Comentários:
De Luis Simões a 6 de Junho de 2008 às 16:19
Não faço a mínima ideia de quem seja o sr. Manuel Pinto Coelho, nem tenho qualquer simpatia pela sua área política, mas lá que ele tem razão ... não há dúvida. Nenhuma!. E na qualidade de profissional - na área da saúde com uns longos anos de experiência prática - posso atestar com toda a garantia que são correctas as observações referidas. E só quem não tem uma pinguinha de experiência e contacto com as realidades da toxicodependência - mesmo aquela que eufemistica e erradamente designam como leve/ligeira - é que pode defender que os charros são "quase" inócuos. Nos últimos 15 anos, acumulam-se os estudos internacionais na área da saúde mental que confirmam a relação directa e proporcional entre o "charrito" e a origem e/ou agravamento de desordens psicológicas sérias. Repito: sérias! As urgências hospitalares relacionadas com o consumo de "drogas leves", na área da psiquiatria, crescem a um ritmo assustador. Aqui e por essa Europa fora! E não não são apenas as desordens neuróticas bipolares. São também os diversos quadros de Psicoses ... É só uma questão de se informarem ... Obrigado.


De Pedro Sales a 6 de Junho de 2008 às 17:34
Caro Luís Simões,

1. Como é normal, ninguém aqui defendeu o carácter "inócuo" da cannabis ou o de quaisquer outras drogas. Mas, em todo o caso, os estudos de que fala sobre a cannabis, mais do que associarem esta substãncia à origem de psicoses confirmam antes um aumento dos riscos do seu consumo a quem já apresente os sintomas descritos.

2. Miguel Pinto Coelho foi o primeiro nome apontado pelo governo PSD-PP para presidir ao actual IDT, antes de se ver afastado pela polémica comparação com os taliban.

3. Esse senhor rejeita as actuais políticas de diminuição de riscos, seguidas pela quase totalidade dos países, preconizando que o Estado apenas deve financiar clínicas que apostem numa política de privação de drogas.

4. Para além disso, convenhamos que dizer que uma qualquer substância provoca agressividade e apatia torna-se difícil de compreender. A não ser que a cannabis seja como o Natal e seja o que o Manuel Pinto Coelho quiser.

Obrigado pelo comentário.


De FuckItAll a 9 de Junho de 2008 às 16:11
Não me parece que ninguém medianamente informado defenda que a cannabis é inócua; aliás, a classificação de drogas leves e duras vem do proibicionismo que Pinto Coelho defende com tanto afinco. Que o organismo da ONU para o assunto, muito devotado à guerra geo-estratégica contra a produção e portanto profundamente conservador no que toca ao consumo, tenha agora arrepiado caminho e produzido nova classificação, ainda mais incompreensível, só prova o desnorte do proibicionismo.
Que a cannabis tem efeitos psicóticos, ou pelo menos potencia psicoses pré-existentes, também começa a ser do domínio público. Mas estará o Luís Simões a defender que a violência escolar passa por um quadro de aumento das psicoses entre a população escolar?


De Marco a 25 de Maio de 2011 às 15:32
A questão não é se a cannabis é inócua ou se provoca psicoses, a questão é: Eu, que tenho uma vida normal, inserida na sociedade, por fumar charros devo ser atirado para a prisão e ter a vida destruida??!!

A GRANDE maioria dos consumidores não tem quaisquer problemas com o seu consumo e acabam por deixar de consumir naturalmente em algum ponto da sua vida. O único acto prejudicial que têm para a sociedade é injectar dinheiro na economia paralela por terem que recorrer ao mercado negro para se abastecerem.

Há pessoas que não podem fazer desporto, há pessoas que não podem comer trigo, há pessoas que não podem beber álcool, há pessoas que não podem comer açúcar e claro há pessoas que não podem fumar cannabis. Agora não me digam que se deve punir todos os consumidores pela decisão estúpida, inconsciente ou desinformada de uma minoria que tem maus resultados dessa decisão.

A normalização e regulação é o caminho, não há dúvidas! Aliás, é muito mais fácil regular e fiscalizar um mercado legal do que um mercado paralelo. Preciso de lembrar a lei-seca a alguém? Os menores hoje têm acesso livre a todo o tipo de drogas. É mais fácil comprar uma ganza na escola do que tabaco no café. Se querem ajudar os jovens informem-nos e eduquem-nos, não os demonizem nem discriminem. Se os adultos tiverem acesso legal a cannabis transmite muito melhor a mensagem de que os menores não devem consumir do que campanhas demonizadoras, hipócritas e claramente (até para um adolescente) falaciosas e desinformadoras.


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