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Zero de Conduta

Zero de Conduta

05
Nov07

A Economist, esse pasquim da extrema-esquerda movido pelo ódio a Bush

Pedro Sales
Economist, 13 de Outubro de 2007
“Ser de esquerda significa apoiar o Estado e, temo, ser anti-americano”. A frase que titula a entrevista que o Público hoje edita, numa bem sucedida acção promocional ao novo livro da editora de Zita Seabra, é reveladora da profundidade intelectual e absurda simplificação do autor de "O que resta da Esquerda?”. Nick Cohen é uma caricatura a fazer uma caricatura da esquerda. A entrevista é uma mistificação absurda e demagógica de quem se apercebeu que, na actual conjuntura, há sempre mercado para um autor criticar quem não se revê na política de Bush. É polémica garantida, ainda por cima quando o autor se diz de esquerda.

Quem não apoia a administração Bush é anti-americano. Quem é anti-americano apoia Bin Laden e a Al-Quaeda. O maniqueísmo, que conhecemos de alguns dos debates que tiveram lugar em Portugal aquando da invasão do Iraque, parecia estar meio desaparecido agora que há menos pessoas a apoiar a guerra e a ocupação do Iraque do que leitores do diário de José Manuel Fernandes. Mas o autor, e quem passa a vida a usar esta nova cassete para catalogar e diminuir as posições dos outros, esquece-se de uma coisa. É a sua linha de argumentação que mete no mesmo saco o presidente norte-americano - e uma democracia com mais de 200 anos - e um bando de terroristas fundamentalistas. Se o seu termo de comparação é esse, tudo bem. Mas não metam é a esquerda ao barulho. Pode dar-se o caso de descobrirem que esta é bem maior do que parece e que tem os mais insuspeitos aliados.
28
Out07

Já que fala nisso...

Pedro Sales
Qual foi o debate mais difícil para o governo?, pergunta o JN ao ministro Santos Silva. A taxa de desemprego que não pára de aumentar? O crescimento da economia que não há maneira de atingir a média europeia? Nada disso. O momento mais embaraçoso foi quando tiveram que atirar as culpas para o seu antecessor, responde o ministro dos assuntos parlamentares, num notável exercício de cinismo político. "Foi em Maio de 2005 quando tivemos de anunciar que o défice estimado pelo Banco de Portugal para 2005 era 6,83% e que íamos proceder imediatamente a cortes de despesa e aumento de receita". Um valor desconhecido de todos, como então garantiu o Governo Sócrates. Uma história muito mal contada. Se não, reparem no que dizia Jaime Gama, no encerramento do debate orçamental, poucos meses antes do seu partido anunciar o aumento do IVA por causa do défice de 6%.

17
Out07

"D" de demagogia

Pedro Sales
Luís Filipe Menezes foi ontem a Bruxelas para se reunir com Durão Barroso. À saída, questionado pelos jornalistas sobre a posição do seu partido sobre o referendo ao tratado europeu, disse que não se pronunciava antes do PS anunciar a sua posição. "É o partido socialista que está no Governo, é a ele que lhe compete dizer o que pretende fazer". Claro que a posição de Menezes é marcada pelo mais genuíno oportunismo político, mas, se a moda pega e o partido socialista continuar no governo, ainda vamos ver o PSD a dizer que não tem nada para dizer aos portugueses sobre impostos, aumentos salariais, educação, saúde, justiça e por aí fora. Menezes ganhou o PSD para o tranformar no PS com um D no fim.
05
Out07

Também existem os ignorantes desqualificados. Costumam gerir as empresas municipais

Pedro Sales
Uma tese de doutoramento, aprovada com distinção máxima na Universidade de Sevilha, indica que a maioria das empresas municipais “dão prejuízo, são financiadas de forma pouco transparente e estão sujeitas à vontade política”. O autor, o ex-deputado socialista Casimiro Ramos, coloca ainda em causa o elevado número de autarcas nos conselhos de administração, muitos deles a acumular salários.

"Uma coisa é nomear 'boys', outra coisa é nomear pessoas", respondeu o secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, para quem o autor da tese "é um ignorante qualificado a associar o que não pode ser associado". Continuando a elevada finura da análise, Artur Trindade faz ainda o favor de explicar, a todos os "ignorantes" que questionam a utilidade e a gestão da maioria das empresas municipais, que estas podem ter a "máxima eficiência e dar prejuízo", uma vez que "uma coisa é a má gestão e outra os lucros".

Devia estar a pensar na Emel, em Lisboa. Uma empresa criada para recolher o dinheiro do estacionamento nas ruas da capital, uma galinha dos ovos de ouro que até um macaco com um computador à frente era capaz de pôr a dar lucro, mas que dezenas de ignorantes desqualificados conseguiram colocar numa eminente situação de falência técnica. Mal por mal, mais valia entregar o negócio aos arrumadores. Parecem ser mais eficientes.
20
Set07

Abrupto macht frei

Pedro Sales
Pacheco Pereira considera que “tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia”, acrescentado que este bom homem “é acusado de incitar ao ódio racial, algo que em países genuinamente liberais não é crime nem sequer delito de opinião”.

Já aqui escrevi sobe o Código Processo Penal e a indignação sem sentido a propósito da libertação de não sei quantos presos preventivos. Mário Machado não deve ser tratado de forma distinta da que é reservada a todos os outros detidos e se excedeu o prazo máximo de prisão preventiva deve ser libertado. Mas não é isso o que faz Pacheco Pereira, misturando o que tem a obrigação de saber que não tem nada a ver com o caso, apenas para dizer que este homem é um preso político.

Em primeiro lugar não sei onde é que foi buscar a excepção nacional da criminalização do incitamento ao ódio racial. A negação do holocausto é crime na Alemanha, países como a Irlanda ou França têm legislação contra os crimes de ódio, incluindo a sua defesa. Delito de opinião, sim senhor, também dá para condenar e expulsar na liberal Inglaterra.

Depois, Pacheco Pereira tinha a obrigação de saber, e sabe, que o líder dos skinheads nacionais está longe de estar preso por “razões puramente políticas”. Foi acusado de 17 crimes, incluindo ameaça de morte. Uma advertência que é para levar a sério, atendendo a que este “preso político” já cumpriu pena pelo seu envolvimento no homicídio de Alcino Monteiro, cujo crime foi ter nascido com uma cor que Mário Machado e os seus amigos consideram impura. O ano passado, foi condenado a três anos de prisão, suspensa por um período de quatro anos, por extorsão, por dois crimes de sequestro dados como provados e pela posse ilegal de arma.

Para quem se indignou, até à medula, com a destruição de um pequeno campo de milho por um grupo de adolescentes tardios, escrevendo dezenas de posts sobre esse “atentado” ao Estado de direito, não deixa de ser curioso verificar esta abrupta conversão à causa deste “preso politico” que dá pelo nome de Mário Machado.

Mas nada disso importa a Pacheco Pereira, nem o detém na sua cruzada de equiparar os movimentos de esquerda aos energúmenos neonazis que suportam Mário Machado. Por muito condenável que seja, a destruição de um hectare de maçarocas de milho não tem nada a ver com terrorismo, da mesma forma que o caso de Mário Machado não tem nada a ver com perseguição política. Mesmo a manipulação e a má fé intelectual têm limites. Pacheco Pereira ultrapassou-os.

Vale a pena ler, os delitos de opinião de Mário Machado.
12
Set07

Para fazer propaganda já cá estava eu

Pedro Sales
Paulo Portas acusou hoje o Governo de fazer "propaganda" nas escolas: "Eu acho que as escolas são lugar de trabalho, não são lugar nem de propaganda nem de comício". O líder do PP fez estas declarações enquanto apresentava as propostas do seu partido para a educação, no final de uma visita à Escola Secundária de Alvide. Afinal, o problema não parece ser tanto a propaganda, mas o facto de Paulo Portas não ter computadores para distribuir.
31
Ago07

Dúvidas

Vasco Carvalho

Publicidade para o Renault Dauphine, anos 60, Brasil

Há só uma dúvida que me fica na cabeça. Quem estará a mentir: a publicidade brasileira dos anos 60, anunciando 16 quilómetros por litro ou a indústria automóvel actual, anunciando um admirável mundo novo no que diz respeito ao consumo de combustíveis? É que o Toyota Prius, referência global da solução eco-consciente para o novo milénio, faz uns estrondosos 17,5 km por litro.

Mesmo admitindo a falsidade de publicidade com 40 anos, o facto é que as estatísticas para os EUA mostram bem que de 1980 ao Prius não há um corte radical, mas uma lenta evolução: um automóvel novo nos EUA fazia em média 10 km/litro em 1980, 11 km/litro em 1990 e perto de 13 km/litro em 2000.

Ao mesmo tempo, e por estes dias, na Shell eco-marathon(sic) correm protótipos que chegam aos 3000 km por litro, ordens de magnitude de diferença. É certo que do protótipo à comercialização vai um grande passo, mas já podíamos começar a pôr os travões (metáfora rasteira, eu sei) ao imenso spin verde que envolve os actuais modelos comerciais 'amigos do ambiente'. Servirá para vender jornais da especialidade, preencher o vazio na televisão ou mesmo para massajar o ego do suposto consumidor consciente. Mas não venham com a conversa da 'nova mentalidade eco-responsável para um novo milénio'. É que com amigos como estes...
24
Ago07

Não era mais fácil fazer o Estado cumprir a lei?

Pedro Sales
Cavaco Silva vetou o Regime de Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado, um diploma que foi aprovado por unanimidade, e que garante o direito aos cidadãos que se sentem lesados pelo Estado de recorrerem aos tribunais para reclamar uma indemnização. Diz o Presidente da República que, a ser aprovado, este diploma teria “consequências financeiras cuja razoabilidade em termos de esforço fiscal é questionável”.

Vamos a ver se compreendi. O Presidente da República acha que o Estado passa a vida a meter os pés pelas mãos, e, portanto, em vez de defender o cumprimento da lei pelo Estado, impede que os cidadãos reclamem quando se sentem lesados! Extraordinário argumento em favor da impunidade de quem deve ser o primeiro a dar o exemplo, revelando até onde pode ir o desvario da obsessão com o défice.

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