Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
no-reply@medicodefamilia.pt
Estima-se que mais de meio milhão de portugueses não tenha médico de família. O primeiro ministro anunciou hoje, na Assembleia da República, a conclusão da ligação dos centros de saúde aos hospitais, passando «progressivamente, durante o primeiro semestre do próximo ano, as consultas da especialidade a ser marcadas directamente pelo médico de família por via electrónica». Já temos o e-mail, só faltam os médicos.
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publicado por Pedro Sales às 16:04
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Uma forma original de capitalismo
Nos primeiros quatro meses de serviço, as composições do Metro Sul do Tejo transportaram, em média, três passageiros por carruagem. São 15 mil euros de prejuízo diário, avança o Diário de Notícias na sua edição de quarta-feira. Uma verba que terá que ser paga pelo Estado à concessionária privada, que já reclama uma indemnização de 68 milhões de euros pelo incumprimento dos prazos. É certo que o traçado ainda está incompleto, e ainda não chegou a Almada, mas, como dizem todos os especialistas ouvidos pela imprensa, os preços praticados são demasiado altos para demover os cidadãos de usarem o transporte privado. O Metro Sul do Tejo tem tudo para ser um desastre financeiro.

Como já tinha feito com a Ponte Vasco da Gama, e foi arrasado pelo Tribunal de Contas, o Estado volta a concessionar a prestação de um serviço com base numa expectativa negócio. Se as previsões se confirmarem os privados lucram com o dinheiro dos bilhetes; se os passageiros não aparecerem, os privados lucram com as indemnizações compensatórias pagas pelo Estado. No caso da ponte Vasco da Gama, os cofres públicos deverão pagar à Lusoponte indemnizações que deverão ser suficientes para fazer três pontes.

É uma forma original de capitalismo, sem risco e com o lucro sempre garantido. Os liberais, que peregrinam semestralmente até ao Convento do Beato para dizer mal do peso do Estado na economia, não o largam de cada vez que querem ganhar dinheiro. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

publicado por Pedro Sales às 11:10
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O planeta é redondo, ou como é dura a vida de uma apresentadora televisiva que só quer alimentar o s


publicado por Pedro Sales às 00:29
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
Abrupto macht frei
Pacheco Pereira considera que “tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia”, acrescentado que este bom homem “é acusado de incitar ao ódio racial, algo que em países genuinamente liberais não é crime nem sequer delito de opinião”.

Já aqui escrevi sobe o Código Processo Penal e a indignação sem sentido a propósito da libertação de não sei quantos presos preventivos. Mário Machado não deve ser tratado de forma distinta da que é reservada a todos os outros detidos e se excedeu o prazo máximo de prisão preventiva deve ser libertado. Mas não é isso o que faz Pacheco Pereira, misturando o que tem a obrigação de saber que não tem nada a ver com o caso, apenas para dizer que este homem é um preso político.

Em primeiro lugar não sei onde é que foi buscar a excepção nacional da criminalização do incitamento ao ódio racial. A negação do holocausto é crime na Alemanha, países como a Irlanda ou França têm legislação contra os crimes de ódio, incluindo a sua defesa. Delito de opinião, sim senhor, também dá para condenar e expulsar na liberal Inglaterra.

Depois, Pacheco Pereira tinha a obrigação de saber, e sabe, que o líder dos skinheads nacionais está longe de estar preso por “razões puramente políticas”. Foi acusado de 17 crimes, incluindo ameaça de morte. Uma advertência que é para levar a sério, atendendo a que este “preso político” já cumpriu pena pelo seu envolvimento no homicídio de Alcino Monteiro, cujo crime foi ter nascido com uma cor que Mário Machado e os seus amigos consideram impura. O ano passado, foi condenado a três anos de prisão, suspensa por um período de quatro anos, por extorsão, por dois crimes de sequestro dados como provados e pela posse ilegal de arma.

Para quem se indignou, até à medula, com a destruição de um pequeno campo de milho por um grupo de adolescentes tardios, escrevendo dezenas de posts sobre esse “atentado” ao Estado de direito, não deixa de ser curioso verificar esta abrupta conversão à causa deste “preso politico” que dá pelo nome de Mário Machado.

Mas nada disso importa a Pacheco Pereira, nem o detém na sua cruzada de equiparar os movimentos de esquerda aos energúmenos neonazis que suportam Mário Machado. Por muito condenável que seja, a destruição de um hectare de maçarocas de milho não tem nada a ver com terrorismo, da mesma forma que o caso de Mário Machado não tem nada a ver com perseguição política. Mesmo a manipulação e a má fé intelectual têm limites. Pacheco Pereira ultrapassou-os.

Vale a pena ler, os delitos de opinião de Mário Machado.

publicado por Pedro Sales às 18:41
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O dilema de Mourinho
José Mourinho abandonou o Chelsea. A primeira reacção é pensar que a Federação Portuguesa pode ter aqui a oportunidade de ouro para resolver o “caso” Scolari pela porta grande. Na semana passada, o Guardian recordava que, face às exibições e resultados da selecção inglesa, a contratação de Scolari ainda estava na agenda da federação britânica. Não deve ser esse o destino, por agora. Para quem está no primeiro plano do futebol mundial, o cargo de seleccionador representa sempre uma despromoção. É uma espécie de prémio pela carreira.

Mourinho obteve em poucos anos uma fama e reputação que Alex Ferguson, por exemplo, demorou décadas a obter. Mourinho vai querer provar que continua a ser ele o Special One. O problema é que, nos dias que correm, os clubes de topo mundial, e que gastam para cima de cem milhões de euros só em salários às suas vedetas, exigem espectáculo. Capello ganhou o título que o Real Madrid perseguia há 4 anos e foi despedido. O futebol era feio, calculista e não encantava as bancadas. Abramovich, farto de esperar pela Liga dos Campeões, começou a cobrar ao mediático treinador um futebol mais condizente no estilo com os números de zeros nos cheques dos seus jogadores. Vencer não chega, é preciso encantar a multidão global. John Terry bem pode ser um defesa quase intransponível e Lampard um dos melhores centro campistas da sua geração, mas não vendem um décimo das camisolas de jogadores como Ronaldo, Ronaldinho e Messi. São atletas como estes, que levantam os estádios com os seus prodígios técnicos, que os jovens admiram e querem ter o nome estampado nas costas. A exigência, não tem nada a ver com a reclamação de um futebol “de esquerda”, como chamava Valdano ao futebol atacante e atraente. É o peso do dinheiro que o exige, como se queixa Platini em carta enviada aos principais responsáveis políticos europeus.

Infelizmente, para Mourinho, as suas equipas são sempre fieis à sua imagem de marca. Concentração total, um futebol competente e eficiente, mas onde as preocupações estéticas ficam de fora das conversas no balneário. Seja com uma equipa que ganhou tudo com as “vedetas” da União de Leiria e os excomungados do Benfica, ou com os multimilionários de Londres, o esquema é sempre o mesmo. A vedeta é Mourinho, sempre Mourinho, só Mourinho. Foi assim que ganhou, e é assim que sabe ganhar. Em fórmula que ganha não se mexe, estará neste momento a pensar o que é, provavelmente, o mais famoso treinador mundial. O problema, para ele, é que no futebol de hoje, essa fórmula já não chega. Não basta ganhar, é preciso vencer, convencer e facturar muitos milhões com isso. A excepção à regra é a Itália. Deverá ser esse o seu destino.

publicado por Pedro Sales às 09:56
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notícias das internetes

Como eu gosto destas coisas: a MediaDefender, uma empresa contratada por estúdios de cinema americanos para vigiar e punir a distribuição de conteúdos em circuitos P2P, foi caçada por piratas internáuticos (notícia na Wired). Esta empresa dedicava-se a lançar produtos fantasma nas redes P2P, tendo sido alvo de ataques por planear lançar um sítio falso (miivi.com, já não em linha), dedicado a apanhar quem fosse tentado a descarregar conteúdos ilegais. Aos "MediaDefender defenders", por furar o esquema de segurança dos polícias da net, protegendo-nos de quem não olha a meios para travar a pirataria ilegal, clap clap.

Por Portugal, para "media defender" basta-nos a ASAE. É tudo muito simples: se há tráfico ilegal de conteúdos, feche-se os canais por onde são distribuídos. Aqui há 2 meses, a polícia dos bons costumes internáuticos decidiu encerrar alguns dos mais populares sítios de partilha de ficheiros em Portugal (BTuga, ZeTuga e ZeMula). Os que ficaram para trás por desatenção (a mula da cooperativa, por exemplo) decidiu fechar as portas não fosse, sei lá, ter os seus computadores confiscados ou que arcar com a defesa em tribunal.

O problema não está só em atirar a "net portuguesa" para a irrelevância (ou alguém julga que quem quer descarregar conteúdos ilegais o vai deixar de fazer?). É mesmo a estupidez de se achar que toda a rede P2P é maléfica por natureza. Pois, pasme-se, a plataforma de televisão do futuro será, surpresa!, distribuída por redes P2P (como o Joost, dos criadores do skype). E por isto as notícias de que a Netcabo anda a cortar no tráfego P2P (via), eufemisticamente chamado "traffic shaping", são tão assustadoras.

Não se arranjam por aí uns Portuguese man-of-war capazes de dar umas picadelas na netcabo? Tempos houve em que os navegadores portugueses...

Aqui no ZdC já se escreveu sobre isto:
A indústria mais estúpida do mundo
Há bits e biiiiiiiiiiits

Sobre este assunto:
Save the internet
Google sobre Net neutrality
P2P na wikipedia

Apoia e divulga:
O BTugal tem uma campanha de angariação de fundos em curso para ajudar a pagar a defesa em tribunal (315 euros até agora, é pouco...).
Freetuga pela liberdade da internet em Portugal.

publicado por Filipe Calvão às 08:49
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007
A contaminação
Os referendos sobre questões europeias, pela sua complexidade, acabam invariavelmente por ser contaminados e importunados por discussões sobre questões nacionais, declarou ontem Luís Filipe Menezes, para justificar a sua oposição a um referendo sobre o Tratado Europeu. É uma posição insustentável, que inacreditavelmente tem os seus seguidores, e guiada apenas pela necessidade de se demarcar, em tudo o que mexe, das propostas e compromissos de Marques Mendes.

Actualmente, calcula-se que entre 70 a 80 por cento da legislação nacional seja a transposição, directa ou indirecta, de directivas comunitárias. A política monetária é europeia. A política agrícola está subordinada, em larga medida, a quotas e objectivos traçados em Bruxelas. Não sei como é que Menezes entende que se pode discutir a Europa sem discutir Portugal, e discutir os problemas nacionais sem discutir a Europa. O resultado é uma discussão puramente semântica e vazia de conteúdo. Reconheça-se, em todo o caso, que nesse campo Luís Filipe Menezes é um mestre. Tem sido essa a equação que lhe tem permitido manter-se há décadas no palco da politica nacional.

publicado por Pedro Sales às 09:38
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
A derradeira proposta do PSD para acabar com o serviço público de televisão
Luís Filipe Menezes exortou Marques Mendes, no final do debate mais vazio e confrangedor de que há memória recente, a aceitar um novo confronto, desta vez em canal aberto, na RTP.
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publicado por Pedro Sales às 23:47
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É preciso ter galo
Sarkozy vai passar férias aos Estados Unidos e é recebido, com pompa e circunstância, por George Bush. José Sócrates vai a Washington, em visita oficial, quando está a ocupar a presidência rotativa da União Europeia, e o mais que consegue é ver o seu interlocutor elogiar a sua forma física e o legado de Durão Barroso para o esforço de guerra norte-americano no Iraque e Afeganistão, no preciso dia em que rebenta o maior conflito entre o governo iraquiano e a administração Bush.

publicado por Pedro Sales às 17:17
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Leitura recomendada
O esquerda.net tem esta semana um dossier sobre a recente crise financeira à escala mundial. A não perder, o excelente artigo de Juan Torres López.

publicado por Pedro Sales às 17:06
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Pistoleiros
O Governo iraquiano vai expulsar do país os mercenários da Blackwater, retirando a licença à maior empresa de "segurança privada" a actuar no país. Estas empresas desempenham, desde o início, uma parte fulcral na ocupação militar do país, calculando-se que existam 30 a 50 mil mercenários a soldo das autoridades norte-americanas. De acordo com o partido democrata, quase metade do dinheiro gasto pelos EUA no esforço militar no Iraque vai para estas empresas, apesar de ninguém saber quais são as suas operações, métodos ou objectivos.

Apesar do segredo ser a alma do negócio, os constantes abusos chamaram a atenção internacional perante estes mercenários que não respondem perante os tribunais nem cumprem qualquer tipo de convenção internacional. O New York Times chama mesmo a atenção para que, de acordo com a lei em vigor, o governo iraquiano não tem capacidade para julgar os crimes cometidos por estes mercenários no seu país.

Ficam aqui dois vídeos sobre o modus operandi destas empresas. O primeiro, que originou uma investigação das autoridades dos EUA, revela a forma muito peculiar como estes senhores se divertem nos tempos livres. O segundo é uma reportagem da Nation sobre a Blackwater.



Ontem, George Bush agradeceu o apoio português nas intervenções militares no Iraque e Afeganistão.

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publicado por Pedro Sales às 13:50
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Por mail, até eu conseguia explicar que este senhor é competente
Ontem, no Prós e Contras, um ex-secretário de Estado da Educação do PSD debitou os chavões liberais do costume sobre a ineficácia da máquina administrativa do Estado e a necessidade de encontrar novos actores que retirem protagonismo ao ME, como os empresários e as famílias. Interpelado pela ministra para dar exemplos sobre a ineficácia organizacional do Estado, garantiu que é um dado objectivo secundado por vários estudos científicos. “Quais”?, perguntou Maria Lurdes Rodrigues. Depois de um longo silêncio, o melhor que consegiu inventar foi dizer que “posso enviar-lhos depois por e-mail”.

O problema é que, como José Portocarrero Canavarro reconheceu, este senhor já passou pelo ministério da Educação. Foram apenas 4 meses, disse, desculpando-se por o governo de Santana Lopes não ter tido mais tempo para aplicar o seu programa. Mas está a ser injusto. Foram apenas 4 meses mas deu para ficar na história. Como o (i)responsável pelo atraso de um mês no arranque do ano lectivo de 2004-05. Compreende-se que o homem considere que o Estado é incompetente. Ele, quando lá esteve, fez por isso.

publicado por Pedro Sales às 12:31
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As coisas não estão a correr muito bem por aqui, mas também não é preciso exagerar
José Sócrates agradeceu a George Bush a disponibilidade para trocar opinião sobre algumas das questões mais importantes na agenda internacional, nomeadamente o delicado problema do "Médio Ocidente".

publicado por Pedro Sales às 09:45
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the delicate matter of middle west


publicado por Filipe Calvão às 08:42
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007
em meu nome, não.
THE PRESIDENT: It has been my honor to welcome the Prime Minister of a steady ally and a good friend to the Oval Office. Not only does Prime Minister Sócrates represent a close friend, he also has got an important assignment, and that is to lead the EU right now. So we discussed our bilateral relations. I asked the Prime Minister, I said, how would you frame our bilateral relations, he said: good. Well, you know, I feel the same way. And I thank you for coming.

I do want to thank the people of Portugal for supporting your decision to help the people of Iraq and Afghanistan realize the blessings of freedom, and I appreciate that. I know those aren't easy decisions to make, but the people in those countries that believe that they should live in a free society and want to live in a free society appreciate your contributions, as well. (...)

And so, Mr. Prime Minister, you're welcome here any time. I appreciate that you're setting such a good example for people in your own country and around the world by being an avid exerciser at the ripe old age of 50. And you're welcome to come to the Oval Office again.


publicado por Filipe Calvão às 19:54
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Debate de pernas para o ar
Um em cada cinco prisioneiros está detido preventivamente. São 2400. Nunca foram julgados ou estão à espera da decisão do tribunal de recurso. É um número sem paralelo na Europa e que não é aceitável em qualquer democracia que se preze. Num país em que os juízes usam e abusam da prisão preventiva, que é uma medida excepcional de coacção que só deve ser usada em último recurso, não deixa de ser curioso ver meio mundo indignado porque foram libertados 115 presos com a entrada em vigor do novo Código Processo Penal, alguns deles condenados em primeira instância.

São criminosos, diz-nos a televisão de há três dias para cá. “É demasiado gravoso criminosos ficarem livres”, confirma António Cluny, presidente do sindicato dos magistrados judiciais, garantindo mesmo que há razão para alarme. Gravoso, e alarmante, é saber que existem processos que se arrastam indefinidamente e que, presumíveis criminosos ou não, milhares de detidos continuam sem direito a defender-se legalmente. Quanto à libertação de dezenas de presos cuja prisão preventiva prescreveu, há um bom remédio. A justiça começar a cumprir os prazos e deixar de se arrastar ad eternum, reclamando tempos de prisão preventiva que violam os mais elementares direitos humanos apenas para esconder a sua incompetência.

publicado por Pedro Sales às 18:27
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Turista acidental
Daqui a precisamente quatro horas, José Sócrates vai fazer a habitual corrida matinal nas suas deslocações oficiais ao estrangeiro. Depois de ter feito o mesmo em Luanda, Rio de Janeiro, Pequim e Moscovo, agora vai conhecer, em passo de corrida, os jardins e memoriais de Washington. Os turistas japoneses dão a volta ao mundo escondidos atrás de uma lente de máquina de fotografar ou de filmar, outros há que galgam cidades para coleccionar as camisas do Rock Café, as moedas locais ou as idiotas camisas da irmã que foi a qualquer lado e só consegiu arranhou uma t-shirt manhosa. José Sócrates, que tem a sorte de se cruzar sempre “espontaneamente” com um batalhão de jornalistas nestas suas deambulações matinais pelas principais praças do mundo, colecciona postais ilustrados de vigor e frescura física para português ver. Um dia alguém lhe há de explicar que, esgotado o efeito novidade, só resta o provincianismo parolo e a sensação de que tudo isto é tão plástico como a contratação de figurantes para encher as salas de aula para a propaganda do Governo. Resta saber se, no meio dos flashs das máquinas fotográficas e com o vento nos ouvidos, o primeiro-ministro ainda consegue ouvir o que lhe dizem.

publicado por Pedro Sales às 11:00
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Deve ser um sítio jeitoso
Regularmente, engenheiros da Apple vão inspeccionar e acompanhar a produção dos vários modelos de iPod produzidos na cidade-fábrica da Foxconn, na China. Na empresa da maçã, são conhecidos como tendo sido "enviados para Mordor". (via Daringfireball).

publicado por Pedro Sales às 22:59
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Who´s on first

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publicado por Pedro Sales às 18:29
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Os métodos da ASAE parecem estar a fazer escola
Um homem morreu quinta-feira "poucos minutos" após entrar no hospital de Ponte de Lima, depois de a ambulância que o transportava ter estado parada "perto de 20 minutos" à ordem da Brigada de Trânsito, denunciou hoje um seu familiar.

Cerca das 16.00 foi solicitado o transporte ao Hospital de Ponte de Lima à empresa Ambulâncias Arcuenses, que presta serviço à unidade de saúde local. A viagem, que em condições normais demora cerca de 15 minutos, levou muito mais, já que, garante a família, apenas a paragem à ordem da BT rondou os 20 minutos. "Qual não foi o espanto da minha irmã [mulher da vítima] quando, a caminho do hospital, vê a ambulância parada na estrada pela BT. É inacreditável o que aconteceu", acusa Armanda.

"A Brigada seguiu a ambulância para se assegurar, junto do hospital, se o caso era urgente ou não e decidir se autuava ou não pela utilização das luzes de emergência. Acabou por não autuar", disse a mesma fonte.

Três dias depois, a GNR continua sem esclarecer o sucedido, limitando-se a dizer que vai abrir um inquérito interno. Para ver se passa a indignação com este estúpido e, potencialmente, assassino excesso de zelo.

publicado por Pedro Sales às 17:02
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Sábado, 15 de Setembro de 2007
Euro Trash Friday


publicado por Vasco Carvalho às 00:32
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
Tanta gente sem computador, tanto computador sem gente
(Paulo Jorge Magalhães/DN)


publicado por Pedro Sales às 11:37
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A novela da noite precisa sempre de culpados
A forma como está a ser construída, na praça pública, a nova imagem de Kate Mccann é perturbadora. Não faço a mínima ideia se a senhora é inocente ou culpada, mas incomoda-me detectar os mesmos esquemas para acicatar o julgamento popular que já conhecemos de outras paragens. Prova que não aprendemos nada com o que se passou com o processo Casa Pia e com a sua derivação envelope 9. Sistema judicial e alguma imprensa continuam a funcionar como se nada se tivesse passado.

Há poucos dias a PJ apreendeu o diário de Kate Mccann, considerando-o um elemento de prova essencial para estabelecer o seu perfil psicológico. Ontem, um jornal e uma revista publicaram abundantes detalhes sobre o mesmo caderno pessoal. Parece que a mãe escreveu que a filha se comportava como uma "histérica" e que a sua "hiperactividade" lhe consomia as forças. Na capa, bem destacado, mãe "insulta" a filha. Hoje, no mesmo jornal, ficamos a “saber” que a “PJ investiga cúmplice dos Mccann”. O julgamento já foi feito, são culpados e têm cúmplices.

De cada vez que a opinião pública começa a questionar o trabalho da PJ ou do MP já se sabe que, nos dias seguintes, aparece na imprensa alguma “notícia” que crie a comoção necessária para explicar a mudança de rumo na investigação policial. Em Lisboa, no Porto ou em Faro as fugas de informação são uma constante tão regular como a sua permanente impunidade. Não é preciso testes de ADN para saber de onde partiu esta fuga e que a mesma teve que partir de alguém ligado à equipa de investigação. As fugas de informação são a instrumentalização da justiça, pervertem a presunção de inocência, são um chamariz para o julgamento popular. Em vez de andar a distribuir computadores, Alberto Costa (que, ao que consta, ainda é o ministro da Justiça) devia era estar a fazer qualquer coisa para garantir que as “fugas de informação” não são toleradas.

Verdade se diga que há sempre algum jornal ou revista disponível para ser instrumentalizado e nos justificar esta perversão com o interesse público e jornalístico. Curiosamente, a mesma que, no processo Casa Pia, se viu envolvida na divulgação das escutas ilegais...

publicado por Pedro Sales às 10:54
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
quando Bush se esconde numa gruta 2
Como furar um esquema de segurança de 180 milhões de dólares?


(A notícia da semana passada aqui. Estes tipos são bons, fazem-me lembrar um tipo de humor menos acomodado do que os Gato Fedorento e mais refinado que os Felizes da Fé dos anos 90)

publicado por Filipe Calvão às 20:14
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Os anti-americanos do “mas” já chegaram à América
Enquanto dezenas de milhar de portugueses invadiam as ruas a protestar contra a guerra, e as sondagens indicavam uma oposição de 80% à invasão do Iraque, a imprensa enchia as páginas com editoriais e colunas de opinião que não escondiam uma “lágrima furtiva” com o “25 de Abril” de Bagdad. Foi curta a emoção, sendo curioso reparar como mudaram de opinião, ou passam ao lado do assunto, os mais encarniçados guerreiros de sofá da nossa imprensa.

O 11 de Setembro é o dia que lhes resta para ajustarem contas com o seu passado, sem os “adversativos” que tanto irritam Ferreira Fernandes. O colunista, que escreve diariamente na esquina direita do DN, está muito irritado porque “para alguns foi 11 de Setembro mas”. Não que Ferreira Fernandes tenha alguma coisa contra o mas e o uso de adversativos, não gosta é que alguém os utilize quando ele não concorda. Veja-se o que escrevia FF nos dias seguintes à eleição de Zapatero. “A discussão que vai para aí sobre se Aznar mentiu ou não! Um primeiro-ministro a escamotear dados para ganhar eleições é assunto importante quase sempre. Mas não neste caso.” Pois...

A mentira interessa pouco a Ferreira Fernandes, seja em Madrid ou em Washington, com paragem nos Açores. O exercício é conhecido. Quem critica a política da administração Bush, e a forma como conduziu a guerra ao terror depois do 11 de Setembro, é anti-americano. São "os que não contam". Só há um problema nesta lógica. É que os EUA estão cheios de anti-americanos. Tantos, que até levam os seus "mas" para os programas nas maiores estações televisivas. Aqui fica um exemplo, da emissão especial da MSNBC no 11 de Setembro.




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publicado por Pedro Sales às 18:17
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Se é para dar porrada

e atirar poeira para os olhos, já temos o Avelino Ferreira Torres.

"Quem está lá no alto, que é Deus,
quer que eu seja o presidente da Câmara
."
Amen, brother.


publicado por Vasco Carvalho às 16:29
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Uma campanha edificante
Na próxima terça-feira, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes irão defrontar-se num debate organizado pela SIC Notícias. “Ao longo da semana vamos falar com os dois para definir o que será debatido, declarou o director do canal, Ricardo Costa, à revista Sábado. Assim de repente, e sem querer ser exaustivo, parece-me que o debate tem vários motivos de interesse sobre os quais importa esclarecer os portugueses.

O folhetim das quotas do partido; a deputada que se queixa das ameaças de morte feitas aos seus filhos por causa das directas; a amiga de uns militantes que pagou as quotas a mais de 400 pessoas; o alegado assédio sexual do porta-voz de Marques Mendes a uma empregada da Câmara Municipal de Tavira; o plágio no blogue “pessoal” de Menezes; a bancada parlamentar que, segundo o líder do partido, foi escolhida numa noite de nevoeiro; o avião do amigo de Menezes que tem negócios em Gaia e o Citroen alugado de Marques Mendes que, afinal, foi emprestado por outro empresário amigo. A campanha tem sido rica na definição ideológica e programática no maior partido da oposição. Tem tudo para ser um bom debate.

publicado por Pedro Sales às 14:46
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És a nossa fé
Com a entrada de Portugal na União Europeia, foi um corrupio de ministros e chefes do governo a inaugurar tudo o que era estradas e auto-estradas. O betão era a imagem da modernização do país. O atraso estrutural tinha os dias contados. Não foi bem assim. As estradas, como é normal, eram apenas uma ferramenta. Faltou o resto.

Agora, que o país está cheio de auto-estradas e que o dinheiro de Bruxelas já não pinga da mesma forma, o governo socialista também tem uma visão para modernizar Portugal. De há duas semanas a esta parte, tudo o que é ministro e secretário de Estado anda a calcorrear o país, qual funcionário do Círculo de Leitores, a distribuir computadores. A boa nova tem até uma vantagem. Cabe dentro de um bonito saco de papel e pode ser entregue em mão. Mais uma vez, a fé na crença tolhe a visão e não deixa perceber que continua a faltar o resto. A começar por uma população com competências para o usar, num país em que mais de 36% dos jovens não chega ao 10.º ano. O computador é uma ferramenta que, por si, nada resolve. Alguém devia explicar isso ao engenheiro Sócrates, mas temo que ele esteja demasiado ocupado a tornar o país num imenso Media Markt.

publicado por Pedro Sales às 08:10
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
Vergonhoso
Miguel Barreira/AP
Como se já não bastasse a justíssima fama de arruaceiros que têm os jogadores da selecção nacional de futebol, agora também temos um treinador que agride, ao soco, os adversários. Vergonhoso não é empatar. Da forma como a equipa está a jogar, até foi uma sorte. Vergonhoso é não aceitar a mediocridade, e falta de ambição, do futebol praticado e implicar com o primeiro jogador que se encontra pela frente. Daqui a uns minutos deve ser a conferência de imprensa. Ou muito me engano ou ainda vai sobrar para o árbitro.

Actualização: Não há nada mais previsível que o futebol português. Sete minutos depois de escrever, lá apareceu o Scolari a criticar o árbitro pelo resultado."É muito sábio esse árbitro", ou "devem chamar a atenção ao Platini" sobre a arbitragem, foram apenas algumas das pérolas ouvidas. A agressão, claro, também foi culpa do homem do apito. "O jogador que diga se lhe toquei num único cabelinho", desafiou. Mas não é muito redutor culpar a arbitragem, pergunta o jornalista? "Não, não, a culpa é minha", resmunga, visivelmente desagradado com a perguntas, e vira as costas.

publicado por Pedro Sales às 23:00
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Para fazer propaganda já cá estava eu
Paulo Portas acusou hoje o Governo de fazer "propaganda" nas escolas: "Eu acho que as escolas são lugar de trabalho, não são lugar nem de propaganda nem de comício". O líder do PP fez estas declarações enquanto apresentava as propostas do seu partido para a educação, no final de uma visita à Escola Secundária de Alvide. Afinal, o problema não parece ser tanto a propaganda, mas o facto de Paulo Portas não ter computadores para distribuir.

publicado por Pedro Sales às 20:06
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