De Paulo Mouta a 2 de Setembro de 2008 às 17:15
E esta montagem significa exactamente o quê? Que não existem os crimes? QUe estes não são importantes? Que não são de ter em conta as questões de segurança apenas porque os media necessitam deste tipo de notícias? Que não devem ser tidas em conta as posições das vítimas destes crimes apenas porque eles foram exageradamente mediatizados? Que o criminoso deve ser tratado de forma mais humana que a vítima (como tem vindo a ser defendido por esta sequência infindável de textos)? Que a polícia está transformada num elemento repressor do regime?

A solução contra a manipulação dos media será manipular o que já foi manipulado para desmontar a ideia errada de que não existe criminalidade violenta no país? É inverter a verdade e transformar os criminosos em vítimas da injustiça social e as vítimas em danos colaterais?

Essa mistura explosiva de mediatização do medo pelos media a favor do sistema com a protecção de algumas formas de parasitarismo social por uma suposta esquerda pode resultar ainda mais nesse amplificar do medo. É que. não só osw crimes são mediatizados como os criminosos constantemente desculpados.


De Pedro Sales a 2 de Setembro de 2008 às 17:37
Claro que existe criminalidade violenta no país. Sempre houve e sempre existirá. A questão não é essa. É o destaque dado a pequenos delitos que, numa situação normal, nunca passariam das páginas do Crime e que, graças à "onda", abrem os noticiários das 20 horas. Em qualquer país, se as televisões começam a noticiar todas os crimes, incluindo o desaparecimento de um portátil ou o assalto de 350 euros a uma pessoa, é normal que exista um clima de insegurança e o medo de sair à rua. Mas será real? Os crimes desapareceram esta semana das tv´s . Passámos de Joanesburgo para Gotemburgo em menos de uma semana?

E, depois, vale a pena lermos os números. Portugal é o 4.º país europeu com mais polícias por habitante e tem 105 detidos por cada 100 mil habitantes, um dos números mais baixos de todo o mundo. Convém, também, ler as entrelinhas do que vem na imprensa:

«os números são inferiores a 2004 e a 2006. Por outro lado, a criminalidade participada cresceu 7% em relação a 2007, sendo o número global de crimes participados essencialmente idêntico ao dos anos de 2003 e 2004.» Diário de Notícias de 30 de Agosto:http :/ dn.sapo.pt /2008/08/30/nacional crime_violento_aumenta_15_face_a_200.html




De Paulo Mouta a 2 de Setembro de 2008 às 22:54
A "bloguização" da mediatização deste fenómeno faz igualmente parte do carrocel.

O problema é que não tenho lido quaisquer linhas de soluções para o problema. Condena-se a mediatização. Condena-se o comportamento policial mas não se condena o crime em si. E é justamente aí que coisas se tornam estranhas.

Se Portugal é um dos países com mais polícias por habitante e com menor percentagem de detidos é claramente por ineficácia das forças policiais. Quando essa eficácia começa a tornar-se uma realidade o que se faz é crucificar essas mesmas forças como se não fosse para isso mesmo que os contribuintes lhes pagam. Claro que havendo uma polícia eficaz esbarra logo num sistema judicial anedótico e que foi criado, também ele, para proteger os comportamentos parasitários e lançar nas ruas imediatamente a seguir mesmo aqueles que foram detidos em flagrante delito em dituações de crimes graves ou relativamente graves.

A confusão permanente entre os conceitos de liberdade e de libertinagem fazem com que a sociedade corra justamente o risco de se tornar securitária. O mal está obviamente na natureza humana, mas um sistema judicial e uma boa intervenção policial podem muito bem reduzir para o mínimo os casos de criminalidade e podem puni-la de modo eficaz.

A criminalidade não tem origem na injustiça social nem na pobreza por si mesma, logo a criminalidade não deve ser desculpada e encapsulada numa vitimização ideológica. Aliás, a ideologia do proteccionismo ao comportamento parasitário é contraditória com a própria vivência sã em sociedade.


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