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Zero de Conduta

Zero de Conduta

24
Out07

Para haver condicionamento da ciência tem que haver ciência

Pedro Sales
O João Miranda, retomando uma posição do André Azevedo Alves, responde ao meu post sobre o "caso" Watson, dizendo que o cancelamento de palestras "é mais um sinal da politização da academia e do desrespeito pelas regras tradicionais de debate". Nos comentários do post diz mesmo que é a "integridade do processo cientifico" que está em causa.

Exacto. Só que essa integridade foi posta em causa pelo próprio Watson ao defender, com o argumento de autoridade da ciência, conclusões que não correspondiam a nenhum esforço ou estudo científico. Aliás, na própria entrevista, o autor diz acreditar que, daqui a 10 anos, será possível provar aquilo que os empregadores de trabalhadores pretos já hoje sabem: que os africanos são menos inteligentes. Onde é que cabe, aqui, a "integridade do processo científico"? É conversa de café, na melhor das hipóteses.

Por mim pode, e deve, estudar-se tudo livremente. E também acho que a ciência não deve ser politizada. Mas não é isso que está em causa nesta questão. Watson acha que existem condicionantes genéticas que explicam que os pretos, árabes ou os judeus são menos inteligentes? Força, estude isso e apresente os resultados desse estudo. Mas não foi isso que fez. Preferiu dar voz aos preconceitos mais generalizados, emprestando-lhes a força da autoridade científica de quem sabe do assunto porque até foi ele que descobriu a estrutura do ADN. É uma impostura, como hoje lhe chama Vitor Malheiros no "Público". É normal que, nessas condições, os organizadores das palestras não se queiram ver associados a Watson. Só isso. O resto é a campanha do costume dos defensores do "politicamente incorrecto". Vale a pena ler o último parágrafo do artigo já citado de Vitor Malheiros (antigo editor da extinta secção de ciência do Público).

Se Watson guardasse alguma lucidez, teria explicado na sua entrevista que sobre a inteligência comparada ele não sabia mais do que um distribuidor de pizzas. Mas, abusivamente, permitiu que ela fosse lida como a resposta de um prémio Nobel de Medicina e Fisiologia a uma questão relativa aos atributos fisiológicos dos seres humanos e investida de dessas autoridade. Tratou-se de uma impostura.

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