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Zero de Conduta

Zero de Conduta

27
Mai08

Eurodemagogia

Pedro Sales

Ao contrário de Paulo Portas e Passos Coelho, Sarkozy não quer descer os impostos do combustível. Quer acabar com eles de uma vez. E vai baixá-los? Não. Sarkozy diz que só o faz quando todos os outros países da UE estiverem de acordo, algo que sabe ser impossível e que foi prontamente posto de parte pela Comissão. Sarkozy descobriu uma inédita forma de demagogia. Defendendo propostas populares à escala europeia, mesmo sabendo que nunca receberão o consenso dos 27, sempre lhe permite parecer que está a fazer alguma coisa e folgar um pouco as costas de uma rejeição popular que continua nos 72%.

27
Mai08

As verdades feitas escondem sempre velhas mentiras

Pedro Sales

A Entidade Reguladora da Comunicação Social apresentou ontem o seu relatório relativo a 2007, incluindo desta vez a análise à programação e informação de todos os canais televisivos, público e privados. Os dados relativos à informação são muito curiosos, permitindo desmentir uma série de velhas verdades feitas;

 

1. Ao contrário do que afirmava o PSD há uns meses, e de Pacheco Pereira que apenas encontra os "momentos Chávez" na RTP, a presença do Governo nos outros canais em nada se distingue da que acontece no canal público. De resto, até é na SIC que o Governo e PS encontram mais tempo de antena, ou não tenha sido esta a estação escolhida por José Sócrates para conceder as suas duas últimas entrevistas televisivas.

 

2. Há muito tempo que a famosa conversa sobre o Bloco ser levado ao colo pelos jornalistas não tem nada a ver com a realidade. Com votações similares ao PP e PCP, o Bloco tem cinco vezes menos notícias que o PP na SIC, quatro na RTP, e três na TVI. Mesmo o PCP, sempre pronto para reclamar da sua discriminação em relação ao "mediático" Bloco, aparece mais três vezes em todos os canais.

 

3. O impacto da comunicação social (mesmo da televisão) na construção de uma percepção pública sobre os partidos é sobremaneira exagerado. Pegue-se no exemplo do Bloco que, com uma cobertura noticia ínfima em relação ao PP, continua a crescer nas sondagens, onde aparece invariavelmente com o dobro das intenções de voto do PP.

26
Mai08

Tantos quilómetros e nem abasteceu o Jaguar

Pedro Sales

Paulo Portas foi a Badajoz, alegadamente para comprovar aquilo que já todos sabemos: os portugueses que vivem nas zonas fronteiriças vão abastecer a Espanha. Os portugueses sim, mas não o Paulinho da Repsol. Como não lhe chegava fazer gala do seu populismo mais demagógico, o líder do PP disse que se recusava a enriquecer Espanha e por isso não abasteceu o seu carro (o que até devia dar um jeitaço ao Zapatero, dada a genorosidade dos depósitos do Jaguar ou do WW Tuareg). Ora aí está, populismo, nacionalismo e um vago apelo xenófobo numa única acção. Paulo Portas está em forma, provando que a nossa direita é sempre a favor do mercado. Desde que ele esteja do lado certo da fronteira e, de preferência, conte com o guarda chuva protector do Estado e dos seus apoios fiscais.


PS:Curiosamente, enquanto defendeu uma lei que levava milhares de mulheres portuguesas a Badajoz para abortar, nunca vimos Paulo Portas preocupado com o enriquecimento do país vizinho. Vá-se lá saber porquê.

26
Mai08

O excesso da praxe é a praxe

Pedro Sales

Imagem retirada daqui

 

A condenação de sete alunos da comissão de praxe do Politécnico de Santarém é uma decisão inédita entre nós e que apenas peca por tardia. Até à semana passada, a praxe constituía um ritual e um espaço académico onde a lei se encontrava suspensa. A impunidade legal de actos que, fora do espaço sem lei da praxe seriam sempre punidos, é um dos mistérios da praxe. Alunas que saltam do primeiro andar para fugir da humilhação sexual pelos “veteranos”, como já aconteceu em Lisboa, ou episódios como este em Coimbra, nunca passaram da denúncia pública, contando geralmente com o silêncio das vítimas que temem o ostracismo dos colegas. A aluna que agora ganhou o caso em tribunal teve a coragem de levar até ao fim a sua denúncia, mas pagou-a bem caro. Teve que sair da faculdade, proscrita pela instituição e pelos seus colegas, e nunca terminou o curso.

Para além da arbitrariedade, dos jogos de poder e da violência sexista, o que mais choca na praxe é ver como esta bestialidade, que ocupa várias semanas do ano académico, é apoiada ou tolerada pelas instituições do ensino superior, em nome de uma tradição que procuram mimetizar e que entendem engrandecer o nome da faculdade ou instituto. Se é certo que a maioria das praxes não acaba em episódios limite como os relatados, ou o que teve lugar em Santarém, não é menos certo que a humilhação e a violência psicológica nas praxes é mais comum do que se possa pensar e constitui a mais perversa forma de “integração”.

É da ausência de formas de receber e integrar os novos alunos que vive e se alimenta a cultura da praxe. Depois de mais de uma década de estudo, e de sonharem há vários anos com a entrada na faculdade, é normal que os estudantes queiram integrar-se o mais rapidamente possível num meio de que desconhecem as regras, métodos e, muitas vezes, a própria cidade. A praxe é o que encontram. Porque as associações de estudantes vêm no ritual a melhor forma de perpetuar o seu poder e as instituições, desde que o assunto não deteriore a sua imagem, não estão para se incomodar com o que se passa entre os estudantes e até esperam tirar proveito do assunto. Curiosamente, nem se apercebem que a praxe é a personificação, e glorificação, de uma imagem da faculdade autista, isolada da sociedade e que se entende e vê como um corpo à parte. 

Enquanto não se tornar claro que pior “excesso” da praxe é a própria praxe e esta cultura da impunidade, violência e perversa hierarquização - que promove a ignorância dos “cardeais” que se arrastam há 20 anos nas faculdades -, será difícil encontrar outras formas de integrar os novos alunos. E os estudantes continuarão a dar ao resto do país esta imagem deprimente que tanto contribui para os estereótipos da geração rasca que ainda perduram na sociedade.

24
Mai08

Dupla personalidade?

Pedro Sales

Depois do artigo do CAA no Correio da Manhã, as edições de hoje do DN e do Expresso também colocam a descer o secretário-geral da UGT, João Proença, por este “dirigente socialista e sindicalista ter decidido ficar caladinho na reunião da Comissão Política do partido em que se discutiu o novo Código Laboral”. O Expresso diz mesmo que Proença “não queria que se ouvisse o que tinha a dizer”. A julgar por esta notícia, que tem passado praticamente despercebida, é bem possível. No preciso momento em que o governo negoceia as novas leis laborais com as centrais sindicais, o dirigente máximo da UGT tem participado nas sessões organizadas pelo partido que suporta o Governo para “explicar o Código do Trabalho aos militantes do PS”. Dupla personalidade, como questionou um jornalista, ou embaraço com as consequências públicas da sua personalidade?

23
Mai08

Este país não é para pobres

Pedro Sales

Vinte anos depois da adesão à União Europeia, e mesmo contando com as centenas de milhões de euros em apoios comunitários, Portugal continua a ser o país mais desigual da Europa e aquele onde a pobreza mais se faz sentir. Como nos indica o estudo de Bruto da Costa, hoje destacado pelo Público, a pobreza é persistente e afecta principalmente as crianças, os velhos e o interior do país. Pior. Como salienta o estudo, “a sociedade portuguesa não está preparada para apoiar as medidas necessárias para um verdadeiro combate à pobreza”, tendendo a encará-la como o resultado do “enfraquecimento da responsabilidade individual” e da “preguiça” dos pobres.


Uma posição que encontra lugar na blogosfera liberal e na maioria das colunas de opinião da nossa imprensa. Lestos a exigir a demissão do Estado de todas as suas funções que não se limitem à estrita soberania do país, ignoram olimpicamente o país ilustrado na reportagem do Público, onde as pessoas que vivem nos bairros sociais deixam de saber o que é carne a meio do mês, só têm medicamentos quando alguém lhos oferece e não compram roupa e lavam-na à mão porque não há dinheiro para a energia.


É esse o país esquecido que vive dos apoios sociais que o Estado subsidia com o dinheiro dos impostos. São os pobres que vivem do Rendimento Social de Inserção, permanentemente diabolizado pelo mesmo Paulo Portas que passa os dias a falar da “tirania fiscal”. A mesma direita que, revelando maior preocupação com o “combate a fraude dos pobres do que com o combate à pobreza”, se esquece de referir que a carga fiscal nacional é inferior à média europeia.


Parece bem defender a redução do papel do Estado, mas bem mais complicado é explicar o que é que isso significa num país pobre e desigual como o nosso. Os pobres já pagam, percentualmente, muito menos impostos. Uma redução significativa da carga fiscal não traria grande impacto nas suas condições de vida. Pelo contrário, a redução do Estado, deixaria as suas marcas. Sem os apoios garantidos pela redistribuição social do dinheiro dos impostos, os mais pobres não teriam acesso à educação, saúde e aos complementos sociais que lhes permitem ir subsistindo no meio de várias provações.

 

De resto, até já são conhecidos os resultados deste programa liberal.  Ao contrário do que defendiam os seus apoiantes, os gigantescos cortes de impostos para as classes mais ricas, aprovados por Bush, não só não geraram o desenvolvimento económico defendido como fizeram aumentar as desigualdades sociais e hipotecaram as contas públicas. O liberalismo não é só um disparate económico. Num país como o nosso é uma violência social.

23
Mai08

Lixo

Pedro Sales

Apoiantes de Berlusconi festejam vitória eleitoral. Fotografia retirada do 5 Dias

Há coisas que nunca mudam. Sarkozy, com uma taxa de reprovação superior a 70%, anunciou que iria reforçar a perseguição à imigração ilegal. Ontem, foi a vez de Berlusconi apresentar um polémico conjunto de medidas para criminalizar os imigrantes clandestinos. Provando que o populismo tem as pernas curtas, Berlusconi não se lembrou de melhor local para começar a sua campanha xenófoba, na qual não hesitou mesmo em associar a criminalidade à presença dos imigrantes, do que Nápoles, a "capital do lixo" onde as centenárias actividades da Camorra representam 3% do PIB italiano.

21
Mai08

O pópó dos senhores juízes

Pedro Sales
19
Mai08

Novas oportunidades para a precariedade

Pedro Sales

Não há como olhar para a notícia do Expresso, indicando que há salários em atraso e centenas de formadores a falsos recibos verdes no programa Novas Oportunidades, sem colocar em causa o anunciado empenho do Governo em combater a precariedade laboral. A ministra da Educação diz que "só agora há condições para acabar com esta situação, que foi herdada do passado". Extraordinário. Mais de três anos depois de ter tomado posse, o Governo ainda justifica o injustificável com o passado, mesmo quando o problema acontece num programa de formação lançado por este governo. As novas leis laborais prometem...

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