Sábado, 26 de Janeiro de 2008
A lei era só a brincar, não me digam que acreditaram?
Quando alterou a lei de imigração, há coisa de um ano, o partido socialista introduziu uma série de mecanismos legais para proteger as vítimas do tráfico de seres humanos. Na primeira oportunidade que teve para aplicar a sua lei, e podendo conceder uma autorização de residência aos 23 marroquinos que denunciaram as redes ilegais que os exploraram, expatriou-os para Marrocos, onde ainda se encontram detidos com criminosos de delito comum. Foi esse o prémio por terem colaborado com as autoridades nacionais: serem recambiados, às escondidas dos seus advogados, e entregues à mercê dos criminosos que acabaram de denunciar. Deve ser a isto que o Governo chama acolhimento com humanismo.

publicado por Pedro Sales às 22:45
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
O buraco negro da lógica
Perante as notícias que dão conta da ruptura total das urgências de Faro, o ministro Correia da Campos reconhece o problema, anuncia um novo hospital para daqui a quatro anos, mas adverte que o hospital em "Faro tem um problema que torna difícil o seu funcionamento perfeito, que é a sua sazonalidade". "Tem uma parte do ano, dois ou três meses, em que a sua população triplica". Declarações que, certamente, devem ter sossegado todos os algarvios. Se em Janeiro é como é, com macas e macas a amontoarem-se no corredor, estará o ministro a querer dizer que em Agosto vai ser três vezes pior? Correia de Campos, não há dúvida, desafia mesmo todas as regras da lógica.

publicado por Pedro Sales às 19:48
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
E a Portela?
O ministro Mário Lino, com cara de poucos amigos, junto dos gémeos Sócrates

O aeroporto vai ser em Alcochete. Depois do volte-face no pagamento às prestações do retroactivo das pensões, é a segunda vez que o Governo cede no espaço de dois dias. Só que, ao contrário da primeira, o Governo envolveu-se dos pés à cabeça na defesa da Ota. Era um “compromisso pessoal” de Mário Lino, ministro cujos acalorados argumentos entraram instantaneamente para o anedotário nacional. O Governo recuou e fica-lhe bem. Que o ministro permaneça compreende-se pior.

Mesmo cedendo na localização do aeroporto, o governo parece insistir no desmantelamento da Portela. Ontem, nunca falou na complementaridade das duas infra-estruturas. A Portela foi a carta ausente do baralho. Não se compreende. Fazia sentido complementar os dois aeroportos. Fica mais barato, permite uma construção faseada do novo e uma maior capacidade para, articulando os dois aeroportos, ir respondendo às alterações nos fluxos e a novos comportamentos turísticos. A tentação de construir uma gigantesca cidade aeroportuária e abdicar da centralidade e centenas de milhões de euros investidos na Portela é grande. Não há governo que não trema de contentamento perante a hipótese de associar o seu consulado a uma obra emblemática. Até agora, Sócrates só tem diminuído as pensões e fechado centros de saúde. Obra para encher o olho e impressionar os eleitores, nada. Sócrates pode estar de relações cortadas com Alberto João Jardim, mas sabe tão bem como este que é de inaugurações que o “meu povo gosta" Esta inacção construtora é que não pode continuar. "Jamé, Jamé".

PS:
Começam a faltar argumentos para classificar os despropósitos diários de Luís Filipe Menezes. A conferência de imprensa que ontem deu para dizer que o Governo "muda frequentemente de opinião, e que mostra convicções pouco profundas”, andando a “reboque de posições tomadas apropriadamente pelo PSD em Outubro, quanto ao referendo, e em relação à OTA, nas últimas semanas” foi patética. As mudanças de posição do Governo correspondem, sem tirar nem pôr, às do PSD. Por isso a referência às últimas semanas. É que, para ser justo, se o Governo andou a reboque de alguém foi de Marques Mendes. E Menezes andou a reboque de toda a gente, tentando fazer esquecer os dois anos em que assinou artigos a defender tudo o que Sócrates dizia, da Ota ao encerramento das urgências. O boneco do Contra-Informação de Menezes não lhe faz justiça. O original é muito mais engraçado.
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publicado por Pedro Sales às 08:24
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
"Jamais"

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publicado por Pedro Sales às 20:52
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Contente com quê?
No auge do autismo cavaquista, o então primeiro-ministro orgulhava-se de despachar os jornais em cinco minutos. Sócrates deve ir pelo mesmo caminho, pois só assim se pode compreender a sua afirmação de que "2008 será melhor que 2007, como 2007 já foi melhor do que 2006". 2007 foi um bom ano? Um dia antes das janeiras que cantaram para um animado primeiro-ministro, o Público indicava que a "situação financeira das famílias [está] tão má como no auge da crise ", um dia depois o Eurostat fez saber que Portugal foi um dos dois países europeus em que o desemprego subiu em 2007. 2008 será ainda melhor, garante José Sócrates, tentando esquecer-se de que o petróleo está nos 100 dólares, da crise financeira à escala mundial e que a economia americana se encontra em retração. A vida não melhora se nos esquecermos das dificuldades, o ano não corre melhor por não nos lembrarmos dos problemas.

Apanhando a onda, o ministro das finanças diz que a economia está "robusta" e que o Governo "não vai pedir mais sacríficios aos portugueses". Pois. Ainda hoje, o Correio da Manhã dá conta de que o Governo dividiu o retroactivo de Dezembro das pensões pelos ano de 2008. Ou seja, numa pensão média de 400 euros, que tem um aumento de 9,6 euros mensais, o pensionista não está a receber este valor este mês, mas sim 68 cêntimos repartidos pelos 14 meses. 68 cêntimos. Sempre dá para beber mais um café por mês. Razão tem o ministro das finanças. Acabaram-se os sacrifícios. Agora é só a normalidade da governação. O que, no seu caso, não é grande razão para alívio.

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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
Forreta mas contente

Perante as críticas da oposição sobre os miseráveis aumentos das pensões, o Governo respondeu com um comunicado onde garante que 90% dos pensionistas mantêm o poder de compra. Se a taxa de inflação for a que calcula Bruxelas (2,7%) nem isso é verdade, mas a reacção do Governo é exemplar porque nos revela que:
  1. 90% dos pensionistas têm reformas abaixo dos 611 euros.
  2. O Governo desistiu de combater a pobreza, renunciando a recuperar o poder de compra das centenas de milhar de idosos que vivem com menos de 300 euros por mês.
  3. A manutenção do inexistente poder de compra dos mais pobres dos mais pobres é quanto basta ao Governo para se congratular com os aumentos concedidos a 1,6 milhões de pessoas que recebem menos do que o salário mínimo nacional.


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Sábado, 29 de Dezembro de 2007
Computador crashou sem conseguir encontrar um T1 no Porto por 220 euros
Alegando uma (conveniente) avaria no sistema informático, o Governo alargou o prazo para as candidaturas ao Porta 65, o novo programa de apoio à habitação jovem, cujas condições de acesso parecem ter sido feitas consultando os preços do mercado imobiliário de 1988.

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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
Spin para principiantes
Fazendo eco de um comunicado do Ministério do Ensino Superior, a quase totalidade dos jornais diz hoje que os “empréstimos da banca abrangem já 800 alunos”. “Já” é mesmo a palavra chave. Em Agosto, com a habitual pompa mediática, primeiro-ministro e ministro anunciaram um programa de empréstimos sem fiador para os alunos do ensino superior, anunciando que o programa deveria beneficiar 30 mil estudantes. Agora, que começam a surgir as críticas dos bancos, o governo congratula-se com a adesão de 800 estudantes, quase 40 vezes menos do que as metas apresentadas. “Já” dizem os jornais, referindo-se a um programa que, dois meses depois de terem começado as aulas, chega a menos de 0,3% do universo a que se destina.

É a isto que se chama uma gestão comunicacional perfeita. O primeiro-ministro anuncia a proposta com as televisões e rádio atrás. Um mês depois, quando a medida entra em vigor, os jornais fazem um dossier . Depois, perante o evidente desinteresse e confusão entre os destinatários, a avaliação do seu impacto vem numa nota de rodapé , e, mesmo essa, com o “dedo” do governo. “Já” são 800 em 350 000. Boa sorte. Tem tudo para ser um sucesso.

publicado por Pedro Sales às 18:39
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
Se o seu marido lhe oferecer pancada, isso é Phone ix
O Governo está preocupado com a violência doméstica. Vai daí, entregou uma proposta na Assembleia da República em que pretende retirar as pulseiras electrónicas aos agressores, substituindo esta medida pela entrega de um telemóvel às vítimas. Um telemóvel? Mas, como é que o Governo espera que as mulheres se defendam com um telefone? Atirando-o à cara do agressor, ou pedindo-lhe para interromper a sessão de pancada para telefonar à polícia? As pulseiras tinham uma função. Afastar fisicamente vítimas e agressores. O telefone não resolve nada. Se a moda pega, é uma festa. Altera-se outra vez o Código Penal e transferem-se as medidas de coacção do agressor para a vítima. Depois dá-se-lhe um telefone. Quem sabe para pedir desculpas pelo incómodo.

publicado por Pedro Sales às 18:10
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007
Porta fechada
340 euros para um T0 ou T1 em Lisboa. 220 se for no Porto. 680 euros para um T3 ou T4 na capital, 440 no Porto. São estes os valores da “renda máxima admitida” pelo “Porta 65”, o novo programa de apoio à habitação jovem lançado pelo governo. Como toda a gente percebe, e o Diário de Notícias confirmou quando foi ver os preços do mercado de arrendamento, não existem casas a esse preço. Em quase dois mil apartamentos no portal do Sapo, apenas 27 cumprem os requisitos financeiros exigidos pelo “Porta 65” para Lisboa. No Porto há uma casa disponível. No site Lar Doce Lar o panorama é idêntico. Em 179 ofertas de arrendamento no Porto nenhuma se conforma aos valores propostos pelo Governo. Nada, nenhuma, niente.

Alguns dos princípios presentes no Porta 65, como o plafonamento e a existência de escalões, até fazem sentido para evitar eventuais abusos e o inflacionamento artificial do mercado. Tudo bem. Mas, que importa isso, se depois o Estado só apoia rendas irreais que ninguém encontra deixando quase todos os jovens de fora do programa? O Governo orgulha-se de que, com esta iniciativa, vai poupar 20 milhões de euros. Diria mesmo mais. Com estas “rendas máximas admitidas” arrisca-se mesmo a não gastar um cêntimo que não seja na generosa campanha publicitária que, como é costume, acompanha todas as propostas do partido socialista.

PS: Já existe, entretanto, um blogue e uma petição a circular contra esta medida do Governo.
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
A taxa que não saiu do saco
Afinal o governo não quer cobrar nenhuma "taxa ecológica" nos milhões de sacos que são distribuídos nas grandes superfícies. Nem pensar, diz o secretário de Estado. Não passou tudo de um estudo num anteprojecto que o Governo encomendou mas não aceitou. Não por acaso, de acordo com o Público, a SONAE e as grandes distribuidoras apressaram-se logo a criticar esta hipótese. O Governo cedeu. Fez mal. Na transigência e em meter a “taxa ecológica” no saco. Todos os anos são distribuídas 2000 toneladas de sacos de plástico. São milhões e milhões, a maioria das vezes para levarem um ou dois produtos. São milhares de toneladas de CO2. Ao contrário do que o governo quer fazer crer já pagamos os sacos. Na degradação da qualidade do ar e na poluição que perdura no ar por décadas e décadas. Para nem falar das emissões ambientais

Diz o secretário de Estado que o preço dos sacos não poderá ser "tão grande que pareça desproporcionado em relação ao objectivo", devendo "sensibilizar o cidadão para outras alternativas". Pelo contrário. O preço deverá ser mesmo um facto de dissuasão. É o único eficaz. A importância de taxas como esta é a de induzirem alterações no padrão da utilização de produtos que são, por natureza, ambientalmente nocivos, passando do desperdício para a substituição. E isso só é possível se a diferença entre o preço dos sacos vulgares e os reutilizáveis for mínima. Tudo o resto é pura cosmética. É o que já está a ser feito na Irlanda e começa a ser seguido um pouco por toda a Europa. Em Inglaterra é diferente. Mais de 80 cidades preparam-se para banir, totalmente, os sacos.

Mas a forma como o governo matou, ainda antes de nascer, uma “taxa ecológica" sobre o desperdício ambiental diz bastante sobre a sua forma de acção. O mesmo governo que usa e abusa da sua autoridade sobre trabalhadores e sindicatos é o primeiro a recuar perante as pressões das grandes cadeias comerciais. Aqui já não interessa ser moderno e acompanhar os restantes países europeus. José Sócrates fez da autoridade e determinação a sua imagem de marca. Há quem o compare a Cavaco Silva. Pode ser. Mas, quando é a SONAE que protesta e se faz ouvir, é o “dialogo” e as cedências de Guterres que encontra do outro lado.
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
Ele lá deve saber
Vera Jardim declarou ontem, aos microfones da Rádio Renascença, que tem dúvidas sobre o modelo de gestão previsto pelo Governo para as Estradas de Portugal: "Manuel Alegre falou da privatização encapotada de um bem público. As dúvidas têm razão de ser porque é um modelo completamente novo." Palavras importantes, não só porque Vera Jardim faz parte da Comissão Política do PS, mas porque, como se pode ler no relatório do Tribunal de Contas sobre as Estradas de Portugal E.P.E, o Governo encomendou a elaboração das "minutas de propostas de diplomas legislativos" ao escritório de Vera Jardim - a Jardim, Sampaio, Caldas & Associados - as quais resultaram nos diplomas e base da concessão já publicados em Diário da República.
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publicado por Pedro Sales às 17:08
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
A estabilidadezinha do ministro Vieira
Somos os primeiros em qualquer coisa. Pena que seja o desemprego na zona euro. egundo o Eurostat são já 8,5 por cento, um aumento de 7 décimas em relação ao mesmo período do ano passado. E nem vale a pena falar do clima económico. Nos restantes países, o desemprego diminui de 7,8% para 7,2%. Devem ser as "boas notícias" de que falava Vieira da Silva há duas semanas. Há dois meses que Vieira da Silva vem insistindo na “estabilização” dos números do desemprego. Há dois meses que o desemprego quebra recordes históricos no nosso país. A disparidade entre os números oficiais nacionais e europeus, que seguem critérios idênticos em todos os países da UE, não pára de aumentar, mostrando como o governo alterou os critérios para “limpar” as estatísticas. Pena que exista essa chatice dos organismos europeus que vêm manchar o trabalho do engenheiro Sócrates e a "estabilidade" do ministro Vieira.

ps: Há pouco mais de dois anos, José Sócrates considerava que "sete por cento é a marca de uma governação falhada" e "de uma economia mal conduzida". Lembram-se?

Actualização: Afinal, o desemprego não aumentou em relação ao último trimestre. Os números que o Eurostat divulgou pela manhã estavam errados e a taxa de desemprego diminuiu dos 8,3% para 8,2%. São boas notícias, claro, mas que não escondem o essencial. Independentemente das variações sazonais, a taxa homóloga, que é a que verdadeiramente conta, regista um aumento do número de pessoas sem emprego: de 7,8% para 8,2%. E em contraciclo com os restantes países, onde o desemprego caiu bastante no último ano.

publicado por Pedro Sales às 17:10
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007
Se é o governo que o diz...

PS admite que fez "maldades" aos trabalhadores da função pública.
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publicado por Pedro Sales às 16:44
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
O Pavlov escreveu umas coisas sobre o assunto
O Governo Civil de Braga solicitou a reabertura do processo contra os sindicalistas que, alegadamente, insultaram o primeiro-ministro numa manifestação. José Sócrates já tinha garantido publicamente que o governo não tinha intercedido na decisão de processar os sindicalistas e que não tinha nenhuma intenção de o fazer. Pode ser. Mas ontem, o Governo Civil, descontente com o arquivamento decidido pelo Ministério Público, pediu a reabertura de um processo que não tem pés nem cabeça. Se não responde perante o primeiro-ministro, de quem é o representante no distrito, o governador responde perante quem? Mais do que o autoritarismo do Governo, casos como este são exemplares sobre os critérios que têm presidido à nomeação de sucessivos governadores civis, directores gerais, regionais e de serviço. Fidelidade, cartão partidário e um criteriosa "confusão" entre os interesses do Estado, governo e partido. Depois, quando as coisas correm mal e chegam à imprensa, há sempre a desculpa do excesso de zelo. Como se não tivesse sido esse um dos principais critérios para a nomeação.

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Uma vez é erro, dez é vigarice
O Governo deve voltar a falhar este ano a meta de inflação, completando pelo menos 10 anos de erros nas suas previsões, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística e com as contas realizadas pela agência Lusa.

Desde 1998, o erro médio da previsão da taxa de inflação que consta do orçamento do Estado face à inflação efectivamente verificada foi de 0,62 pontos percentuais, sendo que em todos esses anos, com excepção para 2006, a taxa prevista ficou sempre abaixo da verificada.Curiosamente estes "erros" têm sempre lugar na semana em que se negoceiam os aumentos salariais para o ano seguinte, vá-se lá saber porquê.

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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Conversa de café
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anunciou, há menos de uma semana, que existem grandes empresas da construção civil que fogem sistematicamente ao fisco. Hoje, no encerramento do debate sobre o Orçamento de Estado, acaba de dizer que há vários contribuintes que pagam pensões de alimentos superiores ao que declaram receber. Acredito que o cidadão Amaral Tomaz ache engraçado contar em público os mirabolantes expedientes utilizados na evasão fiscal. Só que Amaral Tomaz é o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e era suposto que, para além das graçolas, fizesse alguma coisa para pôr um ponto final nas situações que vai contando com um sorriso maroto. Isto se não for pedir muito, claro.
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Vamos pagar Quioto
“Vamos ultrapassar os tectos de emissões, mas vamos cumprir Quioto”, declarou ontem o ministro do Ambiente. Por outras palavras, vamos pagar para continuar a poluir ao ritmo actual. Segundo os últimos números, estamos 15,8% acima do valor de referência calculado para Portugal. São 9 milhões de toneladas que o país vai ter que pagar, investindo em energias limpas em países em vias de desenvolvimento ou comprando emissões no mercado de futuros do carbono. Na semana passada o preço deste último estava nos 24 euros/tonelada. Mesmo com a flutuação do preço - que até tenderá a subir -, são sempre mais de 200 milhões de euros por ano, a pagar essencialmente pelo Estado. Nunes Correia diz que vamos cumprir Quioto. Não, senhor ministro, os contribuintes vão pagar Quioto e a irresponsabilidade ambiental dos últimos governos. Que o diga com essa ligeireza, só indica que está quase no mesmo patamar de irresponsabilidade de Mário Lino ou Manuel Pinho. Dê-lhe Sócrates mais oportunidades e ainda lá chega.
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
O glorioso caminho para a novilíngua socialista
Vieira da Silva parece ter atingido o ponto em que o seu discurso deixou de ser inteligível, um processo também conhecido como o síndroma Manuel Pinho e Mário Lino. Hoje, reagindo às notícias que dão conta que o desemprego permaneceu nos 7,9% no último trimestre, congratulou-se com os números, dizendo que "este ano a taxa de desemprego não cresceu do segundo para o terceiro trimestre. É um bom sinal". O bom sinal perscrutado por Vieira da Silva corresponde à estabilização do desemprego no nível mais elevado de sempre e na terceira taxa mais elevada da zona euro. As suas declarações revelam um notável esforço para torturar os números até eles cederem, pelo cansaço, ao notável esforço para criar uma novilíngua socialista. Vejamos.
O ministro reconheceu que o problema do desemprego ainda não está resolvido. Ainda bem que reconhece. Há 444 400 boas razões para que assim proceda.

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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
Há coxos mais rápidos que o primeiro-ministro

"O prazo não está ainda fixado". Foi assim que José Sócrates respondeu às críticas sobre a concessão das estradas de Portugal até ao último dia do século XXI. É até 2099, o que não quer dizer que tenha que terminar em 2099, garantiu o primeiro-ministro com a sobranceria do costume. O decreto foi ontem conhecido. Diz que "a concessão expira às 24 horas do dia 31 de Dezembro de 2099". Foi aprovado no Conselho de Ministros de 27 de Setembro. Seis semanas antes de José Sócrates garantir que ainda nada estava decidido, já o mesmo José Sócrates tinha assinado um decreto lei para atribuir a concessão até ao fim do século. Confrontado com as críticas do Bloco e PCP desdisse o óbvio. A decisão já estava tomada. Mário Lino já o disse para quem o quis ouvir. A concessão é para durar até aos trinetos de Sócrates tirarem a carta de ccondução. O assunto é incómodo e as pretensões do Governo para as Estradas de Portugal são cada vez menos claras, mas não vale a pena faltar à verdade de uma forma tão descarada. É que pode parecer que não só é costume como é mesmo este o feitio do primeiro-ministro.
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publicado por Pedro Sales às 02:09
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007
Com a verdade me enganas
Suprema ironia. O mesmo governo que ganhou as eleições prometendo autoestradas sem portagens, admitiu ontem que pode vir a instituir portagens na rede de estradas de Portugal.

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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Anatomia de uma farsa
"Tudo faremos para que os funcionários públicos não percam poder de compra", disse o primeiro-ministro há menos de um mês. Há dois dias, o Governo fixou os aumentos para a função pública em 2008 nos 2,1 por cento. Hoje, a Comissão Europeia agravou a previsão da inflação portuguesa para 2,4 por cento em 2008.
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Queremos mentiras novas
"Tudo faremos para que os funcionários públicos não percam poder de compra", disse José Sócrates há menos de um mês. Uma promessa, mais uma, que não é para levar a sério. Ontem, soubemos que os aumentos destes funcionários vão ficar nos 2,1%, um valor de referência também para o sector privado. O mesmo valor que o Governo prevê para a inflação em 2008. Como há anos e anos que sucessivos governo revêm a inflação em alta depois de decidir os aumentos salariais, o resultado deverá ser o mesmo dos últimos nove anos: a diminuição do poder de compra os portugueses. Os mesmos a quem José Sócrates deu os parabéns pelos sacrifícios para atingir os 3% de défice, ficaram agora a saber que até atingirmos os o,4% de défice "não podemos entrar em veleidades". Os sacrifícios são para continuar, pelo menos até 2010, asseverou o ministro das Finanças.

A ameaça do défice legitima todas as restrições sociais. É como a história do bastão e da cenoura. Como o primeiro nunca apanha o vegetal, corre sempre atrás da sua ilusão. Não existe nenhuma evidência que garanta que a existência de um défice zero estimula a economia. A obsessão com o défice é apenas a ameaça que justifica todas as restrições sociais, bem como o corte nos serviços públicos ao mesmo tempo que se aumenta a carga fiscal. Primeiro era preciso deixar para trás o défice excessivo. Depois a meta passou a ser atingir os 3 %. Agora, é para chegarmos aos 0,4% em 2010. Depois, logo se inventa qualquer coisa para continuar a cortar nos salários e nos serviços públicos. Podiam ser mais originais. Queremos mentiras novas.



publicado por Pedro Sales às 10:49
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
E, como também atravessamos algumas pontes romanas, até pensámos em fazer uma concessão até 4007
Ponte Romana em Pônsul
"Ainda andamos em algumas estradas do século XIX", ministro das Finanças, no Prós e Contras, justificando a concessão até 2099 das Estradas de Portugal a capitais privados.


publicado por Pedro Sales às 00:23
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
"Jamé" pus os olhos em cima desse relatório
O "Sol" refere que o Tribunal da Contas critica duramente, num relatório ainda não divulgado publicamente, a gestão das Estradas de Portugal e a introdução de uma nova taxa para financiar a empresa. Em resposta, o Ministério das Obras Públicas afirmou desconhecer este relatório do Tribunal de Contas, apesar do semanário incluir várias citações da resposta do Governo à auditoria efectuada pelo tribunal.
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publicado por Pedro Sales às 13:56
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
382866
A TVI divulgou, ontem à noite, as conclusões do Inquérito da Inspecção-Geral de Saúde de 2006. Segundo esse estudo, que foi ocultado pelo governo durante mais de um ano, em 2006 existia uma lista de espera de 382.866 pedidos para uma primeira consulta de especialidade hospitalar. Uma notícia duplamente incómoda. Pelo que revela da política de saúde do Governo, mas também sobre a metodologia política do próprio. Em primeiro lugar, e como se torna evidente, um número desta grandeza é a consequênca directa de uma política continuada de concentração e encerramento de serviços. Depois, e essa parece ser a parte que o governo menos percebe, não basta ter médicos. É preciso que eles estejam nos hospitais e centros de saúde. A exclusividade da carreira deve ser valorizada como a norma e não como a excepção. O Governo tem seguido o caminho oposto e, para poupar dinheiro, tem criado e favorecido todas as condições para os médicos encararem o serviço público como um pé de meia garantido que lhes permite, depois, ganhar mais dinheiro no privado.

A forma como o documento foi conhecido, através da imprensa, é reveladora sobre o entendimento instrumental que Correia de Campos tem dos organismos da administração pública e do escrutínio democrático dos actos do Governo. É inaceitável que os dados da administração pública sejam encarados pelo ministro como propriedade sua, divulgando o que entende e quando bem entende. Pode parecer estranho a Correia de Campos, mas este dado é quase tão significativo como o primeiro.
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publicado por Pedro Sales às 19:21
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Domingo, 28 de Outubro de 2007
Já que fala nisso...
Qual foi o debate mais difícil para o governo?, pergunta o JN ao ministro Santos Silva. A taxa de desemprego que não pára de aumentar? O crescimento da economia que não há maneira de atingir a média europeia? Nada disso. O momento mais embaraçoso foi quando tiveram que atirar as culpas para o seu antecessor, responde o ministro dos assuntos parlamentares, num notável exercício de cinismo político. "Foi em Maio de 2005 quando tivemos de anunciar que o défice estimado pelo Banco de Portugal para 2005 era 6,83% e que íamos proceder imediatamente a cortes de despesa e aumento de receita". Um valor desconhecido de todos, como então garantiu o Governo Sócrates. Uma história muito mal contada. Se não, reparem no que dizia Jaime Gama, no encerramento do debate orçamental, poucos meses antes do seu partido anunciar o aumento do IVA por causa do défice de 6%.



publicado por Pedro Sales às 14:18
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
200 000
Foto de Paulete Matos
A CGTP juntou ontem 200 mil pessoas contra o governo e a flexigurança. Foi uma das maiores manifestações em 30 anos de democracia. 200 mil não é apenas um número impressivo, é o sinal de uma alteração qualitativa da organização política do descontentamento social no nosso país. Em primeiro lugar é um sinal, evidente, da vitalidade dos sindicatos. E é um sinal que, por detrás do sorriso de Sócrates com os 3% do défice, há um cada vez maior número de portugueses que não agradece os "parabéns" do primeiro-ministro ao espírito de sacrifício dos portugueses. Quem vê o poder de compra diminuir pelo 9.º ano consecutivo, e ainda vê o ministro das finanças garantir que não existirá "folga" enquanto não se chegar aos 0,4% de défice, não encontra muitas razões para festejar. Não foi apenas uma franja de comunistas e bloquistas quem ontem se manifestou. A desvalorização que o primeiro-ministro fez do protesto é um dos sinais do autismo que parece ter tomado conta do governo a meio do seu primeiro mandato. Continuar a agitar o papão comunista ainda pode custar bem caro ao primeiro-ministro.

PS: Não foi só o governo quem entendeu desvalorizar a manifestação. No mesmo dia em que coloca na capa uma foto do Zidane e outra da Deborah Kerr, o Público não encontrou espaço para uma foto desta gigantesca manifestação, em mais uma prova de que a imprensa está definitivamente tomada pela esquerda.
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publicado por Pedro Sales às 15:07
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
A marca de uma governação falhada

José Sócrates, na campanha eleitoral de 2005, diz que 7,1% de desemprego são a "marca de uma governação falhada" e de uma "economia mal conduzida". Em Outubro de 2007, com José Sócrates como primeiro-ministro, Portugal tem 8,3% de desempregados e, pela primeira vez em quase 30 anos, a taxa de desemprego é superior à de Espanha.
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
A ministra da educação também defende um “novo olhar sobre a escola”



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