Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Zero de Conduta

Zero de Conduta

28
Set07

Falar para o boneco

Pedro Sales
Depois de uma acutilante, e certeira, intervenção do deputado Paulo Rangel sobre os perigos da instrumentalização política da base de dados com os perfis de ADN, o PSD votou favoravelmente a proposta do Governo. O tacticismo mais despudorado parece ter tomado deste partido. Ainda há poucos dias, Marques Guedes desdobrava-se em elogios ao veto presidencial sobre a proposta de responsabilidade civil extra-contratual do Estado, um diploma que contou com o voto favorável da sua bancada parlamentar. Doravante, quando um deputado do PSD se levantar para falar, ficamos sem saber se a coisa é para levar a sério ou se é só para aparecer um boneco nos jornais e nas televisões a fingir que estão a fazer oposição ao governo.
28
Set07

Serviço público

Pedro Sales
O Guardian tem vindo a republicar algumas das mais importantes entrevistas feitas pelo jornal durante o século XX, como as que fizeram a Nixon, Hitler, Francis Bacon, ou Marlon Brando por Truman Capote. Sobre esse extraordinário momento jornalístico, aliás, vale a pena ler o artigo de Andrew O´Hagan: Interviewing is not a democratic art. It is neither a display of equal merits nor a test of good character: it is, as Capote says, an art, as well as a one-sided record of a human interaction, one in which the author may appear only as it suits the story and vanish without guilt.
27
Set07

Not so fast

Pedro Sales
O Francisco Almeida Leite defende que, perante a crise de legitimidade resultante das eleições do PSD, a solução é “fechar aquilo e depois abrir de novo, com novas ideias, outras gentes e um programa mais ambicioso”. Como aconteceu em França, onde o RPR se "reconverteu e transfigurou" na UMP de Nicolas Sarkozy. A ideia pode parecer atraente, e até nem é nova, mas esbarra num pequeno problema que me parece que o Francisco não está a considerar devidamente. O sistema político português é praticamente inamovível. Nos últimos 30 anos, apenas surgiram dois novos partidos, o PRD e o Bloco, e o primeiro foi um fogacho. Manuel Monteiro, que no PP valia eleitoralmente o dobro de Paulo Portas, está condenado a resultados abaixo do 1% no PND. Já que falamos no PP vale a pena ver como, depois de prometer uma nova agenda e uma revisão programática, o partido continua dependente das velhas bandeiras de sempre: a segurança e a autoridade.

Ou muito me engano, ou ninguém vai sair do PSD para fazer um novo partido e refundar a direita. Os nomes anunciados pelo Francisco, à excepção de Rui Rio, ou não têm dimensão para liderar um partido ou estão mais interessados na sua vida profissional e empresarial. Não é por acaso. Grande parte dos “barões” do PSD já não precisa do seu partido para cumprir aquele que tem sido o seu papel histórico: agir como porta-voz dos interesses da classe empresarial e da elite económica nacional. Esse papel está, em grande parte, esgotado. O PS, com José Sócrates, invadiu o seu espaço ideológico e cumpre o seu programa. Não deixa de ser sintomático verificar que, hoje, é no espaço de iniciativas como o Compromisso Portugal e das associações empresariais que se mexe grande parte da elite laranja.

O PSD que nós vemos nesta desgraçada campanha é o PSD que existe. E não me parece que vá desaparecer para dar espaço a novos personagens, como acredita o Pedro Correia. Não há grande espaço para uma alternativa, a não ser a assumpção de um programa genuinamente liberal. Uma impossibilidade num país conservador, pobre e desigual como o nosso, como até Paulo Portas reconheceu depois de sair do governo e descobriu que "Portugal não é Chicago". O PSD vai seguir o seu caminho, entregue a actores secundários, enquanto não vislumbrar o tempo para tomar o poder (que deve demorar). O seu termo de comparação não é a refundação francesa, mas a travessia do deserto dos conservadores britânicos.
27
Set07

Admirável mundo novo(II)

Pedro Sales
Enquanto o ministro Alberto Costa anda entretido a ver se as polícias locais podem meter uma câmara de vídeo em cada esquina sem controlo judicial, a Inglaterra já nos passou a perna e anda a testar pequenas câmaras voadoras, controladas remotamente, para vigiar os mais pequenos movimentos sem serem detectadas. As forças policiais britânicas, que se encontram em negociações para adquirir o Microdone, justificam-se com a necessidade de prevenir distúrbios nos campos de futebol. Pois, sim. Visão diferente parece ter a empresa que, no vídeo publicitário, mostra as potencialidades da coisa para espiolhar as casas alheias e fazer generosos zooms sobre uma mulher a apanhar banhos de sol de bikini. Tudo em nome da luta contra o terrorismo, claro.
26
Set07

Tão doido que até dou por mim a concordar com Santana Lopes

Pedro Sales

A Sic Notícias esteve toda a tarde a anunciar a presença de Santana Lopes para comentar a crise no PSD. Poucos minutos depois do início da entrevista, interromperam a emissão para filmar a chegada de José Mourinho a Lisboa. O treinador mais famoso do mundo não falou com ninguém e desapareceu em segundos. De volta ao estúdio, depois de umas inanidades de um repórter que não tinha nada para dizer, Santana Lopes diz que não continua e que se vai embora. “Bem sei que Mourinho é mais importante que qualquer um de nós e que esta coisa da crise dos partidos e do sistema político não interessa a ninguém, mas não me parece correcto o que acabou de acontecer. Interromperam a emissão para nos informarem que Mourinho chegou num avião privado. Acho que este país está doido.” Agradeceu o convite e foi-se embora.
26
Set07

Geração à rasca

Pedro Sales
26
Set07

Admirável mundo novo

Pedro Sales
As notícias, que não param de surgir, sobre a nova Lei de Segurança Interna são cada vez mais inquietantes. Pouco me importa que o Governo diga que se trata apenas de um documento de trabalho. O mero facto de o executivo estar a discutir - e do ministro da Justiça afirmar publicamente que não vê quaisquer entraves constitucionais - o acesso à base de dados da ADN e a instalação de meios de videovigilância pela polícia sem controlo judicial, a ambiguidade sobre as escutas e a muito falada governamentalização das orientações da investigação, é matéria mais do que suficiente para deixar qualquer pessoa estarrecida com o filme que aí vem.

Já estou a ver o deputado Alberto Martins a levantar-se, indignado, com o insulto que é alguém duvidar das intenções democráticas de um partido com tão genuínos registos de luta pela liberdade e democracia. Até pode ter razão, mas a questão é que este já não é esse partido socialista. Agora, aparentemente, está entregue a uns aprendizes de feiticeiro que ficaram fascinados com o Patriot Act.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

ZERO DE CONDUTA

Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com

Arquivo

  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2007
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D