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Zero de Conduta

Zero de Conduta

21
Jan08

Indústria do tabaco preocupada com a má imagem dos livros

Pedro Sales
Uma pequena editora britânica está a publicar, em pequenos livros de bolso com um grafismo semelhante ao dos maços de tabaco, uma selecção de contos e pequenas histórias de alguns dos principais nomes da literatura mundial. Kafka, Tolstoi, Conrad ou Stevenson, são alguns dos autores que viram algumas das suas obras "embrulhadas" neste visual distintivo. Uma verossimilhança que preocupa uma das maiores empresas tabaqueiras, a British American Tobacco, que exige a retirada imediata de circulação d´"As neves de Kilimanjaro", de Hemingway. Diz a empresa que o grafismo da obra em questão é demasiado similar à da imagem distintiva da Lucky Strike, podendo levar o público a pensar que a empresa apoiou, patrocinou ou está de alguma forma relacionada com os livros editados, uma associação "que pode diminuir a confiança na marca Lucky Srike". Compreende-se. A pessoa comprar um livro, pensando que está a comprar uma maço de tabaco, e reparar que os seus pulmões não se ressentem da compra é uma daquelas coisas que destrói a a confiança e o bom nome de uma marca. Isto há coisas...
20
Jan08

O bom

Pedro Sales
As notícias que dão conta da desumanidade das juntas médicas são manifestamente exageradas. Ontem mesmo, em carta enviada ao Público, Paulo Teixeira Pinto indica que passou “à situação de reforma em função de relatório de junta médica”. Certamente ainda mal refeito da forma como foi corrido do BCP e da Opus Dei, este banqueiro de 46 anos foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.

PS: Teixeira Pinto nega ter recebido 1o milhões de euros de "indemnização pela rescisão do contrato” com o BCP, garantindo que apenas recebeu a “remuneração total referente ao exercício de 2007”: 9.732 milhões de euros em "compensações" e "remunerações variáveis". Nada como ser preciso nestas coisas. E pedir ao Estado, através da tão vilipendiada Segurança Social, que lhe conforte as agruras da vida.
20
Jan08

o mau

Pedro Sales
Ana Maria Brandão, portadora de cervicalgia e lombalgia degenerativas que a mantêm na cama vai para mais de quatro anos, soube a semana passada que a Junta de Freguesia onde trabalha lhe vai deixar de pagar o ordenado. Depois da Caixa Geral de Aposentações lhe ter negado a reforma antecipada, os 400 euros que recebia da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães eram a única forma de sustento de uma mulher que gasta mais de 200 euros mensais em medicamentos.
20
Jan08

e o vilão

Pedro Sales
Em Novembro do ano passado, depois de ter sido instada pela Caixa Geral de Aposentações a apresentar-se ao trabalho, Ana Maria Brandão regressou à junta de freguesia, tendo cumprido o horário laboral sentada numa cadeira e encostada a uma parede, sempre acompanhada pelo pai. Nesse mesmo dia, e perante a exposição mediática do caso, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou que ela iria entrar novamente de baixa médica. Não tendo conseguido encontrar uma Junta tão compreensiva como a que avaliou o temente Paulo Teixeira Pinto, e apesar de não lhe terem mandado fazer nenhum exame, Ana Maria Brandão foi novamente considerada apta. Agora, nem recebe da Caixa Geral de Aposentações nem pela Junta de Freguesia. Deve ser a isto que se referem quando falam na perda da autoridade do Estado. Já nem uma palavrinha do ministro das Finanças livra os funcionários públicos.
19
Jan08

As regras da casa

Pedro Sales
Ontem, na Assembleia da República, Vítor Constâncio declarou que uma das suas principais preocupações é garantir a estabilidade do sistema financeiro, criando as condições para rácios de solvabilidade acima dos 8%. A frase resume o entendimento que o Governador do Banco de Portugal faz do seu cargo. Mais do que o regulador e fiscalizador do sistema financeiro, vê-se como uma espécie de bastonário dos banqueiros. Dois exemplos. O arredondamento das contas, sempre a favor dos bancos, que só terminou após intervenção legislativa, ou a contabilização dos dias do ano com critérios diferentes consoante se trate de juros a favor do banco ou do cliente. Esta originalidade nacional persiste, mesmo havendo um decreto governamental para lhe pôr cobro há vários meses, porque o Banco de Portugal continua a fechar os olhos a esta prática lesiva dos direitos dos clientes. Não se percebe portanto a estranheza com a forma como Constâncio, sabendo há vários anos do que algo de estranho se passava no BCP, nada fez para o evitar. A complacência com a arbitrariedade da banca faz parte das regras da casa. Garantir a solvabilidade, acima de tudo, como o próprio reconhece. Desta vez deu mais nas vistas, mas não vale a pena armar-se em virgem ofendida. Constâncio tem sido o rosto da condescendência perante um sistema financeiro que entende que todos os métodos são legítimos para sacar uns cêntimos, que se convertem em milhões, aos seus clientes. Até mudar os dias do ano a seu favor.
18
Jan08

Morrer de tédio

Pedro Sales
Camilo Castelo Branco costumava ridicularizar Almeida Garrett, dizendo que só mesmo no Frei Luís de Sousa é que se conseguia encontrar alguém que tivesse morrido de vergonha. De vergonha não constam muitos registos médicos, é certo, mas parece que há quem acredite que o tédio pode matar. Não há outra explicação para a prestação de Vitor Constâncio na interminável audição que ainda está a decorrer na Assembleia da República sobre o "caso BCP". O tom monocórdico, arrastado e vazio parece programado para adormecer os deputados, jornalistas e quem o está a seguir na televisão. Ou, pelo menos, os que ainda conseguem contar 2+2 depois de ouvir as suas declarações.
18
Jan08

À atenção do João César das Neves e da Patrícia Lança

Pedro Sales
Um dos principais candidatos presidenciais do partido republicano, Mike Huckabe, comparou a homossexualidade à bestialidade e o aborto à escravatura, defendendo a revisão da constituição dos EUA para que esta respeite e defenda os "mandamentos de Deus". Esqueceu-se, talvez porque ainda não tenha tido tempo para ler o João César das Neves ou a Patrícia Lança, de equiparar a homossexualidade à pedofilia. Fica para a próxima.
17
Jan08

Guantánamo é onde o Bush quiser

Pedro Sales
Os Estados Unidos da América drogaram, entre 2003 e 2007, vários imigrantes para facilitar o processo de expulsão do país. Entre as violentas substâncias utilizadas encontra-se um anti-psicótico, Haldol, utilizado no combate à esquizofrenia. Os serviços de imigração reconheceram que 56 deportados receberam remédios psicotrópicos durante um período de 7 meses, entre 2006 e 2007, apesar de não possuírem nenhum registo histórico de problemas mentais. Vários dos deportados sujeitos a esse tratamento desumano e ilegal colocaram os EUA em tribunal, tendo o assunto já chegado ao Senado dos EUA.
17
Jan08

O silêncio é a alma do negócio

Pedro Sales
Sem direcção e sem médicos, o Hospital de Faro vive dias complicados, sendo comuns as imagens de macas nos corredores com idosos desamparados. Luís Filipe Menezes entendeu ir visitar o Hospital para se inteirar da situação, mas recusou pronunciar-se sobre o que viu. "Estamos numa zona muito importante para a economia portuguesa e se der ênfase aos problemas estou a contribuir para que os que são contra o Turismo do Algarve façam campanha contra ele". Ora, bem visto. Os inimigos do Algarve são poderosos e estão à espreita de todos os deslizes. Ao pé de Menezes, e das suas teorias da conspiração, o mundo do futebol tem um discurso elaborado e intelectualmente estimulante. Desgraçados daqueles que tenham o azar de viver numa zona turística. Não há bombeiros, centro de saúde ou escolas? Azar. O maior partido da oposição está calado porque isso pode prejudicar o negócio.

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