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Zero de Conduta

Zero de Conduta

29
Jul07

Espelho meu, espelho meu...

Pedro Sales
Paulo Portas promete para Setembro oposição forte ao Governo nas áreas da Educação, Finanças e Saúde, três meses depois de ter prometido ser uma "oposição firme e credível" e de passar o tempo a dizer que é o político melhor posicionado para combater José Sócrates. O resultado de tanto convencimento, apesar da inacreditável atenção mediática de que dispõe (*), ficou à vista em Lisboa.
(*) Personalidades que mais tempo de informação protagonizaram no 1.º semestre 2007 - dados Marktest
28
Jul07

Governo virtual

Pedro Sales
O Ministério da Justiça criou um centro de mediação de conflitos e arbitragem no Second Life. Está certo. Como não consegue resolver os crónicos atrasos do nosso sistema judicial, alguém deve ter dito ao ministro Alberto Costa que talvez fosse melhor alhear-se de vez da realidade e criar uma ilha no jogo da vida virtual. Fica a consolação provinciana de que “somos os primeiros”. Pois, por alguma razão mais ninguém se lembrou de colocar o sistema judicial a regular um jogo de computador...

Aparentemente, ninguém no governo terá reparado no ridículo que é criar uma mediação de conflitos virtual ao mesmo tempo que se deixa, todos os anos, prescrever milhares de processos e outros milhares se arrastam por tempo indeterminado. Processos que custam dinheiro a sério, e não trocos virtuais. Que contam na vida das pessoas e na economia do país.

Este gesto, aparentemente insignificante, é uma das melhores metáforas sobre o “moderno” estilo de governação de José Sócrates. Mediar o quê e para quê? Não importa, o que conta é a forma e a forma é como aparece nas notícias. Dá a ideia de que somos modernos e tratamos a tecnologia por tu. Depois, se não houver ninguém para encher as salas virtuais, não há problema: contrata-se uma agencia de casting virtual. Se não existir, melhor. Ainda vamos a tempo de criar uma e dizermos que, mais uma vez, estamos no pelotão da frente. 

ps: Sobre os verdadeiros números do Second Life, vale a pena ler este artigo da Wired 
27
Jul07

Dá-lhe Pacheco

Vasco Carvalho
"Somos gente pura: os mais novos não sabem o que é a promiscuidade, a minha rapariga se vir a palavra escrita deve achá-la muito comprida e custosa de soletrar: pro-mis-cu-i-da-de (pelo método João de Deus, em tipos normandos e cinzentos às risquinhas, até faz mal à vista!). A promiscuidade: eu gosto. Porque me cheira a calor humano, me sobe em gosto de carne à boca, rne penetra e tranquiliza, me lembra - e por que não ?! - coisas muito importantes (para mim, libertino se o permitem) como mamas, barrigas, pele, virilhas, axilas, umbigos como conchas, orelhas e seu tenro trincar, suor, óleos do corpo, trepidações de bicharada. E a confusão dos corpos, quando se devoram presos pelos sexos e as bocas. E as mãos, que agarram e as pernas, que enlaçam. Máquinas que nós somos, máquinas quase perfeitas a bem dizer maravilhosas, inda que frágeis, como não admirar as nossas peças, molas e válvulas e veias, todas elas animadas por um sopro que lhes parece alheio mas sai do seu próprio movimento, do arfar, dos uivos do animal, do desespero do anjo caído. E a par disso que é o trivial, que é o que cada um, tosco ou aleijado tem para dar e trocar, fatalidades, na sua mísera ou portentosa condição de bicho, a beleza, que é a surpresa, a harmonia das formas, que é a excepção e a inteligência, que é a reminiscência dos deuses."

Continuar a ler um excerto de Comunidade.
27
Jul07

Lunáticos por Israel

Pedro Sales





O que é que acontece quando se junta a poderosa direita cristã com o lobby israelita nos EUA? O resultado pode ser visto nesta videoreportagem que o Huffington Post fez no encontro anual dos Christians United for Israel. A sua agenda? Um ataque unilateral ao Irão e a expansão territorial de Israel. O seu discurso? Jesus regressará a Jerusalém depois da batalha do Armagedão e limpará a terra da presença do diabo. No final, todos os "infiéis" terão que se converter ao cristianismo ou sofrer eternamente no inferno.

O autor diz que nunca assistiu a um espectáculo tão "extremista, ultrajante e bizarro". Não está a exagerar. Podemos dizer que se trata de uma ínfima minoria dos cristão americanos e dos apoiantes de Israel, o que é certamente verdade. Mas é aí que reside o interesse desta reportagem. Como é que uma ínfima minoria de lunáticos consegue ter tão boas relações com a administração Bush e garantir a presença, nos seus eventos, do ex-líder da maioria republicana no Congresso, Tom Delay, ou do influente senador Joe Liberman? Os mistérios da politica externa da administração Bush passam bem mais pelos corredores e salões de hotel onde se realizam estes obscuros encontros do que, à primeira vista, se possa pensar. Mais uma razão para ver este vídeo.
26
Jul07

Um silêncio ensurdecedor

Pedro Sales
José Sócrates não podia ter sido mais claro sobre a recusa do Governo Regional da Madeira em aplicar a nova lei do aborto. Ao contrário do Presidente da República, que se pôs fora da questão remetendo-a para os tribunais, o primeiro-ministro não deixou espaço à ambiguidade: “Não admito outro cenário que não seja o de aplicar a lei também na Região Autónoma da Madeira”.As palavras que escolheu conferem-lhe, agora, uma pesada responsabilidade. Não pode ser desautorizado por Jardim. Sócrates tem a vantagem do seu partido já pouco ter a perder na Madeira e de, no passado, já ter dado provas de que não se importa de sacrificar o PS local.

(ilustração de Nuno Saraiva)

As críticas que fez ao “silêncio ensurdecedor” dos líderes dos partidos da direita não podia ter sido mais certeira. Não deixa de ser curioso, aliás, ver PSD e PP, sempre lestos a defender a autoridade do estado, neste “silêncio ensurdecedor” sobre o abandalhamento progressivo que vem da Madeira. O mesmo Paulo Portas que mobilizou uma fragata para proteger “a aplicação da Lei portuguesa” em águas extra-territoriais não tem nada a dizer sobre o incumprimento da lei numa Região Autónoma. Marques Mendes, esse, já só se preocupa em angariar uns votos para as directas, nem que para isso tenha que sacrificar a sua credibilidade política, aceitando participar, pela primeira vez, na festa anual do PSD Madeira.
26
Jul07

1000000000000000000000...

Vasco Carvalho
10^20, é o número de possíveis configurações de um tabuleiro de damas. E claro, sendo um jogo finito basta resolver de trás para a frente, anotando a melhor estratégia para a possível história de cada jogo. É portanto possível resolver o jogo de forma a nunca o perder.

Foi isso que provou Jonathan Schaeffer (também aqui). Depois de anos e anos em que os seus 200 computadores jogaram todos os possíveis jogos de damas, a equipa de Schaeffer publicou agora um algoritmo que não pode ser derrotado.

E aí reside a ironia: na quimera da invencibilidade, a espécie conseguiu perceber a forma de sair sempre, mas sempre, derrotada.
26
Jul07

Económico com a verdade

Pedro Sales
Na entrevista de ontem à SIC, José Sócrates jogou várias vezes com as palavras para se referir às suas promessas eleitorais, num equilibrismo perigoso e, aqui e ali, pouco sério.

O emprego foi o caso mais evidente. Questionado sobre a promessa de recuperar 150 mil postos de emprego, Sócrates desmentiu que se tratasse de uma promessa. Era uma "meta". Mesmo assim lá foi dizendo que os 41 mil empregos criados podem não chegar para se cumprir a “meta” de “criar 150000 novos postos de trabalho”. Dois pontos. Em primeiro lugar não existia nenhuma “meta”, mas um objectivo apresentado aos eleitores: “Portugal deve ter como objectivo recuperar, nos próximos quatro anos, os cerca de 150.000 postos de trabalho perdidos na última legislatura”, programa do Partido Socialista.

Em segundo lugar, o objectivo era “recuperar” 150 mil postos de trabalho” e não “criar” novos empregos. Parece um pormenor, mas é muito diferente. “Recuperar emprego” cria a ideia de que se vai diminuir a taxa de desemprego, até ao valor anterior à ultima legislatura, já criar postos de trabalho é independente da taxa de desemprego e não fornece nenhum sinal sobre a evolução do desemprego e da economia.

A questão é esta. Quando tomou posse, no fim do primeiro trimestre de 2005, existiam 412 mil desempregados, dois anos passados, no mesmo período, existem 470 mil. Percebe-se este “zelo semântico inconstante”, como refere o Paulo Gorjão, para escamotear a realidade, mas não deixa de ser pouco sério misturar dados absolutos e relativos como fez ontem Sócrates conforme mais lhe convinha.

O segundo caso prende-se com a revisão do código laboral. Confrontado com o desequilíbrio contra os trabalhadores das propostas da Comissão do Livro Branco, o primeiro-ministro chutou para canto, afirmando que estas apenas responsabilizam a Comissão. Pelo meio esqueceu-se de dizer que essas medidas foram postas em cima da mesa pelo próprio ministro Vieira da Silva e que foram as únicas apresentadas pelo governo aos parceiros sociais. Só no final da ronda negocial é que o governo dará a conhecer as suas propostas, disse. Até lá nada.

Sucede que, no programa eleitoral, o PS já enunciava o que viria a ser feito por um executivo socialista: “o Governo do PS promoverá a revisão do Código do Trabalho, tomando por base as propostas de alteração que em devido tempo apresentou na Assembleia da República.” Todos nos lembramos da oposição cerrada feita pelo PS ao Código de Trabalho. A UGT participou na greve geral contra este documento e as propostas do PS estavam muito mais perto das do PCP e Bloco do que das apresentadas no Livro Branco. Uma inversão de posição que até tem permitido a Bagão Félix vir dizer que o Governo está a dar uma “dádiva ao patronato”. Tem razão, e não foi isso que o partido socialista prometeu durante a campanha.

Por último, o referendo ao Tratado Europeu. A cada dia que passa, fica mais perceptível que esta é mesmo uma promessa eleitoral para cair. No que parecia um número dos Gato Fedorento, o primeiro-ministro reconheceu que, existindo um compromisso para o referendar o Tratado Constitucional, não quer dizer que este se mantenha com o novo Tratado. Apesar de reconhecer que os dois documentos são quase iguais, o último já pode dispensar o referendo. Confusos? Não se preocupem, era mesmo esse o objectivo.

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