De Paulo Mouta a 4 de Julho de 2008 às 00:04
Já começa-mos a estar habituados a estes enviezamentos de interpretação de declarações de membros do PCP.

É muito triste ver a esquerda portuguesa entregue a este tipo de intrigas quando a verdadeira intenção da comunicação social e dos seus patrões é que as sondagens que revelam possibilidades de crescimento para PCP e BE não se concretizem.

É evidente que o PCP nunca fecharia as portas a um entendimento com nenhuma força de esquerda e os acontecimentos internacionais têm-se revelado favoráveis a entendimentos de várias esquerdas com a finalidade de combater o neo-liberalismo que se tornou como doutrina política e económica única.

A exclusão do PCP numa iniciativa que se proclamava como sendo das esquerdas é uma provocação clara mas também uma demarcação perante o eleitorado. É uma afirmação clara de que o BE está muito mais próximo dos socialistas que do Socialismo. No entanto, nunca o PCP (pelo menos que eu tenha lido) produziu qualquer texto em que tenha excluído claramente quaisquer forças de esquerda da intervenção política para o futuro. Talvez a interpretação algo "forçada" das palavras de Jerónimo de Sousa derivem justamente do facto do BE querer mais uma vez etiquetar o PCP como partido sectário podendo crescer às custas do eleitorado tradicionalmente comunista.

Como sempre tenho escrito sempre que tenho oportunidade é urgente uma convergência à esquerda. Um entendimento que não necessita que ter qualquer carácter formal mas que obriga a uma lealdade e a uma confiança mútuas. É muito mais o que une do que o que divide estes dois partidos. O BE não pode querer tirar partido de não estar comprometido com a História nem com os erros do passado e ao mesmo tempo estar nos proveitos que advieram no ocidente do medo do que estava do outro lado do muro. Proveitos esses, que agora vão sendo retirados porque do outro lado estão exactamente as mesmas forças a fazer exactamente o que aqui se faz. O BE não pode querer enganar os seus próprios eleitores. Tem de ser claro nas suas propostas e soluções e não viver refugiado numa ambiguidade ideológica.


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