De Paulo Mouta a 23 de Outubro de 2007 às 01:40
Antes de mais peço desculpa aos autores deste blog pelo texto que se segue e que vou tentar resumir ao mínimo possível.
A personagem de Sr. Lino José que vai largando aqui e ali textos revela o estado actual da humanidade. Existe um ressabiamento deste senhor com a esquerda portuguesa que ele não consegue entender, não quer entender a chega mesmo a odiar. Como bom democrata que é. Efectivamente a esquerda e nomeadamente os partidos comunistas têm um fardo muito pesado da história e carregam os crimes de se terem tornado fascizantes. O culto da personalidade, o militarismo, a opressão, o impedimento de movimentos de autêntica visão progressista como o da Checoslováquia e Hungria (a experiência Jugoslava nunca se submeteu a Moscovo mas infelizmente a mentalidade nacionalista destruiu este grande país). O Sr. Lino José tem todos estes trunfos que vai lançando a cada texto. Sempre os mesmos porque não existem outros. Mas caro Lino, a História conta-se percebendo todas as partes. E como o Sr. está desviado do que é a esquerda actual. porventura quer a toda a força que essa esquerda seja a do seu discurso. Mas não é. Mas mesmo que fosse, e mesmo com todos esses regimes criminosos às costas esses crimes não se comparam ao que esta via liberal globalizante provoca no mundo com dois terços da população mundial a viver abaixo do limiar da pobreza. EUA e URSS tiveram intervenções criminosas um pouco por toda a África, Ásia e América Latina. Locais onde séculos de colonialismo, décadas de guerra, outras décadas de guerra fria e de regimes fraudulentos fantoches quer de um quer de americanos quer de russos e de espoliação total de riquezas naturais, conduziram aqueles povos onde hoje os encontramos.
Sr. Lino José, eu recordo-lhe o dia trágico que foi o 11 de Setembro, não aquele em que porventura pensou, outro mais longínquo em que foi derrubado o primeiro governo de esquerda eleito democraticamente no Chile. E foi forçado ao suicídio Salvador Allende pelas forças do imperialismo americano. Faça-se a sua vontade, na África muitos líderes foram manipulados por Moscovo e seus partidos considerados marxistas. Mas caro Lino, o MPLA de Angola, que era um deles, há muitos anos pertence à internacional socialista do seu grande líder Sócrates. E só quando morreu Savimbi Angola teve paz. Já democracia é outra história.
A esuqerda dos nossos dias é uma esquerda criada nestas contradições e que não pode fingir ser democrática ao contrário do liberalismo. Hoje a esquerda não pode existir sem que o ideal da democracia e da liberdade apareçam pois a esquerda de hoje é um ideal sob suspeita constante. A esquerda moderna é a que vai despontando na América latina. E não me atire demagogicamente com Cuba pois esse é um caso à parte para o qual não existe espaço nestas linhas. Mas temos a Venezuela, a Nicarágua (tantos anos em guerra com os Sandinistas e não fizeram mais que alargar a miséria) onde a FSLN voltou ao poder por voto do povo. No equador, mesmo no Brasil temos o examplo de um PC que contribui para a governação. A esquerda moderna é a que está em movimento na Alemanha, na Itália, mesmo em Espanha onde o PC está morto e enterrado, na França, na República Checa e em muitos outros países. E já agora aconselho-o a ler os textos fundamentais saidos dos congressos ou convenções da esquerda portuguesa que tanto insulta. O BE e a Renovação comunista são movimentos heterogéneos que não podem existir sem o conceito básico e primário de democracia. Quanto ao PCP o Sr. nada sabe e apenas diz asneira atrás de asneira. Contudo tem na sua história e no seu presente contradições que o tornam um partido assustadoramente coerente. Falta ao PCP a demarcação em absoluto dos crimes dos regimes que em tempos apoiou e alguns ainda hoje apoia (Coreia do Norte). No entanto o PCP tem no seu programa algo surpreendente. A igualdade na economia entre as três formas de propriedade, pública, cooperativa e privada. Caro Lino, ler não faz mal. Talvez faça afastar um pouco esse ódio que só lhe faz mal. Além disso o ódio é justamente o factor impulsionador desses tais regimes que o senhor tanto condena.


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres