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Zero de Conduta

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16
Jul07

Algumas notas sobre as eleições

Pedro Sales
António Costa: Ganhou, mas o seu resultado fica bastante aquém do que o próprio esperaria. Não chegou aos 30%, um resultado pouco superior ao desastre de Carrilho há dois anos, e cinco a seis pontos percentuais abaixo do que lhe davam todas as sondagens. As dúvidas, crescentes, sobre o papel de Júdice e Salgado no seu plano para a zona ribeirinha parecem ter feito mossa muito maior do que a Portela. Ficou-se pelos seis vereadores, necessitando da coligação com duas forças de esquerda para governar em maioria. A outra hipótese é Carmona, mas os custos políticos, para si e para o governo, da aliança com o ex-presidente da câmara e Fontão devem aconselhá-lo a preferir governar em minoria, procurando alianças pontuais com este ou aquele para fazer passar as suas propostas. Não era disso que estava à espera.

Carmona Rodrigues: Já aqui tinha dito que Carmona foi o vencedor de uma campanha onde, estranhamente, nunca se discutiu as razões políticas e financeiras que levaram à realização de eleições intercalares. Pareceram umas eleições como as outras e esse foi o seu grande trunfo. Ontem voltou a ganhar: ficou à frente do PSD. Ganhou bastante com a abertura do túnel, começando aí a reconversão, em tempo recorde, da sua imagem. Elege três vereadores mas não lhe devem servir de muito. Dificilmente Costa se poderá coligar consigo e com Fontão. Essa pode ser a sua derrota.

Fernando Negrão: Não há muito a dizer. O PSD teve 15% em Lisboa depois de ter insistido numa campanha puramente negativa. Depois de Santana, é a segunda vez que este partido envereda por esta via. Os resultados estão à vista. Marques Mendes tirou a única conclusão que poderia tirar.

Helena Roseta: Apesar do seu nome não aparecer no boletim e de, olhando para o seu programa e prestações televisivas, não se perceber muito bem qual a razão de ser da sua candidatura, foi uma das vencedoras da noite. O seu enorme prestígio deu-lhe uma votação significativa. Parece ter ido buscar mais votos a António Costa do que as sondagens indicavam. Elegeu dois vereadores que podem ser decisivos.

Ruben de Carvalho: era previsível que fosse uma das surpresas da noite. Com um eleitorado tradicionalmente fiel, idoso e envelhecido, tinha tudo a ganhar com umas eleições marcadas por uma elevada abstenção veraneante. Perdeu 1,5 pontos e esteve à beira de não eleger o segundo vereador. Elegeu-o, contudo, e pode vir a desempenhar um papel fulcral no futuro destes dois anos. O que não evitou a cara de poucos amigos na sede da sua campanha.

Sá Fernandes: Juntamente com Roseta, e ao contrário de Rúben, era quem tinha mais a recear da abstenção. Com um eleitorado flutuante e jovem tinha tudo a perder com a calendarização das eleições. A forma como decorreu a campanha levou a que, por momentos, parecesse que era Sá Fernandes quem estava a ser julgado por este incómodo absoluto que foram umas eleições que todos os lisboetas pareciam defender. Mesmo assim perdeu poucos votos em relação há dois anos, mantendo o vereador por uma margem folgada. Tivesse o seu papel na questão do túnel sido melhor explicado, como realçou Sousa Tavares na TVI, e poderia ter tido um resultado ainda mais positivo.

Telmo Correia: Patético, mas merecido. Onde se mete perde. Apareceu a dizer que tinha feito uma boa campanha e a assumir todas as responsabilidades para ver se ninguém reparava em Paulo Portas. O PP nunca esteve interessado em fazer uma campanha para a Câmara, preferindo centrar as baterias no governo. Uma táctica arriscada, que permite uma leitura sobre a incapacidade da oposição de direita e de Paulo Portas em encontrar um discurso alternativo ao PS. Paulo Portas diz que vai reflectir sobre as difíceis condições da oposição a Sócrates. Isto, vindo do homem que assumia a liderança do PP, há menos de 3 meses, porque ninguém sabia fazer oposição aos socialistas. Os eleitores premiaram as pulhices que o seu grupo fez a Ribeiro e Castro e Nogueira Pinto, dois rotundos vencedores da noite de ontem.

Não pode sair da liderança do partido porque já secou tudo à sua volta. Só restam os Telmos e os Nuno Melos. Quis voltar em grande, mas é, cada vez mais, um dead man walking que está à frente dos populares. Voltou a tentar enganar os portugueses com a história da “reflexão” antes de um Conselho nacional onde tem 98% dos lugares. Os eleitores já mostraram que não vão em cantigas. Resta saber os jornalistas. Os mesmo que continuam a dedicar páginas sem fim às tricas de actores políticos que têm a mesma representação politica na capital que Garcia Pereira ou o MPT. Se alguém tinha dúvidas sobre o desfasamento da agenda jornalística com o país, ponha os olhos no PP e nas horas de directo televisivo para apresentar uma lista que teve 3% dos votos.

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