Quarta-feira, 5 de Março de 2008
Liga dos últimos

O mesmo homem que, de manhã, acusava a opinião publicada e os militantes do PSD de o insultarem e impossibilitarem o seu trabalho, declarava poucas horas depois que o partido que lidera ainda não está em condições de governar. Vá-se lá saber porquê, mas deve ser a primeira vez que, a um ano das eleições, o líder do maior partido da oposição desclassifica o papel do seu movimento e passa um atestado de inutilidade ao seu trabalho. Se parasse duas vezes para pensar antes de falar, o homem que conta os críticos internos pelos 12 dedos das mãos, talvez tivesse percebido que, doravante, não conseguirá fazer nenhuma declaração à imprensa sem que um jornalista lhe pergunte sobre a maturidade governativa do PSD. No particular campeonato do disparate político, Menezes está num lugar à parte. A Liga dos Últimos é o seu futuro. Cada vez mais escrito no passado. 

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publicado por Pedro Sales às 20:42
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Matemática técnica

2+2=27

“O Primeiro-Ministro José Sócrates anunciou o aumento do complemento solidário para idosos de 323,5 para 400 euros”, debate no Parlamento a 30 Janeiro de 2008, no portal do Governo.

Sucede que, como explicou a edição de ontem do Jornal de Negócios, só foi possível ao primeiro-ministro anunciar um aumento para 400 euros porque o governo alterou a metodologia de cálculo, passando a dividir o valor anual do complemento por 12 mensalidades - em vez das 14  até aí em vigor. Se não misturasse propositadamente metodologias distintas na mesma frase, o acréscimo seria bem diferente: de 323 para 342 euros, ou 377,5 para 400 (se continuasse a valer a divisão por 12 meses). Não dava tanto efeito, mas era honesto. Assim, é uma chico-espertice só possível porque o primeiro-ministro sabe que, anunciando medidas de que mais ninguém conhece os valores, estudos ou impacto financeiro, abrirá os noticiários televisivos anunciando que é com “medidas concretas que atingimos o objectivo de combater a pobreza”. Depois, quando a oposição ou a imprensa descobre o truque aritmético, já é tarde e não passa de uma nota de rodapé. 
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publicado por Pedro Sales às 15:51
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all the way baby?

Slate's Delegate Counter

Clinton teria de ganhar todos os 12 Estados restantes por margens maiores que 60-40 para reequilibrar os totais de delegados. Mas ficou bastante mais perto de equilibrar o total de votos, e isso interessa para estancar a hemorragia de superdelegados, variável crucial na decisão final. E é o suficiente para a narrativa mediática das próximas semanas: de underdog a comeback kid, via Saturday Night Live, Hillary e a mudança de atitude na imprensa quebram o momentum de Obama. A América adora uma luta renhida e as audiências disparam.

we're going all the way baby.


publicado por Vasco Carvalho às 07:08
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a tirania do flowchart

Organigrama da Avaliação de Professores de acordo com a Decreto Regulamentar nº 2/2008, clique para aumentar
(via Geração Rasca,mais detalhe aqui)

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publicado por Vasco Carvalho às 04:53
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Terça-feira, 4 de Março de 2008
Dupond e Dupont

O Público faz 18 anos amanhã, editando um número especial que será dirigido por José Pacheco Pereira. A mais valia de convidar personalidades exteriores à redacção para editar um número do jornal é esperar que estas tragam uma visão diferente da sociedade e um alinhamento distinto do que é preconizado pela direcção do jornal. Foi assim com Bono, no Independent, ou Jorge Sampaio, no Correio da Manhã. José Manuel Fernandes, no entanto, resolveu convidar a sua meta aspiracional, numa espécie de momento em que o alter ego convida o criador. Juntos, e a cores, o original e a fotocópia. No dia em que o Público comemora a sua maioridade, este convite não pode deixar de ser encarado como um ponto simbólico na longa e penosa deriva editorial de um projecto inovador na imprensa nacional, e que começou alinhado editorialmente com projectos como o Guardian ou o El Pais, para se ver cada mais amarrado a um espaço de opinião liberal e às cruzadas políticas do seu director.

publicado por Pedro Sales às 05:23
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008
Reservado o direito de admissão

Para todos aqueles que defendem o cheque-ensino, e a divulgação em bruto dos rankings dos exames, talvez valha a pena passar os olhos pela notícia que ontem tinha honras de capa no Guardian. Na Inglaterra, as "escolas religiosas escolhem os alunos mais ricos", preferindo os filhos de famílias de classe média e deixando de parte os alunos com necessidades educativas especiais. E porquê? Para melhorar a sua posição no ranking. Como é evidente, conjugar os resultados dos rankings com escolas privadas financiadas pelo Estado, resulta na selecção social dos alunos e num ensino mais orientado para os resultados estatísticos do que para a qualidade das aprendizagens. 

publicado por Pedro Sales às 16:57
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Sábado, 1 de Março de 2008
Policarpo é um chato e a sua prima um carrapato
Sinead, com dedicatória especial a Policarpo, aos 2m50.

Until the philosophy which holds one race
Superior and another inferior
Is finally and permanently discredited and abandoned
Everywhere is war, me say war


publicado por Vasco Carvalho às 23:28
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alter egos online


facebook

Juro, é o tipo mais soft que conheço.

publicado por Vasco Carvalho às 19:08
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São 3 da manhã (e há perguntas que mais vale não fazer)
São 3 da manhã e os seus filhos estão a dormir em segurança. O telefone vermelho toca na Casa Branca. Quem é que você quer que atenda o telefone?

É este o tema do mais recente, e polémico, anúncio televisivo de Hilary Clinton. Polémico, porque são demasiado evidentes as semelhanças com a estratégia de Bush de agitar o medo e a insegurança com o terrorismo para obter dividendos políticos. Pior, as semelhanças com um antigo anúncio de apoio a McCain são tão notórias que é difícil não acreditar que o trabalho foi plagiado. Obama foi rápido a responder, colocando no ar um anúncio a responder à letra, mas a melhor desmontagem da mensagem de Hillary veio de onde menos se esperava: de um pequeno estúdio de criativos de Chicago. Genial e hilariante.

* Para quem não conhece a história do personagem do vídeo, Muffley é um político com um longo currículo.
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publicado por Pedro Sales às 18:35
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