Na Birmânia, enquanto a Junta Militar levanta todo o tipo de obstáculos à ajuda humanitária internacional, e a que entra é etiquetada como se fosse uma dádiva dos tiranos no poder, o regime continua a exportar arroz e afirma-se disposto a manter todos os compromissos contratuais de um negócio de que detém o monopólio das exportações. O que se está a passar na Birmânia, sob o olhar complacente da comunidade internacional, é o definitivo sinal da inutilidade que dá pelo nome de Tribunal Penal Internacional, um organismo que actua com a mesma selectividade que a justiça portuguesa dedica aos presidentes dos clubes de futebol. Só se lembram dos seus crimes quando abandonam o cargo e já não têm poder para continuar a chantagem.
Pegando no estudo que citou no seu discurso no 25 de Abril, o Presidente da República dedicou o dia de hoje a discutir o alheamento dos jovens da política. Reduzindo a política ao sistema partidário e à confiança na eficácia do sistema eleitoral, a leitura transviada e manifestamente apressada que Cavaco Silva fez do inquérito levou a imprensa e comentadores darem como certo o excepcional alheamento dos jovens. Mas essa é uma leitura simplista e que não encontra correspondência nos dados do inquérito. O problema da participação não é dos jovens. É de toda a população. De resto, os baixíssimos níveis de participação são um dos indicadores mais estáveis e constantes em todos os grupos etários.
Os jovens parecem encontrar uma reduzida eficácia no voto. Isso é verdade e até compreensível, pelas razões aqui levantadas pelo Daniel Oliveira. Mas convém não esquecer que, apesar de serem quem menos oportunidades teve para participar em qualquer actividade política, “os índices de participação social dos jovens são mais elevados” e demonstram-se mais confiantes na melhoria do funcionamento da democracia. Vale a pena destacar mais duas citações do estudo:
PS: A exclusão pela presidência dos jovens do Bloco de Esquerda da reunião de hoje resume, de forma exemplar, a forma redutora como Cavaco Silva entende a participação política e democrática. Num encontro marcado para discutir as formas de participação política dos jovens, o Presidente da República entendeu por conveniente definir à partida quais são as formas de organização aceitáveis e as que são dispensáveis. Sintomático.
Carlos Gil, o peregrino.org, vai a Fátima por si e "em seu nome, acendo o nº de velas prometido no Santuário". Salvação assegurada por 2500 euros. (via mais cedo ou mais tarde).
Pacheco Pereira entende que os grandes planos da cara de Manuela Ferreira Leite, na entrevista de Judite de Sousa, rrepresentam “todo um programa” sobre a parcialidade jornalística. O objectivo? Mostrar “uma mulher velha e cansada, com rugas, com o tempo na cara”. Só que, como se pode ver numa breve busca no Youtube, escapou a Pacheco Pereira a verdadeira dimensão da perfídia do realizador da RTP para perceber que o mesmo já tinha sido feito a Simone de Oliveira ou a Marinho Pinto - só para dar dois exemplos. O programa, que está longe de ser perfeito, anuncia na sua página que "os rostos da notícia estão na “Grande Entrevista" da RTP." O artigo de Pacheco Pereira é todo um programa, sim, mas sobre a forma enviesada como o próprio encara a imprensa e gere a sua intervenção pública e política. Quando não se vitimiza a si próprio, pela perseguição que a esquerda lhe faz pelo seu alinhamento com a guerra no Iraque ou pelos “falsos blogues pornográficos” que teimam em aparecer para retirar o Abrupto da liderança dos blogues nacionais, está a tentar a mesma táctica com aqueles que defende. Só um problema. A fragilidade da candidatura de Manuela Ferreira Leite é a candidata. Pela sua desastrada passagem pelo Governo e pela absoluta falta de tacto político, como se pode ver pelo autêntico disparate que têm sido as escassas oportunidades em que diz qualquer coisa.
PS: Já que se fala na Grande Entrevista, de Judite de Sousa, talvez valha a pena lembrar que cinco dos últimos sete entrevistados são do PSD. Os outros não são políticos. Como esta semana deverá caber a sorte a Pedro Passos Coelho, de há dois meses a esta parte que o principal programa de entrevistas da estação pública está tornado numa espécie de “Povo Livre” televisivo.
É normal que sejam os benfiquistas quem celebra de forma mais efusiva a despedida de Rui Costa. Mas Rui Costa não foi só um símbolo do Benfica. Foi um dos melhores jogadores mundiais da sua geração e um dos jogadores mais influentes da selecção nacional que melhor futebol praticou depois de Eusébio. Entre 1995 e 2001, Rui Costa tornava um conjunto de jogadores numa equipa temível e fez da Fiorentina, que era ele e Batistuta, uma das melhores formações de Itália. Para quem já só tem a memória dos últimos anos, talvez valha a pena recordar que foi com exibições como a que fez contra a Inglaterra (um dos jogos mais memoráveis de sempre, com direito a repetição 4 anos depois) que Rui Costa convenceu meio mundo de que Nuno Gomes era um dos mais promissores avançados europeus. Digam lá que não é de génio?
Caciques locais, claques, testas de ferro, bandoleiros e consulados honorários. Figuras do associativismo desportibo, do poder local democrático, das SADs e do Natal dos Hospitais. Histórias de ascenção no aparelho PSD, nas revistas cor de rosa, do rock, do euro 2004, da pop, do apito dourado e da TV. Sou só eu a pensar que está por escrever uma boa biografia do clã Loureiro?