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Zero de Conduta

Zero de Conduta

20
Jul07

O novo meridiano da direita

Pedro Sales
Diminuição do valor subsídio de férias; despedimentos facilitados, com o alargamento do conceito do despedimento por inadaptação; diminuição dos de dias de férias, redução da hora de almoço e abolição dos limites para o tempo de trabalho diário.

Foi com estas propostas, completamente desequilibradas em favor dos patrões, que o ministro Vieira da Silva iniciou o processo negocial para a revisão do Código Laboral. Uma afronta que permitiu a Bagão Félix rir por último, dizendo que nem ele foi tão longe e que se encontra mais próximo das posições de Carvalho da Silva do que das do governo ou patronato. Um espectáculo revoltante, mas perfeitamente evitável por um partido socialista a quem restasse um pingo de coerência com as propostas e críticas que fez ao Código Bagão Félix.

Uma negociação significa que ambos os lados cedem nas suas posições iniciais. Propostas destas, completamente desequilibradas, são uma imposição encapotada que tiveram ontem a resposta que se esperava das confederações patronais. Onde o governo diz mata, os patrões dizem que é pouco. Não chega. Querem rever a Constituição para abrir as portas ao despedimento sem justa causa ou por motivos ideológicos; limitar o direito à greve; impedir a reintegração de despedidos; deixar de dispender qualquer verba com as faltas justificadas; dias com 12 horas de trabalho e facilitar o despedimento colectivo, sem que se verifiquem alterações tecnológicas ou de mercado.

Isto já não é o liberalismo selvagem, é só selvajaria. Que tenha sido um governo socialista a abrir as portas ao sonho liberal das nossas elites económicas diz enormidades sobre as verdadeiras razões da crise da direita politica. José Sócrates ocupou-lhe o espaço e, ela, sem programa e objectivo anda à deriva. A sua utilidade sempre foi servir de muleta política aos interesses económicos que gravitam à volta do Estado que tanto criticam. Agora, que o PS lhes roubou o discurso e o ímpeto, bem podem parar para “reflexão” ou apresentar 3 ou 4 candidaturas para despojar Marques Mendes do seu lugar. A direita política já gravita noutro eixo e o seu novo meridiano é o Largo do Rato.

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