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Zero de Conduta

Zero de Conduta

19
Mar08

Os "especialistas"

Pedro Sales


Para quem acredita nessas coisas, quis o acaso do destino que os cinco anos da invasão e ocupação do Iraque coincidissem com o início de uma gigantesca recessão económica nos EUA. Para todos os outros, talvez valha a pena lembrar que os dois acontecimentos estão longe de estar desligados. Em primeiro lugar pelos custos astronómicos da ocupação do Iraque (o Congresso dos EUA já fala em 1 ou 2 milhões de milhões de dólares), com as consequências monetárias que daí resultaram. Mas também, e de  forma nada indirecta, com o decisivo impacto da guerra na escalada do preço do petróleo.

Para quem anda esquecido, um fenómeno curiosamente recorrente por estes dias, talvez valha a pena recordar que os opositores da intervenção militar foram os primeiros a alertar para a subida do preço do petróleo causada pela instabilidade geopolítica na região onde se encontram quase 2/3 das suas reservas. Quando Fernando Rosas escreveu um artigo avançando a possibilidade do crude chegar aos 80 dólares por barril foi um fartote. Durante semanas, os grandes “especialistas” económicos da blogosfera liberal juntaram-se em peso para ridicularizar o Fernando Rosas, o Bloco e os opositores da guerra.

Lembrei-me desse momento ao ler uma notícia - destacada hoje pelo João Miranda para elogiar pela enésima vez o carácter premonitório e omnisciente do mercado -, onde se pode ler que, “desde o final de 2003, o número de contratos futuros de petróleo subiu 364 por cento enquanto o consumo real subiu oito por cento”. O João Miranda não refere, como é normal, mas foi no final de 2003 que se tornou perfeitamente claro que não existia nenhuma solução fácil para o Iraque e que, nem com a colossal fortuna que os EUA estão a enterrar no deserto, se podia garantir a estabilidade da região. O resto é história... e o petróleo que já vai nos 110 dólares.
15
Mar08

Crónica de uma morte anunciada (1)

Vasco Carvalho
25
Fev08

Lógica da batata

Pedro Sales

Realizou-se na semana passada o VI Congresso Nacional do Milho, ficando acordado no encontro a produção de mais 200 mil toneladas deste cereal para garantir a quota nacional de 10% de agrocombustíveis até 2010. Segundo o presidente da associação promotora do encontro, Luís Vasconcelos e Sousa, a crescente utilização do milho e sorgo na produção de agrocombustíveis “nunca irá pôr em causa a produção destes cereais para fins alimentares”. Tudo bem, não fosse o problema que se coloca não ser a escassez de cereais mas o seu preço. O pão aumentou 30% este ano, e é provável que ainda aumente mais 15%. O leite vai pelos 15%, enquanto a maioria dos bens alimentares se fica pelos 5 a 10%.

Portugal não é um caso isolado. A pressão inflacionista nos bens alimentares é mundial e tem o dedo nada escondido da corrida ao “petróleo verde” - cujos efeitos nefastos estão longe de se ficar pela carteira. Curiosamente, enquanto o ministro da Agricultura diz estar “preocupado” com aumento dos bens alimentares, o Governo garante generosos milhões de euros em benefícios fiscais para desviar terrenos agrícolas para produzir combustíveis que vão tornar a comida ainda mais cara. Pagamos duas vezes. Nos subsídios e no supermercado. O Governo parece encontrar alguma lógica nisto. Por mim, só encontro a da batata.
22
Fev08

Um "mal estar difuso"

Pedro Sales

Há 10 anos que os funcionários da função pública perdem poder de compra. O ano passado, o salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem passou de 719 para 720 euros. As pensões dos mais pobres dos pobres, 1,6 milhões de portugueses que recebem menos do que o salário nacional, tiveram um “aumento” abaixo da inflação. Conhecedor destes números, Teixeira dos Santos foi ontem ao Parlamento recusar uma correcção salarial a meio do ano se, como é quase certo, a inflação ficar acima da calculada pelo Governo nas negociações dos aumentos salariais e de pensões. O que devia ser uma questão de boa fé, num país em que os governo se "enganam" sistematicamente na taxa de inflação, foi tornado pelo ministro das Finanças no risco risco de uma “espiral inflacionista penalizadora da generalidade dos portugueses”.

As declarações de Teixeira dos Santos resumem o actual momento do Governo. O discurso pode ser cada vez mais optimista, mas continua-se sem perceber para que foram os sacrifícios, e tantos anos a apertar o cinto em nome da estabilidade financeira, se, três dias depois do primeiro-ministro ir à SIC garantir que “temos as contas públicas em ordem”, se continua a defender a perda do poder de compra dos trabalhadores. A questão já nem é saber se seremos apanhados por todos os países de Leste, é quando? Depois admiram-se de estudos, como o da Sedes, alertarem para a existência de “um mal estar difuso”, que “alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional”. A sorte de Sócrates é o PSD que tem. O azar da democracia é que o aumento da abstenção e a crise de confiança na palavra dos políticos vai ser um dos legados fundamentais do governo de José Sócrates.
29
Jan08

Os amigos são para as ocasiões

Pedro Sales
O mesmo Governo que reintroduziu os benefícios fiscais para os PPR, reduziu o remuneração dos certificados de aforro pela segunda vez no espaço de 18 meses. Uma medida que prejudica 700 mil portugueses, essencialmente idosos e com pequenas poupanças, que compraram os certificados confiando na palavra do Governo e se vêm agora, de um dia para o outro, com um produto que perde 10% de rendimento a médio prazo. Será normal que uma parte significativa dos pequenos aforradores emigrem para os fundos da banca, que se vê agora com produtos similares e melhor remuneração do que as novas taxas dos certificados de aforro, mas onde vão deparar com um sem número de produtos financeiros com um risco muito mais elevado. Como estamos a falar de pessoas com um escasso conhecimento dos produtos financeiros existentes, e os funcionários das agências bancárias têm metas a apresentar, será muito provável que alguns dos reformados acabem por investir as suas poupanças num “fundo fantástico na Papua Nova Guiné”. Uma sondagem do Eurostat, hoje citada no Diário Económico, diz que “só 10% dos portugueses estão optimistas com a economia”. Bate certo. Devem ser os accionistas da banca.

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