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Zero de Conduta

Zero de Conduta

21
Jul08

O fracasso do assistencialismo

Pedro Sales

Apesar de terem recebido milhões e milhões de euros em subsídios nos últimos anos, do contribuinte ter apoiado financeiramente o seu estilo de vida pomposo enquanto foram pedinchando tudo ao Estado, de serem alvo das isenções mais variadas e de políticas de promoção sabe-se-lá do quê, há comunidades que continuam a aproveitar-se dos nossos complexos de culpa para viver impunemente à margem da lei. Estou-me nas tintas para o que venham a dizer a seguir os defensores do políticamente correcto, mas o que esta notícia prova é que há grupos que têm vivido à nossa custa e que, mesmo assim, continuam sem aceitar cumprir as mais elementares regras da vida em sociedade, a começar pelo respeito pelas lei. Num país refém dos complexos de culpa da direita bem pensante, perita em inventar os mais mirabolantes contextos sociológicos para defender estas vítimas da globalização e dos falhanços do Estado, casos como estes continuarão sempre a existir quando se forem embora as câmaras da televisão.

 

Estou a falar da continuada exploração da mão de obra infantil pelos empresários dos têxteis, como é claro.

21
Jul08

A história mal contada dos Ho$pitais $A

Pedro Sales

No meio das referências ao descalabro da economia e às considerações de Vítor Constâncio sobre a política energética, tem passado despercebida uma das conclusões mais importantes do recente relatório do Banco de Portugal. Quatro anos passado, a empresarialização do modelo de gestão hospitalar continua sem apresentar nenhuma vantagem financeira. Em 2003, os hospitais públicos representavam 2,01% do PIB, agora são 2,00%. De resto, e para quem ainda tinha dúvidas, a transformação dos hospitais públicos em SA ou EPE nunca teve nada a ver com os ganhos de eficiência e produtividade reclamados pelos seus defensores, mas com uma forma expedita de evitar a contabilização das suas contas nos resultados do défice público. A desorçamentação, e a opacidade das suas contas, que assim escapam quase totalmente ao escrutínio da Assembleia da República, constituem o verdadeiro fascínio de um modelo que, impondo uma lógica contabilista sobre a gestão por critérios clínicos, nem assim consegue apresentar resultados quantitativos. Pelo contrário, como refere o relatório do TC relativo a 2006, o "endividamento mais significativo ocorreu no grupo dos hospitais EPE".

21
Jul08

A Manelinha e o Manelinho é que sabem quais são as boas famílias

Pedro Sales

“O que ali vemos são sinais de disfunções que devem ser encaradas sem complexos. Por exemplo, quantas famílias monoparentais existem? Será o seu número desproporcionalmente maior nas comunidades africanas?” José Manuel Fernandes, num sintomático editorial que pode ser encontrado aqui. (via womenage a trois).

21
Jul08

José Manuel Fernandes, o intelectual do jornalismo Lux

Pedro Sales

A penúltima edição da Lux garantia, à largura de toda a capa, que “Paulo Sousa não quer saber dos filhos”, pois “só tem olhos para a filha de Cristina Moller”. A acompanhar o lixo do texto, a revista colocava uma foto da filha da apresentadora de televisão e outra com o ex-jogador abraçado a Cristinina Moller. Nem é preciso discutir as questões deontológicas levantadas pelo “jornalismo” absolutamente miserável desta revista, mas não deixa de ser espantoso constatar como, num registo mais sofisticado, e sem levantar o dedo acusatório a ninguém, José Manuel Fernandes estende o anátema a todas as famílias monoparentais. Sem papá e mamã, mesmo que passem a vida a discutir à frente do(s) rebento(s), são disfuncionais. O mesmo director do Público que passa a vida a assinar editoriais contra o carácter impositivo da esquerda, e a pretensa superioridade moral daqueles a quem classifica como “bonzos”, dedica-se agora a definir quais são as famílias saudáveis e as que resultam de uma qualquer disfunção. Esta visão ahistórica da família, que não anda muito longe da de Ferreira Leite, demonstra bem o conservadorismo radical de muitos dos ideólogos liberais cá do burgo.

 

PS: Se José Manuel Fernandes quisesse saber o que é que representa um carácter verdadeiramente disfuncional na vida das pessoas, independentemente das famílias serem ou não monoparentais, talvez não fosse má ideia passar dois minutos a pensar nas consequências das propostas de desregulação e aumento do horário de trabalho pelas quais sistematicamente faz campanha. Que o CDS, auto-intitulado defensor da família, seja o único partido que, entre nós, apareceu a defender a semana de trabalho de 65 horas, diz muito sobre as verdadeiras preocupações familiares da direita.

18
Jul08

E os resultados?

Pedro Sales

Em resposta a um post de Paulo Gorjão no seu mais recente blogue, Eduardo Pitta elenca uma longa lista de medidas do Governo para justificar a sua convicção que este executivo fez “mais do que fizeram todos os governos desde 1974". Citando essas medidas, com um "variado grau estruturante", Eduardo Pitta aproveita para “lançar uma questão: “sem maioria absoluta, qual destas medidas teria sido aprovada?”.


A associação da maioria absoluta à eficácia governativa é uma das questões mais sobrevalorizadas no debate político nacional, como o próprio post de Eduardo Pitta acaba implicitamente por reconhecer. É que, ao olhar para as propostas aprovadas pelo Governo,  a questão que me parece relevante  avaliar é outra. Apesar da maioria absoluta, e do Governo Sócrates ter conseguido cumprir todas as iniciativas a que se propôs, porque é que o país continuou, durante todos os 4 anos da legislatura, a divergir economicamente da média europeia e os portugueses a perder poder de compra? A maioria absoluta não é um fim em si mesmo. Tem que ter resultados. E esses...

17
Jul08

O que o 25 de Abril fez foi pôr os pobres na escola

Pedro Sales

“O que o 25 de Abril fez aos filhos dos pobres foi tirar-lhes a única hipótese de eles poderem ascender socialmente”. Filomena Mónica. (via pensamento do meio-dia)


Para Filomena Mónica, o 25 de Abril é muito mais do que o início da democratização da escolaridade, sendo também o responsável por “uma escolaridade que não prima pela exigência: os professores não incentivam, não estimulam. São ensinados a ter pena dos pobres e consideram que esses não podem prosseguir os estudos para serem medicos”. Por quaisquer artes mágicas, Filomena Mónica, José Manuel Fernandes, Fátima Bonifácio e dezenas de colunistas que apenas conheceram uma escola feita pela elite escolarizada a pensar na elite económica e letrada, querem-nos fazer crer que um país fechado, periférico e isolado dos centros de debate e redes de conhecimento europeias produzia uma elite que se distinguia pela autoridade do seu conhecimento. Como é normal, um país periférico, fechado e onde não existe liberdade só pode produzir conhecimento irrelevante. Como irrelevantes eram as suas “elites”, que só o eram à custa da pequenez do meio e da falta de confrontação com os modelos exteriores. Quando, nos últimos anos, surgiram as primeiras comparações internacionais e, surpresa das surpresas, os resultados estiveram longe de ser famosos, meia dúzia de colunistas, quase todos do Público, atiraram-se à escola pública e descobriram insuspeitas virtudes na saudosa escola do fascismo, a mesma que nos deixou 33,6% de analfabetos, sem produção científica e longe das redes europeias de conhecimento.

 

A escola do 25 de Abril, com todos os seus defeitos, respondeu à massificação, mas foi também a primeira a encontrar respostas para a qualidade e a tal produção de conhecimento de autoridade que nunca tinha existido num país que, salvo raríssimas excepções, escondia a mediocridade das suas elites não olhando para o lado de lá da fronteira. O nosso sistema educativo está longe de responder à exigência que o país reclama, mas andou-se muito, em quantidade mas também em qualidade, desde a escola selectiva e de casta deixada pelo fascismo, como o comprova o crescimento exponencial da produção científica em Portugal.

17
Jul08

Saudades de uma escola de casta

Pedro Sales

Não deixa de ser engraçado reparar como Maria Filomena Mónica, e a esmagadora maioria dos comentadores que enchem a imprensa a defender a meritocracia da escola “de antigamente”, pertencem quase todos a uma geração que beneficiou de uma agressiva selectividade social que lhes garantiu uma entrada na faculdade sem competição e um emprego garantido, e exemplarmente remunerado, à saída da faculdade para a meia dúzia de doutores do país. O 25 de Abril encontrou um país com 130 mil licenciados e quase 2,5 milhões de analfabetos. Associar o mérito ao sistema escolar anterior a 1974 é apenas mais uma falácia para atacar a massificação proporcionada pelo ensino público e o fim de uma universidade elitista e de casta.

16
Jul08

Não tarda nada ainda insultam o Pai Natal

Pedro Sales

"Nós sabemos bem da existência de um Robin dos Bosques.Há, aliás, a referência de que ele roubava aos ricos para dar aos pobres. Faça-se a verdade. Robin dos Bosques assaltava os cobradores de impostos". Diogo Feio, líder parlamentar do PP, hoje, na Assembleia da República.

Que o PP seja contra a “taxa Robin dos Bosques” é lá com eles, escusavam era de vir para o Parlamento difamar os heróis de infância de meio mundo.

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