Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
SOMA(gue) e segue
Quando Durão Barroso era primeiro-ministro, e liderava o PSD, a Somague financiou este partido, de forma ilegal, em mais de 230 mil euros. As conclusões constam de um acórdão do Tribunal Constitucional, que já mandou o documento para o Ministério Público, para que este dê seguimento às investigações judiciais. Desta vez não estamos a falar das multas que os partidos recebem, de forma sistemática, pelo incumprimento de normas processuais ou administrativas. Não, isto é o primeiro financiamento ilegal detectado pelo TC e enviado para o Ministério Público. Passámos dos chapinhanços na água para um tiro no porta-aviões.

Se os partidos ainda não o perceberam, tudo bem, mas está mais do que na hora de começarem a publicar e a disponibilizar a listagem dos seus principais financiadores antes de cada acto eleitoral. A última lei, que ainda não estava em vigor em 2o02, dá um passo nesse sentido, mas tem que se ir ainda mais longe. Não há nenhuma razão para que os partidos não coloquem, nos seus sites, os nomes dos seus principais financiadores. É o que acontece, há muito, nos EUA e noutros países. A falta de transparência nas finanças e contas partidárias é uma das causas principais do descrédito dos partidos políticos. Deve-se ser exemplar neste domínio, para não sermos de vez em quando “acordados” com notícias como os doadores fantasma do PP, e o seu simpático Jacinto Capelo Rego, ou da apetência das construtoras civis e grandes empresas financiarem os partidos que estão no Governo.

Uma última questão. Se o TC esteve bem na detecção desta situação, ainda mais incompreensível se torna o silêncio sobre o escândalo, que esteve diariamente na imprensa durante mais de uma semana, do financiamento da campanha milionária do PS no Brasil nas legislativas de 2005. Já aqui escrevi sobre isso, e continuo sem perceber como é que a Entidade da Contas e Financiamento Políticos declarou que a omissão das despesas de campanha (que envolveram anúncios televisivos no Brasil, repare-se) era ilegal e, depois, num acórdão de mais de 120 páginas não há nem uma linha sobre o assunto. NO PASA NADA?
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publicado por Pedro Sales às 15:06
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007
atirar poeira não-transgénica para os olhos
There’s a real feel of Arizona about the site and I am confident it will emerge as one of the best examples of a desert-style course in Europe." (do site da Oceanico Developments)

Lameira, Silves (Herdade e Morgado da Lameira)
imagem

Se há exemplo de vandalismo no Algarve é este. Ao lado da herdade do milho transgénico fica o morgado da Lameira. São 259 hectares que faziam parte da antiga Companhia Agrícola do Morgado da Lameira, SA. Foram comprados em 2005 pela Ocêanico Developments, uma empresa irlandesa de investimentos imobiliários. Em terrenos da Reserva Agrícola Nacional, e antes da obra estar licenciada, a empresa já vendia apartamentos no Reino Unido, com o chamariz do campo de golf no "tipo-deserto" do Algarve.

(imagem)

Este episódio é trágico porque diz tudo sobre o estado da protecção ambiental em Portugal (e no Algarve em particular: posso ser ainda um miúdo mas lembro-me da zona de Cabanas/Tavira antes do Macário Correia aparecer em cena). Mas como isto se repete vezes sem conta (ao contrário da porcaria de um hectar de milho transgénico), desta vez vou tentar contar a história toda.

Em Março de 2006, o Barvalento online noticia com pompa o início da construção do Amendoeira Golf --- sem que a Câmara de Silves tenha emitido qualquer licenciamento. São 800 unidades de habitação, hotel de 5 estrelas, centro hípico e de conferências, academia de golf, e 2 campos de golf. Uma coisa à maneira, daquelas que o Algarve tem pouco. Curiosamente, a construtora indica que os trabalhos começaram a Julho de 2005, ou seja, 3 meses antes do projecto de impacto ambiental dar entrada no Ministério de Ambiente, e muito antes, claro, de começar a consulta pública.


Por altura da "consulta pública", a empresa já vendia apartamentos no Reino Unido. "O empreendimento turístico que o grupo britânico Oceânico Development está a construir em Silves", noticiava o DN em Outubro de 2005, "está a fazer sucesso no Reino Unido. O projecto, avaliado em 400 milhões de euros, já tem 70% das propriedades reservadas." Tudo dentro da lei, pois claro. O estudo de impacto ambiental fora entretanto aprovado à presssa em 2006, com condicionantes, nunca cumpridas nem vigiadas. O vereador da CDU na câmara de Silves, em acta da reunião da câmara disponível online, declarava a Julho de 2006: "no caso das obras de mobilização de terras ocorrida no Morgado da Lameira para construção do Campo de Golfe, houve uma precipitação por parte dos donos da obra, sem reacção por parte dos serviços camarários"... quando -- surpresa! -- "as obras de mobilização violenta de terrenos de superior qualidade agrícola e arqueológica tinha já ocorrido."

construção no Morgado da Lameira, 2006

Respeito pela lei? Pois: é que o Ministério da Agricultura, apesar das restrições à construção, deixa que se vandalizem os terrenos da Reserva Agrícola Nacional para "campos de golfe declarados de interesse para o Turismo pela Direcção-Geral do Turismo." Deixamos o país às decisões de patos-bravos do turismo e logo veremos os hotéis e os apartamentos, e os parques de estacionamento e tudo o que mais vem atrelado aos campos de golf. De interesse claro.

Ao pé disto (ou dos 2,8 milhões de hectares queimados em Portugal nos últimos 20 anos), ceifar um hectar de milho transgénico é brincadeira de miúdos. Que não me repugna nada, por razões semelhantes às defendidas por Miguel Portas. Os mesmos fanáticos que há uns anos comiam mioleira de vaca são os mesmos que hoje rejeitam liminarmente, à lei da bala se preciso for, qualquer princípio de precaução sobre transgénicos. E quando o Estado não cumpre a lei (desafio-vos a ler o decreto 72/2003 e a encontrar alguma nota no ministério do ambiente sobre João/José Menezes ou os seus 51 hectares de milho transgénico) há um vazio que alguém tem que ocupar -- ainda que simbolicamente como na 6a passada. Os agricultores biológicos do Algarve (quem protege os seus direitos?) sabem-na melhor: há umas semanas manifestaram-se contra a exploração transgénica por saberem que aquele milho, com valor económico irrisório, pode destruir o valor acumulado da agricultura biológica Algarvia pelo processo de polinização cruzada (sim, acontece: vejam este documentário aqui).

Falar do hectar de milho transgénico sem se discutir o problema dos OGMs ou da destruição em curso há 30 anos no Algarve é tapar o sol com uma peneira, esperando que esses problemas desapareçam levantando muita poeira com a discussão táctica de formas radicais de activismo. A questão é que toda a lei, já dizia Walter Benjamin, toma a violência como acto fundador. E no vazio legal em que o Estado colocou a região, o que me choca mesmo é ver o país a ser esventrado por interesses imobiliários.

publicado por Filipe Calvão às 22:42
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O dia em que os "patos bravos" vestiram o fato de gala
Cavaco Silva vai participar hoje numa cerimónia de homenagem a todos os autarcas eleitos no concelho de Albufeira desde o 25 de Abril. O mesmo Presidente da República que, em visita oficial, pediu "força e coragem" aos autarcas do Algarve para resistirem à tentação de construir em excesso, vem agora legitimar um dos piores exemplos do caos urbanístico e ambiental da região. Todos os erros do turismo algarvio, a começar pela pressão urbanística desenfreada e sem critério, a sobreposição do betão ao cuidado ambiental estão condensados neste município. Aguarda-se com expectativa o dia em que Cavaco Silva homenageará os autarcas de Loulé, pelo belo exemplo da Quarteira, ou Silves e a sua inesquecível Armação de Pêra. Quem sabe, não recebem uma comenda no próximo 10 de Junho.

publicado por Pedro Sales às 14:40
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Fragmentos de uma geração
Tens entre 6 a 10 anos, entras em casa e vês pela televisão (com 12 botões dos quais só usas 2) que isto é possível, que o pessoal do outro lado do mundo se move assim, dança assim, veste assim.
Não vos afecta, não nos muda? Em nada? Não sei.
Old skool breakdancing in the Bronx, early 80s.
Também é curioso ver como o Bronx dos anos 80 se parece com
a Arrentela dos 2000s.

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publicado por Vasco Carvalho às 02:39
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Domingo, 19 de Agosto de 2007
Será possível descer mais baixo, ou já bateram no fundo?
Helena Lopes da Costa viu, em poucos dias, dois dos seus três filhos serem ameaçados de morte enquanto passa férias no Algarve. O filho mais novo da deputada do PSD, António Maria, terá mesmo sido perseguido num aldeamento na Balaia, enquanto a mãe estava a jantar em Quarteira na Festa do Pontal, na passada terça-feira à noite.

"Custa-me a acreditar em motivações políticas, até porque sou militante há muitos anos e nunca vivi uma situação destas, mas há, de facto, coincidências muito estranhas", disse a deputada, apoiante de Luís Filipe Menezes na luta pela liderança do PSD.

Uma dessas coincidências, de acordo com a deputada, refere-se ao facto de ambos os filhos ameaçados serem militantes do PSD e de os seus números de telemóvel constarem da base de dados do partido.
Em declarações à RTP, a deputada adiantou que a sua filha foi a única que não recebeu ameaças de morte no telefone e, ao contrário dos seus irmãos, o seu número de telefone não consta na base de dados do partido.

Segundo a edição de ontem do Correio da Manhã, Fátima Oliveira, de 43 anos, pagou, “por amizade”, as quotas de 245 militantes do PSD, num valor total de 3996 euros. Tempos depois descobriu que os pagamentos, embora feitos individualmente, foram considerados ‘pagamento em massa’ pelo Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do partido, por serem provenientes da mesma conta bancária. Logo, foram recusados. Desde então esta directora financeira está em guerra aberta com a Secretaria-Geral do partido para reaver o seu dinheiro. E já apresentou uma queixa-crime.

“Não sou militante do PSD nem de nada, o que me motivou foram relações de amizade que mantenho há alguns anos com militantes da secção A de Benfica”, garante.


Para quem não se lembra, fez ontem uma semana que Luís Filipe Menezes se mostrou indignado com o nível da campanha do PSD, avisando Marques Mendes que não são apenas candidatos a líder do PSD, "mas estão também a ombrear com José Sócrates para vencê-lo como primeiro-ministro". Pois. É já a seguir... é que é já a seguir.

Ainda faltam cinco semanas para as eleições directas no PSD.

publicado por Pedro Sales às 22:31
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Pesadelo digital
A notícia já tem um par de dias, mas não a vi reproduzida por cá em nenhum lado. O Google encerrou, no dia 15 de Agosto, o seu serviço de venda e aluguer de filmes. Desde essa data, todos os vídeos comprados nos EUA deixaram de funcionar. A empresa promete ressarcir, com 2 dólares, todos os tolos que compraram filmes através de uma plataforma que só os permitia ver num computador, com um programa especialmente criado para o efeito. Descontinuado o software, os vídeos passaram a ser zeros e uns sem nenhum sentido a encher o disco rígido.

É a verdadeira caixa de Pandora, a confirmar os piores receios sobre os incontáveis modelos que limitam o acesso e reprodução dos formatos digitais adquiridos legalmente. As músicas compradas na loja do iTunes não funcionam noutro aparelho que não o iPod, e têm uma qualidade tão baixa que se tornam irreproduzíveis na aparelhagem de qualquer pessoa que consiga distinguir a Britney Spears do Tom Waits. O mesmo acontece nas dezenas de lojas que usam a protecção digital da Microsoft, com a agravante destas músicas nem funcionarem no aparelho construído pela empresa de Bill Gates - que tem um formato proprietário próprio para o Zune. Confuso? Claro. Se qualquer destes formatos for ao ar, e os dois últimos são sérios candidatos, todos os que investiram na aquisição de música digital vêem-se, de um dia para o outro, com uma pilha de lixo informático que não lhes serve absolutamente para nada.

O mesmo sucede com as, por enquanto, tímidas venda digitais de filmes, com a proliferação de formatos proprietários como o agora encerrado pelo Google ou o da Amazon. O primeiro fechou a loja e o segundo tem restrições tão absurdas que chega a comportar-se como um daqueles programas que infectam e tomam conta dos computadores. Não devia ser assim. A transição para suportes digitais (que é inevitável) deveria significar uma maior liberdade e comodidade para o utilizador, não a subordinação aos absurdos caprichos das editoras e distribuidoras que mandam para as urtigas os direitos dos consumidores e assumem práticas comerciais inaceitáveis em qualquer outro modelo de negócio. Alguém imagina o que é que aconteceria se, de um dia para o outro, a Sony dissesse que todos os seus televisores deixavam de funcionar, compensando os seus clientes com 20 ou 30 dólares?

A transição para um modelo em que a aquisição de um produto deixa de significar a sua presença física, não quer dizer que quem o comprou não seja seu dono. Comprar é bem diferente de alugar, ou, pelo menos, costumava ser. A União Europeia, sempre tão atenta aos monopólios comerciais, e a ASAE e PJ que parecem dedicar-se a perseguir os miúdos que partilham música na net, podiam começar a prever estas coisas e a preocupar-se com os direitos dos consumidores nesta época digital. A maioria destas plataformas ainda só funciona nos EUA, mas o futuro passa por aqui e a maioria destes serviços prepara-se para dar o salto do atlântico e aterrar na pacata Europa.

PS: O suplemento Digital de ontem do Público (que não se encontra disponível na net) entrevista um significativo conjunto de artistas nacionais sobre os riscos da pirataria. O resultado não anda muito distinto do que já aqui tinha escrito sobre a indústria mais estúpida do mundo. A maioria dos artistas, mesmo os que consideram justo o encerramento dos sites de transacção de ficheiros digitais, insurge-se claramente contra as práticas comerciais das maiores multinacionais, dizendo que não investem em novos formatos e autores, denunciam as percentagens ridículas das vendas que sobram para os autores ou os custos proibitivos, para a realidade nacional, da maioria dos discos. Só pelo suplemento, vale a pena comprar a edição de ontem do Público.

Os artistas têm razão noutro aspecto: a redução do IVA dos discos. Não há nenhuma justificação para que os filmes e livros beneficiem do IVA reduzido aplicado às actividades culturais e um disco tenha que pagar 21% de imposto.

publicado por Pedro Sales às 16:00
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Sábado, 18 de Agosto de 2007
estranhamente viciante, a musiquinha

Wiki-Man, Billy Reid em www.verytasteful.com

publicado por Vasco Carvalho às 20:20
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Toy story e outros atlas infantis
São geografias alternativas, mapas e formas humanas para além do quilómetro quadrado. As crianças que produzem brinquedos com os pais,

(tamanho de países enquanto produtores de brinquedos)

as que recebem brinquedos dos pais,

(tamanho de países enquanto consumidores de brinquedos)

e os orfãos de SIDA

(tamanho de países por prevalência de SIDA na população)

Para mais e mais mapas ver aqui. Gracias, José Sousa.

publicado por Vasco Carvalho às 18:17
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técnicas de combate à grande conspiração de esquerda

O inevitável Daily Show e a preocupante "left-leaning,unfair, biased-media as part of a vast left-wing conspiracy".

publicado por Vasco Carvalho às 10:23
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A verdade da mentira
Sempre me pareceu completamente despropositado o destaque que ganhou a história da licenciatura de José Sócrates. Retrospectivamente, não há como olhar para o que aconteceu na primeira quinzena de Abril como não sendo o resultado da má gestão que o Governo fez do caso. Nunca liguei muito ao assunto, razão pela qual não deixa de ser totalmente irónico que, quatro meses passados, aqui esteja a escrever sobre um episódio absolutamente lateral sobre o que se passou nesses dias. Mas, depois de ver a lamentável reportagem de ontem da SIC - em tudo distinta da que passou à hora do almoço -, e onde só é dada voz ao gabinete do primeiro-ministro, dizendo que tudo o que o governo fez foi “repor a verdade, apagando um conjunto de calúnias”, vale a pena lembrar algumas coisas. Até porque, reparo agora, a tese é repetida hoje pelo JN, que titula que o ”Perfil de Sócrates na Wikipedia foi pirateado”, e onde o seu assessor de imprensa aparece a dizer que foram introduzidas "falsidades, mentiras e calúnias", que já foram retiradas. A "reposição da verdade" foi feita a partir do Governo.

Vale a pena, então, ver algumas das calúnias e falsidades que o governo apagou:

As médias de curso de José Sócrates. Ambas as notas estavam certas. É verdade que 12, que foi a média do curso no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, não é uma nota famosa, mas considerá-la uma calúnia demonstra pouco respeito dos assessores pelo passado académico do primeiro-ministro. Também não me parece muito cordial considerar os 14 valores na Independente uma falsidade. A Universidade Independente tem o valor que tem, mas daí até às suas notas serem uma falsidade...

Foi apagada a referência à Independente ser uma universidade privada. Esta aqui é mesmo estranha, até porque não há registos que o Governo alguma vez tenha pensado em nacionalizar a Universidade Independente. Era, e sempre foi uma instituição privada. Tudo bem, não tem propriamente o prestígio de Oxford, mas não fica nada bem aos funcionários do Governo terem vergonha da faculdade onde andou o PM, ao ponto de considerarem caluniosa a alusão ao seu estatuto jurídico. Preconceito social?

Foi apagada a alusão à “breve” passagem pelo ISEL. Todos temos que convir que não é muito comum um aluno concluir uma licenciatura passando por três instituições diferentes, concluindo, até, os dois últimos anos em estabelecimentos distintos. Mas, parece-me estranho, como o fizeram as fontes do governo à SIC e JN, considerar que é uma calúnia e falsidade lembrar a “briefly” passagem de um ano pelo ISEL. Não fica bem a um funcionário governamental fazer criticas veladas ao percurso académico do primeiro-ministro, mas compreende-se o excesso de zelo. Apesar do percurso ser totalmente legítimo, é capaz de não ser muito do agrado de grande parte dos pais que se têm que esforçar financeiramente para que os seus filhos acabem o curso sem poderem saltitar de instituição em instituição.

A dimensão que isto ganhou só prova que estamos mesmo na silly season, mas, mesmo assim, convém chamar as coisas pelos nomes. Pode haver referências caluniosas que tenham sido apagadas, mas não foram estas que o Vasco referiu. Compreende-se que tenham sido retiradas as alusões à vida privada. Apesar da maioria dos líderes políticos terem, na sua página da wikipedia, essas referências, a esfera privada diz respeito apenas ao próprio e aos que lhe são próximos. Nada a objectar a este respeito e, como o próprio Vasco reconhece, o exemplo de Luís Amado era dispensável e sem assunto.

Mas, curiosamente, as verdadeiras calúnias e falsidades, que o DN dá conta e que estavam na versão portuguesa da wikipedia que nunca para aqui foi chamada (como a data da morte do PM ou a alusão a ser construtor civil), não foram apagadas por alguém a partir de um computador do governo. Não, a preocupação governamental em “repor a verdade” foi cirúrgica e limitou-se a tudo o que tivesse a ver com a Universidade Independente, precisamente nos dias em que o currículo de José Sócrates sofria grande escrutínio mediático. Mas, o que se percebe deste caso, que não é um caso de censura mas de propaganda e contra-informação, é que houve um cuidado desmedido do Governo em apagar todas as referências ao caso Universidade Independente, para que a versão da Wikipedia batesse certo com o discurso oficial do gabinete do Primeiro-ministro, nesses conturbados primeiros dias de Abril.

Mas não pode o próprio alterar o seu perfil na wikipedia, leio em vários sítios? Claro que pode. Por mim até pode dizer que a Independente é a universidade mais prestigiada do país. Mas convinha que o gabinete do PM não reescrevesse o seu passado académico, fazendo-nos passar por tontos dizendo que está apagar falsidades. Começa-se na wikipedia, mas nunca se sabe onde é que esta constante obsessão em retocar o passado do primeiro-ministro nos leva.

ps 1: Compare-se o trabalho do SOL, onde são listadas as alterações e é dada a palavra ao assessor de José Sócrates, com o trabalho jornalístico da SIC onde só aparece a versão do último e nunca se referem as alterações. Sobre isto, não tenho mais nada a dizer e limito-me a recomendar esta excelente resposta, do vocalista dos Los Hermanos, sobre algum jornalismo que se lê e vê todos os dias. (Via Kontratempos)

ps 2: sobre o péssimo hábito da imprensa publicar notícias, que têm por base a blogosfera, sem citar a fonte (TSF) ou fazer um link (mesmo nas versões digitais) para permitir aos leitores lerem por si, sem a mediação jornalística, vale a pena ler este post no Marketing de Busca. Mas, como o demonstra o inacreditável anúncio de um dos maiores jornais brasileiros, o Estadão, alguma imprensa ainda parece ver a blogosfera como uns macaquinhos mentirosos e caluniadores.


publicado por Pedro Sales às 10:02
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“O pessoal tem cuidado”
Meados de Agosto em Lisboa. As ruas estão quase desertas, não restando muito trânsito. Com pressa, meto-me ontem num táxi para o centro da cidade. Apesar do trânsito fluir como só é possível em Agosto, bastou uma pequena confusão na Fontes Pereira de Melo para despertar o edil em potência que há dentro de cada taxista.

- Está a ver? É sempre a mesma coisa, não respeitam os cruzamento e o corredor bus e depois ficamos para aqui à espera.
- Pois é, respondi eu, fingindo o mínimo interesse no assunto e continuando a ler o jornal.
- Está a ver, está a ver?, gritou, ainda mais alto, na esperança de captar a atenção. Olhe, mais dois carros a meterem-se na faixa do bus, e depois isto não avança. Os carritos que para aí andam não fiscalizam nada. Eles fazem o que querem e lhes apetece. Fingem que vão virar e fazem a Avenida toda à má fila. Eu sabia como é que se acabava com isto, há sabia, sabia.
- Pois...
- É uma coisa que eu cá tenho andado a pensar. E até era bastante simples, não eram precisos esses assessores todos, secretárias e motoristas da Câmara. Era só fazerem uma lei que dissesse que, qualquer carro que estivesse a ocupar um lugar no corredor bus, era sempre responsável pelos acidentes. E pronto. Começávamos a bater-lhes por trás e eles é que pagavam o conserto. Havia de ver como funcionava.
- Desculpe!?
- Sim. Olhe, ainda a semana passada tive que arranjar um farolim e o pára-choques. Imagina quanto é que custou? Pois é. Assim, batíamos-lhe na traseira do carro e eles é que pagavam. Resolvia os meus problemas na oficina e havia de ver como não punham cá mais os pés para empatar esta porcaria.
- Mas, olhe lá, isso parece um bocado perigoso, não acha?
- Não, porque o pessoal tem cuidado. Batíamos devagar, era só para lhes meter medo e eles gastarem o guito na oficina. Olhe que a coisa funcionava, olhe que a coisa funcionava...

publicado por Pedro Sales às 09:23
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007
democratas perfilam-se no youtube


publicado por Filipe Calvão às 20:01
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Os números são uma chatice
Esta semana, através de vários estudos do Eurostat e de pequenas notícias nos jornais ou suplementos económicos, ficámos a saber que os portugueses ganham menos 40% do que a média europeia e que o fosso salarial entre os mais ricos e os mais pobres em Portugal voltou a bater recordes, estando quase duas vezes acima da média europeia a 15. Ainda antes das alterações às reformas aprovadas pelo Governo, já somos o terceiro país onde as pessoas trabalham mais anos e se reformam mais tarde da Europa a 25. Com uma economia praticamente parada, as cem maiores fortunas do país cresceram quase 40% no último ano, e, se já se sabia que somos o segundo país da Europa com mais trabalhadores a prazo, o Eurostat veio dizer-nos que, nos últimos cinco anos, duplicaram os trabalhadores que estão nessa situação apenas porque não arranjaram outro trabalho.

A distância que vai entre estas notícias e o discurso que tomou conta de quase todas as colunas de opinião ou comentários televisivos é revelador do abismo, cada vez maior, entre a opinião publicada e o dia-a-dia dos portugueses. Não há dia que não sejamos bombardeados com a necessidade de manter e reforçar a contenção salarial, desregular um mercado de trabalho demasiado rígido e pouco flexível e cortar e limitar as regalias sociais de que gozam os trabalhadores. Nada disso bate certo com o que se passa no país? Não importa. O discurso liberal tornou-se um dogma (ganhando espaço mesmo entre a direita não liberal) e, de tanto repetir, as suas máximas tornaram-se verdades universais que não se discutem nem precisam de se confrontar com minudências como as estatísticas oficiais. A realidade dos números é um pormenor que não afecta o grande cenário. A ideologia é que conta. Até porque, como o Pacheco Pereira nos faz o favor de avisar semana sim semana não, o discurso da imprensa está tomado pela esquerda. O importante é continuar a pressão e evitar que as estatísticas oficiais tenham o destaque que merecem.

publicado por Pedro Sales às 09:30
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Fake news that delivers the truth
No mesmo dia em que o Daniel Oliveira chamou a atenção para as baixas audiências terem levado a Fox News a cancelar o programa satírico que concebeu para ridicularizar todos aqueles que criticam a administração Bush, o Público tinha um artigo em que conta como o Daily Show se tornou num espaço incontornável para todos os candidatos presidenciais nos EUA.

Mas não é justo catalogar o Daily Show, ou o Colbert Report, apenas como programas satíricos e de comédia. Claro, são protagonizado por comediantes e têm como objectivo terem piada. Mas são engraçados, na justa medida têm uma preocupação com a verdade, desmontando os mecanismos comunicacionais de políticos e dos media tradicionais. "Fake news that delivers the truth", promete Jon Stewart, sem enganar ninguém. De facto, há mais pesquisa em cada edição do Daily Show do que num mês das televisões portuguesas. Não por acaso, as audiências desses dois programas satíricos são as que estão melhor informadas sobre a actualidade política. Quando os programas a brincar informam mais do que a imprensa, deveria ser a altura de soar o alarme.

Aqui fica o exemplo de outro programa satírico, The Chaser, que demonstra o nível de insanidade mental que tomou conta das notícias televisivas do outro lado do Atlântico.



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publicado por Pedro Sales às 09:20
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estamos cá é para isto
Cof, cof. Ainda engasgados com tanta atenção (e com o Vasco num programa especial de protecção de testemunhas). Mas vamos por partes:

Pela mão de funcionários zelosos ou através de operações de relações públicas cozinhadas nas chefias, é agora público que da CIA à BBC, do Vaticano às grandes multinacionais americanas, todos andaram a mexer em entradas da wikipedia. Quem utiliza esta enciclopédia sabe que nada disto é novo -- alterações de utilizadores anónimos sempre foram registadas, mas um novo motor de busca tornou a tarefa mais simples. E ainda bem: disponibilizar esta informação ao público permite torná-la mais transparente, incluindo sobre quem a foi procurando alterar.

Ao contrário da notícia hoje publicada no DN, nunca se afirmou aqui ter sido "o governo" a editar o perfil de Sócrates na wikipedia. Simplesmente apontámos a evidência: um IP do CEGER, o centro que gere a rede informática do governo, eliminou as referências pouco abonatórias do caso da UNI, pouco depois de surgirem na imprensa. Terão as alterações sido feitas directamente do gabinete do primeiro-ministro? O assessor de imprensa de José Sócrates, pasme-se, admite que sim, "as mudanças possam ter sido introduzidas por pessoal do gabinete do primeiro-ministro, do seu secretariado ou até do Governo em geral." E é isto normal?

Fernanda Câncio parece achar que sim. Numa coluna de opinião no DN conta o que fez quando o seu nome surgiu na wikipedia portuguesa. Alterou o que achou incorrecto e fez muito bem. Mas as semelhanças acabam aí: nem a Fernanda Câncio trabalha no governo nem esteve o seu perfil sob escrutínio público, como foi o caso do de José Sócrates em Abril. Mas Fernanda Câncio pergunta-se também no 5 dias "por que é que um gabinete ministerial pode fazer comunicados para os jornais e rectificações e direitos de resposta e não poderá corrigir informação que considera errada num artigo da net que toda a gente pode alterar?"

A pergunta é legítima tanto mais que o CEGER existe, entre outras funções, para prestar consultoria e "apoio técnico para a utilização de redes globais externas" (decreto 116-B/2006, artigo 2, alínea l). Mas para mim a resposta é simples: um governo informa e torna a informação que lhe diga respeito disponível ao público, mas não edita conteúdos que não os da sua responsabilidade. Ou alguém espera que o governo reveja as provas de uma enciclopédia ainda no prelo, ou que coloque um vídeo de resposta a uma sátira que surja no youtube, ou um comentário num blog crítico do governo? Estes exemplos estão no mesmo plano que a wikipedia. Será sempre mais fácil rasurar a crítica na wikipedia, mas esta é a nossa vingança servida em número de IP. É preciso esperar que do bom senso dos utilizadores surjam plataformas de entendimento que informem, e a actual página do PM na wikipedia aí está para o provar. E sim, dá trabalho. Tal como ser ministro obriga a um grau de exposição pública. Mas este governo tem que, de uma vez por todas, aprender a lidar com a crítica. E nós estamos cá para isso.

Agora a silly season pode continuar.

Notícia do DN
Notícia do Público

publicado por Filipe Calvão às 09:04
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
Os longos braços da censura Socrática

"Politicamente só existe aquilo que o povo sabe que existe", disse Salazar, durante a inauguração do Secretariado de Propaganda Nacional, em 26 de Outubro de 1933.

Um estudante de doutoramento de Caltech acaba de lançar uma ferramenta de busca na Wikipédia que promete dar que falar. É só inserir o nome ou morada IP de uma organização e, voilá, temos o historial de alterações da Wikipedia submetidas por essa morada. (ver história da Wired ou o site aqui: se não der é porque meio mundo está a aceder ao site). A Wired lista já algumas das mudanças (onde as mudanças feitas pelo servidor da FOX News já estão a dar que falar) .

E então experimentei o seguinte: o sufixo do Governo Português .gov.pt (ver CEGER para uma listagem de gov.pt). Depois é ir aqui para ver qual a morada IP correspondente: neste caso, 193.47.185 (0 a 255, ocupam a banda de IP). Depois é só ir ao motor de busca para ver a máquina de contra-informação a funcionar.

Pelos dias em que rebentou o escândalo Sócrates-UNI (início de Abril de 2007), alguém (IP 193.47.185.124) apagou:

"Universidade Independente is presently (06-04-2007) under investigation on alleged irregularities on several matters. The Portuguese Prime Minister alleged university degree by this university is presently under a huge public discussion and media storm. A strong case is being build up against possible false declarations by José Sócrates on his university degree. Under heavy pressure, the Portuguese Prime Minister promised to clarify the situation..."

e apagou também o "briefly" em "he briefly attended the ''Instituto Superior de Engenharia de Lisboa'' .

A luta de posts e contraposts repete-se nos dias seguintes, onde se afiança que "He completed an MBA" e apaga a sua média de curso ("12 out of 20"), bem como a descrição da vida pessoal: "Sócrates, a father of two who is divorced, lives in Lisbon and is a registered elector of the municipality of Covilhã (central inland Portugal) where he lived throughout his childhood and teen years with his father, a divorced architect."

Já em Julho também acharam por bem apagar uma parte de biografia de Luís Amado: "He is married (separated, long time affair with an Executive member of the World Bank; Mrs.Sarah Cliffe) and has two children". Passou a " married and has two children".

Ficam aqui os resultados desta busca: José Sócrates versões 1,2,3,4 e Luís Amado 5

PS: A Wikipedia não estava a dormir. Aqui fica a acusação de "vandalismo" ao IP 193.47.185

User talk:193.47.185.124
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[edit] April 2007

Please do not delete content from articles on Wikipedia, as you did to José Sócrates. Your edits appear to be vandalism and have been reverted. If you would like to experiment, please use the sandbox. Thank you. MER-C 12:26, 9 April 2007 (UTC)

PS2: Ver aqui para os resultados de um reverse IP ao número 193.47.185.124 apontando para o CEGER, que gere a banda de IPs do Governo, de 0-255, correspondente aos sufixos .gov.pt. É seguir a seta ali junto à Calçada da Estrela.


No site do CEGER pode ler-se a sua missão:

"Por delegação do Primeiro-Ministro o Ceger funciona na Presidência do Conselho de Ministros, na directa dependência do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. O Ceger dá suporte à Governação nos domínios das Tecnologias da Informação e Comunicação. Compete-lhe garantir a utilização mais eficaz das Tecnologias da Informação e comunicação, e particularmente da Internet, para criar melhor Governo."


Desinformar, portanto. "Por delegação do Primeiro-Ministro".

(screenshot da wikipedia com alterações registadas)
(screenshot com aviso de vandalismo)
(screenshot com alterações realizadas por IP do CEGER)



publicado por Vasco Carvalho às 18:38
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(des)informação é poder

Três dias antes dos maiores atentados no Iraque, e num cenário em que a violência sectária alastra, a Fox News transmitiu esta reportagem dizendo que o recente aumento de tropas no Iraque, especialmente em Bagdad, está a resultar. Para provar os "pequenos sinais de progresso" que se vivem na capital iraquiana, a jornalista faz a reportagem num dos mercados, protegida por um batalhão de soldados e helicópteros maior do que a segurança privada do Millennium BCP, entrevistando vendedores que só lhe falam na violência e detruição que se vive nas ruas. Agora, só falta o Bush arrranjar 20 soldados para proteger cada iraquiano e a coisa deve resolver-se.
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publicado por Pedro Sales às 18:28
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O estranho mundo das promessas socialistas
O Tribunal Constitucional chumbou ontem as propostas do Governo para alterar as regras do sigilo bancário. Vitalino Canas considerou que este chumbo “não pôs em causa o levantamento do sigilo bancário”, mas “os termos em que é proposto”. O diabo vive nos detalhes. É que são, precisamente, os “termos” da proposta que a tornavam totalmente inútil para combater a fraude e evasão fiscal, sendo mais correcto falar de uma lei para punir os funcionários públicos e todos aqueles que ousassem protestar contra uma decisão da administração fiscal – os únicos visados com a medida do Governo.

Será que alguém imagina o empresário da construção civil que ficou famoso por se orgulhar, em plena Assembleia Geral do Benfica, de ter 2 milhões de contos em acções deste clube e declarar o ordenado mínimo, a reclamar com a injustiça tributária? Quem foge ao fisco são os que menos razões de queixa têm da máquina fiscal, não se percebendo, portanto, o alcance desta medida que não fosse enfurecer os contribuintes que, pagando, querem protestar sem por isso se sentirem discriminados e lesados nos seus direitos.

A única forma de contornar a habitual desconfiança com que muitos cidadãos encaram uma medida como esta, é fazer precisamente o contrário do caminho seguido pelo Governo. O acesso à movimentação bancária não deve depender de quaisquer condições externas – sejam elas o incumprimento fiscal ou ser funcionário público. Se a consulta for universal, não existem razões para quem quer que seja queixar-se de perseguição fiscal no acesso às suas contas. É isso, aliás, que acontece na generalidade dos países industrializados, como a Alemanha, EUA, Espanha ou Finlândia, nações que não se podem dar ao luxo de conviver com uma fraude que distorce as regras da concorrência e favorece os prevaricadores.

Na última campanha eleitoral para as legislativas, o partido socialista comprometeu-se a “adoptar um regime igual às melhores práticas europeias, nomeadamente em matéria de sigilo bancário para efeitos fiscais”. Não foi uma promessa qualquer. No programa de Governo aparece mesmo como um dos 10 objectivos para a legislatura, a cumprir nos primeiros 180 dias. O problema é que José Sócrates já tomou posse há mais de 880 dias e não parece haver maneira do Governo levantar o sigilo bancário. O chumbo de ontem não teve nada a ver com isso, até porque dizer que o Tribunal Constitucional apreciou uma lei sobre o levantamento do sigilo bancário tem tanta propriedade como dizer que estavam em causa as regras de admissão à função pública. Mais uma promessa (perdão, “objectivo” ou “meta”) que parece ficar pelo caminho. Começam a ser bastantes.

publicado por Pedro Sales às 15:09
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A witch, a witch, we found a witch!

Monty Python and the Holy Grail.

WASHINGTON, Aug. 14 — The Bush administration is preparing to declare that Iran’s Revolutionary Guard Corps is a foreign terrorist organization, senior administration officials said Tuesday.
New York Times, US Weighing Terrorist Label for Iran Guards

publicado por Vasco Carvalho às 04:11
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2007
Dança comigo André

Que viva Chavez!</span> CD Sem autor, comprado por aqui em Agosto de 2005.

Vá lá André, nada de vergonhas. Volume no máximo. O som sempre é melhor que o 'menino guerreiro', e o homem até foi eleito.

publicado por Vasco Carvalho às 15:02
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É cada vez mais difícil ser promotor imobiliário em Havana (take 2)
A Sonae Sierra e a ING Real Estate venderam 50% das Torres do Colombo à parceria Iberdrola Inmobiliaria/Caixa Geral de Depósitos (CGD), por 12 milhões de euros, ficando a empresa imobiliária da eléctrica espanhola com 25% deste projecto de escritórios em Lisboa e o banco português com os outros 25%.

Vejamos. A mesma Sonae que exige, em tribunal, 71 milhões de euros à Câmara Municipal de Lisboa como indemnização pelos alegados lucros cessantes causados pelo atraso na autorização desta obra, avaliou o valor das torres em 24 milhões de euros. Restam duas leituras. Ou os administradores da Sonae são tolos e deixaram-se roubar de forma infantil pela Iberdrola, ou tomam os outros por tolos e querem roubar os lisboetas de forma infantil. Cada um que faça a sua leitura.

publicado por Pedro Sales às 13:50
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John Jacob Jingleheimer Schmidt


publicado por Filipe Calvão às 09:16
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
Happiness is DPRK

O Zero de Conduta visto pelos outros. Aliás, eu, o Filipe e o Sales fazemos um cameo aí para o 1m.30s, parte do nosso internato nos pioneiros radicais de Pyongyang em 1984. E o José Neves ainda lá está, estamos à espera que volte.

publicado por Vasco Carvalho às 19:03
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Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte...
Quem arrendou uma casa ou um prédio ao Estado poderá ser despejado de imediato e antes de qualquer decisão judicial. De acordo com o novo diploma, que, segundo uma fonte governamental, é “a maior reforma feita nos últimos 30 anos no sector imobiliário”, o Estado “pode denunciar os contratos de arrendamento antes do termo do prazo ou da sua renovação sem dependência de acção judicial, por motivos de interesse público”. Ou seja, o processo correrá apenas a nível administrativo.

O novo diploma (Decreto-Lei 280/2007, de 7 de Agosto) não discrimina as razões para a denúncia dos contratos. Refere apenas “instalação e funcionamento de seus serviços” e “interesse público”. Pelo que não fica excluída a hipótese de venda das casas readquiridas pelo Estado. Aliás, uma das principais razões para a existência do diploma é a necessidade de levantamento de todo o património do Estado e, se necessário, posterior alienação.



publicado por Pedro Sales às 11:48
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Blair: o eterno facelift (II)






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publicado por Vasco Carvalho às 07:33
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Blair: o eterno facelift

Tony Blair "the man who made Britannia cool", abre a Men's Vogue de Setembro. Depois da tour mundial de despedida, Tony Blair aparece fresco, em mangas de camisa e atlético. Aliás,tão fresco que se suspeita de uso de airbrushing, onde se retoca digitalmente a fotografia para que Blair pareça mais en vogue . A práctica de airbrushing é comum nos media, mesmo depois de muitas horas de maquilhagem. Aumenta-se um seio, elimina-se um duplo queixo, desaparece uma borbulha. É um instrumento fácil e barato, uma espécie de arma de recurso ao serviço de indústrias que se dedicam, afincadamente, a produzir uma versão paralela da realidade.

Com a Vogue e os produtores americanos de posters que eliminaram os cigarros de fotografias dos Beatles, de passo em passo rumo até à Terra de Oz. Que Blair figure na história não é de estranhar: o seus mandatos foram uma interminável estrada de tijolos amarelos, chamada Cool Britannia. O spin continua numa fonte de desinformação perto de si.



publicado por Vasco Carvalho às 03:14
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Domingo, 12 de Agosto de 2007
Diálogos Pacheco-Lança



[Batem à porta, entra Lança, uma empregada do lar]

Pacheco: “Ó minha senhora, desculpe que lhe diga, é uma lindíssima mulher…
Lança: “ahhh?”

Pacheco: “ahhh? O que é que ela diz?”

Lança: “Isso é a minha filha”.

Pacheco (pega nas mãos da empregada): “Olha, tem as mãos quentes. Tu não fazes ideia, esta senhora e as outras acordam a velhinha ali do lado todas as manhãs, sabes como? Dando beliscões na velhinha…o barulho que elas fazem a rir… Olha, ontem vi uma… não estava nua… estava a vestir-se…”
Lança: E o senhor gosta de ver, né, e o senhor gosta…

Pacheco: Eu não vejo quase nada, ó minha senhora… eu não vejo quase nada… chegue-se aqui... olha para este espanto... é uma mulher linda... anda é muito vestida... quero vê-la na praia...
Lança: “Ele é fogo, o sôr Luiz é fogo…”

Pacheco: O quê? pego fogo…? Queres levar um livro? Não te faz mal nenhum…


Continuar a ler a entrevista de Guilherme Pereira a Luiz Pacheco.

publicado por Vasco Carvalho às 18:03
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Já que falamos em novilíngua...



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publicado por Pedro Sales às 17:48
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A novilíngua de Correia de Campos
O ministro da Saúde desvalorizou ontem a existência de mais de 208 mil doentes em lista de espera, 40 mil dos quais há mais de um ano, lembrando que estão menos 20 mil pessoas à espera de uma operação do que há seis meses. No que já vem sendo um hábito neste governo, Correia de Campos trabalha os números da forma que melhor lhe convém. Estranhamento, ninguém na imprensa se deu ao trabalho de ir comparar os números, não com os últimos seis meses apresentados pelo Governo, mas com o que existia quando o ministro tomou posse. Se o tivessem feito, e era bem simples, teriam reparado que há dois anos existiam 224 mil doentes em lista de espera. Compreende-se que o ministro omita esse dado. É bem diferente dizer que se reduziu em 10% as listas de espera nos últimos seis meses, do que dizer que se precisou de mais de dois anos para alcançar esse número. Em dois anos e meio o governo diminui as listas de espera de 224 mil para 208 mil doentes e, todo contente, diz que são “valores que não nos envergonham”. Talvez não envergonhe o ministro, mas temo que a mesma opinião não possa ser subscrita pelos 20 mil doentes em lista de espera há mais de dois anos ou pelos doentes que esperam mais de um ano para serem operados ao cancro.

Mas o cuidado em ocultar a realidade, apresentando-a com cores mais suaves, não se fica por aqui. Disse o ministro que “chegámos ao Governo com oito meses e meio de tempo mediano de espera e estamos neste momento com cinco meses”, no que foi tomado, pela quase totalidade da imprensa, como o tempo médio que cada doente espera para ser operado. Mas o ministro, cuidadoso, nunca falou em tempo médio de espera, mas sim de “tempo mediano” o que, parecendo a mesma coisa, está a léguas de o ser. A mediana é uma operação estatística que calcula o valor mais provável. Com esta regra, os tais 20 mil doentes que estão à espera há mais de dois anos foram, quase de certeza, omitidos nos cálculos de Correia de Campos.

Deixo apenas um exemplo, para se ver como as coisas são diferentes.Em Março deste ano, o Ministério da Saúde publicou um estudo sobre as listas de espera nas doenças oncológicas. O tempo médio de espera, no país, era de 105 dias, ou seja, três meses e meio. Mas, de acordo com a “mediana” traçada pelo Governo, os 105 dias passaram a 44. Um mês e meio, sendo esse o número que foi o que foi divulgado pelo Governo. Depois da forma engenhosa como Sócrates tentou esconder a sua promessa de criação de 150 mil empregos, os constantes truques utilizados por Correia de Campos começam a indicar um padrão preocupante sobre a forma como o governo martela os números para esconder os seus principais falhanços.

publicado por Pedro Sales às 15:48
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Sábado, 11 de Agosto de 2007
O Obamistão Luso rejeita o Kucinismo Científico
O Filipe já tinha trazido o Kucinich à baila e o homem continuou a fazer sucesso aqui e aqui. Depois a febre Kucinista alastrou como fogos durante um governo PSD. Ponto por ponto, Somos todos Kucinistas (aqui e aqui). Na verdade, ninguém o aceitou: parece que toda a gente simpatiza com alternativas reais de poder, nomeadamente Obama. Na humilde opinião deste escriba, Obama tem sido uma desilusão e o seu posicionamento táctico - uma terra de ninguém entre a inicial frescura apolítica (o jovem sem nódoas de governação no seu passado, que é curto) e o actual proto-Homem-de-Estado cinzentão - tem deixado um rasto de ambiguidades. Se fosse para fazer isso, sempre preferia a Hilária.

Links estivais:
i) o teste que circulou inicialmente
ii) outro teste (um pouco melhor)
iii) sondagens, sondagens e mais sondagens,
iv) um especial para freaks de tabelas.
v) um especial para freaks de mapas: para brincar com a geografia eleitoral de 2008.

publicado por Vasco Carvalho às 20:11
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