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Zero de Conduta

Zero de Conduta

05
Jan08

Faltam onze meses para o Governo decidir quem é que fica com o novo canal televisivo

Pedro Sales
Fazendo uma festa com essa extraordinária proeza, o Governo garante que o aumento das pensões permite a manutenção do poder de compra a 1,6 milhões de reformados que vivem com menos de 400 euros por mês. Mais papista que o Papa, o Jornal de Notícias diz que "0 poder de compra perdido durante 2007 será, assim, compensado para 2,4 milhões de reformados".
04
Jan08

O tal canal

Pedro Sales

Portugal tem o mercado publicitário mais distorcido da Europa. Como em nenhum outro país, os anunciantes concentram o seu dinheiro na televisão (70% do volume de anúncios) e só não o fazem de uma forma mais intensa porque existem limitações legais que o impedem. A abertura do concurso para mais um canal de televisão em sinal aberto vai reforçar essa tendência, tornando ainda mais complicada a já debilitada situação financeira da maioria dos títulos da imprensa escrita. Uma comunicação social sem recursos e em permanente guerra para captar audiências e anunciantes não deveria interessar a ninguém, jornalistas incluídos. Conduz à degradação da informação. Ao fim do jornalismo de investigação. À diluição da autonomia dos seus profissionais. À diminuição da independência face ao poder politico e económico. À tabloidização de toda a imprensa, incluindo a de referência.

Abrir um canal televisivo em sinal aberto não é o mesmo que abrir uma padaria ou fábrica de curtumes. Tem profundas implicações no funcionamento do sistema democrático. A revolução não será televisionada, já diz a famosa canção dos anos 70, mas a verdade é que a democracia passa cada vez mais pela televisão. Para o bem e para o mal, a comunicação social é o principal mediador entre o sistema politico e a população. Não é por acaso que é nos liberais EUA que encontramos a legislação que mais entraves coloca à concentração da comunicação social. Por cá, contudo, o argumento liberal é que este licenciamento é um intrusão do Estado no normal funcionamento do mercado que deveria ter o direito de criar as estações em sinal aberto que entendesse. Dizem-no como se o licenciamento público das televisões generalistas fosse uma originalidade nacional e não ocorresse o mesmo em todos os outros países. Ao contrário do que argumentam, uma comunicação social sem meios de subsistência, e com profissionais cada vez mais precarizados, é que se torna refém de todo o tipo de interesses. A começar pelos mais fortes. Os do governo e os dos grandes grupos económicos.
29
Dez07

E para o ano, se não der muito trabalho, vejam lá se acabam com o desemprego e colocam a economia a

Pedro Sales
"Se o Sol não tivesse nascido a 16 de Setembro de 2006, o concurso da Ota já se teria realizado e a localização do novo aeroporto de Lisboa seria irreversível". É desta forma que este semanário dá à estampa uma das mais delirantes notas editoriais de que há memória. "Só por isto teria valido a pena lançar este jornal", asseveram. O "só" é para enganar, claro, que não há espaço para a modéstia na capa deste semanário que nos faz o favor de adiantar os temas em que "marcou a agenda" de 2007."O Sol trouxe mais, muito mais, à imprensa portuguesa e ao país". É uma pena terem parado por aqui, porque aqui chegados já só estamos à espera de encontrar sinais indesmentíveis do contributo decisivo do semanário para a excelência do último filme dos irmãos Coen, nos avanços na pesquisa com células estaminais e para a assinatura do Tratado de Lisboa. A desmesurada imagem que José António Saraiva tem de si próprio é responsável por algumas dos mais hilariantes editoriais e crónicas de que há memória na imprensa nacional. Mas, que consiga transportar as suas idiossincrasias pessoais de uma forma tão marcada para a primeira página de um jornal com alguns excelentes profissionais, sem que ninguém tema cobrir-se de ridículo, começa a ser um caso de estudo que merece ser seguido com atenção.
15
Dez07

Jornalismo de referência?

Vasco Carvalho











às vezes gostava de não ter de verificar a notícia duas vezes com a imprensa estrangeira. de vez em quando não me importava de confiar no que vem escrito. uma vez por outra gostava de ter a oportunidade de ler factos sem pensar em motivos ulteriores. para poder tirar as minhas próprias conclusões; manhosas, é certo, mas minhas. não era preciso ser sempre, só assim de vez em quando.

Jornalismo de referência? Dommage, não temos.
13
Dez07

E quem não salta não é português

Pedro Sales
Depois de incontáveis horas de directos televisivos, ficámos a saber o nome e os anos de serviço da guarda-freio da Carris que conduziu o eléctrico que transportou os chefes de Estado. Também nos informaram que, como é costume, Sarkozy contornou ao protocolo e que a ministra dos estrangeiros austríaca é mais alta do que Sócrates, “que até não é um homem pequeno”. Horas e horas de cobertura noticiosa sobre um tratado e conhecermos tudo à excepção do tratado. Não é de agora. Nunca houve cobertura jornalística sobre os assuntos europeus no nosso país. O que existe é a leitura acrítica das posições defendidas pelo Governo em exercício de funções, assumidas como comentário e análise jornalística. É uma visão ideia completamente disfuncional sobre os interesses do país.

O Miguel Vale de Almeida fez um curioso exercício e comparou a cobertura que a imprensa portuguesa e internacional fez da Cimeira Europa/África. O estrondoso sucesso entre portas é substituído pelas críticas à ausência de resultados práticos e ao insucesso das parcerias económicas. A União Europeia, e os temas internacionais, são analisados pela imprensa nacional com o mesmo distanciamento e espírito objectivo com que são feitos os comentários televisivos dos jogos da selecção nacional de futebol. Não deixa de ser irónico que seja precisamente num processo de integração à escala europeia que mais se faça sentir o sentimento patrioteiro comunicacional.

Compreende-se, por isso, a agressividade com que parte dos comentadores começam a reagir ao que, há bem pouco tempo, era um consenso nacional que juntava todos os partidos: a existência de um referendo para ratificar o Tratado. Como diz hoje Paulo Baldaia, num editorial no Jornal de Notícias (sem link), não pode haver referendo porque pode dar-se o caso do povo ir às "urnas cuspir na mão que lhe deu de comer" e colocar "todos os outros 26 países a marcar passo". A conclusão é lapidar. Votar "não" é colocar Portugal fora da União e fora da Europa. O volte face está consumado. Já não existe referendo ao Tratado. Existe um referendo à Europa. É a chantagem máxima, para a política mínima.
12
Dez07

Intel inside

Pedro Sales
Já se sabe que as prendas de Natal mais desejadas são as que aparecem na televisão. Já se tornaram banais os autocolantes na caixa dos brinquedos a anunciar que é o boneco "anunciado na TV". Novidade, novidade é ver um gigante da informática, como a HP, a anunciar no seu site o computador do "saco do Expresso". Processador, programas instalados, anti-vírus? Nada disso. Se vem no saco do Expresso é porque é bom e é rápido. O marketing move-se mesmo de formas misteriosas.
07
Dez07

Tendências

Pedro Sales
O juramento de castidade é “o novo ritual das virgens americanas”. Quem o diz é a Sábado, na sua edição de quinta-feira, que dedica duas páginas aos “bailes da pureza”, a “última moda entre os cristão conservadores norte-americanos”. São mil e quinhentos bailes num país com mais de 300 milhões de habitantes. Manifestamente pouco para apresentar uma “tendência”. Depois, logo por azar, na véspera desta reportagem ficámos a saber que, pela primeira vez em 16 anos, a gravidez na adolescência cresceu nos EUA. Como subiram, também, os números das doenças sexualmente transmissíveis. São as consequências directas do fanatismo conservador de Bush e do desmantelamento das campanhas de prevenção, substituídas por idiotas e ineficazes campanhas de promoção da abstinência sexual.

É este o problema destas reportagens ligeiras que enchem edições inteiras de revistas como a Sábado. Apresentam-nos casos e tendências sem nenhuma articulação com a realidade. Tomam os salões de baile da alta burguesia como o retrato do mundo. A fechar a notícia, duas linhas referem um estudo das universidades de Columbia e Yale:”88% das jovens que juraram manter a castidade até ao casamento não o cumpriram”. A Sábado apresenta o juramento de castidade como uma “tendência”. Not so fast. A tendência é mesmo as jovens quebrarem o juramento. E a de algumas reportagens não terem nada a ver com o sensacionalismo do título.
16
Nov07

Parem as máquinas...

Pedro Sales

...temos que entrar em directo para avisar que o Presidente da República, e Ramos Horta, vão jantar um flan de espargos, uma perdiz à convento de alcatra, um "papão" de ovos e fruta. Mais importante, Ramos Horta vai estar sentado entre Manuel Alegre e Maria Cavaco Silva. Ainda bem que o Santana não estava em estúdio.
06
Nov07

"O debate"

Pedro Sales
Santana Lopes andou mais de uma semana a anunciar que se estava a preparar para a reedição dos seus debates com José Sócrates. Ontem, na TSF, falava da abertura de um “novo ciclo político” comparável ao de Cavaco Silva. A imprensa foi na onda. Os jornais da manhã anunciavam a coisa em tons épicos. A Sic Notícias fez um separador para a ocasião. O espectáculo estava montado, as galerias cheias, a Assembleia silenciosa. Só se esqueceram que não basta ter um actor para ter filme. É preciso que ele conheça o papel. Santana foi igual a Santana. Um flop. Tinha cinco minutos para questionar o primeiro-ministro. Perdeu-se a falar do seu tema preferido. Ele próprio. Nos escassos segundos que deixou para falar do Orçamento ninguém percebeu do que é que estava a falar. Ainda inventou uma qualquer figura regimental para tentar um remake. Outra vez o mesmo filme. Penoso e vazio.

Existe um mito que a imprensa acredita e que anda a “vender-nos” há anos. Santana Lopes é um bom orador e um adversário temível em debates. Nada mais errado. Santana Lopes só conhece um dossier. Dá para encher as páginas de jornais com mil e uma efabulações, mas não dá para mais nada. Depois, a imagem de estroina instável persegue-o. Para compensar a ligeireza da imagem, e assumir a pose de Estado, veste um fato que não é o seu. É um peixe fora de água. São os dias em que traz os óculos para falar de improviso. Nem sempre basta andar por aí, é preciso saber o que se faz. Só faltou Sócrates virar-se para Santana e dizer-lhe: “foi porreiro, pá”.

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