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Zero de Conduta

Zero de Conduta

28
Jun07

Foi você que votou neste senhor?

Pedro Sales
De seis em seis meses, já sabemos que vamos ter que gramar com as lições de governação do Compromisso Portugal. Calhou ser hoje. Desdobrando-se em entrevistas e declarações a toda imprensa, lá aparece o inevitável Carrapatoso, armado em Marcelo, a dar notas ao Governo e a explicar-nos - como se fôssemos muitos burros - do que é que o país precisa.

“As reformas mais difíceis não foram feitas”, ameaça o porta voz deste "grupo de cidadãos". Quais são? Liberalização dos despedimentos, o Estado pagar a inscrição nas escolas privadas, continuar o caminho na diminuição das reformas e aumento da idade de aposentação.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre a bondade da flexisegurança, versão Sócrates, recomendo vivamente a entrevista à Visão deste cavaleiro andante do neoliberalismo luso. ”Não se trata de liberalizar o despedimento. É preciso criar flexibilidade na rescisão com o empregador, mas, em dadas circunstâncias, têm que existir programas de coesão social e de protecção do individuo e da sua família”.

O discurso é igual ao de Sócrates, ponto por ponto. Não é de estranhar. Afinal, foi apenas ontem que um ministro do governo socialista apresentou aos parceiros sociais um pacote negocial para facilitar os despedimentos, a diminuição das férias e do valor do seu subsídio, o fim do limite do horário de trabalho diário, a possibilidade de baixar os salários, novos tipos de contrato precário. Uma vergonhosa adulteração do compromisso eleitoral que o partido socialista assumiu com os portugueses há pouco mais de dois anos.

Compreende-se, por isso, o esforço sobre-humano de Carrapatoso na imprensa. Arvorado em provedor dos cidadãos que nunca lhe deram procuração para o efeito, as ideias deste “grupo de cidadãos” têm feito o seu rápido caminho no Largo do Rato. Se tem propostas para governar o país tem boa solução. Candidate-se e leve o seu programa a votos.

Só que isso, e Carrapatoso é o primeiro a sabê-lo, é tudo o que os nossos liberais não podem fazer. Num país como o nosso, tinha o insucesso como destino certo. Assim é muito mais fácil. Usam a força da sua máquina económica, e um acesso privilegiado à imprensa, para subverter, nos bastidores, o sentido do voto popular. Que o Partido Socialista alinhe no jogo, pondo o seu programa eleitoral na gaveta, diz-nos muito sobre o perfil do "nosso" engenheiro.

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