Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
Esperto foi o Gordon Brown...

...que escapou a isto. (via 31 da Armada)

publicado por Pedro Sales às 00:16
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
Nem Intelectualismo nem Nacionalismo
Primeiro, na SIC-Notícias, entra em campo Saldanha Sanches. Que uma vez mais insiste em fazer gala do elitismo da sua concepção de cultura: diz o fiscalista que o que é importante são engenheiros e matemáticos e não futebolistas e desportistas. Depois, numa reportagem noticiosa do mesmo canal, surge em cena o jornalista Nuno Luz. Diz-nos ele que Cristiano Ronaldo ficou em terceiro na eleição para jogador do ano FIFA. Que ficou atrás de Kaká mas também - e isto é que não se esperava, diz Luz - de Lionel Messi. Até aqui tudo certo. Porém, finalizando a reportagem, Luz resolve acrescentar que o próprio seleccionador de Angola colocou Lionel Messi à frente de Cristiano Ronaldo... Enfim, é sempre bom sabermos que para alguns - como o fiscalista - a cultura é apenas e só a cultura científica e a cultura erudita, quiçá com uns toques de cultura popular do tipo cantigas alentejanas e artesanato tradicional a animarem o altar. E também é bom sabermos que o nacionalismo anda sempre à espera de apanhar a jeito um jornalista como o Nuno Luz.


publicado por José Neves às 22:17
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Se o seu marido lhe oferecer pancada, isso é Phone ix
O Governo está preocupado com a violência doméstica. Vai daí, entregou uma proposta na Assembleia da República em que pretende retirar as pulseiras electrónicas aos agressores, substituindo esta medida pela entrega de um telemóvel às vítimas. Um telemóvel? Mas, como é que o Governo espera que as mulheres se defendam com um telefone? Atirando-o à cara do agressor, ou pedindo-lhe para interromper a sessão de pancada para telefonar à polícia? As pulseiras tinham uma função. Afastar fisicamente vítimas e agressores. O telefone não resolve nada. Se a moda pega, é uma festa. Altera-se outra vez o Código Penal e transferem-se as medidas de coacção do agressor para a vítima. Depois dá-se-lhe um telefone. Quem sabe para pedir desculpas pelo incómodo.

publicado por Pedro Sales às 18:10
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O BCP. Podem começar (a amnistia fiscal) pelo BCP
DGI quer fazer protocolos com a banca em 2008. A Administração Fiscal está a planear entregar em 2008 aos privados - à banca e outras instituições financeiras, juntas de freguesia e câmaras municipais - boa parte dos serviços de cobrança de impostos, através de "novos protocolos".

publicado por Pedro Sales às 17:21
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Blair encontra os seus pequenos irmãos

Quandos os idiotas se querem fazer passar por idiotas fazem vídeos assim.
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publicado por Pedro Sales às 10:27
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A soberania que conta
Uma grande parte da oposição ao Tratado Europeu é soberanista. Mas não é de soberania que temos abdicado. É da soberania da democracia. O conjunto das decisões políticas que não são sujeitas ao contraditório democrático e ao escrutínio e ratificação popular não pára de crescer. Da economia à agricultura, das pescas à política comercial. O parlamento europeu, que é a única instância para a qual votamos, é uma antecâmara de coisa nenhuma. Nada do que ali se decide é importante, nada do que é decisivo passa por ali. Mas não se pense que é um exclusivo da euroburocracia. O próprio Tratado, cuja ratificação referendária era um consenso nacional há pouco mais de um ano, prepara-se para entrar em vigor com o voto de pouco mais de 200 portugueses. Estarmos mais perto do centro de decisão não quer dizer, necessariamente, que façamos parte dele. Lá, como cá, o que está em causa é a democracia. Que seja decidido em Lisboa, Bruxelas ou Estocolmo é-me indiferente.

publicado por Pedro Sales às 09:43
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Speechless

Pequeno filme de Woddy Allen, apoiando a greve dos argumentistas.

publicado por Pedro Sales às 23:17
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Porreiro pá, redux
Por estes dias, do Parque das Nações a Bali, parece ser suficiente juntar chefes de Estado, ministros e respectivas comitivas para que todos os encontros sejam um “sucesso muito significativo”. Foi assim que um deslumbrado ministro do ambiente resumiu uma cimeira sobre as alterações climáticas que trocou imposições concretas de redução de emissões de CO2 por uma nota de rodapé. Não foram os EUA que se juntaram ao consenso. Foi o consenso que cedeu aos EUA, numa cimeira que atirou os principais problemas para baixo do tapete e adiou as principais discussões por mais dois anos.

publicado por Pedro Sales às 17:17
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Sábado, 15 de Dezembro de 2007
Jornalismo de referência?











às vezes gostava de não ter de verificar a notícia duas vezes com a imprensa estrangeira. de vez em quando não me importava de confiar no que vem escrito. uma vez por outra gostava de ter a oportunidade de ler factos sem pensar em motivos ulteriores. para poder tirar as minhas próprias conclusões; manhosas, é certo, mas minhas. não era preciso ser sempre, só assim de vez em quando.

Jornalismo de referência? Dommage, não temos.

publicado por Vasco Carvalho às 07:43
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
O Governo adverte que fumar ajuda a consolidar as contas públicas


O preço do tabaco vai aumentar 30 cêntimos a partir do próximo ano. É o terceiro agravamento consecutivo da carga fiscal sobre o tabaco e resulta de uma das medidas extraordinárias do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para a consolidação das contas do Estado.

publicado por Pedro Sales às 23:52
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Os eufemismos dos carrascos

Os EUA não recorrem à tortura, garantiu Bush há uns meses. De lá para cá o assunto tornou-se um dos temas da campanha presidencial americana, como o Filipe já aqui chamou a atenção, sucedendo-se as evidências do recurso a métodos ilegais para extrair informação. Mas Bush lá tinha as suas razões. Os EUA não torturam porque, na nova terminologia das suas agências, nada é tortura. O Guardian fez um levantamento dos termos utilizados pelos serviços secretos dos EUA para inventarem nomes mais "suaves" para designar aquilo que toda a gente chama pelo seu nome: tortura. "Gestão do sono" é um dos melhores.

Em cima, vídeo da campanha da Amnistia Internacional contra a tortura nos EUA: Unsubscribe.

publicado por Pedro Sales às 20:43
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E queríamos agradecer à família, amigos e a todos os que tornaram possível esta distinção
O Zero de Conduta foi nomeado para melhor blogue português e melhor blogue de política e sociedade no MBP07, uma iniciativa organizada pelo 2.0 Webmania. Aos incautos que votaram em nós, os mais sinceros agradecimentos.

publicado por Pedro Sales às 20:31
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Portugal 2.0
O governo das novas oportunidades e do choque tecnológico convive mal com o nome das coisas. O Algarve passou a Allgarve e Portugal é agora a West Coast of Europe. Compreendo que, do ponto de vista da promoção do país no exterior, se queira fugir aos estereótipos associados aos povos do sul. Mas, o que fazem estes anúncios em tamanho híper a cobrir as ruas de Lisboa? Promovem o quê? E a quem? Aos incautos que, vivendo em Portugal, raramente encontram razões para se reverem numa West Coast criada para inglês ver? Não é promoção turística. É só afirmação, para consumo interno, de um país imaginário ou em construção, na versão benevolente. Que o queiram vender no exterior, tudo bem. É publicidade. Mas a mesma campanha, distribuída em profusão no nosso país, tem outro nome. Propaganda. Paga com os nossos impostos para reforçar a imagem de dinamismo e modernidade do governo.

Depois, uma dúvida. Portugal não precisa de ser só o fado, futebol e sol. Mas aquele branco gélido e o azul finlandês mais parecem as cores da promoção de um país escandinavo. Só faltam os fiordes. É muito pouco Allgarve.
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publicado por Pedro Sales às 17:28
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
E quem não salta não é português
Depois de incontáveis horas de directos televisivos, ficámos a saber o nome e os anos de serviço da guarda-freio da Carris que conduziu o eléctrico que transportou os chefes de Estado. Também nos informaram que, como é costume, Sarkozy contornou ao protocolo e que a ministra dos estrangeiros austríaca é mais alta do que Sócrates, “que até não é um homem pequeno”. Horas e horas de cobertura noticiosa sobre um tratado e conhecermos tudo à excepção do tratado. Não é de agora. Nunca houve cobertura jornalística sobre os assuntos europeus no nosso país. O que existe é a leitura acrítica das posições defendidas pelo Governo em exercício de funções, assumidas como comentário e análise jornalística. É uma visão ideia completamente disfuncional sobre os interesses do país.

O Miguel Vale de Almeida fez um curioso exercício e comparou a cobertura que a imprensa portuguesa e internacional fez da Cimeira Europa/África. O estrondoso sucesso entre portas é substituído pelas críticas à ausência de resultados práticos e ao insucesso das parcerias económicas. A União Europeia, e os temas internacionais, são analisados pela imprensa nacional com o mesmo distanciamento e espírito objectivo com que são feitos os comentários televisivos dos jogos da selecção nacional de futebol. Não deixa de ser irónico que seja precisamente num processo de integração à escala europeia que mais se faça sentir o sentimento patrioteiro comunicacional.

Compreende-se, por isso, a agressividade com que parte dos comentadores começam a reagir ao que, há bem pouco tempo, era um consenso nacional que juntava todos os partidos: a existência de um referendo para ratificar o Tratado. Como diz hoje Paulo Baldaia, num editorial no Jornal de Notícias (sem link), não pode haver referendo porque pode dar-se o caso do povo ir às "urnas cuspir na mão que lhe deu de comer" e colocar "todos os outros 26 países a marcar passo". A conclusão é lapidar. Votar "não" é colocar Portugal fora da União e fora da Europa. O volte face está consumado. Já não existe referendo ao Tratado. Existe um referendo à Europa. É a chantagem máxima, para a política mínima.
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publicado por Pedro Sales às 20:36
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Barrasshole dixit

"EU is empire".
Felizmente o centro já não impõe um diktat, só um traktat.

publicado por Vasco Carvalho às 16:27
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A normalidade segue dentro de momentos
Hoje é dia de festa. O Tratado tem o nome da capital do país. Os transportes em Lisboa são gratuitos e os museus têm as portas abertas sem cobrar bilhete. Os jornalistas, esses, meteram o dia de folga. Numa espantosa operação, os assessores de imprensa do governo tomaram conta da emissão das rádios e televisões.
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publicado por Pedro Sales às 14:30
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Raúl Santos, um homem com H grande
O deputado Raúl dos Santos é um homem atarefado. Ex-autarca em Ourique, com casa no Alentejo, foi eleito deputado pelo Porto. Consciente que estava perante um homem com H grande, Santana Lopes viu nele qualidades que o levaram a atravessar o país. A correria em que vive, sempre a viajar em trabalho para cima e para baixo, era coisa para pôr os nervos em franja a São Agostinho. Compreende-se, portanto, que quando a polícia o chamou a soprar para o balão, depois de ter abalroado as traseiras de outro carro, tenha levado a mal a imposição policial. Invocou a imunidade parlamentar, como é compreensível. Mas, num claro exemplo de que a imagem do Parlamento já conheceu melhores dias, o argumento não convenceu o zeloso agente da autoridade. Percebendo que não ia a lado nenhum, e consciente que as suas obrigações perante os eleitores estavam a ser postas em causa com minudências, fez o que qualquer homem honrado faria. Foi-se embora e deixou o polícia a falar sozinho.

Tudo está bem quando acaba bem, estarão neste momento a pensar. Não é bem assim. Então não é que o Ministério Público, qual ASAE, acusa agora o deputado laranja de "desobediência à autoridade"? Pior, não é que a Assembleia da República, num claro sintoma da degradação da responsabilização política dos seus elementos, levantou a imunidade parlamentar a um deputado tão activo? Não só não compreendem e acarinham a mensagem que este deputado quis transmitir - a de um eleito que corre para não fugir aos seus compromissos perante quem nele confiou -, como não respeitam as "questões do foro íntimo", como, muito bem, este exemplar autarca e parlamentar resumiu esta triste embrulhada em que se viu envolvido. Haja bom senso.

publicado por Pedro Sales às 16:07
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Intel inside
Já se sabe que as prendas de Natal mais desejadas são as que aparecem na televisão. Já se tornaram banais os autocolantes na caixa dos brinquedos a anunciar que é o boneco "anunciado na TV". Novidade, novidade é ver um gigante da informática, como a HP, a anunciar no seu site o computador do "saco do Expresso". Processador, programas instalados, anti-vírus? Nada disso. Se vem no saco do Expresso é porque é bom e é rápido. O marketing move-se mesmo de formas misteriosas.
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publicado por Pedro Sales às 14:35
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Debate à Esquerda 2: Que Perguntas?
A diferença entre as esquerdas não está só nas respostas diferentes que apresentam. Com efeito, as divergências começam desde logo a nível das perguntas se fazem ou que se deixam de fazer. Por isso aliás o debate à esquerda é duplamente controverso e por isso parece ser tão “trabalhoso” para todos os que nele entram. É que enquanto uns perguntam como o salário pode ganhar terreno à mais-valia, outros perguntam como o tempo sem trabalho pode ganhar terreno ao tempo de trabalho; enquanto uns perguntam como organizar um sistema universal, outros perguntam como recomunizar o público; enquanto uns perguntam como pode o Estado ganhar terreno ao Mercado, outros perguntam como ganhar terreno ao Mercado e ao Estado.
Mas há mais. É que para além das diferentes repostas que damos e das diferentes perguntas que fazemos, temos também modos diferentes de relacionar pergunta e resposta... se virmos bem, no debate à esquerda uma das principais divergências diz respeito ao modo de se articular pergunta e resposta. Enquanto a uns só interessa fazer as perguntas para às quais têm resposta, a outros só interessa fazer perguntas para as quais ainda não têm resposta. Enquanto para uns fazer perguntas é fazer perguntas para que se tem resposta e resulta um simples delírio fazer-se perguntas para que não se tem resposta, para outros fazer perguntas para que se tem resposta é dar respostas e não fazer perguntas. Isto não significa que estes últimos – nos quais me incluo, como já terá dado para perceber – se dêem por satisfeitos com o facto de fazerem perguntas para as quais não têm respostas. Significa, isso sim, que apostam na ideia de fazer as perguntas cujas respostas querem encontrar mesmo que não tenham a garantia de o conseguir.
Tratar-se-á aqui de uma simples questão de querença? Na verdade trata-se de uma querença que é indissociável da convicção de que é possível encontrar tais respostas. Quais são as condições que definem esta possibilidade? A primeira condição é entendermos que qualquer idealismo declarado tem consistência material – é imagem e é pedra – e que essa consistência material se pronuncia a montante e a jusante da própria declaração idealista. A título de exemplo, diríamos que quando Marx e Engels declararam que o espectro do comunismo pairava sobre a Europa, havia então um contexto material a facilitar a germinação de um tal “delírio” (Engels escreveria mais tarde, abusando da sorte, que o grau de industrialização de um país se poderia medir pelo número de exemplares vendidos do Manifesto Comunista); e diríamos também que, depois de uma tal declaração, passaram a existir novos contextos materiais.
A segunda condição é a certeza de que “realismo político” não é algo indiferente ao lugar de onde o calculamos, se “a partir de cima” ou se “a partir de baixo”. A este propósito, é sempre sugestivo o episódio proposto pelo historiador José Mattoso. Algures entre finais do século XIX e inícios do século XX, um rei português passeia com o seu iate, encontra uns pescadores numa pequena embarcação que deambula ao longo da costa atlântica e, quando lhes pergunta se são portugueses, recebe como resposta qualquer coisa como isto: “não senhor, nós somos da Póvoa do Varzim”.
A terceira condição de construção de respostas políticas que inexistem e que são imprevistas no momento em que fazemos uma pergunta, e esta é a condição mais importante na medida em que supera os próprios termos em que definimos a primeira e a segunda condição, é o princípio de seguirmos um modo comunista – do comum – de produção política de perguntas e de respostas.
Mas isto fica para um próximo post, que por ora já se faz tarde.

publicado por José Neves às 03:03
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
o maravilhoso mundo de matriz cristã (II)
Protect our troops - from the womb to the war. What if the fetus you were going to abort would grow up to be a soldier bringing democracy to a godless dictatorship?

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publicado por Filipe Calvão às 19:53
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A taxa que não saiu do saco (II)
Para alem das críticas aos zigue-zagues do governo, levantou-se um sem número de vozes contra uma hipotética taxa ecológica sobre os sacos de plástico. A maioria dos reparos centrou-se na oposição ao que consideram a dupla tributação de um novo imposto. Como resume Mário Ramires, subdirector do Sol, é uma nova taxa para prejudicar ainda mais “milhões de endividados consumidores”. Esta linha de argumentação prova até que ponto, num país com uma carga fiscal a léguas da europeia e inferior mesmo à da OCDE, fez caminho o discurso liberal sobre a “tirania fiscal”.

E, afinal, estava-se apenas a falar de alargar ao resto do país o que o Pingo Doce já tem vindo a fazer. Nesta cadeia de distribuição, os sacos biodegradáveis convencionais custam 2 cêntimos e os reutilizáveis ficam por 20 cêntimos. São sacos de alta qualidade e resistência que, quando danificados, são trocados sem encargos para o consumidor. Imaginemos que alguém tem necessidade de comprar 5 sacos destes. Estamos a falar de um euro. Para o resto da vida. Só por despautério se pode dizer que se está a criar um novo expediente para ir ao bolso de “milhões de endividados consumidores”. Só existe taxa se os hábitos de uso e abuso de um bem que está longe de ser essencial permanecerem inalterados. Sucede que, como nos indicam as experiências internacionais e o exemplo do Pingo Doce, o efeito destas medidas tem sido imediato diminuindo o consumo de plástico entre os 50 e 90 por cento.

Como já aqui se disse, os sacos não são gratuitos. Têm custos ambientais que se fazem sentir muito para além do seu preço de custo nominal. Uma taxa destas tem como função fazer com que os consumidores - de um bem para o qual existem alternativasl - internalizem esses custos. Bem sei que os produtores já pagam uma taxa sobre os sacos à Sociedade Ponto Verde. Só que, não sendo percepcionada como tal pelo utilizador final, os seus efeitos na diminuição do consumo são negligenciáveis. em todo o caso, compreende-se que o subdirector do Sol não goste da ideia de taxar os sacos de plástico. Afinal, trabalha com o arquitecto que teve a ideia, única e peregrina em toda a Europa, de esconder as notícias dentro de um saco de plástico.

PS: Já existe uma petição sobre este tema, iniciada pela Rosa Pomar, pedindo "ao governo que não recue na sua intenção de introduzir uma taxa ecológica sobre os sacos de plástico".
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publicado por Pedro Sales às 16:30
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Olha para mim a mandar uma granda tanga a todos vós (II)
Esteve quase para não acontecer. O homem conteve-se quase até ao fim. Mas, já passava da 1 da manhã, quando Sérgio Sousa Pinto se virou para Pacheco Pereira e Miguel Portas acusando-os de, sendo contra a ratificação do Tratado de Lisboa, serem a favor do isolamento de Portugal e da saída da União Europeia. "É disso que se trata", rematou. Aqui chegados, estamos no nível zero da seriedade intelectual, assistindo, com uma clareza cristalina à chantagem argumentativa usada vezes sem conta por Bruxelas e as suas elites sobre todos os que se atrevem a ter outras ideias sobre o processo de construção europeia. De "impasse institucional" em "impasse institucional", só há um caminho, dizem-nos. Não admite desvios e tolera mal as interrupções. É inelutável, inquestionável. Depois do chumbo do Tratado Constitucional, lá temos o mesmo conteúdo, redigido de forma esdrúxula, para evitar nova consulta popular.

Como explica lapidarmente Martins da Cruz, para justificar a sua oposição a um referendo do qual foi dos primeiros defensores, o que a França e Holanda nos vieram provar é que isto dos referendos sabe-se como é que começa mas nunca se imagina como é que pode acabar. É esse o problema. A intelegentsia europeia só tolera um resultado. O "Sim" ,e nada menos do que isso. Quem questiona, como, por azar, aconteceu no Prós e Contras de ontem, é porque quer ver Portugal fora da União. É como diz o Zé Neves aqui em baixo. "Por ora basta dizer que isto é tudo uma granda tanga".

publicado por Pedro Sales às 10:45
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o maravilhoso mundo de matriz cristã

Provando que a "war on christmas" não está perdida, o mini-jesus articulado está a esgotar nos Walmart e Target dos EUA. Depois de alguns anos em venda directa - estilo Avon mas desde o púlpito- a One2Believe e a BlessedToys decidiram passar à ofensiva nas grandes superfícies com o repto pacifista de matriz cristã: the battle for the toy box, which side are you on?


publicado por Vasco Carvalho às 03:38
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Debate à Esquerda 1: Forma é conteúdo.
Apesar de ânimos exaltados e de promessas de divórcio, continuo a achar que o debate blogoesférico à esquerda tem pernas para andar. A partir da leitura do que até aqui foi escrito (aqui, ali, ali, ali, ali, ali, ali e mais não sei onde), gostava de assentar, ao longo dos próximos dias, três ou quatro ideias. A primeira ideia é muito simples e é esta: o debate à esquerda é um debate sobre conteúdos e um debate sobre formas: o como se diz importa tanto quanto aquilo que se quer dizer. E importa não por “polidez” mas sim porque quem não ambiciona atingir a autoridade religiosa de uma verdade canónica – e creio que ninguém neste debate o deverá ambicionar – não diz que fulano se “converteu”. Quem não tem respeito pela nobre autoridade da honradez militarista não diz que sicrano se “rendeu”. Quem não se dá bem com a autoridade política do dogmatismo doutrinário não diz que as posições de beltrano se “desviam”. Quem não gosta da autoridade biologicizante dos purismos genéticos não diz que as leituras daquele estão “contaminadas”. Quem não aceita a autoridade científica que faz da história uma cadeia de mecanismos não diz que o partido tomado por aqueloutro conduz “objectivamente” a isto ou aquilo. Quem não quer usufruir da autoridade do paternalista não diz que há ideias "ingénuas" e que alguém pensa assim ou assado porque tem menos de 30 anos de idade. Quem não precisa de autoridade psiquiátrica não diz que o outro está “desligado da realidade”.

publicado por José Neves às 01:03
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Olha para mim a mandar uma granda tanga a todos vós
Contra a necessidade de um referendo, Sérgio Sousa Pinto disse há pouco na tv que "é o parlamento que define a democracia". O parlamento, note-se, é aquela assembleia cuja maior representação partidária assinou um contrato eleitoral com os ignaros eleitores no qual estava escrito que um futuro tratado seria referendado pelos ignaros eleitores. Eu pessoalmente nem me importo que me aldrabem assim, sem mais, à grande e à francesa. (Para dizer a verdade, isso sempre me poupava o trabalho de estar a pensar se votaria SIM se votaria NÃO). O que me preocupa mesmo é que com "representantes democratas" à altura do Sérgio, qualquer aspiração a um debate crítico mais aprofundado sobre a ideia de democracia representativa cai logo por terra. Por ora basta dizer que isto é tudo uma granda tanga.

publicado por José Neves às 00:30
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
mão suja, pena sabuja
Uma Europa com um líder que não foi eleito e uma constituição imposta sem votos usou a sua agenda democratizadora como cortina de fumo. Os soundbytes de Kadhafi e Mugabe -sempre à procura de um palco - fizeram o resto e proporcionaram a jornalistas, bloggers e activistas uma cobertura fácil da cimeira.

Neo-colonialismo versus dívidas do colonialismo, democratas versus ditadores, esqueletos no armário versus realpolitik. Histórias de fácil digestão que asseguraram, de uma maneira ou outra, a mensagem oficial de Lisboa: os direitos humanos no centro da nova parceria, abria o Público de ontem (p.2, sem link), assegurando que "Sócrates vence aposta da Presidência Portuguesa". Happy ending portanto apesar de todas as nuvens negras no horizonte do grande timoneiro. Ou não?

Tal como boa parte da imprensa mundial (basta googlar) e Ricardo Paes Mamede (aqui) e Pedro Sales (mesmo aqui) notam, em jogo nesta cimeira estavam os Acordos de Parceria Económica - leia-se, a liberalização de comércio e investimento entre os dois continentes - que vem substituir os acordos de Lomé e Cotonou. A sacrossanta governância foi apenas uma cortina de fumo que serviu para esconder o objectivo económico falhado.

E falhou devido à postura arrogante da Comissão Europeia. Falhou quando Peter Mandelson - outro grande democrata não eleito - ameaçou os países africanos com a subida unilateral de tarifas por parte da UE, falhou quando Barrasshole repetiu a mesma ameaça este fim de semana e já tinha falhado quando outro grande-democrata-comissário-não-eleito, Louis Michel teve de avisar:

"In the words of the EU's development commissioner, Louis Michel, Europeans must now clearly understand that Africa is no longer Europe's private hunting ground. " (aqui para BBC).

Da perspectiva de Bruxelas, a cimeira esteve sob o espectro da ameaça Chinesa na sua zona de caça, mas nenhum jornalista pareceu ter presente que seria importante entrevistar o observador Chinês na conferência. Ficaram-se pelo aplauso aos direitos humanos estarem no centro: não se sabe bem no centro do quê, mas no centro de qualquer das maneiras. E nem aí notaram a contradição de a Líbia ter assinado um acordo com a Secil - com o aceno mafioso de Kadhafi e do Governo Português- quando a tinta ainda não tinha secado nos dignos acordos de Lisboa.

Nada mudou no velho continente: a superioridade moral, a mão suja e a pena sabuja.



publicado por Vasco Carvalho às 22:39
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Importa-se de repetir?
O vice-presidente da Câmara de Gaia e presidente da distrital do PSD/Porto, Marco António Costa, responsabilizou hoje o governo pelo assassínio de mais um segurança da noite, considerando que se está a "reeditar a Chicago dos anos 30". Curioso. É que a Chigaco dos anos 30 só foi possível com a eleição de um mayor fantoche de Al Capone e com o seu apoio e envolvimento nos esquemas de corrupção. Desculpem lá, mas o que é que Marco António Costa está a querer dizer?

publicado por Pedro Sales às 19:58
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Foi um sucesso pá, não foi?
A mensagem vem repetida, a uma só voz, em toda a imprensa portuguesa. A cimeira Europa-África foi um sucesso alterando o paradigma das relações entre os dois continentes. Doravante partilhamos a “mesma agenda”. Que sentido tem isto? Como é que o continente onde se encontra a maioria dos países mais miseráveis do mundo pode ter a mesma agenda do bloco comercial mais poderoso do planeta? Qual é a agenda comum entre um operário qualificado alemão e um trabalhador agrícola moçambicano, que passa quase toda a sua a vida sem sair do latifúndio onde trabalha? E entre a economia francesa e do Chade. A "mesma agenda" não passa de um eufemismo para a liberalização e desregulação dos mercados. Foi esse o caminho para o desenvolvimento que a Europa propôs a África. Não deixa de ser irónico que os líderes de um gigante agrícola altamente subsidiado, fechado e regulado se dirijam, paternalistamente, para os países pobres ou em vias de desenvolvimento e exijam a abertura total e desregulação do seu mercado como condição para o seu interesse. O que é bom para nós nos desenvolvermos e tornarmos ricos não serve para vocês. Nós temos a receita. É o liberalismo assimétrico no seu esplendor

Que tenha sido um dos poucos líderes decentes a bater com a porta, o presidente do Senegal, ou a principal potência industrial, a África do Sul, a dizer que os acordos de parceria economia não servem é sintomático. Parece que alguns ditadores provocam dores de cabeça a Gordon Brown e demais líderes europeus. Passam a vida a falar de bom governo e governança enquanto as empresas europeias florescem com acordos leoninos assinados às claras com as piores tiranias. Mas, como sempre, as dores de cabeça e os embaraços que contam ainda têm lugar com a autonomia que só a democracia permite.

publicado por Pedro Sales às 14:27
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Bem vistas as coisas, a pobreza (já) é o seu negócio
Mesmo longe da cimeira Europa-África, Gordon Brown quis provar que também é homem para ter as suas preocupações humanitárias, apresentando um plano para conquistar 20 grandes multinacionais para apoiar os países mais pobres no seu esforço de desenvolvimento. Para começar, Brown diz estar já em negociações com empresas como a Vodafone, Google ou Wall-Mart. Sim, leram bem, a Wall-Mart. Aparentemente o primeiro-ministro britânico quer-nos fazer acreditar na responsabilidade social de uma empresa cujas práticas comerciais e laborais deram origem à inédita situação de ter a sua entrada em Inglewood - subúrbio de Los Angeles onde jogam os Lakers - vetada num referendo pela população local . Os argumentos? A destruição do pequeno comércio e a degradação dos salários da região. Como se vê, um currículo exemplar para apoiar os mais pobres dos pobres. Afinal, poucos se podem orgulhar de ter um tão vasto trabalho com a pobreza. Da sua expansão, pelo menos.

publicado por Pedro Sales às 06:24
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007
História do Futebol na URSS
Peço desculpa por este tempo de antena mas a emissão segue já dentro de momentos. Quero apenas anunciar que na próxima quinta-feira, dia 13 de Dezembro, decorrerá no ISCTE, em Lisboa, uma conferência do Professor James Riordan, um dos mais reputados historiadores do desporto, autor de várias obras sobre a história do desporto nos regimes comunistas e na história do movimento operário. James Riordan foi além do mais um efémero jogador de futebol do Spartak de Moscovo... Aliás, a conferência da próxima 5ª feira, organizada pelo CEHCP-ISCTE, tem como tema "A História do Futebol na URSS". Às 17h30 no Auditório B203 do Edifício II do ISCTE, ali para os lados de Entrecampos-CidadeUniversitária.

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publicado por José Neves às 23:29
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