Comentários:
De OrCa a 4 de Novembro de 2007 às 17:38
Antes de mais, um aplauso - que também faz falta - pelo desassombro das "Distopias..." lá mais para baixo e que li com atenção e interesse.

Pela parte que me toca, nem sendo sequer professor, vou-me batendo como posso, enquanto cidadão, contra a bandalheira - não me ocorre termo subtil - em que sucessivos governos mais ou menos liberalóides têm vindo a transformar o Ensino, promovendo despudoradamente o 'ensino privado' contra o interesse público, de que deveriam ser primeiros garantes.

As (muito meritórias?) análises e os (empenhados?) comentários de estudiosos da coisa, MF Mónica, VP Valente e outros, acabam entretanto por ajudar à corda desse sino, pois centram sempre a pretensa objectividade das suas apreciações no indivíduo e nunca na comunidade.

Como é possível (e serve para quê e a quem) afirmar-se que uma escola privada é melhor - em termos absolutos e relativos - para o desenvolvimento cognitivo de qualquer indivíduo, quando a multiplicidade infinita de factores envolvidos torna a afirmação irrelevante... de tão subjectiva?

E onde fica, no meio de tanto dislate e nuvem de fumo, a apreciação desassombrada da evolução ou regressão de uma sociedade, enquanto um todo mais propiciador do desenvolvimento de cada um dos seus elementos constituintes, que, essa sim, é a matéria que a todos interessa?

Não. Preferem esses 'mentores da opinião' discutir o sexo dos anjos que, no caso, para além de papudos, não têm, na verdade, nada de 'anjinhos'.

Fica-me, por vezes, a dúvida de saber se, por exemplo, VP Valente preconiza como sociedade perfeita aquela em que cada jovem infante, mal desmamado não deveria inscrever-se em Oxford... e apenas assim chegaríamos aos amanhãs que cantam.

Chego, pois - desculpando-me por este excesso opinativo - à questão central que é tão bem colocada: "Desde quando é que as qualificações do país não são um questão pública?".

José Sócrates e Maria de Lourdes Rodrigues manifestamente não sabem responder e as práticas respectivas demonstram que nem querem saber.

Aplausos, pois e outra vez, pelo desassombro das análises aqui feitas.


De baldassare a 2 de Novembro de 2007 às 16:59
Esses contratos são um espectáculo.
O estado paga por cada aluno que lá está... ou seja, é do interesse do colégio que os alunos fiquem lá por MUITO tempo.

Eu vivo em Torres Vedras, e há uma escola aqui no concelho que tem esse tipo de contrato. É só alunos a chumbar duas e três vezes... não lhes querem dar o 6ºano! Numa escola genuinamente pública, isto nunca aconteceria(na escola pública, depois de se chumbar uma vez, o encarregado de educação tem de dar autorização para o filho ser chumbado...).

Além disso, os alunos que estão fora da área de abrangência (e que, portanto, pagam o colégio) são postos em turmas especiais. A prova disto é que há famílias que estão na área de abrangência, mas preferem pagar pelo colégio. Podiam estar lá à borla, mas pagando, têm a certeza que ficam nas boas turmas. É a lei do mercado...

No fim disto tudo, a população pensa que é uma benesse haver este contracto e opõe-se à contrução de uma escola pública (já está em projecto). Porquê? Por causa dos rankings. O problema é que, dos poucos que chegam ao 9ºano, só os melhores alunos vão a exame. os outros são "aconcelhados" a não ir, se já estiverem praticamente chumbados. Isto alguma vez acontecia numa escola pública?

Não dar o 6º ano a alunos que sabem ler! Depois não se queixem que as localidades de Maceira, A-dos-Cunhados e Santa Cruz estão cheias de toxicodependência e deliquência. É ver as seringas espalhadas pelo chão...

E o que me mete mais nojo é que os sacanas dos católicos conseguem sempre dar a impressão de benevolência e solidariedade, quando estão há anos a atrasar aquela região. Isto tudo é observado com muita alegria pela Empresa das Águas do Vimeiro, que vai buscar mão-de-obra barata para as fábricas e para os hotéis.

Escola Pública? Escola Privada? Eh pá escolham, mas estas "parcerias" são caras, a nível monetário e social.


De HM a 2 de Novembro de 2007 às 13:43
acerca dos resultados do privado, neste caso do ensino superior quero só acrescentar que já privei com professores que laboravam nos dois campos e confidenciaram-me que havia pressão para subir as notas no privado. Sempre me interroguei porque é que os alunos do privado no geral tinham melhores médias finais, e a resposta foi sempre que o critério de avaliação era mais laxativo.


De Mosca a 2 de Novembro de 2007 às 13:36
Corolário:
O João Miranda escreve posts (e artigos) inúteis.


De samuel a 2 de Novembro de 2007 às 12:53
Debater com João Miranda é um exercício extraordinário! Inútil mas extraordinário (ainda estou a falar do debate).


De JSA a 2 de Novembro de 2007 às 10:17
Não vale a pena debater com o JM. Poderia haver uma disparidade de 10 valores entre os resultados das escolas públicas e das escolas privadas que ele não teria problemas em encontrar explicações e continuar a argumentar a superioridade do privado sobre o público. Quando a cegueira atinge este ponto não vale a pena.


De Shyznogud a 2 de Novembro de 2007 às 10:07
Ainda podes acrescentar os custos dos "contratos simples" (q financiam - via escola - os pais de alunos q frequentam o ensino privado), entre outros. Por acaso gostaria de encontrar dados oficiais sobre quanto gasta o estado com este tipo de contratos. Tens ideia de onde os encontrar?


Comentar post