há tantos anos à frente de um banco, já devia ter percebido que as dívidas que não se tentam cobrar não são, necessariamente, dívidas incobráveis.
21
Set07

Uma forma original de capitalismo

Pedro Sales
Nos primeiros quatro meses de serviço, as composições do Metro Sul do Tejo transportaram, em média, três passageiros por carruagem. São 15 mil euros de prejuízo diário, avança o Diário de Notícias na sua edição de quarta-feira. Uma verba que terá que ser paga pelo Estado à concessionária privada, que já reclama uma indemnização de 68 milhões de euros pelo incumprimento dos prazos. É certo que o traçado ainda está incompleto, e ainda não chegou a Almada, mas, como dizem todos os especialistas ouvidos pela imprensa, os preços praticados são demasiado altos para demover os cidadãos de usarem o transporte privado. O Metro Sul do Tejo tem tudo para ser um desastre financeiro.

Como já tinha feito com a Ponte Vasco da Gama, e foi arrasado pelo Tribunal de Contas, o Estado volta a concessionar a prestação de um serviço com base numa expectativa negócio. Se as previsões se confirmarem os privados lucram com o dinheiro dos bilhetes; se os passageiros não aparecerem, os privados lucram com as indemnizações compensatórias pagas pelo Estado. No caso da ponte Vasco da Gama, os cofres públicos deverão pagar à Lusoponte indemnizações que deverão ser suficientes para fazer três pontes.

É uma forma original de capitalismo, sem risco e com o lucro sempre garantido. Os liberais, que peregrinam semestralmente até ao Convento do Beato para dizer mal do peso do Estado na economia, não o largam de cada vez que querem ganhar dinheiro. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
10
Set07

Olha, olha, quando são os Uvas e os Tomaz a jogar já defendem o serviço público

Pedro Sales
A mesma direita liberal que passa a vida a reclamar contra as indemnizações compensatórias que o Estado dispensa à RTP, está agora muito indignada porque o canal público não está a transmitir o mundial de râguebi. Não está a cumprir as suas obrigações de serviço público, dizem. Parece que não repararam que, de acordo com as regras do mercado, a Sport Tv ofereceu o valor mais alto e comprou a exclusividade dos direitos de transmissão para Portugal. O mesmo acontece com a Fórmula 1, ou com a maioria dos jogos da Liga dos Campeões ou do campeonato mundial de futebol. Tudo como defendem, portanto, não se percebendo a razão para tanto espanto.

Fiquei sem perceber é se, os liberais mais liberais de Portugal, defendem agora que o Governo tivesse feito com o râguebi o que o Morais Sarmento fez, há uns anos, quando invocou o interesse público para garantir a transmissão em canal aberto da supertaça europeia de futebol. Estamos todos os dias a aprender. Por exemplo, que o mercado funciona sempre, até deixarmos de ver os nossos amigos na televisão.

Actualização: Vejo, agora, que o PP já questionou a RTP sobre o campeonato mundial de râguebi estar a ser transmitido em canal fechado. Há coisas que nunca mudam. As críticas do PP à intervenção do Estado na economia, por exemplo, parecem cada vez mais ser só um chavão para atacar o PCP e o Bloco. Na economia, como no desporto, quando são os amigos deles que estão em jogo, são os primeiros a defender a generosidade financeira do Estado.

ps: este post não tem nada a ver com o desporto em si, que até gosto de ver, e com a prestação da selecção, que foi excelente.

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