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Zero de Conduta

Zero de Conduta

03
Dez07

O boomerang do populismo

Pedro Sales
Quem sabe esquecido dos pactos com o Governo, que propõe a um ritmo semanal, Luís Filipe Menezes diz que “chegou a altura do primeiro-ministro José Sócrates deixar de corer pela Indía e regressar ao país, onde a intranquilidade pública se está a tornar numa bandeira negativa”. Lembrando os homicídios e a apreensão de droga no Algarve, remata: “É preciso que o primeiro-ministro tenha mão nesta situação”. No mesmo dia em que Menezes, que não deve parar há meses em Vila Nova de Gaia, associa a ausência de José Sócrates no estrangeiro a um homicídio e à eficácia da polícia no combate ao tráfico de droga, duas outras notícias marcam a actualidade. O concelho de Gaia está a ser fustigado por uma nova vaga de roubos à mão armada de automóveis de alta cilindrada. No espaço de uma semana houve pelo menos quatro casos. Segundo o Público (sem link), a Polícia Judiciária e as Finanças investigam fraude fiscal no Porto do Funchal, numa empresa de que o Governo Regional é um dos sócios-fundadores. É este o problema da demagogia e do populismo. É um boomerang pronto a atingir quem o arremessa em primeiro lugar.
17
Out07

Disparamos primeiro, manipulamos depois

Pedro Sales
O juíz que está a julgar a autoridade policial de Londres pelo assassinato de Jean Charles de Menezes, no metro da capital britânica em 2005, considerou que a fotografia apresentada pela polícia ao tribunal foi propositadamente forjada e manipulada para justificar a semelhança física entre o electricista brasileiro e o terrorista Hussain Osman.
05
Out07

Indignação selectiva

Pedro Sales
(construção da linha de alta tensão em Trajouce, Sintra)

Já passaram dois dias desde que o Supremo Tribunal Administrativo não aceitou o recurso da REN, obrigando esta empresa a desligar uma linha de muita alta tensão. A REN garante que "vai manter a funcionar a linha de muito alta tensão entre Fanhões e Trajouce, no concelho de Sintra, apesar da decisão do Supremo Tribunal Administrativo". O recurso para o Tribunal Constitucional é um expediente que, como dizem todos os especialistas ouvidos pela imprensa, não tem efeitos suspensivos sobre a decisão do tribunal. Não compete à REN julgar se o tribunal decidiu mal ou bem. Compete-lhe acatar a sua decisão e esperar que, no recurso, as suas posições prevaleçam. É assim com todos os cidadãos, não há nenhuma razão para que a REN se julgue acima das leis do Estado português.

Há dois dias que a REN desafia os tribunais e as leis da república portuguesa, perante a complacência geral e sem suscitar um milionésimo da indignação colectiva que varreu a imprensa e a blogosfera, em Agosto, com a o desrespeito pela lei e a falência da autoridade do Estado. Mas, se atendermos ao peso e responsabilidade dos intervenientes, esta decisão é bem mais gravosa que a destruição de um pequeno campo de milho por um grupo de adolescentes tardios. Trata-se uma empresa cotada em bolsa, com participação do Estado, e o recurso ao tribunal foi apresentado pela REN em conjunto com o ministério da economia.

Tudo nesta dualidade de critérios parece relevar de um puro preconceito de classe e para a origem política na indignação colectiva de Agosto. Enquanto o verde eufémia era um bando de adolescentes com um ar de freak, o José Penedos é um “senhor de bem” que veste fatos caros e gasta mais no corte de cabelo do que a maioria dos portugueses paga em electricidade. Para além disso, os cabos de muita alta tensão, por um qualquer efeito do acaso, só passam por bairros de pessoas com poucos recursos. Alguém imagina a REN a colocar estes cabos na Quinta da Marinha ou ao lado das Torres do Restelo? Pois é, também me parecia que não.

O que nos vale é que a esta hora, o Mário Crespo está a desvelar-se em contactos para garantir a presença do presidente da REN no seu programa. Tendo tomado o gosto com o Gualter Baptista, estamos certos que não enjeitará a oportunidade de confrontar, no mesmo tom jocoso e acintoso, José Penedos com o desrespeito pelo Estado de direito e a responsabilidade da sua empresa na falência da autoridade do Estado, perguntando-lhe se se julga acima da lei, das autoridades judiciais e do Estado português.
20
Set07

notícias das internetes

Filipe Calvão

Como eu gosto destas coisas: a MediaDefender, uma empresa contratada por estúdios de cinema americanos para vigiar e punir a distribuição de conteúdos em circuitos P2P, foi caçada por piratas internáuticos (notícia na Wired). Esta empresa dedicava-se a lançar produtos fantasma nas redes P2P, tendo sido alvo de ataques por planear lançar um sítio falso (miivi.com, já não em linha), dedicado a apanhar quem fosse tentado a descarregar conteúdos ilegais. Aos "MediaDefender defenders", por furar o esquema de segurança dos polícias da net, protegendo-nos de quem não olha a meios para travar a pirataria ilegal, clap clap.

Por Portugal, para "media defender" basta-nos a ASAE. É tudo muito simples: se há tráfico ilegal de conteúdos, feche-se os canais por onde são distribuídos. Aqui há 2 meses, a polícia dos bons costumes internáuticos decidiu encerrar alguns dos mais populares sítios de partilha de ficheiros em Portugal (BTuga, ZeTuga e ZeMula). Os que ficaram para trás por desatenção (a mula da cooperativa, por exemplo) decidiu fechar as portas não fosse, sei lá, ter os seus computadores confiscados ou que arcar com a defesa em tribunal.

O problema não está só em atirar a "net portuguesa" para a irrelevância (ou alguém julga que quem quer descarregar conteúdos ilegais o vai deixar de fazer?). É mesmo a estupidez de se achar que toda a rede P2P é maléfica por natureza. Pois, pasme-se, a plataforma de televisão do futuro será, surpresa!, distribuída por redes P2P (como o Joost, dos criadores do skype). E por isto as notícias de que a Netcabo anda a cortar no tráfego P2P (via), eufemisticamente chamado "traffic shaping", são tão assustadoras.

Não se arranjam por aí uns Portuguese man-of-war capazes de dar umas picadelas na netcabo? Tempos houve em que os navegadores portugueses...

Aqui no ZdC já se escreveu sobre isto:
A indústria mais estúpida do mundo
Há bits e biiiiiiiiiiits

Sobre este assunto:
Save the internet
Google sobre Net neutrality
P2P na wikipedia

Apoia e divulga:
O BTugal tem uma campanha de angariação de fundos em curso para ajudar a pagar a defesa em tribunal (315 euros até agora, é pouco...).
Freetuga pela liberdade da internet em Portugal.
17
Set07

Debate de pernas para o ar

Pedro Sales
Um em cada cinco prisioneiros está detido preventivamente. São 2400. Nunca foram julgados ou estão à espera da decisão do tribunal de recurso. É um número sem paralelo na Europa e que não é aceitável em qualquer democracia que se preze. Num país em que os juízes usam e abusam da prisão preventiva, que é uma medida excepcional de coacção que só deve ser usada em último recurso, não deixa de ser curioso ver meio mundo indignado porque foram libertados 115 presos com a entrada em vigor do novo Código Processo Penal, alguns deles condenados em primeira instância.

São criminosos, diz-nos a televisão de há três dias para cá. “É demasiado gravoso criminosos ficarem livres”, confirma António Cluny, presidente do sindicato dos magistrados judiciais, garantindo mesmo que há razão para alarme. Gravoso, e alarmante, é saber que existem processos que se arrastam indefinidamente e que, presumíveis criminosos ou não, milhares de detidos continuam sem direito a defender-se legalmente. Quanto à libertação de dezenas de presos cuja prisão preventiva prescreveu, há um bom remédio. A justiça começar a cumprir os prazos e deixar de se arrastar ad eternum, reclamando tempos de prisão preventiva que violam os mais elementares direitos humanos apenas para esconder a sua incompetência.
16
Set07

Os métodos da ASAE parecem estar a fazer escola

Pedro Sales
06
Set07

Quando bush se esconde numa gruta

Filipe Calvão
"Comediantes furam esquema policial da APEC." (público)

Pelo menos estes australianos não serão deportados. Já em 2003, Will Saunders, um cidadão britânico que trabalhava como astrónomo para o governo australiano, correu o risco de ser expulso do país (BBC 2003) por pintar "No War" na casa da ópera (clap clap para a façanha, vídeo aqui). Ontem foi a equipa de Chaser a ser detida depois de entrar como Bin Laden na "zona verde" de Sydney. Ao terceiro checkpoint foram parados e detidos para inquérito. É o preço a pagar por inverter as regras do jogo na caça a Bin Laden.






Por agora fiquem com o último episódio de Chaser's war on everything a ir para o ar, sobre as 'medidas de segurança' impostas aos australianos durante a APEC. Com alguma sorte, teremos novo programa em breve com imagens de novo recorde de bundas anti-Bush. E quem organiza? O "aussie" Will Saunders.

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