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Zero de Conduta

Zero de Conduta

30
Mai08

Este blogue avisa que só traficamos armas ao sábado e domingo

Pedro Sales

A reportagem ontem transmitida pela SIC sobre "os perigos da internet" é um dos momentos televisivos mais hilariantes dos últimos tempos. Para quem não viu - erro que rapidamente deve corrigir aqui, via 5 Dias -, Moita Flores faz o favor de alertar os portugueses, nos tons apocalípticos de quem comenta a internet com a mesma seriedade com que "analisa" o desaparecimento de uma menina inglesa, que os blogues são o espaço onde  se trafica armas, organizam terroristas e se organiza o branqueamento de capitais...


Depois de desfilar mais um sem número de lugares comuns, como o de uma disparatada noção de invasão da privacidade e de uma leitura mais que enviesada do caso Cicarelli, o jornalista que introduz a peça avisa-nos que um computador portátil é tudo quanto precisamos para começarmos a contar mentiras ao mundo todo. Ora, ora. Nem é preciso tanto. Basta esperar um minutinho e continuar ligado na SIC. Como o sentido da reportagem, e do debate que se lhe seguiu, é que um dos principais “perigos da internet” é o vazio legal que permite a impunidade da calúnia, a SIC garante que António Baldino Caldeira, o autor do blogue Portugal Profundo, nunca chegou a ser julgado por ter posto em causa as credenciais académicas do primeiro-ministro que elegeu como um “alvo".


Se o jornalista tivesse feito o seu trabalho, e não andasse à procura de casos que confirmassem a sua tese a martelo, teria percebido que António Baldino Caldeira “nunca chegou a ser julgado” porque a procuradora do MP resolveu arquivar a acusação feita por José Sócrates, entendendo que não havia «indícios de crime» nos dois textos publicados por António Caldeira. É verdade que o jornalista apresenta a reportagem com um portátil na mão. Se calhar até é capaz de ter alguma razão...

3 comentários

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    Paulo Querido 30.05.2008

    Caro António, já li umas boas dezenas de reacções a este assunto e nenhuma é tão parecida com a atitude de Miguel Sousa Tavares como a sua.
    Ambos perspectivam o assunto não pelo assunto, mas pelo óculo dos vossos casos pessoais.
    No óculo de MST, a blogosfera existe para o caluniar, e às pessoas importantes e como tal indefesas perante os monstros anónimos.
    No seu óculo, este episódio não serve para mais do que uma nova reprise do seu filme sobre as habilitações, ou falta delas, do Primeiro Ministro.
    No fundo, ambos têm razão. O mundo não passa de uma cabala contra vós.
    Não vale a pena dizer-lhe que não, o programa não foi feito cntra si, nem ninguém se lembrou de si. O programa foi mau, muito mau, mas decorreu de outras razões.
    O aproveitamento que você e José Maria Martins tentam fazer agora, colando um exemplo de pura ignorância a uma situação "política", é -- na minha modesta opinião -- grotesco.
    Você faz-me lembrar Manuela Ferreira Leite, mas em pior. Ao menos a tecla dela, a da "credibilidade", é fresca.
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    Pedro Sales 31.05.2008

    Exacto, Paulo. O programa foi todo ele imprestável, revelando a impreparação do jornalista sobre os temas que abordou (dos comentadores nem vale a pena falar). Não há nenhuma orquestração da SIC contra o autor do blogue profundo, apenas a vontade do jornalista em provar que a calúnia na blogosfera fica impune , nem que apresente um caso que chegou mesmo a ser apreciado pela Justiça e que o MP julgou como fazendo parte do direito à liberdade de expressão do autor. Os exemplos apresentados pela peça têm sempre um exemplo denominador mínimo comum: provam o contrário do que é anunciado na reportagem.
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