Quarta-feira, 16 de Abril de 2008
O jornalismo de "causas" e os factos do jornalismo

No meio da patética perseguição movida pelo PSD a Fernanda Câncio, uma das acusações que tem permanecido quase ignorada é aquela onde este partido diz que a RTP não a pode contratar porque se trata de uma jornalista de “causas” e, portanto, parcial. Apesar das denúncias contra a injustiça, tirania e corrupção fazerem parte do melhor que a história do jornalismo tem para nos oferecer, num país em que as pessoas confundem imparcialidade com ausência de opinião a acusação tem a força de um anátema.

Sucede que o incómodo do PSD, retomado por uma parte significativa da blogosfera de direita - mesmo entre a esmagadora maioria que criticou o partido de Menezes - não é tanto com a existência de “causas”, mas mais com a natureza das mesmas. Jornalismo de “causas” tornou-se, entre nós, um eufemismo para dizer que se defende a despenalização do aborto, a separação do Estado e Igreja, ou a igualdade de direitos entre todas as pessoas, independentemente do género, opção sexual ou cor da pele. São os temas “fracturantes”, outro termo que está longe de ser inocente.

De resto, não deixa de ser curioso que, mais coisa menos coisa, a agenda que é considerada fracturante seja coincidente com as posições da esquerda. À direita, como se sabe, não existem “causas”. Existem causas e factos. E é assim que temos que assistir impavidamente às intermináveis horas de televisão e capas de jornais com o alarmismo sobre a violência escolar, misturando números de tesouras e canivetes suíços com armas de fogo para darem contra de uma realidade que os números não atestam. Isso, ou constatar a artificialidade dos cíclicos climas de insegurança agitados por alguma imprensa no país com uma das menores taxas de criminalidade de todo o mundo e com um número recorde de policias na Europa.

Aí, nada. Não há nenhuma causa nem agenda política. Só a dura neutralidade dos factos, mesmo quando estes são sistematicamente desmentidos pelos números e indicadores internacionais. Mas ai de quem diga o contrário. É porque se trata um jornalista de “causas” ou tem uma agenda escondida.



publicado por Pedro Sales às 16:05
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Comentários:
De Pedro Sales a 17 de Abril de 2008 às 15:33
Caro Tric,

A Informação não é do DN, é uma citação de um elemento da própria PSP. De resto, convém não esquecer que a GNR também é uma força policial: os números dizem respeito aos efectivos policiais, não se reduzindo à PSP.


De tric a 17 de Abril de 2008 às 17:10
Caro Pedro Sales,

"existem 21 269 elementos a nível nacional, representando um rácio de um polícia para 227 habitantes, enquanto a média europeia é de um agente para 350 pessoas"

a noticia tem como base que 21 269 policias representam um racio de 1 para 227 habitantes e depois compara-se com o racio europeu !
o que é mentiira porque 21 269 nunca podem representar esse racio !!










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