Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
Se o mercado não tem responsabilidade social, entreguemos as escolas ao mercado

Milton Friedman Choir - The Corporation

publicado por Pedro Sales às 15:22
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Sábado, 10 de Novembro de 2007
O dólar perdeu o sex appeal
Qual crise do "subprime" qual quê. Se alguém ainda tinha dúvidas de que alguma coisa se passa com a economia norte-americana, ponha os olhos na Gisele Bundchen (reconheço, a piada é demasiado óbvia) que só aceita ser paga em euros ou no vídeo promocional da banda sonora do novo filme de Ridley Scott. Sinal dos tempos, Jay-Z, um dos principais nomes do rap, apresenta um molho de notas de euro como sinal máximo de riqueza. O rap das notas verdes e brutos colares de ouro rendeu-se ao euro. É definitivo: o dólar perdeu o sex-apeal. Pior, as autoridades chinesas já põem em causa o investimento nos títulos da reserva dos EUA – um dos suportes do gigantesco défice criado por Bush para pagar a Guerra e os gigantescos cortes de impostos para os 1% mais ricos. Talvez isso explique porque razão Bush conseguiu o impensável: ter pior índice de aceitação do que Nixon na véspera deste ser destituído.

publicado por Pedro Sales às 15:26
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Queremos mentiras novas
"Tudo faremos para que os funcionários públicos não percam poder de compra", disse José Sócrates há menos de um mês. Uma promessa, mais uma, que não é para levar a sério. Ontem, soubemos que os aumentos destes funcionários vão ficar nos 2,1%, um valor de referência também para o sector privado. O mesmo valor que o Governo prevê para a inflação em 2008. Como há anos e anos que sucessivos governo revêm a inflação em alta depois de decidir os aumentos salariais, o resultado deverá ser o mesmo dos últimos nove anos: a diminuição do poder de compra os portugueses. Os mesmos a quem José Sócrates deu os parabéns pelos sacrifícios para atingir os 3% de défice, ficaram agora a saber que até atingirmos os o,4% de défice "não podemos entrar em veleidades". Os sacrifícios são para continuar, pelo menos até 2010, asseverou o ministro das Finanças.

A ameaça do défice legitima todas as restrições sociais. É como a história do bastão e da cenoura. Como o primeiro nunca apanha o vegetal, corre sempre atrás da sua ilusão. Não existe nenhuma evidência que garanta que a existência de um défice zero estimula a economia. A obsessão com o défice é apenas a ameaça que justifica todas as restrições sociais, bem como o corte nos serviços públicos ao mesmo tempo que se aumenta a carga fiscal. Primeiro era preciso deixar para trás o défice excessivo. Depois a meta passou a ser atingir os 3 %. Agora, é para chegarmos aos 0,4% em 2010. Depois, logo se inventa qualquer coisa para continuar a cortar nos salários e nos serviços públicos. Podiam ser mais originais. Queremos mentiras novas.



publicado por Pedro Sales às 10:49
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Sábado, 27 de Outubro de 2007
especulação numa ciência oculta

$2,400,000,000,000. 2 milhões de 400 milhões de dólares (ou 2 triliões e 400 biliões?). É até agora a estimativa mais alta do custo da guerra. (disclosure): eu perco-me nos milhares de milhões.

Cada um dá o seu palpite. Há uns meses, o NYTimes fez as suas contas e chegou a 1.2 triliões. Há quem faça contas ao dia (300 milhões de dólares), há quem prefira a longue durée de uma semanita (2 biliões). Até agora, e em investimento aprovado pelo congresso, já se gastaram mais de 350 biliões de usd na ocupação do Iraque. Stiglitz (conselheiro Clinton I, Nobel 2001, autor de Globalization and its Discontents -- mercadoria quentinha) aposta nos 2 triliões. Certo, certo é que longe vai o tempo em que um conselheiro da Casa Branca era despedido por sugerir que o custo total da guerra andaria nos 200 biliões de usd. (NYTimes)

Mas de acordo com estas contas do congresso, e prevendo que os EUA fiquem no Iraque e Afeganistão até 2017, o governo federal Americano enterrará qualquer coisa como 1900 pontes vasco da gama (a 897 milhões de euros cada) ou o equivalente a 4.3 anos do PIB de Portugal (a 229 mil milhões de dólares/ano). Trocado por miúdos, se os EUA decidissem brindar cada cidadão português em nome da paz com soma equivalente, isso dar-nos-ia qualquer coisa como 240 mil dólares. Notem que este truque de bruxaria só inclui o investimento federal, não calculando custos indirectos como o apoio médico aos soldados feridos ou o aumento no preço do petróleo. Só por isso é que é tão optimista: a 200 biliões de dólares/ano, só para o Iraque, mais os custos da ocupação do Afeganistão, não será difícil ultrapassar os 3 biliões de dólares num espaço de 14 anos (2003-2017). Nem vale a pena tentar meter o Irão nestas contas, lá chegaremos.

Eu só sei que não me importaria com os 240 mil dólares. Em nome da paz, claro.

(Hoje houve manifs nas principais cidades americanas)
(Entrevista de Joseph Stiglitz à Rolling Stone)

Um apoio visual, tirado de Crooks&Liars:


Isto são 9 milhões de dólares, à escala humana, e juntando cada nota de dólar.E isto são 315 biliões de dólares. O pontinho preto no canto é a figura anterior. Esta figura vezes 7 e terão a massa física do dinheiro gasto na guerra.

publicado por Filipe Calvão às 22:21
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Verde menos verde não há
O preço do arroz poderá subir 50% nos próximos dias. Com o aumento do preço dos combustíveis, a associação nacional dos industriais de arroz, realça o facto do seu preço ter subido 50% no último ano e responsabiliza a subida acentuada do preço do petróleo que tornou cereais, como o milho e o trigo, "interessantes" para a produção de biocombustíveis, uma alternativa energética aos produtos petrolíferos.

A notícia passou quase despercebida, mas será apenas a primeira de muitas. A estratégia da União Europeia passa por garantir que, até 2020, 10% de todos os combustíveis serão “verdes”. Em Portugal, o governo quer garantir 10% nos transportes já em 2010. Para conseguir esse valor, tem já a funcionar um generoso pacote de incentivos fiscais às oleaginosas plantadas no nosso país para alimentar as 2 refinarias "verdes" que estão a ser construídas.

E, no entanto, os erros dos outros países estão à vista, provando que esta estratégia tem tanto de imprudente como de suicidária. No México, a produção intensiva de milho para abastecer o mercado dos EUA levou à subida em 400% deste cereal fundamental para a alimentação. A consequência foi desastrosa e levou à rápida revolta dos mais pobres, e mais afectados com a subida em flecha da tortilla, a sua tradicional base alimentar .

Para além da hiperinflação dos produtos alimentares, a tão publicitada energia "verde" tem pouco de energia e ainda menos de verde. O potencial energético dos agrocombustíveis (a terminologia mais correcta) é ínfimo, como já foi reconhecido pelo OCDE, e a sua produção obriga a regimes intensivos de monocultura, obrigando ao aumento do espaço físico dedicado à agricultura, diminuindo a biodiversidade e aumentando a utilização de fertilizantes muito pouco verdes. A União Europeia, no mês passado, acabou com os terrenos dedicados ao pousio para responder à crescente procura de cereais. A produção em massa do óleo de palma já causou a devastação de grandes extensões de florestas na Colômbia, Equador e Indonésia e Malásia. (relatório da Unesco).

Os combustíveis "verdes" têm tudo para ser uma tragédia ambiental, social e económica. O interesse da UE e dos EUA nesta fonte energética - de que são os principais defensores, juntamente com o Brasil - tem muito pouco a ver com a defesa do ambiente. Convém não esquecer que três quartos das reservas de petróleo ficam na zona mais instável do planeta. É preciso diminuir a dependência das maiores economias de uma fonte de energia que está situada sobre o barril de pólvora em que se tornou o Médio Oriente. Os agrocombustíveis podem ser produzidos em qualquer lugar que tenha espaço, muito espaço para a plantação de cerais. São uma bomba ao retardador. Os preços na mercearia e supermercado vão ser o primeiro rastilho. Ou isso ou vamos todos subsidiar, com os nossos impostos, o maior logro ambiental das últimas décadas.

Sobre este mesmo tema, vale a pena ler: How biofuels coul starve the poor, na Foreign Affairs. Worse than fossil fuel, George Monbiot, no Guardian.

publicado por Pedro Sales às 14:59
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
A marca de uma governação falhada

José Sócrates, na campanha eleitoral de 2005, diz que 7,1% de desemprego são a "marca de uma governação falhada" e de uma "economia mal conduzida". Em Outubro de 2007, com José Sócrates como primeiro-ministro, Portugal tem 8,3% de desempregados e, pela primeira vez em quase 30 anos, a taxa de desemprego é superior à de Espanha.
Post Zero de Conduta/Arrastão

publicado por Pedro Sales às 12:23
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
O repórter ZdC sempre em cima do acontecimento
Hoje pela manhã, enquanto stressava com a vida, dei com este gang em celebrações. Da esquerda para a direita, Jim Heckman (Nobel Economia 2000), Roger Myerson (Nobel 2007), Gary Becker (Nobel 1992) e Bob Lucas (Nobel 1995). Dei-lhe os parabéns e voltei ao stress.

Para quem tiver tempo, aqui fica um escrito light (de 2003) do novel Nobel: "razões para aceitar limites ao poderio militar americano". Multilateralismo, comme il faut a um teórico de jogos.

E agora, volto para o buraco onde me enfiei aqui há uns tempos. Volto já...

publicado por Vasco Carvalho às 04:50
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
Também existem os ignorantes desqualificados. Costumam gerir as empresas municipais
Uma tese de doutoramento, aprovada com distinção máxima na Universidade de Sevilha, indica que a maioria das empresas municipais “dão prejuízo, são financiadas de forma pouco transparente e estão sujeitas à vontade política”. O autor, o ex-deputado socialista Casimiro Ramos, coloca ainda em causa o elevado número de autarcas nos conselhos de administração, muitos deles a acumular salários.

"Uma coisa é nomear 'boys', outra coisa é nomear pessoas", respondeu o secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, para quem o autor da tese "é um ignorante qualificado a associar o que não pode ser associado". Continuando a elevada finura da análise, Artur Trindade faz ainda o favor de explicar, a todos os "ignorantes" que questionam a utilidade e a gestão da maioria das empresas municipais, que estas podem ter a "máxima eficiência e dar prejuízo", uma vez que "uma coisa é a má gestão e outra os lucros".

Devia estar a pensar na Emel, em Lisboa. Uma empresa criada para recolher o dinheiro do estacionamento nas ruas da capital, uma galinha dos ovos de ouro que até um macaco com um computador à frente era capaz de pôr a dar lucro, mas que dezenas de ignorantes desqualificados conseguiram colocar numa eminente situação de falência técnica. Mal por mal, mais valia entregar o negócio aos arrumadores. Parecem ser mais eficientes.

publicado por Pedro Sales às 10:30
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007
Uma "dádiva ao patronato"
Como se já não chegasse ao Governo ver Bagão Félix dizer que as propostas apadrinhadas pelo governo para a revisão do Código laboral são uma “dádiva ao patronato”, dois dos elementos da comissão do Livro Branco demitiram-se. Em declarações ao Diário Económico, Júlio Gomes, um dos dois professores catedráticos demissionários, diz que “o relatório é muito desequilibrado e que as propostas “de maneira alguma favorecem os interesses dos trabalhadores”.

Uma dessas propostas consagra a abolição dos limites para o tempo de trabalho diário, passando o horário laboral a ser fixado anualmente e não ao dia. Com medidas destas, bem pode o Governo dizer que está a combater a diminuição da natalidade que não passará de mais uma medida sem efeito. Dizem-nos que temos que ser compreensivos e que, numa economia global, temos que ajustar os ciclos de produção às necessidades das empresas. Uma compreensão que parece faltar às creches e ao ritmo biológico das crianças que, certamente por má vontade, parecem lidar mal com horários de 14 horas seguidas. É uma pena, e será certamente um defeito da natureza, mas parece que as crianças ainda não nascem ensinadas no maravilhoso jargão da economia liberal.

publicado por Pedro Sales às 15:01
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Estabilizar, estabilizou, não foi é num lugar muito apetecível
Pela primeira vez, em 20 anos, a taxa de desemprego no nosso país é superior à registada em Espanha. Temos a terceira maior taxa de desemprego da zona euro. Pior, ao contrário dos restantes países, o número de desempregados não pára de aumentar, estando já nos 8,3 por cento, quando há um ano não passava dos 7,5 por cento.

A reacção do governo não podia ser mais significativa. O ministro Vieira da Silva desvaloriza os números do Eurostat e considera que "o desemprego está estabilizado, e esperamos que com o crescimento da economia possamos começar a inverter a situação”. Enquanto Viera da Silva desvaloriza, Silva Pereira entende que o assunto não merece resposta e Manuel Pinho esgueira-se dos jornalistas, entrando de supetão no seu carro para evitar responder a questões mais incómodas, como tentar perceber onde é que estão os 150 mil postos de trabalho de que o PS falava há dois anos, em plena campanha eleitoral.

Onde é que já se viu, realmente, incomodar o ministro da economia com os números do desemprego? Ainda se fosse sobre a memória da placa gráfica e a velocidade do processador daqueles computadores fantásticos que andou a distribuir pelo país. Isso sim, é trabalho com dignidade ministerial. O desemprego há de continuar “estabilizado”, não há razão para alarme, que o engenheiro sabe o que faz. Para já, continua a restringir o nível de investimento público. Os resultados, como se vê, têm sido fantásticos.

publicado por Pedro Sales às 12:02
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
Leitura recomendada
O esquerda.net tem esta semana um dossier sobre a recente crise financeira à escala mundial. A não perder, o excelente artigo de Juan Torres López.

publicado por Pedro Sales às 17:06
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Deve ser um sítio jeitoso
Regularmente, engenheiros da Apple vão inspeccionar e acompanhar a produção dos vários modelos de iPod produzidos na cidade-fábrica da Foxconn, na China. Na empresa da maçã, são conhecidos como tendo sido "enviados para Mordor". (via Daringfireball).

publicado por Pedro Sales às 22:59
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
SHOUT! É hoje

Trezentos milhões de dólares foi quanto Mugabe doou à Igreja Católica no Zimbabué aqui há uns dias (notícia aqui). O que mais me choca não é a Igreja ter aceite o dinheiro; o que me choca mesmo é o facto desse dinheiro, 300 milhões zw$, não valer mais que $1000 usd em transação de rua. Parece anedótico mas não é: um rolo de papel higiénico leva menos papel do que aquele que é necessário para o comprar, em notas pequenas. Aqui fez-se uma conta simples: um maço de cigarros nas ruas de Harare foi visto à venda por Z$997 000. Até há um ano atrás, essa conta teria mais 3 zeros, ou seja 997 milhões. Aos preços de 1985, o autor dessas contas teria comprado a sua casa 39 mil vezes pelo preço de um maço de cigarros hoje. Colapso é dizer pouco sobre o que se passa hoje no Zimbabué, e a questão é saber quando vai acontecer, o que quer que aconteça.

Entretanto, podem sempre passar ali pelos lados do Braço da Prata, a caminho da expo. Soube do grito pela democracia e liberdade no Zimbabué pela Marta Lança. E é hoje às 21h30 na Ler Devagar*.

«Shout! Pela Democracia e Liberdade de Imprensa no Zimbabué».

Esta iniciativa decorre simultaneamente em variadas cidades do Mundo e consiste na leitura colectiva de poemas de autores zimbabueanos em espaços públicos, nas rádios locais ou nacionais, e é promovida pela Fundação Peter Weiss for Art and Politics no âmbito do Festival Internacional de Literatura de Berlim (de 4 a 16 de Setembro nesta cidade).

Lisboa junta-se ao apelo lançado pela Peter Weiss e propõe a leitura de poemas de autores zimbabueanos e ainda de outros autores (Mia Couto e João Cabral de Melo Neto são alguns) que enformem o alerta que se pretende deixar ao Mundo: a realidade no Zimbabué é desesperante, os media são controlados e a informação manipulada, o povo tem fome e as perseguições políticas assumem cenários dantescos.

Nomes como Luanda Cozetti (cantora), Chullage (rapper), Nástio Mosquito (performer), Tiago Gomes (editor), Belen (actriz argentina), Meirinho (actor) e Danae (cantora) confirmaram a sua participação no evento. Começa às 21h30.

*A livraria Ler Devagar/Eterno Retorno em Braço de Prata (antiga fábrica de armamento) fica junto à rotunda 25 Abril, a caminho do Parque das Nações. Na direcção Santa Apolónia-Expo encontra esta rotunda após os cilos da fábrica, faça meia rotunda para trás e entre na rua estreita à direita. Percorra o muro e entre no portão à direita. Estacionamento privativo e gratuito.
Manifesto pode ser lido aqui.
Sokwanele - Zvakwana (enough is enough) é um grupo de acção cívica interessante. E vale a pena acompanhar o blog, escrito do Zimbabué.

publicado por Filipe Calvão às 10:23
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
Saúde, SA
O Governo vai construir 10 novos hospitais através de parcerias público-privado (PPP). Em, pelo menos, quatro dessas unidades a gestão será entregue ao consórcio vencedor. É o caso do novo Hospital de Cascais, um dos 4 primeiros a estar adjudicado, e onde o grupo de saúde da Caixa Geral de Depósitos deverá começar a gerir o actual hospital já este ano.

Depois do Governo sempre ter negado as notícias que davam como certo o encerramento do serviço de oncologia e de SIDA, confirma-se agora que a oncologia de Cascais vai mesmo encerrar. Uma decisão que já mereceu duras críticas da Ordem dos Médicos, recordando que estamos a falar de uma unidade de excelência, sem listas de espera, que presta 4000 sessões de tratamento a 350 novos doentes por ano. Com o seu encerramento, estes doentes vão ser atirados para o IPO, que ainda nem se sabe para onde vai, e para o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, cujos hospitais registam uma lista de espera superior a seis meses.

O Governo sempre disse que estas parcerias seriam um teste para o SNS. Tinha razão. Este encerramento é apenas um prenúncio do que aí vem. Os serviços mais dispendiosos, como é o caso da oncologia, mas também o tratamento de doenças prolongadas como a SIDA, não interessam aos grupos privados que se candidataram à gestão dos hospitais públicos. Os tratamento são dispendiosos e os doentes permanecem longos períodos hospitalizados. Não são rentáveis, afectam os balancetes de contas, e deixam os senhores administradores ficar mal no relatório financeiro anual. Nesta lógica empresarial são um passivo a despachar rapidamente, de preferência para um hospital com gestão pública. Daqui a uns tempos confirmar-se-á que são estes que têm piores indicadores económicos e meio mundo fingirá estar muito espantada, enquanto vai exigindo mais espaço para os grupo económicos gerirem um negócio de milhões.

publicado por Pedro Sales às 23:06
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Sábado, 8 de Setembro de 2007
Há bits e biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiits
O Departamento de Justiça dos Estado Unidos declarou-se contrário à manutenção da neutralidade da internet, o princípio que garante a igualdade no acesso a todas as páginas da rede. Com esta decisão, está dado um importante passo para uma velha pretensão dos principais operadores: poder cobrar dinheiro directamente aos sites garantindo, em troca, um acesso prioritário às suas páginas. As auto-estradas podem estar a chegar à net, mas desta vez não é para garantir uma maior rapidez. Apenas pretendem deixar os pequenos produtores e negócios indesejados na berma da estrada regional.

Esta discussão pode parecer estranha no nosso país, onde todas as decisões verdadeiramente importantes nunca são debatidas e raramente são escrutinadas, mas nos EUA tem sido alvo de intensa atenção legislativa e das entidades reguladoras. A democraticidade da internet sempre passou pela manutenção de uma arquitectura interna não hierarquirizada. Todos os sites e conteúdos são tratados de igual forma, destacando-se pela sua relevância.

Para justificar a sua pretensão de pôr fim à regulamentação na net, entregando-a à regulação feita pelo mercado, o Departamento de Justiça recorda que os consumidores encaram com naturalidade a existência de serviços com diferente rapidez na distribuição do correio postal. Uma analogia sem qualquer sentido, uma vez que, na net, os consumidores também já pagam diversas velocidades no acesso, desde o modem analógico, até à adsl e às potentes redes das maiores empresas. O que está em causa não é a velocidade no acesso, mas a igualdade de tratamento de todos os conteúdos. Quem quiser um mail mais rápido, ou um blogue que não fique horas para ser aberto bem pode começar a pensar em abrir os cordões à bolsa. Os dias da gratuitidade na net podem ter os dias contados.

O alcance desta medida é também outro. Lá, como cá, a maioria dos operadores estão ligados a empresas de comunicações que não vêm com bons olhos o crescimento e proliferação dos serviços de telefone pela net, como o Skype, sentindo-se ameaçados no seu modelo de negócio tradicional. Remetendo-o para o fim da linha, afectam a qualidade do serviço até o tornar obsoleto. Ou isso, ou a Skype aceita pagar aos operadores, passando a cobrar por um serviço que está apenas a consumir a largura de banda já paga pelos seus clientes. Admirável mundo novo em que se esmaga a concorrência, cobrando duas vezes por um serviço, e se diz que é para garantir a liberdade do mercado. A net é mesmo a rede das redes. Até na metáfora da vida.

publicado por Pedro Sales às 11:35
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
O Murdoch de Penafiel
PS: A ver também o trabalho de André Levy no Jangada de Pedra (saravá Samir!).

publicado por Vasco Carvalho às 08:07
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
a especialização geográfica do império
O novo casino de Macau, o Venetian

"Macau, the world's busiest gaming hub, is the only place in China where casinos are legal. Macau last year overtook the Las Vegas Strip in revenue. Sands says the new Venetian is twice the size of its Las Vegas namesake resort, and is the world's second- largest building after Aalsmeer flower market in the Netherlands." [Bloomberg]

E o Ho? Stan, como é que é? A vida era mais fácil no século passado, não?
Faltam 6 semanas para o 17º congresso do PCC.

publicado por Vasco Carvalho às 18:09
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Neurocepticismo
The Psychology of Subprime Mortgages, citando George Lowenstein, "[Our emotions] are not always well suited to the decisions we make in modern life. It's important to know how our emotions lead us astray so that we can design incentives and programs to help compensate for our irrational biases."
(via Frontal Cortex)

Continuo céptico.


publicado por Vasco Carvalho às 05:46
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Domingo, 26 de Agosto de 2007
Escravo da banca
Na Europa dos 15 não existem propinas na Dinamarca, Grécia, Luxemburgo, França, Finlândia e Suécia. Na Alemanha, o Tribunal Federal colocou um ponto final na gratuitidade, remetendo a questão para os governos locais. A esmagadora maioria das faculdades continua sem propinas.

Portugal é o quinto país da União Europeia onde as propinas são mais elevadas, 900 euros, e o segundo em que o Estado investe menos dinheiro por aluno, 6000 euros. Pior só a Grécia, com 4285 euros anuais. Aqui ao lado, a Espanha despende 8399€, a Itália 10161 e a França 10332. Em nenhum país escandinavo a despesa fica abaixo dos 13 mil euros, valor também atingido pela Alemanha, Irlanda e Dinamarca.

Na acção social escolar o panorama não é mais animador. O nosso país fica em penúltimo lugar na percentagem de dinheiro destinada ao apoio dos estudantes mais desfavorecidos, com 6,7% do investimento total. Mais uma vez, pior só a Grécia, com 5,8%. A França investe 8,1% em bolsas, a Espanha 8,5%, Alemanha e Reino Unido à volta de 10%. A Holanda ultrapassa os 20% e a Dinamarca gasta 33% do total.

A bolsa média em Portugal é de 49 euros mensais - refere o Público de sexta-feira, citando o Eurostudents 2005 - enquanto as despesas se ficam pelos 575. Perante este cenário o que faz o Governo? Investe na acção social? Não, corta no investimento no ensino superior público (só na Universidade de Lisboa, os cortes anunciados para 2008 ascendem a 10%) e introduz um regime de empréstimos, com um spread baixo, mas taxas de juro superiores ao que já existe no mercado e que os jovens terão que começar a pagar mesmo que não tenham emprego. O ministro Mariano Gago resume este novo convite ao endividamento das famílias, dizendo que quem não tem a certeza que poderá pagar não deve contrair o empréstimo. Num país com 56 mil licenciados no desemprego, pressupõe-se que só sabe que pode pagar o empréstimo quem já não precisa dele porque tem os pais como avalistas.

José Sócrates, primeiro-ministro socialista, defende o sistema de empréstimos dizendo que a Acção Social Escolar não vai acabar. Há dez anos, António Guterres, outro primeiro-ministro socialista, dizia que o dinheiro das propinas seria destinado para aumentar a qualidade do ensino e nunca para gastar em salários e despesas de funcionamento, um facto há muito negado por todos os reitores. A história repete-se; primeiro como tragédia, depois como farsa.

PS: Os números são referentes a 2005. Quem quiser consultar os números da OCDE referentes a 2003, ponderados por Paridades de Poder de Compra, pode encontrar aqui o documento Education at a Glance 2006.

publicado por Pedro Sales às 15:09
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007
Os números são uma chatice
Esta semana, através de vários estudos do Eurostat e de pequenas notícias nos jornais ou suplementos económicos, ficámos a saber que os portugueses ganham menos 40% do que a média europeia e que o fosso salarial entre os mais ricos e os mais pobres em Portugal voltou a bater recordes, estando quase duas vezes acima da média europeia a 15. Ainda antes das alterações às reformas aprovadas pelo Governo, já somos o terceiro país onde as pessoas trabalham mais anos e se reformam mais tarde da Europa a 25. Com uma economia praticamente parada, as cem maiores fortunas do país cresceram quase 40% no último ano, e, se já se sabia que somos o segundo país da Europa com mais trabalhadores a prazo, o Eurostat veio dizer-nos que, nos últimos cinco anos, duplicaram os trabalhadores que estão nessa situação apenas porque não arranjaram outro trabalho.

A distância que vai entre estas notícias e o discurso que tomou conta de quase todas as colunas de opinião ou comentários televisivos é revelador do abismo, cada vez maior, entre a opinião publicada e o dia-a-dia dos portugueses. Não há dia que não sejamos bombardeados com a necessidade de manter e reforçar a contenção salarial, desregular um mercado de trabalho demasiado rígido e pouco flexível e cortar e limitar as regalias sociais de que gozam os trabalhadores. Nada disso bate certo com o que se passa no país? Não importa. O discurso liberal tornou-se um dogma (ganhando espaço mesmo entre a direita não liberal) e, de tanto repetir, as suas máximas tornaram-se verdades universais que não se discutem nem precisam de se confrontar com minudências como as estatísticas oficiais. A realidade dos números é um pormenor que não afecta o grande cenário. A ideologia é que conta. Até porque, como o Pacheco Pereira nos faz o favor de avisar semana sim semana não, o discurso da imprensa está tomado pela esquerda. O importante é continuar a pressão e evitar que as estatísticas oficiais tenham o destaque que merecem.

publicado por Pedro Sales às 09:30
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
Mad Money III: 'It’s like popcorn in a kettle'
'It's like popcorn in a kettle' NYT, Dow Falls 387 Points on New Loan Fears

'The "complete evaporation" of liquidity ', WSJ, 'How credit markets tremors have affected Junk Bonds and Hedge Funds'

'The credit squeeze entered a potentially more dangerous phase',
Brad de Long, 'How credit got so easy'

Escutar BNP Paribas a anunciar suspensão de fundos.

Wall Street em 1929

publicado por Vasco Carvalho às 23:42
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Mad Money II: Dali e a sua obsessão
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powered by ODEO

Apoth du Dollar,

Monólogo para o banco CCF.

publicado por Vasco Carvalho às 18:18
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Mad Money: It's rough out there


Jim Cramer, o analista financeiro da CNBC e autor de "Mad Money: Watch TV, Get Rich" num momento bearish: "We have armageddon". Fico à espera do dia em que Peres Metello se esqueça de tomar a dose bovina de Xanax.

publicado por Vasco Carvalho às 02:26
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Sábado, 4 de Agosto de 2007
A indústria mais estúpida do mundo
Enquanto por cá, Polícia Judiciária e ASAE encerravam vários sites nacionais de partilha de ficheiros digitais, sequestrando material informático que lhes permite aceder aos dados individuais dos utilizadores desses serviços, um tribunal alemão recusou a necessária autorização judicial para que a indústria musical tivesse acesso à morada dos utilizadores do mesmo tipo de plataforma. Considerando que se trata de uma ofensa menor, a justiça alemã justificou a decisão afirmando que as editoras não conseguiram provar que a alegada troca de ficheiros lhes tenha causado danos criminais relevantes. Enquanto isso, o Tribunal Europeu está a um passo de decretar que os fornecedores de internet não são obrigados a dar os dados dos seus clientes às editoras nos processos civis que estas estão a abrir um pouco por todo o lado.

Como as novidades demoram sempre a chegar à província, as autoridades portuguesas - talvez cansadas de perseguir imigrantes ilegais a vender bolas de Berlim - parece que não encontram nada mais importante para fazer do que cumprir os desmandos lunáticos de uma industria gerida por incompetentes. Esta senha persecutória só se compreende porque, na mentalidade dominante entre a industria musical esta é a melhor maneira de proteger o “modo de vida de artistas, músicos, actores, editores”. Já conhecemos a lengalenga. A indústria musical está em crise e a culpa é da pirataria. Desculpem lá contrariar o aparente consenso, mas não é. Só há uma razão para as vendas descerem de ano para ano: a música que nos querem impingir é uma porcaria que não vale um cêntimo.

Com os lucros a pique, e as vendas a diminuírem para pouco mais de metade em poucos anos, os patrões das cinco maiores editoras mundiais deixaram, de vez, de apostar em novos formatos. Tudo começa e acaba nas enésimas repetições do gangster rap, girls ou boys bands e mais umas quantas estrelas adolescentes que toda a gente perde o rasto mal deixam de ter acne juvenil. O problema é que são poucos os que estão para aturar isso, à excepção do público alvo da Floribella. Infelizmente, esse pessoal não tem dinheiro e, o que consegue, vai para os jogos da playsation, sair à noite ou qualquer outra coisa. Não deixa de ser curioso, aliás, reparar que ao mesmo tempo que as majors definham, as editoras independentes e alternativas apresentam cada vez melhores resultados. Há outros gostos musicais, e pessoas dispostas a pagar pela música, as editoras é que já nem se preocupam com os ouvintes.

O problema começou quando, entretidos em estoirar milhares de milhões de dólares para encerrar o Napster e pôr em tribunal 200 mil pessoas nos EUA, as editoras viram a revolução digital passar à frente delas sem dar por nada. A única forma de parar a pirataria é o suporte legal oferecer uma vantagem competitiva sobre os mp3´s que demova as pessoas de acharem que a música deve ser gratuita. Mas, ao contrário da industria cinematográfica, que cedo percebeu as potencialidades oferecidas pelos formatos digitais, quem compra um “cd” compra o disco e mais nada. Salvo raras excepções, levamos o álbum, com umas fotos e as letras. Não há vídeos, entrevistas, filmagens dos bastidores, o que quiserem. Nada. É exactamente o mesmo produto que se encontra à borla em cinco minutos e, depois, admiram-se que os putos não queiram pagar 15 ou 20 euros.

Mas, só mesmo a industria mais estúpida do mundo é que sente a necessidade de vir alguém de um meio totalmente diferente explicar-lhes como é que, em vez de se lamuriarem sobre os malefícios da net, podiam ganhar uns trocos com a venda de formatos digitais. Só que, mal viram que o sucesso do iTunes não era para ganhar trocos mas milhões, do que é que se lembraram os good folks das editoras? Encetar uma guerra com a Apple para obrigá-la subir os preços. Perderam o primeiro round, mas ainda não desistiram.

Vale a pena fazer a decomposição do custo da música no iTunes para perceber a insanidade e hipocrisia desta gente. Cada música custa 1 dólar (1 euro na Europa), um álbum 10. As editoras recebem 70% do dinheiro e não têm nenhuma despesa: os potentíssimos servidores e sistemas de armazenamento, cartões de crédito e publicidade é tudo por conta da empresa da maçã. As editoras cobram 70% pela propriedade intelectual. A tal que, nas suas palavras, permite manter o estilo de vida dos autores e músicos, lembram-se? Só que eles, nem sete cêntimos desse dinheiro vêm. As editoras, que não mexeram um dedo, ficam com 90% dos lucros.

Por isso, quando oiço esses senhores falarem em defender a propriedade intelectual, fujo. Fujo eu e começam a fugir os artistas fartos de ficar com as migalhas de um negócio de milhões. Como o demonstra o Courier Internacional da semana passada, são cada vez em maior número os artistas que fogem ao controlo das majors, ora criando a sua etiqueta ora criando edições de autor apenas disponíveis na net. O nome do dossier não podia ser mais elucidativo sobre o que se está a passar: "músicos largam editoras". Ponham-se a pau. Podem encerrar os btugas ou os limewire que quiserem. Continuem nesse caminho, julgando que resolvem os vossos problemas, e, quando repararem, não têm é autores para explorar. Será um óptimo dia para a sanidade mental de quem já não consegue ouvir sempre as mesmas playlists nas rádios.

ps: sobre este mesmo assunto vale a pena ler "A Motown digital", na Estação Central. 


publicado por Pedro Sales às 16:40
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007
1973 anyone?
(clicar para melhor resolução)

"Oil prices hit new all time record highs in New York UPDATE"

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publicado por Vasco Carvalho às 17:51
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Mais um casmurro que ainda não compreendeu que o problema do país é a imoderação salarial
Através do Renas e Veados, descobri a surpreendente história de Adolfo Carvalho, o homem que prefere ser sem-abrigo em Copenhaga do que funcionário público em Amarante. Há sete anos, desde que tirou uma licença sem vencimento do trabalho que fazia como electricista numa escola, que vive da recolha de garrafas na capital dinamarquesa. Apesar de não ter casa, diz que nunca viveu tão bem. Todos os dias arrecada 50 euros, o que lhe dá para “comer e beber bem” e para vir, todos os anos, a Portugal de avião. É em Copenhaga que quer morrer, até porque não se está a ver a regressar a Portugal para o seu emprego que, “no máximo, daria 500 euros por mês”.

Ao ler esta história não pude deixar de me lembrar das declarações de Braga Macedo este fim-de-semana ao JN: “ao lado do rigor orçamental temos a imoderação salarial, que é absolutamente básica e em que Portugal é, infelizmente, o pior aluno da zona euro. Temos pelo menos há uns dez anos um excesso de crescimento salarial para além da produtividade que é difícil de reabsorver”. Num país onde o salário mínimo está nos 400 euros e o salário médio à volta dos 750, falar em imoderação salarial chega a ser grotesco. Não devia ser neste exemplo que pensava o antigo ministro do "oásis" cavaquista, mas até há por aí muita imoderação salarial nos salários dos administradores das empresas cotadas em bolsa.

O Adolfo Carvalho, e os milhões de trabalhadores com salários miseráveis é que não têm que passar a vida a ouvir esta história da carochinha sobre os salários elevados como se ela tivesse alguma coisa a ver com eles. Haja decência.

publicado por Pedro Sales às 15:51
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Terça-feira, 24 de Julho de 2007
Mais do mesmo
Venda livre aumentou preços dos medicamentos, sobretudo nas farmácias. Estudo da Deco.

Esta notícia só apanhou de surpresa quem gosta de ser enganado. Andaram anos a vender-nos a ideia de que a liberalização dos mercados só trazia benefícios para os consumidores. Ia ser tudo mais barato. Em teoria até está correcto. O problema é que o nosso país é pouco dado a essas modernices. Acabámos com o monopólio do Estado em vários sectores para abrimos caminho a oligopólios privados - o que está longe de apresentar melhores resultados para os consumidores e conduzir a um mercado mais aberto. Na maioria dos casos, quando há concorrência, os preços são fixados entre 3 ou 4 operadores.

Já tinha sido assim com os combustíveis, onde, segundo a Autoridade da Concorrência, o preço da gasolina sobe mais em Portugal do que no resto da Europa. O mesmo se passa na electricidade, onde "a partir de 2007, e como consequência directa da liberalização, vai acabar o mecanismo que limitava a subida das tarifas para os domésticos à inflação prevista para cada ano, logo, o aumento dos custos de produção da energia, que se verifica desde 2004, vai ter de ser repercutido nos consumidores". Aumento dos custos de produção que, repare-se, não têm impedido a EDP de anunciar sucessivos recordes nos seus lucros, mas foram suficientes para impingir uma legislação que leva os consumidores domésticos a pagar os sobrecustos de produção das energias renováveis que tanto gostam de vender com sendo o futuro da empresa.


publicado por Pedro Sales às 18:27
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007
Foi pouco tempo, mas ainda continua a facturar
“Gostei muito do pouco tempo que estive na política”. António Mexia, à Visão.

Durante anos, António Mexia foi apresentado como o modelo do empresário de sucesso. Liberal e empreendedor, foi um dos primeiros rostos do Compromisso Portugal. Fazia parte de uma nova geração de empresários que nasceu fora das empresas do Estado, diziam. Quando chegou ao Governo, foi saudado como o homem que vinha da sociedade civil. Vale a pena ver o seu currículo para vermos, de perto, quem são esses empresários do “Compromisso” que teimam em dar lições de governação.

Exceptuando o período no Banco Espírito Santo, toda a carreira de António Mexia foi feita à custa de nomeações politicas em empresas participadas pelo Estado. O “pouco tempo” que esteve na política foi o da sua vida profissional. Começou pela assessoria política do Secretário de Estado Comércio Externo, de onde foi nomeado para a vice-presidência do Instituto do Comércio Externo. Depois da passagem pelo BES, foi nomeado pelo ministro da Economia para a presidência da Galp Energia. Em 2004 liga-se a Santana Lopes que o nomeou para uma empresa municipal de Lisboa (a EGEAC) de onde sai para um curto período no Governo Santana. Pouco depois acaba na EDP, mais uma empresa participada pelo Estado.

É este um dos rostos do Compromisso Portugal e que dá entrevistas para nos dar a boa nova de que “temos que tornar-nos numa sociedade menos dependente de terceiros. O Estado deve garantir, precisamente, a liberdade de escolha e essa é uma das questões do Compromisso Portugal”.

Olhando para o seu currículo, cedo se percebe que Mexia é apenas um exemplo dos liberais que criticam o Estado de segunda a quinta-feira, para aproveitar o último dia da semana para firmar proveitosos contractos em que o lucro está sempre garantido. Repugna-lhes a presença do Estado na Economia, mas não sabem viver sem a renda garantida pelos negócios proporcionados pelo mesmo Estado. Lusoponte, privatização das Estradas de Portugal ou o modelo de financiamento do TGV, são apenas alguns exemplos destas parcerias público-privadas em que o risco é sempre assumido pelo Estado (ou seja, pelos contribuintes). A classe empresarial portuguesa é assim. Quanto o Estado garante o lucro são todos liberais. António Mexia é só um exemplo.

publicado por Pedro Sales às 16:27
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Domingo, 15 de Julho de 2007
Ideias planas
Uma economista do Banco de Portugal apresentou ontem um estudo onde defende a adopção, em Portugal, de um imposto único com uma taxa plana. "Um sistema fiscal sem impostos sobre os salários e lucros das empresas. A ideia é concentrar a receita tributária num imposto - o IVA - considerado menos vulnerável à fraude e fuga fiscal”. O jornalista, visivelmente emocionado com a fúria liberal da senhora, diz que “as ideias de Isabel Correia são para levar a sério”.

Desculpe, mas não são. Em primeiro lugar porque não há nada que indique que o IVA é menos vulnerável à fraude (como se pode ver aqui, aqui e aqui). Depois, e este é o ponto essencial, porque o IVA é o imposto socialmente mais injusto. Basear nele todas as receitas fiscais, significaria necessariamente um aumento brutal da sua taxa e das desigualdades sociais. Alguém imagina, num país que tem o salário mínimo nos 400 euros e os jovens licenciados a lutarem para ganhar mais de 500, as pessoas a aceitarem pagar 40% ou mais de IVA?

O Rui Tavares perguntava no outro dia, já sabendo a resposta, qual a razão que tem levado a que nenhum partido tente colocar na agenda política a diminuição da carga fiscal? Porque os portugueses, um dos povos mais pobres da Europa e que pagam menos impostos, sabem onde é que estas ideias levam. À privatização dos serviços públicos, que, na maioria dos casos, são a única hipótese que as pessoas têm de aceder aos cuidados de saúde, educação ou protecção social.

Diz a autora que estas propostas teriam “um efeito positivo sobre a eficiência económica e sobre a equidade”. Nada nos indica que assim seja, pelo contrário. A brutal diminuição fiscal que Bush protagonizou em 2003 (incidindo, como no caso da nossa economista, nos rendimentos dos mais ricos) não conduziu a um maior investimento e à criação de emprego. Em vez disso, destruiu as contas públicas com a criação de um gigantesco deficit e a um longo período de crescimento económico sem criação de emprego. A deslocalização industrial tem destas coisas que o dogma e a cartilha liberal não explicam. Ideias para levar a sério num estudo ou num blogue. Felizmente, o mundo lá fora é bem mais complexo e esta seriedade não se aguenta de pé um minuto.

publicado por Pedro Sales às 16:59
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
Back to the basics
Ainda a propósito do Estado sem impostos, defendido pelo João Miranda no Blasfémias, não deixa de ser deliciosamente irónico reparar que o blogue mais liberalmente capitalista de Portugal acaba a defender o modelo de Estado de Tuvalu, uma sociedade onde 70% dos habitantes ainda vivem numa economia recolectora pré-capitalista e os poucos trabalhos assalariados que existem são assegurados pelo Estado. É nisto que dão as ortodoxias. Com o tempo, degeneram de tal forma que já nem se percebe bem o que defendem.

publicado por Pedro Sales às 10:45
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