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Zero de Conduta

Zero de Conduta

17
Abr08

O irreal país laranja

Pedro Sales

O PSD apresentou ontem, em pleno debate sobre a simplificação legislativa do divórcio, cinco projectos de lei para o que dizem ser a dignificação e protecção da família. Uma breve leitura da Lei de Bases ontem apresentada dá para constatar a confrangedora vacuidade da proposta, mero pretexto para o partido apresentar a sua versão beata e ahistórica da "família", numa nada escondida piscadela de olho ao discurso da Igreja Católica.

Só que este truque é velho de anos. Em todos os debates sobre a despenalização do aborto que tiveram lugar no Parlamento, o PSD retorquiu sempre desvalorizando a importância do tema e defendendo a necessidade de apostar na educação sexual - isto, apesar de terem votado contra todas as propostas legislativas (e foram muitas)nesse sentido... O conservadorismo social é cada vez mais uma das imagens de marca de um PSD crescentemente confinado e enfeudado nos sectores mais fechados da sociedade portuguesa. Aqui há uns anos dizia-se que o PSD era o partido mais português de Portugal, uma expressão que, não por acaso, caiu em desuso. O país que hoje dizem representar é uma espécie em vias de extinção.

Ocupados com as lutas internas e obcecados com a comunicação social, não repararam que a demografia, escolarização e a tímida modernização do tecido económico mudou o mapa do país. A simples comparação dos resultados dos dois referendos à despenalização do aborto -  e o voto esmagador registado pelo “Sim” entre os jovens e principais centros urbanos - devia fazê-los perceber que a demografia tornou o “país real” que dizem defender cada vez mais uma peça de arqueologia social. De resto, basta ver quem aparece hoje a dar a cara pela regeneração do partido: Aguiar Branco, o porta-voz do “Não” no maior programa de debate televisivo no último referendo. O problema do PSD não é só Menezes. É não ter nada para dizer a camadas cada vez mais amplas da sociedade. Logo por azar, as mais dinâmicas e reprodutoras de opinião. O PSD é cada vez mais o partido da “má moeda”.
17
Abr08

Ninguém põe a VISTA em cima destas coisas?

Pedro Sales

Há dois dias que este vídeo, gravado por quadros do departamento comercial da Microsoft para promover a primeira actualização do seu novo sistema operativo, é o maior sucesso do Youtube. Compreende-se. A coisa é tão grotesca que resume bem como o mau gosto sobrevive como a cultura institucional da empresa que equipa (sabe-se lá como e porquê) 95% dos computadores mundiais. Ao pé disto, os já famosos anúncios da Apple a gozar com os cinzentismo aborrecido dos produtos da Microsoft até que são bem simpáticos para a empresa de Bill Gates.
16
Abr08

O jornalismo de "causas" e os factos do jornalismo

Pedro Sales

No meio da patética perseguição movida pelo PSD a Fernanda Câncio, uma das acusações que tem permanecido quase ignorada é aquela onde este partido diz que a RTP não a pode contratar porque se trata de uma jornalista de “causas” e, portanto, parcial. Apesar das denúncias contra a injustiça, tirania e corrupção fazerem parte do melhor que a história do jornalismo tem para nos oferecer, num país em que as pessoas confundem imparcialidade com ausência de opinião a acusação tem a força de um anátema.

Sucede que o incómodo do PSD, retomado por uma parte significativa da blogosfera de direita - mesmo entre a esmagadora maioria que criticou o partido de Menezes - não é tanto com a existência de “causas”, mas mais com a natureza das mesmas. Jornalismo de “causas” tornou-se, entre nós, um eufemismo para dizer que se defende a despenalização do aborto, a separação do Estado e Igreja, ou a igualdade de direitos entre todas as pessoas, independentemente do género, opção sexual ou cor da pele. São os temas “fracturantes”, outro termo que está longe de ser inocente.

De resto, não deixa de ser curioso que, mais coisa menos coisa, a agenda que é considerada fracturante seja coincidente com as posições da esquerda. À direita, como se sabe, não existem “causas”. Existem causas e factos. E é assim que temos que assistir impavidamente às intermináveis horas de televisão e capas de jornais com o alarmismo sobre a violência escolar, misturando números de tesouras e canivetes suíços com armas de fogo para darem contra de uma realidade que os números não atestam. Isso, ou constatar a artificialidade dos cíclicos climas de insegurança agitados por alguma imprensa no país com uma das menores taxas de criminalidade de todo o mundo e com um número recorde de policias na Europa.

Aí, nada. Não há nenhuma causa nem agenda política. Só a dura neutralidade dos factos, mesmo quando estes são sistematicamente desmentidos pelos números e indicadores internacionais. Mas ai de quem diga o contrário. É porque se trata um jornalista de “causas” ou tem uma agenda escondida.

16
Abr08

História universal da infâmia

Pedro Sales

Não é possível fazer a história da medicina no século XX sem recordar o seu lado mais negro, incluindo a participação de alguns dos seus especialistas na inqualificável utilização de seres humanos como cobaias para provar as teses mais bizarras. Este site apresenta uma lista com o que considera serem os 10 piores  programas de utilização de seres humanos para experiências médicas, desde a utilização de LSD pela CIA, às operações forçadas de mudança de sexo levadas a cabo pelo exército sul-africano. Atenção, como o próprio site reconhece no início do texto, a leitura de algumas partes está longe de ser fácil.
15
Abr08

Um bom conselho

Pedro Sales

No último debate parlamentar, José Sócrates aconselhou “mais leituras” a Francisco Louçã quando este criticou o impacto dos agrocombustíveis no aumento do preço dos alimentos. Segundo o primeiro-ministro, como a maioria combustíveis “verdes” nacionais estão a ser produzidos a partir de oleaginosas cultivadas em Moçambique não têm qualquer influência no aumento dos preços dos alimentos. Este argumento é um disparate, e nem é preciso ler muito para o perceber.

Os preços dos bens alimentares não são fixados em Portugal. Importamos mais de 70% do que comemos. Cereais, arroz e outros produtos são comprados nos mercados internacionais de referência, onde os preços não param de aumentar. Mesmo não sendo óleos alimentares, as áreas cultivadas em Moçambique para encher os tanque de gasolina dos carros de Lisboa ou Porto não nasceram do nada. Ou levaram ao abandono de áreas dedicadas à produção agrícola, conduzindo à escassez de bens alimentares que é uma das razões da escalada dos preços, ou foram conquistados às florestas tropicais, sem as quais teremos mais Co2 no planeta. Em todo o caso, os compromissos assinados por Portugal na UE serão sempre uma tragédia. O primeiro-ministro devia seguir o seu próprio conselho e ler um bocadinho mais. A começar pelas declarações da porta-voz do Progama Alimentar das Nações Unidas que, citada ontem pelo Público, lembra que "muitos agricultores estão a arrancar as suas culturas e a substituí-las, por exemplo, por milho por causa da especulação do mercado de biocombustíveis."

14
Abr08

Os gordos que paguem a crise

Pedro Sales

Alegando que o peso médio dos cidadãos cresceu 10% nos últimos 30 anos, o governo japonês vai obrigar as empresas a diminuir em 10% a percentagem dos trabalhadores com excesso de peso até 2012 e 25% até 2015. As empresas que não cumprirem essa meta serão penalizadas fiscalmente, contribuindo com uma taxa extra para suportar as despesas com o sistema de saúde. Já era de esperar que, sempre em nome da saúde pública, qualquer governo viesse com um disparate destes, mas não deixa de ser irónico que tenha sido precisamente no país que reverencia como semi-deuses atletas com centenas de quilos e monstruosas percentagens  de gordura que se tivessem lembrado de condenar ao desemprego quem engordou mais do que o ministério da saúde considera aceitável. Para levar a coisa a sério, espera-se agora que também retirem o subsídio de desemprego aos obesos. Estar parado, e a viver dos rendimentos, também engorda. E engordar fica caro ao Estado. São uns parasitas, estes gordos, é o que é...

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