Seymour Hersh analisa, na última edição da New Yorker, os planos de Bush para o Irão e a forma como a sua administração está a reutilizar as mesmas tácticas utilizadas para justificar a guerra no Iraque. Há uns anos era preciso atacar o Iraque por causa das suas ligações à Al-Qaeda, agora é preciso atacar o Irão por causa da sua intromissão no Iraque.
O Governo iraquiano vai expulsar do país os mercenários da Blackwater, retirando a licença à maior empresa de "segurança privada" a actuar no país. Estas empresas desempenham, desde o início, uma parte fulcral na ocupação militar do país, calculando-se que existam 30 a 50 mil mercenários a soldo das autoridades norte-americanas. De acordo com o partido democrata, quase metade do dinheiro gasto pelos EUA no esforço militar no Iraque vai para estas empresas, apesar de ninguém saber quais são as suas operações, métodos ou objectivos.
Apesar do segredo ser a alma do negócio, os constantes abusos chamaram a atenção internacional perante estes mercenários que não respondem perante os tribunais nem cumprem qualquer tipo de convenção internacional. O New York Times chama mesmo a atenção para que, de acordo com a lei em vigor, o governo iraquiano não tem capacidade para julgar os crimes cometidos por estes mercenários no seu país.
Ficam aqui dois vídeos sobre o modus operandi destas empresas. O primeiro, que originou uma investigação das autoridades dos EUA, revela a forma muito peculiar como estes senhores se divertem nos tempos livres. O segundo é uma reportagem da Nation sobre a Blackwater.
Ontem, George Bush agradeceu o apoio português nas intervenções militares no Iraque e Afeganistão.
"We´re not occupying Iraq, we were invited!", diz a porta-voz da Casa Branca numa patética operação da administração Bush para reescrever a história. Vídeo encontrado no Bitoque do costume.
"In what is perhaps the strangest turn in the president's effort to rally support, he agreed that Iraq is just like Vietnam, but in a good way -- and that our only mistake was not starting that war, but ending it." Jon Stewart, responde à declaração de George Bush, comparando a eventual retirada do Iraque com o Vietname. A intervenção de Bush pode ser vista aqui.
George Bush é um homem desesperado. Ontem, falando numa convenção de veteranos de guerra no estrangeiro, comparou a guerra no Iraque com o Vietname, uma analogia que recusou durante vários anos. Para Bush, a retirada das tropas terias as mesmas consequências desastrosas que o fim da presença militar americana no Vietname. Vale a pena ver a excelente cobertura que a MSNBC fez destas polémicas declarações.
"O nosso país segue uma nova estratégia no Iraque e peço-vos que lhe dêem uma oportunidade para funcionar", disse George Bush no último Estado da União. Afinal, é a estratégia mais velha da política externa norte-americana. Financiando os velhos inimigos sunitas, a administração Bush tem apoiado as suas milícias para estas combaterem a Al Quaeda. O problema é que, com o dinheiro e armamento, estes rapazes colocam cada vez mais problemas ao governo xiita, de inspiração iraniana, mas apoiado pelos EUA.
Depois dos EUA terem armado os taliban para combater a presença soviética no Afeganistão e apoiado Sadam contra o Irão, era suposto que a administração Bush aprendesse com os erros e percebesse que, amigos destes, serão os próximos a meter-lhes uma bomba no quintal mal tenham a oportunidade e vontade. Mas, isso é daqui a uns anos e o horizonte de Bush, Rumsfeld e companhia mede-se cada vez em dias.
Quase metade dos estrangeiros detidos em prisões geridas pelos EUA no Iraque são cidadãos sauditas. 45% dos estrangeiros responsáveis pelos ataques e atentados às tropas americanas e a civis iraquianos são sauditas. Metade dos combatentes sauditas actualmente no Iraque são bombistas suicidas, a percentagem mais elevada de todas as nacionalidades presentes no atoleiro iraquiano. Nos últimos seis meses, esses ataques mataram ou feriram 4000 iraquianos. Os números foram avançados, esta semana, pelo Los Angeles Times. Para quem não se lembra, 19 dos autores do 11 de Setembro eram cidadãos do grande amigo saudita e Bush continua a acusar a Síria e o Irão de promoverem o terrorismo.
p.s: Esta entrada foi corrigida. As alterações estão a bold, mas, no essencial, o sentido do post mantém-se inalterado: uma parte muito significativa dos responsáveis pela violência sectária que grassa no Iraque são cidadãos sauditas.
Pretendendo conhecer como é que a guerra tem afectado o dia-a-dia dos civis iraquianos, uma equipa de repórteres da “Nation” passou os últimos meses a entrevistar 50 veteranos das tropas americanas. O resultado é um dossier impressionante. Relatos de guerra na primeira pessoa, a desumanização do “outro” só possível quando se encaram todos os civis como potenciais agressores. Absolutamente a não perder. As histórias que raramente lemos, e muito menos vemos, sobre a brutalidade de uma ocupação que começou em nome de uma mentira. Fotogaleria no Guardian.