Domingo, 15 de Junho de 2008
O negócio perfeito

A capa de hoje do DN dá uma ideia de como funciona o mercado em Portugal: “Os custos com as dívidas incobráveis da electricidade vão passar a ser pagos por todos os consumidores”. Apesar de ser um valor irrisório para a EDP, a empresa alega “que os incobráveis são também um custo do sistema, que não é possível eliminar totalmente”. Ora aí está. A EDP tem um negócio privado e está farta de assumir os riscos inerentes à sua actividade. A ERSE, percebendo que assim não há grande empresa monopolista que aceite fazer negócio entre nós, fez-lhe a vontade. A partir de 1 de Janeiro a EDP vai privatizar os lucros e socializar os riscos. O estratagema tem tudo para ser perfeito, apresentando apenas um pequeno risco. É que se os clientes percebem que alguém paga pelos que não pagam, então é bem capaz de ser melhor deixarmos todos de pagar. Pode ser que o Senhor Mexia, e os seus amigos da ERSE, continuem a custear a electricidade de todos nós. Isso sim, parece-me o negócio perfeito.



publicado por Pedro Sales às 22:31
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“O mal é começar”

“Há um mês que o primeiro-ministro não fuma e sente-se bem”. Quem nos garante tão relevante informação para o sucesso do país não é a Lux ou a Caras Notícias, mas o Jornal da Noite da SIC, que ontem apresentou uma prolongada peça sobre os hábitos tabágicos de José Sócrates desde a passagem do milénio. Quando é que começou a fumar, quando é que teve uma recaída, e quantos cigarritos fumava depois dos comícios na campanha eleitoral. O primeiro-ministro, diga-se, só não revelou a marca que fumava e se os cigarros eram light ou sem filtro. “Há mais de um mês sem nicotina, Sócrates não ficou com pior humor”, sossegava-nos o jornalista antes de asseverar que, “como qualquer vício, o mal é começar”. Tem razão. Volta não volta e o noticiário da SIC não se distingue da Caras Notícias.



publicado por Pedro Sales às 11:32
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Sábado, 14 de Junho de 2008
Prognósticos só no fim do desafio

(Cavaco Silva, fotografia de Paulete Matos)

Quando o país se encontrava bloqueado pelas empresas de camionagem, o Presidente da República preferiu “sublinhar a raça, o dia da raça”. Agora, que a paralisação dos camionistas já é uma memória, Cavaco Silva congratulou-se com o regresso da “ordem pública” e da “legalidade”, declarando-se “satisfeito pelos portugueses poderem novamente viver o seu dia-a-dia com alguma tranquilidade". O “dia da raça” já é passado, claro, até porque Cavaco esclareceu logo que não faz “comentários sobre política interna” no estrangeiro.


Depreende-se, porque acedeu a falar sobre o assunto em Saragoça, que Cavaco Silva considera que a “ordem pública” e a “legalidade” não é matéria de política interna. E que um assunto crucial como a tranquilidade do “dia-a-dia” dos portugueses só o preocupa quando tudo se encontra resolvido. As últimas declarações do Presidente da República aproximam-no cada vez mais das anedotas futebolísticas: prognósticos só no fim do desafio.



publicado por Pedro Sales às 15:12
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Zero de Conduta ano II

O Zero de Conduta fez ontem um ano. Num sintomático sinal do estado em que se encontra o blogue, só hoje demos por isso. Durante este primeiro ano estivemos em duas plataformas distintas, escrevendo quase 1000 posts (foram 975) que originaram 3422 comentários. No primeiro ano o blogue foi visitado por 244 mil internautas, uma média de 668 leitores diários. A todos os que teimam em passar por cá, concordando ou não com o que aqui se vai escrevendo, a gerência da chafarica agradece a frequência e infinita benevolência.



publicado por Pedro Sales às 14:43
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008
A Europa está em crise

Mas não tem nada a ver com o “não” irlandês. A Europa está em crise quando aprova directivas para aumentar o horário de trabalho até às 65 horas por semana ou para deter os imigrantes ilegais por um período máximo de 18 meses.



publicado por Pedro Sales às 19:16
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A chantagem segue dentro de momentos

 

Durão Barroso sempre disse que não existia “plano B” para o caso do Tratado Europeu ser rejeitado pelos irlandeses. Tinha razão. Para entrar em vigor, o documento tinha que ser ratificado por todos os países. Não acontecendo, o Tratado está política e juridicamente moribundo.

 

Os defensores do Tratado dizem agora que não é aceitável que poucos milhões de irlandeses decidam o futuro de um continente. O argumento é curioso, porque omite que os irlandeses foram os únicos a votar porque assim foi decidido pelos líderes europeus com medo de uma rejeição popular do Tratado. Os irlandeses votaram e, fazendo-o, fizeram-no em nome de todos quantos foram impedidos de se expressar.

 

Mas Durão Barroso já se apressou a corrigir as suas declarações iniciais. O processo de ratificação é para continuar, disse hoje, esperando que  a  chantagem e coacção façam os irlandeses “entrar nos eixos”. Mas essa é a pior opção, própria apenas de quem não percebeu nada do que se tem passado. O predomínio da eficácia em detrimento da participação democrática, apenas tem servido para cavar um crescente abismo entre os cidadãos europeus e os seus governantes. Não é possível mais Europa sem os europeus. Será que  custa assim tanto a perceber?


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publicado por Pedro Sales às 17:27
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Porque hoje somos todos irlandeses

...e todos os dias são bons dias para se ouvir os The Pogues.


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publicado por Pedro Sales às 16:53
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Estes irlandeses são uns ingratos...

...e votaram "não", mesmo sabendo como o sucesso do Tratado era importante para a carreira de José Sócrates. É o que dá fazer perguntas ao povo numa sexta-feira 13.



publicado por Pedro Sales às 13:11
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
Um fim-de-semana em família

 

 

Nos EUA, um fim-de-semana bem passado em família pode passar por levar a filha de 8 ou 9 anos a tentar rebentar com um carro, repleto de explosivos, com armas automáticas que fariam o exército português corar de vergonha. "Kill the car", o sugestivo nome deste pacato passatempo em que se disparam dezenas de balas por segundo contra tudo o que mexe, é um sucesso, garantem os promotores do Oklahoma Full Auto Shoot & Trade Show. Enquanto isso, a direita conservadora responsabiliza a violência dos jogos de vídeo pela taxa de criminalidade e o número sem par de detidos nas prisões dos EUA. É que deve mesmo ser isso...

(Via kottke)



publicado por Pedro Sales às 09:08
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008
Alguns dados sobre a crise do transporte rodoviário

(Evolução do número de quilómetros das linhas de comboios e de auto-estradas em Portugal. Gráfico da autoria do blogue menos1carro, podendo ser encontrada mais informação aqui)

 

Portugal é a região da Europa com maior densidade de auto-estradas.

 

Das 20 regiões europeias mais ricas, só uma tem mais de 100km de auto-estrada por 1000 km2. Com 220 km/1000 km2, Lisboa é a zona de toda a Europa com maior presença das auto-estradas.

 

Portugal é o terceiro país com menos comboios por habitante. (fonte eurostat)

 

Segundo dados do Eurostat 2004, entre 1991 e 2001, Portugal encerrou mais de 300km de ferrovias e era também, no mesmo período, o 4º país da Europa a 25 com mais carros particulares por cada 1000 habitantes.

 

Do total da rede ferroviária, encontram-se em exploração comercial efectiva 2839,4 km, o que representa 78,5% do total da via-férrea existente. Apenas 50,6% da rede está electrificada.


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publicado por Pedro Sales às 23:16
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"Movido a vontade de vencer"

Depois do Governo ter anunciado um acordo com a Antram, a associação de transportes rodoviários que nunca apoiou a paralisação de camionistas, falta o mais díficil. Ou convencem os camionistas nos piquetes, ou o único veículo a andar nos próximos dias é mesmo o autocarro da selecção de futebol.


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publicado por Pedro Sales às 20:14
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Começou

Os "barões" do PSD já criticam abertamente a liderança de Ferreira Leite. Nunca se pensou foi que fosse Pacheco Pereira a abrir as hostilidades, mas tudo o que o prolixo colunista escreve sobre a crise do transportes, e a inacção de “toda a gente”, assenta que nem uma luva a Ferreira Leite, líder do maior partido da oposição e que parece encontrar-se há mais de uma semana em parte incerta a assistir impavidamente à crise dos combustíveis.



publicado por Pedro Sales às 17:43
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Deve ser da crise do sub-prime

O Convento de Brancanes (Setúbal) foi avaliado há 11 anos pelo Ministério da Defesa em 4,9 milhões de euros - mais 44 por cento do que os 3,4 milhões que uma imobiliária liderada pelo advogado António Lamego por ele pagou ao Estado em Novembro. A avaliação feita em 1997 não tinha em conta a eventualidade de ali virem a ser erguidas novas construções, enquanto as duas avaliações feitas em 2006 (e que apontam para valores próximos daquele pelo qual a propriedade foi vendida) pressupunham a construção de um hotel de cinco estrelas e mais 33 moradias ou, em alternativa, 48 moradias e apartamentos. O Ministério das Finanças recusa-se a identificar os responsáveis pelas últimas avaliações.



publicado por Pedro Sales às 14:14
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008
Isto deve querer dizer qualquer coisa

A dois dias do referendo ao Tratado de Lisboa, o “não” continua subir em todas as sondagens e pode mesmo ganhar a consulta popular na Irlanda. Como já tinha acontecido com a rejeição do Tratado Constitucional em França e na Holanda, o “não” cresce sempre à medida que o debate sobre o futuro da construção europeia vai crescendo de intensidade.

 

Não deve haver hoje matéria política, como o futuro da Europa, que evidencie uma maior ruptura entre as posições dos representantes políticos com a dos eleitores que os elegeram. Na Irlanda, apenas o Sinn Fein (um partido com 8%) apela ao voto “Não”. O mesmo tinha acontecido em França e na Holanda, onde a esmagadora maioria dos deputados defendia o “Sim” que acabou chumbado nas urnas. 

Notícias como esta, sobre um comboio exclusivo para os deputados europeus fazerem a ligação entre Bruxelas e Estrasburgo, também devem ajudar a explicar alguma coisa (via Origem das Espécies).


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publicado por Pedro Sales às 11:24
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008
Regresso ao passado

Estava eu a ler um post da Fernanda Câncio sobre os estereótipos racistas veiculados por um programa da RTP, quando esbarro com as inacreditáveis declarações de Cavaco Silva sobre a importância de sublinhar "a raça, o dia da raça, o dia de Portugal". A Fernanda tem toda a razão, mas o que é que há a dizer quanto é o mais alto representante da República que veicula a pior imagética do anterior regime, insistindo na existência de um alegado atributo rácico comum à cidadania nacional que merece ser exaltado na sua superioridade? Já sei que não vai faltar quem diga que tudo não passa de uma gaffe e que não passa da aversão a Cavaco Silva da "malta" do políticamente correcto. Pois sim, mas basta reparar na despreocupação com que Cavaco Silva continuou o seu caminho para perceber a naturalidade com que o próprio encarou as suas declarações. E esse é que é o principal problema.



publicado por Pedro Sales às 20:06
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O interesse jornalístico do "clube Portugal"

A recente confirmação de que a Casa Branca enganou deliberadamente a imprensa sobre as motivações da guerra no Iraque levantou um interessante debate sobre a independência dos media do outro lado do Atlântico. A questão nem é tanto perceber como foi possível à Casa Branca enganar durante tanto tempo a imprensa, mas como é que os jornalistas em peso suspenderam o seu cepticismo e a capacidade de escrutinar a informação veiculada pela administração Bush. A tendência mais natural é pensar que uma coisa dessas só foi possível numa América prestes a entrar numa guerra ainda marcada pelo trauma do 11 de Setembro. É confortável pensar assim, mas talvez valha a pena pensar que, por cá, nem é preciso ao país entrar em guerra. Basta a selecção de futebol andar a correr atrás da bola no Europeu para ver dezenas de jornalistas a comportarem-se com uma objectividade e espírito critico que fariam Luís Delgado e António Vitorino corar de vergonha. O “caso Ronaldo” é exemplar. Apesar de se tratar de um jogador que, estando sob contrato com o Manchester, faz declarações quase diárias sobre a incerteza do seu futuro e a sua vontade em jogar no Real Madrid, a única imagem que a imprensa transmite é a da desestabilização emocional provocada pelo assédio da comunicação social espanhola e do clube de Madrid... E o pior é que os intermináveis directos vazios de conteúdo informativo são apenas o sinal mais visível do que se passa noutra esferas da sociedade, onde uma visão muito redutora do “interesse nacional” leva uma parte considerável da imprensa a fazer um registo semi-oficioso de acontecimentos como as visitas oficiais do primeiro-ministro. Ou será que não acontece nada mais importante do que o jogging do PM?


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publicado por Pedro Sales às 13:15
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Casino Portugal

Alteração à lei do jogo, em 2004, deu propriedade do casino à empresa O parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o processo de Casino de Lisboa conclui que as alterações à Lei do Jogo, no final de 2004, foram feitas expressamente para atender aos pedidos da Estoril Sol. A empresa reclamava a propriedade do edifício do casino, uma vez terminado o período de concessão - uma situação que a lei lhe negava, até ser alterada pelo Governo de Santana Lopes.



publicado por Pedro Sales às 12:40
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Domingo, 8 de Junho de 2008
Praça das Flores

A Praça das Flores foi transformada durante duas semanas num gigantesco condomínio privado, com um batalhão policial a garantir que, depois das 17 horas, apenas entram os moradores recenseados e os felizes portadores de um convite da Skoda. Numa câmara sem dinheiro, posta de rastos pela mesma direita que agora se tornou uma súbita defensora do espaço público, é compreensível que a gestão da CML tente arranjar formas originais de reabilitar o espaço público sem comprometer o erário público. Mas, sendo compressível que se concessione espaços como o da Praça do Comércio ou da Figueira, não há nada que explique o que passou pela cabeça dos vereadores para não perceberem que esta decisão iria tornar a vida dos moradores de um pequeno bairro, que vive à volta daquela praça, num inferno.


Ao contrário do que vem na maioria dos blogues, a autorização para esta inaceitável privatização do espaço público foi assinada pelo vereador Marcos Perestrello, tendo Sá Fernandes passado a autorização de ruído até às 22h30. A forma desajeitada como Sá Fernandes apareceu, desde o primeiro momento, a defender o indefensável, tornou-o na figura mais a jeito para desancar. É certo que não devia ter autorizado uma decisão que desliga um bairro dos seus moradores e demais habitantes de Lisboa, mas ver a forma como a PCP, Helena Roseta ou a blogosfera em peso se atira ao “Zé”, esquecendo-se do principal mentor da Skodização da Praça das Flores, é elucidativo sobre as prioridades de alguma da indignação sobre este caso. I

 

Vale a pena ler o que escreve o Daniel Oliveira, morador do bairro agora sitiado para a apresentação de um carro, para ter uma noção mais precisa do que se passa na Praça das Flores. 


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publicado por Pedro Sales às 15:49
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Sábado, 7 de Junho de 2008
like you always say, bill

 

 

Hillary Clinton apoia Obama (vídeo do discurso aqui)



publicado por Filipe Calvão às 22:06
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pôr a tralha a falar

Catchy: remistura de "Nude" dos Radiohead à base de spectrum, impressoras e scanners. O original pode ser ouvido aqui.  Apanhado em gizmodo.com



publicado por Filipe Calvão às 09:14
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Que fiz eu para merecer isto?


Ontem, no Parlamento, José Sócrates voltou a insistir na tónica reiterada nas últimas semanas. O governo, pelo que fez, não merecia estar a sofrer os reflexos da crise financeira internacional, aumento dos combustíveis e dos bens alimentares. Durante três anos o Governo conduziu uma politica pró-cíclica, assente na forte diminuição do investimento público, acreditando que mais tarde ou mais cedo a economia entraria nos eixos. Agora, que a recessão está à porta e torna irrelevantes os investimentos guardados para o ano eleitoral, José Sócrates sente-se injustiçado porque descobriu que o mercado é amoral. “É a vida”, como diria outro primeiro-ministro socialista.



publicado por Pedro Sales às 17:34
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Duzentos mil

Fotografia esquerda.net

José Sócrates não ficou impressionado com a manifestação que juntou 200 mil portugueses contra as alterações ao código laboral. Ignorar olimpicamente um sinal como este já não é uma demonstração de resolução e confiança no rumo do governo, é puro autismo politico e a demonstração que, por detrás das palavras de circunstância, ainda ninguém no Governo percebeu bem o “aviso” de Soares. Os velhos hábitos são difíceis de perder e o fato do político forte e decidido é o único que Sócrates conhece e no qual se sente à vontade. Infelizmente, como já toda a gente percebeu, as demonstrações de força e resolução sobram sempre para os do costume. Uma atitude que contrasta com a forma vacilante como trata a Igreja (capelanias militares), ou as grandes superfícies comerciais -  taxa dos sacos de plástico que morreu ainda antes de o ser. Poucas coisas fazem mais para encher estas gigantescas manifestações que esta bipolaridade política. Como Sócrates há de perceber em 2009.



publicado por Pedro Sales às 09:11
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008
Se não funciona neste cantinho, vamos tentar a maioria absoluta lá fora

É o maior investimento de sempre de um Governo nas comemorações do 10 de Junho no estrangeiro. Ao todo, cinco ministros e 14 secretários de Estado irão assinalar o Dia de Portugal junto de portugueses residentes no estrangeiro.



publicado por Pedro Sales às 23:48
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A indolente agressividade

Violência e abandono escolar podem estar relacionados com "charros" mais fortes. A notícia correu ontem grande parte da imprensa. Mas, quando se tenta lê o artigo e perceber a origem científica que suporta tal afirmação percebe-se que tudo não passou de uma declaração de Manuel Pinto Coelho, o inenarrável dono de uma rede de clínicas de reabilitação que compara os toxicodependentes aos talibans e é responsável pelas demagógicas campanhas contra as políticas de redução de danos. Para se avaliar o rigor científico deste  senhor, talvez valha a pena reparar na profundidade das suas conclusões: mais THC provoca mais "agressividade e um síndrome amotivacional, que passa pela apatia, indolência, o que leva à desmotivação, maior dificuldade em reter os conhecimentos e a uma repercussão no rendimento escolar". Só mesmo Manuel Pinto Coelho, o “guru” da política de combate à droga do PP, para se lembrar da “agresssividade apática”... Esperamos ansiosamente pelo dia em que alguém descobrirá a "ignorância erudita " e a "honesta má-fé". Com um pouco de sorte, será outra vez Manuel Pinto Coelho.



publicado por Pedro Sales às 23:10
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Ao nível da sarjeta

José Lello declarou hoje ao DN que Manuel Alegre foi às Jornadas Parlamentares do PS para "parasitar o grupo parlamentar que lhe pagou as viagens, pois aproveitou para ir aos Açores para lançar um livro que foi patrocinado pelo Governo Regional". Nem era preciso vir o Governo Regional dos Açores garantir que pagou as viagens a Alegre, para perceber que Lello não consegue passar do pouco recomendável nível que o celebrizou. O que neste caso até é estranho, tratando-se, como é o caso, de um especialista em parasitar contas alheias.



publicado por Pedro Sales às 20:49
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
O Provedor do Bloco de Esquerda

As declarações de Vitalino Canas, revelando o incómodo do PS com a participação de Manuel Alegre numa iniciativa com dirigentes do Bloco - esse partido que trava um “combate político muito intenso” com o PS -, parecem revelar mais um notório caso de conflito de interesses. Como é que é possível conciliar o cargo de porta-voz do partido socialista com o de provedor do Bloco de Esquerda? Uhm...Tratando-se de Vitalino, sempre se poderá dizer que deve acumular as tarefas em regime de part-time e trabalho de temporário. Força camarada Vitalino. É nestes momentos que se (re)conhecem os amigos.  



publicado por Pedro Sales às 18:17
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Terça-feira, 3 de Junho de 2008
O Paulinho dos tribunais

Paulo Portas vai hoje ser entrevistado por Constança Cunha e Sá na TVI. Se é verdade que a “moção de censura construtiva” não me diz nada, a não ser a perplexidade causada pela ideia de censurar um governo porque este não aplica o programa de um partido com 7% dos votos, ainda considero que a entrevista pode ser muito pertinente. Basta que Constança Cunha e Sá não se esqueça de perguntar a Paulo Portas o que é feito do processo que o líder do PP anunciou, vai para um ano, ir instaurar ao Estado por alegada violação do segredo de justiça. Como foi este o único resultado visível da famosa reflexão do PP depois da derrocada eleitoral em Lisboa, e nunca mais se ouviu falar do assunto, não quero acreditar que tudo não tenha passado de uma manobra de diversão de Paulo Portas...



publicado por Pedro Sales às 19:29
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Tudo como dantes no quartel d´Abrantes

Concorrência: não há concertação de preços nem abuso da posição dominante nos combustíveis. Não sei se existe, ou não, concertação de preços, mas só um anjinho é que acalentou alguma esperança sobre a eficácia deste estudo. A Autoridade da Concorrência elabora, trimestralmente, um relatório público sobre o mercado de combustíveis. São 32 estudos sobre a formação de preços que nunca detectaram a concertação entre os concorrentes para condicionar o mercado. Para provar juridicamente que existe concertação de preços não basta constatar a semelhança de preços entre os concorrentes. É preciso provar que existiram contactos entre as empresas para combinar o preço, o tipo de actividade que não costuma ser feita por e-mail ou através de carta registada. Basta seguir a imprensa e copiar os preços praticados pelo vizinho do lado para se obter o tal “paralelismo de preços” de que fala o presidente da Autoridade da Concorrência. O relatório encomendado pelo governo faz parte da galeria de actos inúteis da governação. Só teve um propósito. Permitir ao Governo ganhar algum tempo para aliviar a pressão popular e tentar sacudir a água do capote.
 



publicado por Pedro Sales às 14:44
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
A frugalidade do fiambre e a venda de créditos fiscais do Estado

"É interessante ainda registar que a escolha de Manuela Ferreira Leite é a escolha de alguém que, como sabem os seus vizinhos", se pede 150 gramas de fiambre não acede ao "podem ser 200"? Comportamentos assim deixaram de ser comuns entre os mais novos, mas persistem em quem tem a idade que ela tem - e regressaram nas famílias que voltaram a apertar o cinto." José Manuel Fernandes, editorial do Público de 1 de Junho de 2008.

 

É enternecedor ver a forma como José Manuel Fernandes se comove com a frugalidade de Ferreira Leite. Só que ninguém ganha eleições pelo rigor empregue nas suas compras na mercearia, mas já as pode perder pelo resultado das suas acções governativas. E é pena que a frugalidade de Ferreira Leite se tenha ficado pelo fiambre, como nos lembra o Tribunal de Contas:

Com a operação de cedência das dívidas ao fisco e à Segurança Social, o Estado conseguiu no final de 2003 arrecadar de uma só vez 1,7 mil milhões de euros, que foi o valor pago pelo Citigroup pelo conjunto dos créditos que totalizavam 11,44 mil milhões de euros. Posteriormente, foram emitidas obrigações referentes às dívidas adquiridas por investidores internacionais, que recebem ainda uma remuneração. Assim, o Estado vai pagando aos investidores à medida que for cobrando as dívidas.


E aqui tem residido o problema. Grande parte das dívidas cedidas revelaram-se inexistentes, pelo que o Estado está a ser obrigado a substituí-las por créditos mais recentes o que tem prejudicado a arrecadação de receitas fiscais e deverá continuar a fazê-lo nos próximos anos.



publicado por Pedro Sales às 10:53
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A informação que faltava

O jornal da Noite da SIC anunciou ontem um importante exclusivo: as imagens, captadas por um telefone satélite, do interior do avião que levou a selecção à Suíça. Ver os jogadores a recostarem-se nos cadeirões da classe executiva era a informação que faltava aos portugueses para se aperceberem da grandiosidade dos feitos que esperam a equipa das quinas. Já conhecíamos todos os cantos dos quartos de hotel, os gostos pessoais de cada um e o local onde Petit compra as meias. Mas nunca os tínhamos visto no avião. Por um momento, deixou-se de lado o principal assunto do estágio. Os clubes, actuais e futuros, das vedetas lusas. Com tanta convívio com os jornalistas que mais parecem agentes dos jogadores, e com os verdadeiros agentes, talvez exista algum espaço mental para os jogadores ouvirem o que é que Scolari tem para dizer. De preferência antes de chegar o primeiro jogo.


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publicado por Pedro Sales às 10:09
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