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Zero de Conduta

Zero de Conduta

21
Fev08

Isto ainda vai acabar mal, não vai?

Pedro Sales

O ministro dos Negócios Estrangeiros inglês reconheceu, pela primeira vez, a escala de dois voos para Guantanamo em território britânico. David Milband “lamentou muito” que negações anteriores deste tipo de voos, feitas “de boa-fé”, tivessem agora que ser corrigidas. O próprio primeiro-ministro, Gordon Brown, já reconheceu o erro e afirmou que “é uma infelicidade que nada disso fosse conhecido e é uma infelicidade que isso tivesse acontecido sem que o soubessemos. Importa agora encontrar mecanismos que garantam que uma situação destas nunca mais se voltará a repetir”.

Todo este terramoto tem lugar enquanto o Governo português se continua a opor a toda e qualquer investigação sobre o assunto, e, ao contrário do que sucede com as inquirições judiciais que estão a ter lugar em Espanha, continua sem se conhecer um único passo da investigação que o Ministério Público anunciou há mais de um ano. Isto tem tudo para dar para o torto.
21
Fev08

Perfeito, perfeito era fazerem o teste aos ingleses

Pedro Sales
21
Fev08

Português técnico

Pedro Sales

A mesma imprensa e colunistas que dedicaram dezenas de horas e páginas de jornal a discutir a entrada do Governo de José Sócrates em campanha eleitoral, discute agora o tabu da sua recandidatura sem se deter 3 segundos na contradição. Será que alguém acha que o homem está em campanha para entregar o cargo a Vitalino Canas? Sejamos sérios, o tabuzinho da recandidatura tem menos densidade intelectual que um episódio dos Morangos com Açúcar. É um "não tema", e só mereceu todo este destaque porque a entrevista de José Sócrates foi a irrelevância política da semana. Sem novidades, e sem uma justificação convincente para o que fez nos últimos 3 anos, limitou-se a debitar a matéria dada nos últimos debates no Parlamento.  Convenceu os convencidos.
20
Fev08

Não há almoços grátis

Pedro Sales

Pela primeira vez no nosso país, ficou provado e foi punido o financiamento ilegal de um partido por uma empresa. Esse facto, e a severidade das multas, torna ainda mais incompressível que não tenha existido nenhuma investigação criminal ao financiamento indirecto do PSD pela Somague. Se alguém pagou, por baixo da mesa, 233 mil euros ao partido que estava no poder é porque o fez esperando alguma contrapartida para a empresa. Qual? Era isso que importava apurar e que, pelos vistos, ninguém se deu ao trabalho de tentar descobrir.
19
Fev08

Meter água

Pedro Sales

Choveram 65 mm por metro quadrado em Lisboa. Pouco mais de metade do que aconteceu nas cheias de há 40 anos, mas mesmo assim o suficiente para lançar o caos na capital e arredores. Acessos bloqueados, ruas inundadas, falhas de luz e gás. Fiel aos velhos valores nacionais, o ministro do ambiente resolveu sacudir a água do capote. Diz que a culpa é das câmaras, e até tem razão, porque o tratamento de esgotos é uma brincadeira. Mas daí até dizer que o país não tem um problema de ordenamento do território, vai a distância que separa a desresponsabilização individual do disparate sem sentido. Será que Nunes Correia é a única pessoa que ainda não se apercebeu que a desproporção entre as chuvas e o seu efeito, começa precisamente no desordenamento territorial? Em Portugal constrói-se onde se quer e apetece. Em leito de cheia, alterando a linha de água e impermeabilizando todos os solos. Se dá para injectar betão é porque se pode construir. Depois logo se vê. Uma irresponsabilidade que está longe de ser exclusiva das autarquias, mais a mais quando é este mesmo Governo que se preparar para construir a plataforma logística bem no meio do leito de cheias do Tejo. O ministro acha que não há um problema de Ordenamento? Claro que não. E este mês tem 31 dias.

PS: Algo me diz que, na primeira vez em que apareceu como protagonista, Nunes Correia traçou o seu destino político. Das câmaras afectadas pelas cheias, a única que não lhe respondeu directamente foi a de Lisboa. António Costa, que é o número dois do PS,  tem outros canais para fazer sentir o seu descontentamento. Quando é que é a próxima remodelação?
19
Fev08

Bosta humana

Pedro Sales

"Sempre achei as praxes divertidas e pedi para ser praxada. Eles fizeram-me a vontade e diverti-me muito". Foi assim que uma funcionária da  Escola Superior Agrária de Santarém defendeu ontem, em tribunal, os sete alunos que estão a ser julgados por causa de uma praxe violenta realizada vai para seis anos. Tão divertido, diz a senhora, que até pediu para lhe fazerem o mesmo e esfregarem "estrume na cara"...

Ao contrário do que se costuma afirmar, o problema da praxe não são apenas os seus excessos violentos. É a arbitrariedade que a rege. A praxe não tem regras, e as que tem são fixadas e julgadas pelos praxistas. A arbitrariedade e a sujeição a um conjunto de regras que são imprevisíveis e que dependem da boa vontade dos veteranos é a verdadeira violência deste “ritual integrador”. A violência é só o resultado mais visível desta cultura de impunidade e poder. Um dos ex-alunos em julgamento, afirmou que é costume esfregar os alunos em bosta de vaca porque, desta forma, “os caloiros são confrontados com o seu futuro porque, no fim do curso, é nesse ambiente que vão trabalhar". A praxe como escola para as agruras da vida. Ora aí está uma ideia aterradora que levanta uma pergunta. De que vida é que a praxe serve de modelo?
18
Fev08

Uma estranha forma de fazer negócios

Pedro Sales

O JCD, numa caixa de comentários do Blasfémias, diz que não encontra nenhum problema na gestão do negócio com o Casino de Lisboa. “A Estoril Sol ofereceu 30 milhões de euros à cidade, partindo do princípio que o património imobiliário ficava do seu lado. Se é reversível, em vez de 30, estariam dispostos a dar, digamos, 10. Têm é que decidir. A reversibilidade custa dinheiro.”

Quando se candidatou à gestão do Casino de Lisboa, a Estoril Sol conhecia as regras de negócio e aceitou-as. A legislação então em vigor era bem clara, dizendo que, finda a concessão, a propriedade dos edifícios do Casino revertia para o Estado. Se a Estoril Sol considerava que essa regras não lhe eram favoráveis, não se candidatava à concessão. Se aceitou, devia cumpri-las. Mas não, preferiu tentar persuadir um simpático governante em longas e detalhadas conversas telefónicas, enviando ainda uma carta sugerindo alterações legislativas em proveito próprio. Uma modificação que, segundo a Estoril Sol, seria "totalmente imperceptível" e "insusceptível de ser relacionável com a clarificação da situação concreta" do Casino de Lisboa. Imperceptível não foi, mas aparentemente encontrou do outro lado do telefone quem lhe fizesse a vontade.

A linguagem e os métodos são elucidativos da promiscuidade existente entre a Estoril Sol e o PP. O JCD não vê nenhum problema nisso, porque ele e a maioria dos liberais nunca encontra nenhum problema em tudo o que a iniciativa privada faz ou deixa de fazer. É imperscrutável e infalível, porque são seus os amanhãs que cantam. Quando erra é porque vive espartilhada pelo socialismo constitucional em que vivemos. É fácil analisar tudo com a segurança de uma grelha estanque à realidade.
18
Fev08

Double standards

Pedro Sales
A declaração unilateral da independência do Kosovo, fomentada pelos EUA e Alemanha, é a perversa legitimação da limpeza étnica que se seguiu à entrada das forças da Nato, com a debandada de 200 mil não albaneses da região. O Kosovo não é um Estado, é um protectorado sem viabilidade económica criado com o único intuito de conter a influência russa no leste europeu. Com a particularidade de ser governado de mãos dadas com as máfias que controlam o tráfico de armas, droga e seres humanos. E agora, que a secessão étnica foi aceite como motivação independentista, e que a "independência" vai ser suportada pelos cofres europeus, com que motivo é que se pode recusar idêntico tratamento às minorias húngaras na Sérvia e Roménia, já para não falar nos bascos, irlandeses, corsos, ou nos...

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