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Zero de Conduta

Zero de Conduta

25
Nov07

Economia espiritual? É no Bombarral

Vasco Carvalho

Meditação pela paz Mundial, no Bombarral, "liderada pelo reputado economista e activista espiritual, Alfredo Sfeir-Younis", Oeste-TV. Ver também a entrevista da Oeste-TV ao economista espiritual, aqui.

Um evento new age no Bombarral? Estranho, mas possível. O maior "parque oriental" da Europa? OK, um bocado forçado, mas porque não? Um movimento mundial pela paz, com meditações semelhantes em Washington, D.C. liderado pelo mesmo Dr. Alfred Younis e pelo seu "Zam
buling Institute For Human Transformation", com escritório em Lisboa e base no Bombarral? Já é exagero, não?

Não, nem por isso. A coisa fica mais estranha a cada busca no Google. Ora atentem:


Alfred Sfeir-Younis (ou aqui), reputado economista chileno, filho de distintas famílias libanesas, quadro de topo no Banco Mundial de James Wolfensohn, de nome espiritual Cho Tab Khen Zambuling e alto padre Maia, encontrou o seu retiro no Bombarral.

Há uns anos, Don Alfredo, "o Embelezador", estava nas ruas de Seattle, a vigiar os movimentos de protesto e a tomar nota das reivindicações feitas pelos manifestantes para informar os seus colegas de direcção do Banco Mundial (aqui). Hoje está em Portugal, a avançar a causa da economia espiritual.

Meditemos no assunto porque isto não é normal. Nem no Bombarral.

24
Nov07

O telelixo pode matar

Pedro Sales

Svetlana é a mais recente vítima da violência doméstica em Espanha. Tendo aceite participar numa espécie de Fiel ou Infiel (o Diário de Patrícia, no canal Antena3), julgava que ia encontrar um desconhecido em directo. O que esta jovem russa não sabia, porque a produção nunca lhe disse, foi que quem iria encontrar no programa para a pedir em casamento era o seu ex-noivo. O mesmo que já tinha denunciado às autoridades pelos maus-tratos que lhe infligia e que, por isso mesmo, tinha cumprido 11 meses de pena de prisão. Depois de ter recusado o pedido de casamento, em directo, foi assassinada pelo seu ex-noivo.

O assunto está a agitar Espanha, onde uma recente sentença judicial reduziu a pena de um agressor que apunhalou a mulher depois deste ter alegado que se tinha sentido humilhado ao ver a mulher no mesmo programa. Em resposta às crescentes pressões para a regulação destes reality shows, os outros canais televisivos já disseram estar do lado da Antena 3, mostrando que serão sempre incapazes de se autoregular e parar enquanto sentirem que a morbidez e o apetite pelo “caso da vida” pode valer umas décimas de audiência extra. As pessoas vão porque querem, dizem os defensores do programa. Certo. Mas uma coisa é pensar ser surpreendida por um desconhecido num estúdio de televisão. Outra, bem diferente, é encontrar a pessoa que a agredia sistematicamente e que já cumprido pena por isso.

Será sempre possível encontrar alguém disposto a humilhar-se, e a expor a sua intimidade perante milhões de pessoas, porque é a única forma de aceder ao panteão dos “famosos”. Mas isso não basta. As televisões precisam que a surpresa seja real. Que exista fúria e decepção, sem pensar que o despeito e a humilhação pode ter consequências imprevisíveis. A escalada do telelixo é assim. O espectador não exige só cumplicidade e viver uma vida de substituição. Quer adrenalina e emoções novas e a produção destes programas manipula e mente até onde for necessário para dar o que o público quer e exige. Pouco importa que, terminado o programa, existam duas pessoas que têm que viver a sua vida. O que acontece depois de desligadas as luzes do estúdio não dá audiências. Se alguma coisa acontecer é só mais um "caso da vida", onde, com toda a certeza, ainda vai a câmara da noticiário do mesmo canal registar a comoção para encher o noticiário da noite.

A violência doméstica é um dos principais temas em Espanha. Só este ano, já foram assassinadas 69 mulheres pelos seus maridos ou companheiros. Mas, se em Espanha o assunto é discutido e merece ampla cobertura mediática, o que dizer do nosso país onde, com uma população quatro vezes menor, só no ano passado foram mortas 39 mulheres. Os portugueses só acreditam que Portugal é um país de brandos costumes porque não discutem e não questionam os seus costumes.
23
Nov07

Vamos ajudar o Pacheco

Pedro Sales
Foi nos últimos minutos do dia, é certo, mas nem por isso estamos menos empenhados no dia de Acção Global pelo Abrupto do que o madrugador Daniel Oliveira. Saber que há falsos blogues pornográficos que falseiam os rankings da blogosfera só para ficarem à frente do Pacheco Pereira é daquelas coisa que indispõe qualquer um. Apesar do orgulho com que linkamos para o rei da bloga lusa, há uma coisa que não compreendemos e que, esperamos, não passe de um lamentável mal entendido. Já lá vai quase uma semana e Pacheco Pereira ainda não nos indicou os endereços dos falsos blogues pornográficos. Bem vistas as coisas, a única coisa que ainda nos leva ao Abrupto.
23
Nov07

Atenção...

Pedro Sales
...Manuel Alegre pede a palavra para fazer uma declaração no encerramento do Orçamento de Estado. Silêncio nas bancadas. O deputado levanta-se. Será que vai fazer uma declaração contra a "privatização encapotada" das Estradas de Portugal? Será que se vai abster? Não é à toa que se tem 1 milhão de votos. Ao Alegre ninguém cala. Agora é que o Sócrates vai ver. Vá Alegre, diz-lhe como é que as coisas são. Diz-lhes que...está frio no Parlamento.

23
Nov07

Matámos os heróis, tudo bem. Mas e os líderes, deixamo-los andar por aí?

José Neves
Caro Daniel, creio que estamos de acordo em relação a Chavez e à Venezuela. Pelo menos mais de acordo do que estávamos antes desta conversa se iniciar. Deve ser da dialéctica, como tu dizes.

A minha crítica às tuas posições tinha origem aqui: achava eu que essas posições se estavam a embaraçar nos mil e um debates por regra desenvolvidos em torno da figura de Chavez e que, assim, deixavas para segundas núpcias o debate sobre as transformações em curso na Venezuela. Do meu ponto de vista, tal não só tornava a tua posição susceptível de convergir com a crítica da direita a Chavez, como também tornava a tua própria posição “crente” na propaganda chavista que tende a resumir na figura de Chavez os processos revolucionários em curso na Venezuela.
(Reconheçamos no entanto, com ironia se preciso for, que este auto-culto chavista teve o condão de, no momento do golpe de estado, criar a ilusão junto da direita golpista venezuelana e dos ministérios dos negócios estrangeiros espanhol e norte-americano – e português? – de que lhes bastaria colocar Chavez atrás das grades de uma prisão para que o regime fosse à vida…)

Não creio, no entanto, que o problema do excesso de liderança de Chavez seja um problema que devamos restringir a Chavez. Explico-te sucintamente – e portanto simplisticamente – as razões pelas quais essa restrição de alguma forma me embaraça:

Tomo Chavez como uma dupla figura de liderança. A um tempo, líder de um movimento revolucionário; a um tempo, líder de Estado.

Comecemos pelo Estado. Enquanto líder de Estado, o que me afasta de Chavez é o mesmo que me afasta de qualquer outro líder de Estado, de Bill Clinton a George Bush passando por José Sócrates. Isto é, o que me afasta de Chavez enquanto líder de Estado é a própria figura de líder de Estado. Este afastamento tem que ver com o facto de eu não desejar a democracia representativa como “última etapa” da vida política em sociedade e nisto provavelmente diferimos. Embora o tipo de líderes que temos não me seja indiferente, para mim a “corrupção” não reside no facto de termos líderes populistas, carismáticos ou corruptos; a corrupção da democracia, para mim, reside no facto de termos líderes.
Esta diferente perspectivação tem implicações políticas concretas. Por exemplo: contrariamente ao que o BE fez nas autárquicas, eu não daria tanta importância, numa campanha eleitoral autárquica, à crítica dos “corruptos” de Gondomar, Felgueiras e Oeiras; eu sim daria mais importância à promoção de ideias como o orçamento participativo ou outras poetices do género.

(Sei que isto – a recusa da democracia representativa como necessidade democrática – parece muito infantil e muito pouco realista, muito aventureirista e muito irresponsável, muito perigoso e muito ingénuo. Mas te digo que não só vi, ainda há poucos dias, em plena estação de metro, um pastor de uma seita religiosa muito moderna pregar semelhantes balelas, como também te confesso que me dou à ousadia de achar que no actual estado da luta – e que vivam os “homens da luta”! – é muito difícil alguém achar-se superiormente maduro, realista, sensato e responsável. No actual estado das esquerdas europeias, julgo que ninguém tem “lata” para se armar em mais “consequente” do que outrem e, com sorte e com mais uns fracassos políticos estrondosos pelo caminho, daqui a uns poucos anitos já ninguém à esquerda começará uma frase com aquele insuportável advérbio de modo que desde logo considera o interlocutor o mais inapto dos seres políticos: Objectivamente, blá,blá,blá…)

Passemos ao Movimento e por aqui fiquemos que se faz tarde. Enquanto líder de um movimento revolucionário, o que me afasta de Chavez é o mesmo que me afasta de qualquer outro líder de movimento revolucionário. Não me interessa, na verdade, qualquer alternativa que se construa simetricamente à dominância.
Não exigo, por certo, que a alternativa seja absolutamente assimétrica e estou certo que não existe tal coisa como este "absolutamente"; mas, e para concretizar novamente com um exemplo bem perto de nós, confesso que me revejo muito mais no BE enquanto alternativa na medida em que o BE seja um partido que tem mais do que um simples rosto a “dar a cara”. (E não é que o FL - quem muito admiro - não tenha uma cara laroca, que a tem).
22
Nov07

Lost in translation

Pedro Sales
As autoridades tributárias britânicas perderam os dados fiscais e bancários de 25 milhões de contribuintes, metade da população da ilha. Tudo porque os serviços responsáveis pela atribuição dos abonos familiares enviaram dois discos - com os nomes dos beneficiários, morada, historial bancário e fiscal – através do serviço expresso de entregas de uma empresa privada. Na origem desta inacreditável falha de segurança dos dados pessoais dos cidadãos, segundo os documentos revelados pelo Guardian, estão os cortes orçamentais que obrigaram o serviço a remover as medidas de segurança destinadas a proteger a informação. A obsessão com o défice no seu esplendor.

O país, entretanto, está em estado de choque e milhares de pessoas invadem as agências bancárias para alterar o pin das contas. Num país cujos cidadãos são ciosos, como poucos, dos seus direitos e liberdades individuais, não deixa de ser sintomático que o governo que mais fez para as limitar se arrisque a penar os seus últimos dias crucificado pela forma desleixada e irresponsável como concentra e trata as informações fiscais e bancárias dos seus contribuintes.

Mas este caso - limite, é certo - é também revelador sobre os perigos associados à crescente massa de dados e informações pessoais à disposição dos estados modernos. Já aqui critiquei, por várias vezes, as recentes alterações legislativas realizadas pelo governo socialista e que permitem a criação de uma base de dados de ADN ou a videovigilância nos táxis. Esta última medida é sintomática, permitindo a gravação, armazenamento e tratamento de dados a uma empresa privada que ainda ninguém faz ideia qual seja. Num país em que a protecção dos dados individuais fosse levada a sério isto era um assunto politico de primeira importância. Mas estamos em Portugal, onde a privacidade e segurança dos dados pessoais são encarados como uma coisa que só tem importa no guião de alguns filmes de Hollywood.
22
Nov07

Conversa de café

Pedro Sales
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anunciou, há menos de uma semana, que existem grandes empresas da construção civil que fogem sistematicamente ao fisco. Hoje, no encerramento do debate sobre o Orçamento de Estado, acaba de dizer que há vários contribuintes que pagam pensões de alimentos superiores ao que declaram receber. Acredito que o cidadão Amaral Tomaz ache engraçado contar em público os mirabolantes expedientes utilizados na evasão fiscal. Só que Amaral Tomaz é o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e era suposto que, para além das graçolas, fizesse alguma coisa para pôr um ponto final nas situações que vai contando com um sorriso maroto. Isto se não for pedir muito, claro.

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