Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008
Os jogos da (falta de) vergonha II

A sala de imprensa dos Jogos Olímpicos. É aqui que parecem começar e acabar as preocupações do Comité Olímpico Internacional com os limites à liberdade de expressão na China. Fora isso não se passa nada. Não quero menorizar a importância das condições de trabalho dos correspondentes estrangeiros que se encontram em Pequim, mas talvez tivesse tido sentido tamanha preocupação e desvelo há uns anos atrás. Em 2001, mais concretamente, quando o mesmo COI não se importou em atribuir a organização dos J.O. a uma ditadura que não reconhece o direito de associação politica, liberdade sindical, religiosa, de expressão e liberdade de imprensa para todos os jornalistas que não estão a fazer a cobertura dos Jogos. Para que o evento desportivo mais caro de sempre pudesse ter lugar, milhares de pessoas viram os seus bairros arrasado e foram deslocadas para onde o Partido Comunista bem entendeu. Isso nunca preocupou o COI, que consentiu alegremente em ver a gerontocracia chinesa usar os Jogos Olímpicos como uma grandiosa máquina de propaganda do regime, mas agora faz de virgem ofendida porque o site da BBC e da Amnistia estiveram bloqueados na sala de imprensa. É mesmo não ter o sentido das proporções. Melhor, só ter sentido para a proporção dos negócios num novo e gigantesco mercado.

 

Vale a pena ler: We love Beijing, de Rui Bebiano.



publicado por Pedro Sales às 15:04
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008
Partido Somague Democrata

Na mesma intervenção em que se queixou dos condicionalismos políticos impostos pelo peso do Estado, que se propõe desmantelar em seis meses, Luís Filipe Menezes defendeu o fim do pagamento das quotas no PSD, tornando o partido totalmente dependente da subvenção estatal. Ou isso, ou dos contributos de empresas que o mesmo também defende...e que tão bom resultado já deu no PSD. 

publicado por Pedro Sales às 14:36
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Business as usual
O PSD foi o primeiro partido político português a assinar um contrato com uma agência de comunicação, pagando 30 mil euros por mês à Cunha e Vaz para esta centralizar a sua imagem, comunicação e discurso.

Há um mês que Luís Filipe Menezes critica a OPA socialista ao BCP, denunciando o que diz serem as diligências do Governo para impor Santos Ferreira à frente do maior banco privado nacional.

Santos Ferreira contratou a agência de Cunha e Vaz para assessorar a sua lista na corrida à presidência do BCP. Ou seja, a mesma agência de comunicação que coordena com Luís Filipe Menezes o discurso sobre a “OPA socialista ao BCP”, está a assessorar a “OPA socialista ao BCP”.

publicado por Pedro Sales às 17:16
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
"O debate"
Santana Lopes andou mais de uma semana a anunciar que se estava a preparar para a reedição dos seus debates com José Sócrates. Ontem, na TSF, falava da abertura de um “novo ciclo político” comparável ao de Cavaco Silva. A imprensa foi na onda. Os jornais da manhã anunciavam a coisa em tons épicos. A Sic Notícias fez um separador para a ocasião. O espectáculo estava montado, as galerias cheias, a Assembleia silenciosa. Só se esqueceram que não basta ter um actor para ter filme. É preciso que ele conheça o papel. Santana foi igual a Santana. Um flop. Tinha cinco minutos para questionar o primeiro-ministro. Perdeu-se a falar do seu tema preferido. Ele próprio. Nos escassos segundos que deixou para falar do Orçamento ninguém percebeu do que é que estava a falar. Ainda inventou uma qualquer figura regimental para tentar um remake. Outra vez o mesmo filme. Penoso e vazio.

Existe um mito que a imprensa acredita e que anda a “vender-nos” há anos. Santana Lopes é um bom orador e um adversário temível em debates. Nada mais errado. Santana Lopes só conhece um dossier. Dá para encher as páginas de jornais com mil e uma efabulações, mas não dá para mais nada. Depois, a imagem de estroina instável persegue-o. Para compensar a ligeireza da imagem, e assumir a pose de Estado, veste um fato que não é o seu. É um peixe fora de água. São os dias em que traz os óculos para falar de improviso. Nem sempre basta andar por aí, é preciso saber o que se faz. Só faltou Sócrates virar-se para Santana e dizer-lhe: “foi porreiro, pá”.

publicado por Pedro Sales às 19:13
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Domingo, 7 de Outubro de 2007
Se votamos para escolher um vendedor, aviso desde já que prefiro o Steve Jobs
Tem mais estilo, carisma, é melhor orador, tem melhores produtos para vender e apresenta resultados.
PS: Já que foi o primeiro-ministro que apresentou a nova produção da Pescanova como sendo a "melhor do mundo", gostaria que alguém me esclarecesse sobre o seguinte. Se apanhar uma espinha, num daqueles filetes que são vendidos sem elas, ou uma embalagem estragada, posso enviar o protesto para a residência oficial do Engenheiro José Sócrates?

publicado por Pedro Sales às 22:22
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Sábado, 6 de Outubro de 2007
Vender o peixe

Aqui há uns meses, o Governo contratou umas crianças para figurarem numa iniciativa apresentada pelo primeiro-ministro. José Sócrates, confrontado com a polémica, garantiu que não se repetiria. Tinha razão. A partir de agora é ele o figurante. Começou hoje, onde fez de porta-voz e modelo numa bem sucedida promoção comercial - transmitida em directo nas televisões - da Pescanova. Espero que não fique por aqui, ouvi dizer que a Martini paga melhor.

publicado por Pedro Sales às 16:22
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007
Eu gosto é do avião (principalmente quando são os outros a pagar)
A campanha eleitoral no PSD ficou marcada pela viagem de Luís Filipe Menezes aos Açores, num jacto privado, e que foi paga por um empresário do sector hoteleiro com interesses em Vila Nova de Gaia. Os aviões parecem, de resto, ser uma constante na carreira política de Menezes.

Há quase 20 anos, este homem que se apresenta agora como a renovação da classe política, já era deputado e foi um dos principais protagonistas das lamentáveis "viagens fantasma", tendo uma "conta conta-corrente numa agência de viagens, alimentada com as verbas que a Assembleia da República lhe pagava a título de despesas de deslocação. As viagens requisitadas não eram feitas e a conta-corrente serviu para pagar despesas particulares - entre as quais uma viagem da sua mulher a Paris, estadas em hotéis em Vilamoura e na Madeira e ainda entradas no Casino Estoril". (Expresso, 11 Setembro 1999)

Acusado de "burla" pelo Ministério Público, "forneceu às autoridades uma morada inexistente, comprometeu-se a comparecer no Ministério Público (MP) para prestar declarações, mas faltou, apresentou um atestado médico e, depois, ausentou-se para Paris", levando o MP a concluir que estava «objectivamente obstaculizando o célere andamento» da Justiça. A reacção de Menezes contra o Ministério Público foi contundente, envolvendo-se numa guerra de insultos e garantindo, taxativamente, que não seria julgado. Arrogante? Claro, mas sabia do que falava. O processo prescreveu. O Portugal que conhecemos tem décadas. E Menezes, que se apresenta como a renovação da classe política, tem andado sempre por aí.

publicado por Pedro Sales às 09:01
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Domingo, 30 de Setembro de 2007
Solidariedade Inter-Blogues
Pacheco, amigo, a malta está contigo.


publicado por Vasco Carvalho às 05:30
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Sábado, 29 de Setembro de 2007
Cheira a futuro
"O democrático calça seu aperto de mão de camurça anti-séptica e tira macacos do nariz da criança para os comer em público. Delirantes os pais servem-lhe as crias numa travessa azul andorinha com um requerimento espetado na boca. O democrático que fez constar que a liberdade é o democrático gostar de leitão ingere a criança tostada numa mastigação que os microfones traduzem numa língua para falar às baratas e dá finalmente um arroto. «Cheira a futuro» dizem os pais com a mão na algibeira acariciando o seu orgão de continuidade. E cantam hinos até a polícia vir. (...) Felizmente o democrático não é outra coisa além do que não é. Se o democrático fosse uma oleografia de Nosso Senhor Jesus Cristo, encimava as camas de todos os bordéis latinos, cristianissimamente pendurado pelo fervoroso mau gosto das prostitutas."
(Natália Correia, Poesia Completa, 2ª edição, p. 334)


publicado por Vasco Carvalho às 02:44
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
Tão doido que até dou por mim a concordar com Santana Lopes

A Sic Notícias esteve toda a tarde a anunciar a presença de Santana Lopes para comentar a crise no PSD. Poucos minutos depois do início da entrevista, interromperam a emissão para filmar a chegada de José Mourinho a Lisboa. O treinador mais famoso do mundo não falou com ninguém e desapareceu em segundos. De volta ao estúdio, depois de umas inanidades de um repórter que não tinha nada para dizer, Santana Lopes diz que não continua e que se vai embora. “Bem sei que Mourinho é mais importante que qualquer um de nós e que esta coisa da crise dos partidos e do sistema político não interessa a ninguém, mas não me parece correcto o que acabou de acontecer. Interromperam a emissão para nos informarem que Mourinho chegou num avião privado. Acho que este país está doido.” Agradeceu o convite e foi-se embora.

publicado por Pedro Sales às 23:15
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
Erro de casting
A Sic Notícias convidou hoje um jornalista do Correio da Manhã para comentar as eleições directas do PSD. Fizeram mal. Atendendo à forma e ao conteúdo da campanha, deviam ter escolhido este voluntarioso trio. São os maiores especialistas nacionais em chapeladas decididas pelo "sistema" e conseguem falar, durante horas, sobre os pormenores mais insignificantes decididos em obscuros órgãos de jurisdição. A campanha do PSD foi feita para eles. É uma pena que a SIC esteja a desprezar, de uma forma tão ostensiva, a prata da casa que lhe tem dado tão boas audiências.

publicado por Pedro Sales às 17:59
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
O dilema de Mourinho
José Mourinho abandonou o Chelsea. A primeira reacção é pensar que a Federação Portuguesa pode ter aqui a oportunidade de ouro para resolver o “caso” Scolari pela porta grande. Na semana passada, o Guardian recordava que, face às exibições e resultados da selecção inglesa, a contratação de Scolari ainda estava na agenda da federação britânica. Não deve ser esse o destino, por agora. Para quem está no primeiro plano do futebol mundial, o cargo de seleccionador representa sempre uma despromoção. É uma espécie de prémio pela carreira.

Mourinho obteve em poucos anos uma fama e reputação que Alex Ferguson, por exemplo, demorou décadas a obter. Mourinho vai querer provar que continua a ser ele o Special One. O problema é que, nos dias que correm, os clubes de topo mundial, e que gastam para cima de cem milhões de euros só em salários às suas vedetas, exigem espectáculo. Capello ganhou o título que o Real Madrid perseguia há 4 anos e foi despedido. O futebol era feio, calculista e não encantava as bancadas. Abramovich, farto de esperar pela Liga dos Campeões, começou a cobrar ao mediático treinador um futebol mais condizente no estilo com os números de zeros nos cheques dos seus jogadores. Vencer não chega, é preciso encantar a multidão global. John Terry bem pode ser um defesa quase intransponível e Lampard um dos melhores centro campistas da sua geração, mas não vendem um décimo das camisolas de jogadores como Ronaldo, Ronaldinho e Messi. São atletas como estes, que levantam os estádios com os seus prodígios técnicos, que os jovens admiram e querem ter o nome estampado nas costas. A exigência, não tem nada a ver com a reclamação de um futebol “de esquerda”, como chamava Valdano ao futebol atacante e atraente. É o peso do dinheiro que o exige, como se queixa Platini em carta enviada aos principais responsáveis políticos europeus.

Infelizmente, para Mourinho, as suas equipas são sempre fieis à sua imagem de marca. Concentração total, um futebol competente e eficiente, mas onde as preocupações estéticas ficam de fora das conversas no balneário. Seja com uma equipa que ganhou tudo com as “vedetas” da União de Leiria e os excomungados do Benfica, ou com os multimilionários de Londres, o esquema é sempre o mesmo. A vedeta é Mourinho, sempre Mourinho, só Mourinho. Foi assim que ganhou, e é assim que sabe ganhar. Em fórmula que ganha não se mexe, estará neste momento a pensar o que é, provavelmente, o mais famoso treinador mundial. O problema, para ele, é que no futebol de hoje, essa fórmula já não chega. Não basta ganhar, é preciso vencer, convencer e facturar muitos milhões com isso. A excepção à regra é a Itália. Deverá ser esse o seu destino.

publicado por Pedro Sales às 09:56
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