Saudades de uma escola de casta
Não deixa de ser engraçado reparar como Maria Filomena Mónica, e a esmagadora maioria dos comentadores que enchem a imprensa a defender a meritocracia da escola “de antigamente”, pertencem quase todos a uma geração que beneficiou de uma agressiva selectividade social que lhes garantiu uma entrada na faculdade sem competição e um emprego garantido, e exemplarmente remunerado, à saída da faculdade para a meia dúzia de doutores do país. O 25 de Abril encontrou um país com 130 mil licenciados e quase 2,5 milhões de analfabetos. Associar o mérito ao sistema escolar anterior a 1974 é apenas mais uma falácia para atacar a massificação proporcionada pelo ensino público e o fim de uma universidade elitista e de casta.

