De Paulo Mouta a 11 de Fevereiro de 2008 às 01:54
Caro Pedro Sales,

são duas coisas diferentes as eleições para uma comissão de trabalhadores na qual está representado o universo dos trabalhadores de uma empresa ou conjunto de empresas, e a eleição para orgãos de um sindicato. Provavelmente a grande maioria dos trabalhadores da Autoeuropa não são sequer sindicalizados, logo a posição do sindicato na sua prepresentatividade real junto dos trabalhadores é sempre menor. Mas nem é aí que está a questão. O problema é que os representantes de determinado sindicato podem ter uma postura (e esta ser igualmente democrática) diferente daquela que a CT tem, isto porque o universo eleitoral é outro completamente diferente qualitativa e quantitativamente.

Em relação às estratégias não será nem tanto ao mar nem tanto à terra, mas é evidente que existe uma inflexibilidade perigosa por parte de uma linha sindical mais dura que pode prejudicar gravemente o interesse dos trabalhadores. Claro que a ideia de que se deve capitular até à vitória final também não é a solução ideal, contudo é dificil ter trabalho sem empresas e lutar por melhores condições onde não existem nenhumas. A Autoeuropa representa já 1% do PIB e com os novos projectos (EOS e Sirocco) e futuros programados (Polo) poderá mesmo a representar 4% do nosso PIB. Virar as costas a isto não é lutar contra o capitalismo mas sim condenar a mais pobreza.

Os trabalhadores e as suas comissões de trabalhadores, que a bem da verdade são menos politizadas que os sindicatos são quem deve ter nas mãos a decisão do seu proóprio destino. E os governos são responsáveis pela forma como incentivam quem se instala por cá e como punem (ou deveriam punir) quem abandona o país.

Por esse prisma o post do Pedro é inteiramente legítimo. Mas não querendo abusar ou seuqer pretender ter poderes adivinhatórios, acredito que muitos militantes comunistas optariam pessoalmente por um acordo do tipo do que foi alcançado na Autoeuropa à condenação ao desemprego. É certo que de precedente em precedente abrem-se as portas de dias cada vez mais cnzentos, mas, mais uma vez, não há postos de trabalho onde não existem empresas.

Só para terminar gostaría de entender porque razão os próprios ocnsumidores não tomam uma atitude activa no incentivo e na punição das empresas e marcas. Com a atitude da Autoeuropa deveriamos consumir mais dos seus produtos. Com a atitude da GM deveriamos boicotar os seus produtos e principalmente os modelos que aqui eram produzidos deveriam mesmo deixar de ser consumidos. É asism que se pode intervir quando os governos não têm tomates.

Quanto ao PCP nãopenso que tenha aqui havido uma atitude de sectarismo, no entanto também não ponho essa hipótese de lado. Este grande partido peca por vezes por se fechar demasiado ao que de novo vai soprando por este mundo fora. E é pena. A nível da organização interna tem muito que mudar se quiser sobreviver. Não é a ideologia mas sim a orgãnica que vai delapidando este partido.


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