Sábado, 15 de Março de 2008
Crónica de uma morte anunciada (1)

Só para estragar o Sábado, e só para os mais distraídos: é oficial, estamos num "financial meltdown".

Martin Feldstein: "The situation is very bad, the situation is getting worse, and the risks are that it could get very bad"

Paul Krugman: "I used to think that the major issues facing the next president would be how to get out of Iraq and what to do about health care. At this point, however, I suspect that the biggest problem for the next administration will be figuring out which parts of the financial system to bail out, how to pay the cleanup bills and how to explain what it’s doing to an angry public."

Nouriel Roubini: "this is another case where profits are privatized and losses are socialized"

Martin Wolff: "a rising auction of scary scenarios"

publicado por Vasco Carvalho às 20:33
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Para quê e para quem?

Há várias décadas que a zona ribeirinha da capital é uma coutada privada do Porto de Lisboa, desprovendo a cidade de mecanismos públicos para o ordenamento e gestão desta zona nobre. É por isso difícil de compreender o veto político do Presidente da República à transferência para a autarquia da gestão da zona ribeirinha, uma das raras matérias que garantia o consenso de todas as forças partidárias.

E é ainda mais estranho porque, numa atitude inédita, o Presidente não explicita os motivos que o levaram a devolver o diploma para o Governo. O incómodo com a decisão é tão óbvio que lançou os conselheiros de Cavaco Silva num jogo de palavras de mais que questionável honestidade intelectual. Tentando negar o óbvio - a existência de um veto político -, Belém garante que se limitou a devolver o diploma. Só que, como os conselheiros do PR muito bem sabem, uma e outra coisa querem dizer o mesmo.

Fica por saber o que é que leva Cavaco Silva a pretender manter uma parte da capital nas mãos da administração do Porto de Lisboa, ainda por cima sem o explicar e sem coragem para assumir o peso político da sua decisão.


publicado por Pedro Sales às 18:19
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A parada da vergonha
 
Para não variar, é um programa de humor, o Daily Show de Jon Stewart, quem dá a melhor resposta à insanidade moralista que parece ter tomado conta da politica norte-americana e que, desta vez, levou à demissão e contrição pública do Governador de Nova Iorque porque recorreu aos serviços de uma prostituta.

publicado por Pedro Sales às 17:10
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Soldado de Inverno


Remake do Winter Soldier Investigation de 1972, agora organizado pelos Veteranos do Iraque contra a Guerra (http://ivaw.org/wintersoldier). A seguir em directo a partir de aqui, até amanhã.
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publicado por Filipe Calvão às 17:04
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Cuidadinho com a língua (o PS agradece)
O PS entregou hoje no Parlamento um projecto de lei que regula o funcionamento dos estabelecimentos que fazem tatuagens e aplicam "piercings", passando a ser proibida a sua aplicação na língua. Para os menores de 18 anos, o projecto estabelece a total proibição da aplicação de "piercings", tatuagens e de maquilhagem permanente.

publicado por Pedro Sales às 13:29
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008
A feira dos horrores

Para quem se queixa do nível de Luís Filipe Menezes, o Público de hoje dá uma boa imagem sobre a qualidade da equipa que o rodeia. Isabel Pedro, a nova porta-voz do partido para a família, está muito preocupada com a grave situação social potenciada pelos aumento dos divórcios e dos nascimentos fora do casamento.Não há medidas politicas que combatam a baixa natalidade, os filhos fora do casamento e dêem estabilidade à família”. Como o diagnóstico é severo, e considera estarmos perante indícios de crise, Isabel Pedro defende que se proceda a uma nova “apreciação sobre a família”. Qual? Uma que faça compreender que nos abusos sobre crianças, as gravidezes adolescentes, a toxicodependência, a criminalidade há um factor de risco comum, embora não o único, que são as famílias destruturadas”. Ou seja, aquelas em que se revela a “ausência de um dos progenitores, nomeadamente o pai”. Isto promete. Na sua primeira intervenção pública, a senhora defende medidas políticas para acabar com os filhos fora do casamento e as famílias monoparentais. Sempre quero saber como é que o PSD propõe essas fantásticas medidas. Prisão, trabalho comunitário, IRS diferenciado para quem tiver um filho sem estar casado pela Igreja?

publicado por Pedro Sales às 16:13
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O café da manhã

“O primeiro-ministro como nunca o viu”, num retrato intimista do seu dia-a-dia, prometia a SIC. Para falar verdade não imaginava sequer metade, a começar pela absoluta novidade que é perceber que um dia de trabalho normal para José Sócrates começa por volta da 11 horas da manhã com duas bicas no café à porta de sua casa. A partir deste momento a dúvida fica instalada. Ou o primeiro ministro andou três anos a retirar direitos sociais aos “privilegiados” que começam a trabalhar umas horas antes do seu cafezinho matinal, ou então foi tudo encenado para as câmaras e toda aquela conversa da generosidade, melancolia, poetas para aqui e filósofos espanhóis para ali também é montada. A tanga é certa. Resta saber qual.

publicado por Pedro Sales às 12:43
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O que anima Menezes
Numa entrevista cujo único fim aparente parece ter sido possibilitar a reacção dos seus críticos internos por mais uma boa semana, Luis Filipe Menezes perdeu metade da entrevista com Judite de Sousa a apresentar resultados de sondagens para justificar o seu trabalho à frente do partido e a convicção íntima de que será o futuro primeiro-ministro. O mínimo que se pode dizer é que a escolha foi bastante selectiva. Ignorando as da Universidade Católica, que indicam uma descida de 3 pontos desde que assumiu a liderança do PSD, Menezes fez várias referências à ultima sondagem do Correio da Manhã. Curiosamente, e porque a sondagem é de terça-feira, estava convencido de que os resultados não eram bem aqueles que Menezes estava a interpretar. Assim é, de facto. A sondagem que tanto alento dá ao autarca de Gaia é a mesma em cujo título se pode ler que "sem concorrência para chefiar Governo, eleitores preferem Sócrates a Menezes". O homem contenta-se com pouco, o que é que se há de fazer. 

publicado por Pedro Sales às 08:40
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O que anima Menezes
Numa entrevista cujo único fim aparente parece ter sido possibilitar a reacção dos seus críticos internos por mais uma boa semana, Luis Filipe Menezes perdeu metade da entrevista com Judite de Sousa a apresentar resultados de sondagens para justificar o seu trabalho à frente do partido e a convicção íntima de que será o futuro primeiro-ministro. O mínimo que se pode dizer é que a escolha foi bastante selectiva. Ignorando as da Universidade Católica, que indicam uma descida de 3 pontos desde que assumiu a liderança do PSD, Menezes fez várias referências à ultima sondagem do Correio da Manhã. Curiosamente, e porque a sondagem é de terça-feira, estava convencido de que os resultados não eram bem aqueles que Menezes estava a interpretar. Assim é, de facto. A sondagem que tanto alento dá ao autarca de Gaia é a mesma em cujo título se pode ler que "sem concorrência para chefiar Governo, eleitores preferem Sócrates a Menezes". O homem contenta-se com pouco, o que é que se há de fazer. 

publicado por Pedro Sales às 08:40
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Quinta-feira, 13 de Março de 2008
Isso explica muita coisa
Na autopromoção que está a fazer das suas "reportagens" sobre a "vida íntima" de José Sócrates e Luís Menezes, a SIC diz que o líder do PSD recorre habitualmente aos conselhos do seu filho mais novo, de 11 anos.
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publicado por Pedro Sales às 13:16
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Mudar? Para aonde e para quê?

Não há mal nenhum em mudar o símbolo ou as cores de um partido. Normalmente, quando isso acontece é porque se pretende romper com o passado e apresentar uma nova linha política e programática. Menezes apresentou ontem o novo símbolo e cores do PSD. O enigma é saber para que é que isso serve, se continuamos sem lhe conhecer uma proposta digna desse nome, continuando entretido em declarações sobre as sondagens, comentadores políticos e questões prementes para o futuro do país como os estatutos e os críticos internos da sua liderança. Como tudo o resto nesta direcção do PSD, a novidade é apenas cosmética. E daqui a dois dias já nem o Menezes se lembra disso.
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publicado por Pedro Sales às 08:24
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008
Como passa senhor contente, como está senhor feliz...

“Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal", considerou Vitalino Canas, porta-voz do PS.

publicado por Pedro Sales às 18:49
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E quem é que pagou este?
Os social-democratas apresentam, esta quarta-feira, a nova imagem do PSD, com um símbolo diferente, para transmitir ao país uma ideia mais refrescada do partido. Em vez das três setas sobrepostas, o símbolo social-democrata passa a ser apenas uma seta e mais estilizada, num fundo azul e acompanhada de um slogan novo.
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publicado por Pedro Sales às 13:04
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Herr Flick de volta a casa

"Herr Flick had the fish."

26 anos depois do início da série Allo Allo na BBC e da sua difusão por mais de 50 países, uma estação de televisão alemã comprou ontem os direitos de transmissão de René, Herr Flick e Helga. O porta voz da companhia alemã disse que estão contentes por ter quebrado um tabú mas aflitos com a dobragem para alemão.

publicado por Vasco Carvalho às 02:47
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Terça-feira, 11 de Março de 2008
O António Costa deve ser do Benfica

Ainda ontem os blogues liberais andavam animados com um artigo de João Marques de Almeida, no Diário Económico, onde se pode ler que, “para conseguirem falar a esta geração, os partidos de centro-direita têm, antes de mais, que ser modernos, abertos e tolerantes. É o conservadorismo moral que afasta, instintivamente, esta geração da direita e a aproxima da esquerda.

Uma aspiração quimérica, como se pode ver pelo post que o Paulo Pinto Mascarenhas escreveu no mesmo dia, a propósito da participação da mulher de António Costa na manifestação dos professores. Para Paulo Pinto Mascarenhas, se uma mulher participa num acto público, mesmo que se trate de uma manifestação da sua classe profissional, é porque pediu autorização à sua “cara metade”. Ou isso, ou foi enviada pelo marido para enviar um sinal político. Esta direita, que se pretende muito moderna, revela-se nestes pequenos casos. No fundo, nunca saíram do esquema mental do chefe de família. Só que, neste caso, para além de ser do Benfica, também deve zelar pela agenda e discrição da mulher cuja autonomia desconhece.


publicado por Pedro Sales às 19:40
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A queda de um Anjo

Ainda há poucos meses um modelo para os conservadores de um e do outro lado do Atlântico, estrela pop da “nova direita”, Sarkozy parece ter batido no fundo de tal forma que os autarcas do seu próprio partido lhe pediram para se afastar da campanha para as eleições locais. A crueza dos números da derrota de domingo não deixa espaço para enganos sobre a erosão da sua popularidade. O que espanta não é a mutação e desgaste da imagem. É a rapidez com que tudo se passou, só possível porque a subida e queda de Sarko foi construída e gerida à frente de todos nas capas da imprensa e noticiários televisivos. Quando a imagem é a substância do projecto político, mediado exclusivamente pelo tratamento jornalístico, a volatilidade da imagem é uma das suas consequências naturais.

Os media cansam-se e cansam como nenhum outro meio, deixando patente o nervosismo de uma exploração frenética da imagem. Pensando que a exposição desenfreada da sua vida privada seria uma poderosa alavanca de uma aura de dinamismo e sucesso politico que pretendia reforçar, Sarkozy viu os franceses colarem-lhe uma imagem de imaturidade e instabilidade emocional pouco consentânea com a visão que têm do cargo. Claro que não ajuda que o mesmo presidente que pede sacrifícios e exige austeridade, nomeadamente através de um reforma da segurança social baseada na de José Sócrates, se passeie luxuosamente pelas ruínas de Petra. Sarkozy, iludido pela popularidade pop dos primeiros tempos, pensou que conseguia controlar a forma como as notícias seriam percepcionadas. Trágico engano. Aquilo que os media constroem, por eles é destruído. Depois de aberta a porta da intimidade privada, ninguém se fica por uma pequena história. Quer saber tudo. Sarkozy é apenas mais uma “vítima” da sua própria armadilha. Podia ter perguntado ao Carrilho.


publicado por Pedro Sales às 18:35
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Dez

Curta metragem de Scott Smith's sobre um  homem que viola todos os dez mandamentos antes do pequeno-almoço. 

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publicado por Pedro Sales às 13:56
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faster, baby, faster

(mais detalhe, aqui)


publicado por Vasco Carvalho às 04:24
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008
O pior cego é o que não quer ver

As declarações de Paulo Bento, depois da saída de Camacho, só tornam mais risível a sua continuidade no Sporting. A poucas horas da equipa entrar na luta pela sexto lugar, diz que tem que se concentrar em resolver os problemas da equipa. Sim senhor, mas que equipa? Ontem, só vi o Guimarães em campo, um clube que tem um orçamento cinco vezes inferior ao do Sporting. O problema não tem nada a ver com o cansaço, a falta de vontade ou de esforço dos jogadores. A questão é que ninguém sabe o que está a fazer em campo. O famoso losango é só a desculpa esfarrapada para um treinador que não consegue fazer a equipa assimilar uma ideia que seja sobre o que fazer com a bola quando se passa a linha do meio-campo. O losango é isto: o Sporting, o clube que formou e vendeu alguns dos melhores extremos do futebol mundial nas últimas duas décadas (Futre, Figo, Simão Sabrosa, Quaresma, Ronaldo e Nani), joga sem extremos. Deve fazer sentido, mas eu não o consigo vislumbrar.

O pior cego é o que não quer ver. O tempo de Paulo Bento no Sporting já devia ter terminado há muito. O seu e do maldito losango. Um risco ao meio nos dois, mais a actual direcção do Sporting que parece mais interessada em distribuir dividendos das acções do que em construir uma equipa decente, era o que era preciso. Antes que o clube acabe no 10.º lugar.

publicado por Pedro Sales às 14:47
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Um mal-estar difuso

O Francisco José Viegas chama a atenção para os comentadores que, a propósito da manifestação de professores, andam “de peito cheio a pedir «ponha-os na ordem, senhora ministra». O que é curioso é que nunca deu para reparar que esses mesmos comentadores alguma vez tenham escapado ao gigantesco consenso que, a cada nova dificuldade, se vira para a escola à procura da solução para todos os problemas com que o país se vai deparando.

Hoje não temos professores, ou melhor, aos professores é-lhes também pedido que sejam animadores socioculturais, orientadores vocacionais, assistentes sociais, ambientais, sexólogos, educadores para o consumo, cidadania, higiene alimentar ou regras de trânsito, nunca esquecendo as novas tecnologias e as dezenas de horas de burocracia. Este processo é paralelo à desvalorização social do trabalho dos docentes, do qual o exemplo máximo é mesmo o discurso da actual equipa da 5 de Outubro. Ainda no sábado, e dizendo que compreende algumas das razões da insatisfação dos professores, a ministra lá deixou escapar que uma delas era o acréscimo de trabalho com a entrada de novos alunos no sistema...

Depois de lhes pedirem para fazerem de ama seca da sociedade, e de mesmo assim se verem enxovalhados pelo ministério e opinião publicada, admiram-se que os professores se juntem em massa. Por muito oposição que exista ao modelo de avaliação - mais a mais com o despautério que presidiu à criação dos professores titulares -, ela não consegue explicar, por si só, esta mobilização sem precedentes. O que se passa é mais profundo. Os docentes estão fartos da papelada, da burocracia, das portarias e despachos contraditórios que se anulam uns aos outros, sem sequer se conhecer a avaliação dos seus resultados. Disso e de um Governo que os chama de “professorzecos”. Tudo junto é uma mistura explosiva que não augura nada de bom. Com ministra ou sem ela, o problema está aí para durar. E o governo não parece saber descalçar esta bota que é bem mais persistente do que a justificada oposição à ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

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publicado por Pedro Sales às 01:10
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Domingo, 9 de Março de 2008
Confiança

Fotografia de André Beja
José Sócrates mudou de ministro da Saúde, reconhecendo que “era a única forma de "restaurar a relação de confiança entre cidadãos e o Serviço Nacional de Saúde”. Quando mais de metade dos professores se manifestam contra a política educativa, a frase ganha uma redobrada actualidade e fica uma pergunta muito simples. Que condições de trabalho, e de implementar as suas decisões nas escolas, tem uma responsável política que conta com a aberta hostilidade de uma classe profissional em peso?
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publicado por Pedro Sales às 22:50
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Nem boa, nem má. Lamentável...


...campanha publicitária da nova série de fascículos da Sábado e Correio da Manhã sobre Salazar.

publicado por Pedro Sales às 13:17
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Sábado, 8 de Março de 2008
As manifestações só são boas quando concordamos com elas
Se se confirmarem os números previstos (os quais, naturalmente, incluem docentes e acompanhantes), significa que para cima de 50 mil manifestantes terão abdicado de pensar pela sua cabeça, endossando-a aos sindicatos. Atenta a profissão, saem muito mal no retrato.

Como é óbvio, mal no retrato só mesmo o Eduardo Pita e a sua muito particular noção de democracia. Ficamos a aguardar, com intensa expectativa, que nos esclareça num próximo post quais são as manifestações - se é que as há, claro - em que os manifestantes são convictos representantes da sua esclarecida vontade individual.

publicado por Pedro Sales às 14:00
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achas que há problemas sérios por resolver em Portugal? ainda não viste nada.

Armando Gama -wonderful plumage- e o rock progressivo dos Tantra nos anos 70.
Directamente de onde ninguém partiu.

publicado por Vasco Carvalho às 04:38
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008
Vergonha dos amigos?

George Bush recebeu, há dois dias, McCain na Casa Branca para prestar o seu apoio ao candidato republicano nas presidenciais norte-americanas. Curiosamente, tanto o site de McCain como o do próprio partido republicano não fazem nenhuma referência ao assunto. Quem quiser ver o relato do acontecimento tem que ir ao site do partido democrata (!), que colocou um vídeo da conferência de imprensa, como "serviço público", para que os americanos possam ver Bush garantir que o candidato republicano vai seguir a sua desastrosa política económica e no Iraque. Com amigos destes!
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publicado por Pedro Sales às 17:12
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Mais papistas que o Papa

Mais do que um sinal da claustrofobia democrática e do autoritarismo do Governo, episódios lamentáveis como os que ontem se passaram com a visita da polícia a algumas escolas na véspera da manifestação, ou o da directora de uma escola de Leiria que considera normal que as criticas à política educativa interfiram na avaliação dos docentes, provam como o que não falta por aí são zelosos funcionários dispostos a serem mais papista do que o Papa. É claro que a anormal sucessão de casos semelhantes tem muito a ver com o clima proporcionado pelo Governo, legitimando ou fechando os olhos a este tipo de atitudes, mas esta indiferença generalizada com as liberdades individuais é bem mais grave que o autismo de um Governo fechado sobre si próprio. Melhor ou pior, este combate-se politicamente, já a primeira parece estar entranhada nas consciências de quem executa acriticamente a burocracia sem pensar nas consequências cívicas do frete.


publicado por Pedro Sales às 16:02
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Imprestável

Numa prestação dificilmente qualificável, o deputado Nuno Melo tentou bloquear a presença do PCP e Bloco na comissão de fiscalização dos serviços de informação porque, no seu entender, os seus deputados colocariam em risco os segredos de Estado. Quando Fernando Rosas lhe respondeu, lembrando que Nuno Melo pertence a um partido cujo líder fotocopiou e levou consigo 61893 documentos do ministério da Defesa, o deputado do PP disse que estavam a misturar alhos com bugalhos. De facto, o que é que levar documentos classificados do ministério da Defesa tem a ver com a violação do segredo de Estado?

Mas, já que falamos de serviços de informação e segredo de Estado, talvez valha a pena lembrar que maioria dos actuais quadros políticos do PP foram formados na “escola” d´O Independente, essa referência da deontologia profissional que, a 28 de Maio de 1999, resolveu publicar uma lista com o nome de todos os agentes dos Serviços de Informações Estratégicos de Defesa e Militares. Realmente, o PP tem muito a dizer sobre a defesa do segredo de Estado e dos serviços de informação. É sobre isso e casinos, sobreiros e submarinos.

publicado por Pedro Sales às 02:02
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008
You talkin' to me?

"Exagerar no anúncio das políticas para obter melhor cobertura mediática", "nunca anunciar uma medida que não possa ser anunciada mais duas ou três vezes" e "abandonar uma política que seja mal recebida pela opinião pública". Jorge Coelho, sobre as regras comunicacionais seguidas por...Tony Blair.
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publicado por Pedro Sales às 18:32
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Pobres e mal agradecidos

Anda um primeiro-ministro a calcorrear o país para "oferecer" computadores com banda larga aos professores, para os ingratos andarem agora aos milhares na net a consultar blogues e a ver vídeos contra a política educativa do governo. Alguém lhes devia explicar que o Governo gosta pouco que lhe faltem ao respeitinho.

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publicado por Pedro Sales às 17:43
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008
Andar para trás

O Público foi o “meu” primeiro jornal. Melhor, foi o primeiro jornal que comprei com o meu dinheiro. Como o meu avô tinha sido revisor na Capital e no DN, a entrada do Público numa casa onde sempre se lera estes jornais foi entendida como uma traição. Mas o Público foi também isso. Uma ruptura geracional com um país fechado e provinciano que encontrava na maioria da imprensa um espelho fiel do seu atraso. Foi o primeiro jornal nacional a destacar temas como a ciência, tecnologia, educação ou a conceder o merecido destaque à política internacional. Todos os dias tinha um suplemento, regra geral de qualidade. O seu grafismo era irrepreensível e a redacção fazia uso disso para dar à luz capas arrojadas sobre temas como os avanços na descodificação do ADN, a descoberta de novas galáxias ou novos conhecimentos sobre o esqueleto de Lucy.

A rede de correspondentes, e os exclusivos internacionais a que tinha acesso pela sua ligação a jornais como o Independent ou o El Pais, fizeram a diferença na excelente cobertura da primeira guerra do Iraque ou do desmantelamento do mundo soviético. A sua opinião estava bastante acima da média, era plural e conflituante entre si. Foi com o Público, e com as tiras do Calvin e a crónica do Eduardo Prado Coelho, que adquiri um hábito que ainda hoje mantenho: ler os jornais a partir da contra-capa. Eram o primeiro momento na chegada à faculdade e, não raras vezes, o primeiro tema de conversa (ok, o segundo, depois dos Monty Phyton).

Só que, onde o país se foi modernizando, o Público regrediu. Vicente Jorge Silva saiu e o jornal nunca mais se encontrou com a sua (nova) identidade. A segunda guerra do Iraque marcou a segunda fase deste jornal, marcada pelo progressivo alinhamento e intervenção política do seu director. José Manuel Fernandes não é um jornalista que dirige um jornal, é um politico que está à frente de um jornal para fazer proselitismo ideológico. O que seria normal num projecto que tivesse nascido com esse código genético, causa estranheza no Público, que começou alinhado com jornais como o Guardian, Independent ou El Pais, e agora se vê refém de uma agenda liberal e/ou neoconservadora que não casa com a sua história. A disfuncionalidade foi-se acentuando e as vendas descendo e descendo. Desde que José Manuel Fernandes pegou no jornal, o Público perdeu um terço dos seus leitores.

Em parte porque a redacção foi sendo sucessivamente reduzida, os correspondentes há muito que se foram e os exclusivos idem aspas, aquele que foi o primeiro projecto editorial aberto ao mundo e de qualidade internacional foi-se resignando a ser mais um título no panorama da imprensa nacional. Como sobra muito pouco do jornal que se iniciou há precisamente 18 anos, o que fica são as campanhas políticas do seu director, visíveis em capas como a do “ataque à cidade mais tolerante de Israel” e editoriais com a “lágrima no canto do olho” pelo “25 de Abril de Bagdad” que iria levar a democracia a Riade. Ficaram excelentes jornalistas e alguns bons colunistas, é certo, mas o Público já não é o Público. Num gesto impensável em qualquer jornal de referência, e para provar a radicalidade do corte com o passado, até o traço mais inamovível de qualquer jornal – o cabeçalho - se foi.  Ficou o toque distintivo do seu director, agora decididamente coadjuvado pela sua alma mater. O que é muito pouco para quem tanto prometeu.
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publicado por Pedro Sales às 23:02
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