Domingo, 1 de Julho de 2007
Eppur si muove

[PIB per capita por latitude e longitude; sons de soundcities]

Projecto G-Econ em Yale, ou a desigualdade económica na era da globalização.

publicado por Vasco Carvalho às 22:52
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O estado a que chegou o João Miranda
Há pouco tempo a Universidade Nova de Lisboa publicou um estudo onde dizia que os portugueses estiveram a trabalhar até ao dia 15 de Maio para pagar os impostos. O Dia da Libertação dos Impostos. Um nome bombástico, mas pouco rigoroso. Afinal não eram só os impostos, era também a segurança social. Depois porque não estivemos a trabalhar para o Estado, mas para o pagamento dos serviços sociais, de segurança ou manutenção das infra-estruturas que este assegura.

O mais giro é que, numa pequena nota de rodapé, lá se dizia que Portugal até é o segundo país da Europa dos 15 onde a contribuição fiscal é menor. Os suecos ainda estão a trabalhar até amanhã e os dinamarqueses só se livraram do jugo opressor do Estado na passada quarta-feira. O que é preciso é criar a ideia de que estamos a alimentar o “monstro”. Que ele não exista, é indiferente.

O João Miranda resolveu levar a lógica até ao fim. Não lhe chega libertar-se dos impostos, quer acabar com o Estado. Acabar não, apenas defende a sua indigência. “Pode haver um Estado sem impostos?”, pergunta, para logo a seguir confirmar a tese: ”claro que pode”. Como? Privatiza-se tudo o que mexe e respira. O que não der para privatizar municipaliza-se. O que tem o pequeno inconveniente de só mudar o nome às coisas, municipalizando a cobrança de impostos. Não está fácil perceber como é que isto funciona, reconheça-se.

Mas o João Miranda tem um argumento de arromba. Já há estados que não cobram impostos: o Vaticano, Tuvalu e, veja-se lá, até parece que Timor se prepara para viver das receitas do petróleo. Há o pequeno problema, claro, de que exemplos como o do Vaticano são difíceis de exportar, o Tuvalu ser uma pequena e híper miserável ilha com 10000 habitantes, e serem poucos os estados que possam viver das receitas do petróleo. Portugal gasta mais com as forças de segurança do que o orçamento combinado destes estados.

Depois há uma coisa chata chamada realidade. Os países nórdicos da Europa têm os impostos mais elevados do mundo da Europa e níveis de competitividade altíssimos. Será que o João Miranda acredita que alguém preferiaria viver no Tuvalu (com o seu rendimento médio de pouco mais de 1000 dólares/ano) do que nos países escandinavos ou nos EUA? Acho que o próprio João Miranda já sabe a resposta.

No fundo, os liberais que temos não aguentavam 3 segundos numa campanha eleitoral em que tivessem que confrontar os seus argumentos com a realidade. O seu ódio ao Estado e a tudo o que é público não precisa do confronto da evidência. Basta-lhes a cartilha. No fundo no fundo, são mais parecidos do que julgam com os ortodoxos estalinistas. O processo mental é o mesmo, só o fetiche é que é diferente.

publicado por Pedro Sales às 17:57
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
Foi você que votou neste senhor?
De seis em seis meses, já sabemos que vamos ter que gramar com as lições de governação do Compromisso Portugal. Calhou ser hoje. Desdobrando-se em entrevistas e declarações a toda imprensa, lá aparece o inevitável Carrapatoso, armado em Marcelo, a dar notas ao Governo e a explicar-nos - como se fôssemos muitos burros - do que é que o país precisa.

“As reformas mais difíceis não foram feitas”, ameaça o porta voz deste "grupo de cidadãos". Quais são? Liberalização dos despedimentos, o Estado pagar a inscrição nas escolas privadas, continuar o caminho na diminuição das reformas e aumento da idade de aposentação.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre a bondade da flexisegurança, versão Sócrates, recomendo vivamente a entrevista à Visão deste cavaleiro andante do neoliberalismo luso. ”Não se trata de liberalizar o despedimento. É preciso criar flexibilidade na rescisão com o empregador, mas, em dadas circunstâncias, têm que existir programas de coesão social e de protecção do individuo e da sua família”.

O discurso é igual ao de Sócrates, ponto por ponto. Não é de estranhar. Afinal, foi apenas ontem que um ministro do governo socialista apresentou aos parceiros sociais um pacote negocial para facilitar os despedimentos, a diminuição das férias e do valor do seu subsídio, o fim do limite do horário de trabalho diário, a possibilidade de baixar os salários, novos tipos de contrato precário. Uma vergonhosa adulteração do compromisso eleitoral que o partido socialista assumiu com os portugueses há pouco mais de dois anos.

Compreende-se, por isso, o esforço sobre-humano de Carrapatoso na imprensa. Arvorado em provedor dos cidadãos que nunca lhe deram procuração para o efeito, as ideias deste “grupo de cidadãos” têm feito o seu rápido caminho no Largo do Rato. Se tem propostas para governar o país tem boa solução. Candidate-se e leve o seu programa a votos.

Só que isso, e Carrapatoso é o primeiro a sabê-lo, é tudo o que os nossos liberais não podem fazer. Num país como o nosso, tinha o insucesso como destino certo. Assim é muito mais fácil. Usam a força da sua máquina económica, e um acesso privilegiado à imprensa, para subverter, nos bastidores, o sentido do voto popular. Que o Partido Socialista alinhe no jogo, pondo o seu programa eleitoral na gaveta, diz-nos muito sobre o perfil do "nosso" engenheiro.

publicado por Pedro Sales às 16:50
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
O Canadá, esse pesadelo da burocracia socialista
A poucos dias de estrear o mais recente documentário de Michael Moore, Sicko, e os liberais cá do burgo já andam na net à procura de textos internacionais que desmintam os seus pontos de vista a favor de um sistema público de saúde. O Insurgente descobriu o argumento que faltava para nos mostrar que um sistema público funciona pior do que um exclusivamente privado: as listas de espera para cirurgia, no Canadá, são um inferno. Quatro meses, é este o tempo médio que os pobres dos canadianos têm que esperar se tiverem que tirar a vesícula ou ser operados à hérnia.

O problema, e é isso que parece escapar ao André Azevedo Alves, é que nos EUA, quem não tem posses para ter um seguro privado de saúde e precisa de fazer um Tac ou tirar a vesícula, não espera 4 meses para ser operado: fica em casa à espera de melhoras e que o problema passe. Se a doença for terminal, pode ser que até se arrume o assunto em menos de 4 meses. No Canadá, ou em Portugal, é operado.

Tenho uma dura revelação para si, André. Eu sei que é chocante, e até injusto, mas o mundo não foi só feito para os poucos que têm posses para recorrer à medicina privada, e, repare lá, o Sistema Nacional de Saúde também não.

publicado por Pedro Sales às 09:49
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Kentucky e Portugal, a mesma luta

Os Pibs que o PIB tem. Um mapa dos Estados Unidos a que cada estado corresponde uma economia estrangeira (comparados por PIB e, parece-me, alguma semelhança geográfica -- por exemplo Coreia e Florida). Tem muitos muitos problemas (a comecar nas principais ausências: UK, Itália, Espanha, China etc; a continuar nas nuances que o PIB não mostra). Mas serve bem para mostrar o quanto cabe em 13 triliões de dólares. Via aqui (com uma boa discussão nos comentários sobre estes números, havendo quem sugira que Portugal está antes com o Louisiana), por sua vez daqui e aqui. (blog norueguês que usou o mapa para explicar o lugar ocupado no mapa pela Noruega).

publicado por Filipe Calvão às 11:25
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