Terça-feira, 9 de Setembro de 2008
And Now for Something Completely Different

Screensavers para o Macintosh. Começando pelo do vídeo, um slideshow com fotografias de Lisboa, e um intricado, mas muito pouco prático, relógio. Deixando o melhor de todos para o fim, é justo destacar Hotel Gadget, anteriormente conhecido como Hotel Magritte, uma surrealista combinação aleatória de palavras com imagens, levando-nos a sucessivos quartos de hotel onde o paradoxal e imprevisto é a única "verdade" garantida.


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publicado por Pedro Sales às 13:08
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Serviço público

Para todos aqueles que pretendam ver as mais recentes séries norte-americanas, o site de vídeos Hulu é uma boa solução. A qualidade de imagem é excelente, e, aturando muito menos anúncios do que em qualquer canal nacional, é possível assistir a grande parte das série de maior sucesso no dia seguinte à da sua emissão nos EUA. A melhor parte: entre os vários programas disponíveis, já se pode encontrar os excelentes Daily Show e Colbert Report. Infelizmente, o serviço só funciona nos EUA. Isto, claro, se não se conhecer este pequeno programa. Depois de instalado, é só corrê-lo de cada vez que se quiser ver um programa ou série em hulu.com.


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publicado por Pedro Sales às 02:17
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Publicidade enganosa

Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.

 

Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido.  A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida  em Portugal sob  licença da Intel, uma história bem distinta da  habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.

 

Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão 80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishful thinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.

 

A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.
 

PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel. 



publicado por Pedro Sales às 09:07
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Ninguém põe a VISTA em cima destas coisas?

Há dois dias que este vídeo, gravado por quadros do departamento comercial da Microsoft para promover a primeira actualização do seu novo sistema operativo, é o maior sucesso do Youtube. Compreende-se. A coisa é tão grotesca que resume bem como o mau gosto sobrevive como a cultura institucional da empresa que equipa (sabe-se lá como e porquê) 95% dos computadores mundiais. Ao pé disto, os já famosos anúncios da Apple a gozar com os cinzentismo aborrecido dos produtos da Microsoft até que são bem simpáticos para a empresa de Bill Gates.

publicado por Pedro Sales às 13:28
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008
F for Fake

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publicado por Pedro Sales às 22:43
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Intel inside
Já se sabe que as prendas de Natal mais desejadas são as que aparecem na televisão. Já se tornaram banais os autocolantes na caixa dos brinquedos a anunciar que é o boneco "anunciado na TV". Novidade, novidade é ver um gigante da informática, como a HP, a anunciar no seu site o computador do "saco do Expresso". Processador, programas instalados, anti-vírus? Nada disso. Se vem no saco do Expresso é porque é bom e é rápido. O marketing move-se mesmo de formas misteriosas.
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publicado por Pedro Sales às 14:35
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
Um país de gadgets
A banda larga é um sucesso, garante-nos o primeiro-ministro, no intervalo das suas deambulações pelo país a distribuir computadores. Somos o 3.º país com a melhor cobertura móvel na Europa. Será? Os números da Anacom indicam que, no final do último trimestre, existiam 2,75 milhões de acessos à banda larga, 1,57 milhões através da rede fixa e 1,18 milhões pelas tecnologias móveis. Sucede que, destes últimos, apenas 478 mil são utilizadores activos. Os outros 700 mil, pertencem a telemóveis/pda com acesso 3G que os utilizadores não usam para aceder à net. Não usam mas podiam usar, logo aparecem nas estatísticas. É um caso de sucesso, é inegável, mais não seja sobre a arte de martelar os números oficiais para darmos um ar moderno. Mas é também um triste retrato do país. Temos a tecnologia e a infra-estrutura. Falta (tudo)o resto.
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publicado por Pedro Sales às 16:04
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
uma imensa hipérbole
Links na blogosfera, por Matthew Hurst, Discover Magazine


publicado por Vasco Carvalho às 18:47
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
O Big brother está de olho nos nossos mails
O governo francês assinou, na passada sexta-feira, um acordo com a indústria de produção e distribuição cultural e os operadores de telecomunicações para garantir que os cidadãos que sejam apanhados a piratear filmes e música percam o acesso à internet. (via Arrastão) Nicolas Sarkozy chamou ao acordo um "decisivo momento para o futuro de uma Internet civilizada", o que, por si, já faz temer o pior. Olhando para a proposta, cedo se percebe que o gigantismo que permite a monitorização de todo o tráfego na net é um sistema ineficaz para combater a pirataria, uma lamentável violação da privacidade da informação que apenas aumentará os custos do acesso à net. Tudo para nos proteger, claro.

Na base do acordo está um novo sistema em que os operadores de comunicações passam a monitorar todo o tráfego que circula na rede, instalando um sistema que vigia a autenticidade dos conteúdos transferidos. A enormidade da tarefa tem custos. Que não serão pagos pela indústria, claro está, mas não deixarão de aparecer nas facturas dos clientes. Depois é inútil para travar a pirataria. A primeira coisa que os sites ou programas para transferência de ficheiros vão fazer é arranjar um sistema de encriptação dos dados, tornando inútil a sua vigilância e quase impossível detectar conteúdos pirateados. Restam-lhe os legais, claro, e é só esperar pelas reclamações dos clientes quando começarem a encontrar o acesso à net barrado porque os seus filmes legais foram apanhados na rede. Apesar do acordo estipular o fim das restrições digitais instaladas nas cópias de música digital, uma reclamação há muito defendida pelas associações de consumidores, estas foram rápidas a perceber o que está em causa com esta “internet civilizada”: é um acordo “potencialmente destruidor da liberdade, contra a economia e que vai contra o historial da era digital”.

Depois do estrondoso escândalo do governo britânico ter perdido os dados de 25 milhões de contribuintes, seria de esperar alguma contenção na forma como as autoridades pretendem tratar e concentrar a informação dos cidadãos. Mas não, o estado policial exige cada vez de maiores quantidades de informação e quase tudo o que fazemos, de uma forma ou de outra, passa pela net. Façamos um pequeno exercício e imaginemos que Portugal adopta um sistema similar. Alguém no seu perfeito estado de sanidade mental confia na Portugal Telecom, a mesma empresa que não sabe filtrar um ficheiro Excel e que envia para o MP o registo das chamadas telefónicas das principais figuras do Estado, para vasculhar a informação que circula na net? Eu, por mim, sei bem a resposta.

Não só o problema da indústria musical não está na pirataria, como a solução não é a vigilância e repressão de tudo o que circula na rede. É a porcaria dos "estrelas" musicais que nos querem impingir que estão erradas: são infantis e de má qualidade. Ponto. (ver "a indústria mais estúpida do mundo") As vendas estão estagnadas, o modelo de negócio é velho de décadas e as grandes empresas em vez de procurar reagir apenas se esforçam em reprimir para proteger a galinha dos ovos de ouro. Até porque, como vários estudos demonstram, não há nenhuma ligação entre pirataria e declínio nas vendas: quem recorre à pirataria até compra mais música. Ir buscar um filme ao P2P não significa que não se compre o filme. Muitas vezes é apenas o reflexo do estúpido intervalo entre a distribuição nos EUA e Europa, vendo primeiro e comprando depois. O resto é apenas o pretexto para o Estado controlar mais e melhor a informação que produzimos com o argumento do costume que é para nos defender de nós próprios.

publicado por Pedro Sales às 16:48
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Kindle garden

Seria suposto que a digitalização de uma parte crescente dos conteúdos culturais conduzisse a uma maior liberdade do consumidor. Afinal, a grande vantagem da imaterialização dos suportes deveria ser a possibilidade da sua utilização em vários aparelhos. Em casa, no computador ou televisor, mas também na rua, com os cada vez mais presentes leitores de mp3, computadores portáteis ou mesmo telemóveis. A convergência de formatos tratava do resto. Nada mais errado. A cada novo aparelho e moda digital aumentam as restrições à sua utilização e difusão.

O novo menino bonito da imprensa mundial é o mais recente exemplo dessa tendência. Lançado com grande fanfarra na capa da Newsweek, o Kindle é o aparelho com que a Amazon diz pretender revolucionar a forma como lidamos e lemos os livros. Trata-se de um pequeno, e leve, aparelho digital que serve para ler versões electrónicas dos livros. O Kindle é tão caro quanto feio, custando 400 dólares, e permite também aceder, através de uma rede sem fios, aos conteúdos de blogues e jornais na net.

Como é normal, fora da fanfarra fica a leitura das pequeninas letras que limitam a sua utilidade. Um livro podemos comprar e emprestar. Com o Kindle não. Para além de usar um formato proprietário que só pode ser comprado na Amazon, mesmo depois de adquir o livro não o podemos guardar no computador nem emprestar a quem quer que tenha o mesmo aparelho. Se o Kindle se avariar a Amazon diz que devolve os livros já comprados, o que até pode ser verdade, mas fica sempre a questão do que acontece se o formato não vingar e a Amazon se desinteressar do mesmo. Não é uma mera questão académica, tendo já acontecido com o Google Vídeo. A coisa não funcionou bem, a empresa fechou o serviço e todos quantos tinham comprado os filmes nesse formato ficaram sem o dinheiro e sem filmes.

Mas o pior são mesmo as características mais “modernas” do aparelho. O Kindle permite ler ficheiros Word ou Pdf. Mas têm que ser enviados, previamente, para a Amazon para serem convertidos. Um serviço que é pago! Outra das grandes vantagens do novo suporte, diz a Amazon, é que permite aceder, através de uma rede sem fios, à versão electrónica de vários jornais e blogues. É verdade, mas só os 250 seleccionados pela cadeia electrónica. Para aceder a essa possibilidade tem que se pagar uma mensalidade à empresa. Ou seja, os blogues e jornais que se podem consultar gratuitamente com um portátil ou pda, no Kindle têm que se pagar. É uma das características mais curiosas da economia digital. Cobrar pelo que sempre foi gratuito e “vender-nos” o produto como uma grande revolução.

A maioria da imprensa internacional, e o Público (que colocou uma setinha ascendente ao dono da Amazon, dizendo que está a "abrir novas portas ao prazer de ler"), acham que o futuro da leitura passa por aqui. Se o futuro é pagarmos para lermos livros digitais que não podemos emprestar, imprimir, ou guardar num aparelho que não seja da Amazon - e que não nos oferece nenhumas garantias de que existirá daqui a uma década - então, como dizia o José Mário Branco no FMI, "que se foda o futuro, que se foda o progresso".

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publicado por Pedro Sales às 10:27
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
notícias das internetes

Como eu gosto destas coisas: a MediaDefender, uma empresa contratada por estúdios de cinema americanos para vigiar e punir a distribuição de conteúdos em circuitos P2P, foi caçada por piratas internáuticos (notícia na Wired). Esta empresa dedicava-se a lançar produtos fantasma nas redes P2P, tendo sido alvo de ataques por planear lançar um sítio falso (miivi.com, já não em linha), dedicado a apanhar quem fosse tentado a descarregar conteúdos ilegais. Aos "MediaDefender defenders", por furar o esquema de segurança dos polícias da net, protegendo-nos de quem não olha a meios para travar a pirataria ilegal, clap clap.

Por Portugal, para "media defender" basta-nos a ASAE. É tudo muito simples: se há tráfico ilegal de conteúdos, feche-se os canais por onde são distribuídos. Aqui há 2 meses, a polícia dos bons costumes internáuticos decidiu encerrar alguns dos mais populares sítios de partilha de ficheiros em Portugal (BTuga, ZeTuga e ZeMula). Os que ficaram para trás por desatenção (a mula da cooperativa, por exemplo) decidiu fechar as portas não fosse, sei lá, ter os seus computadores confiscados ou que arcar com a defesa em tribunal.

O problema não está só em atirar a "net portuguesa" para a irrelevância (ou alguém julga que quem quer descarregar conteúdos ilegais o vai deixar de fazer?). É mesmo a estupidez de se achar que toda a rede P2P é maléfica por natureza. Pois, pasme-se, a plataforma de televisão do futuro será, surpresa!, distribuída por redes P2P (como o Joost, dos criadores do skype). E por isto as notícias de que a Netcabo anda a cortar no tráfego P2P (via), eufemisticamente chamado "traffic shaping", são tão assustadoras.

Não se arranjam por aí uns Portuguese man-of-war capazes de dar umas picadelas na netcabo? Tempos houve em que os navegadores portugueses...

Aqui no ZdC já se escreveu sobre isto:
A indústria mais estúpida do mundo
Há bits e biiiiiiiiiiits

Sobre este assunto:
Save the internet
Google sobre Net neutrality
P2P na wikipedia

Apoia e divulga:
O BTugal tem uma campanha de angariação de fundos em curso para ajudar a pagar a defesa em tribunal (315 euros até agora, é pouco...).
Freetuga pela liberdade da internet em Portugal.

publicado por Filipe Calvão às 08:49
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
És a nossa fé
Com a entrada de Portugal na União Europeia, foi um corrupio de ministros e chefes do governo a inaugurar tudo o que era estradas e auto-estradas. O betão era a imagem da modernização do país. O atraso estrutural tinha os dias contados. Não foi bem assim. As estradas, como é normal, eram apenas uma ferramenta. Faltou o resto.

Agora, que o país está cheio de auto-estradas e que o dinheiro de Bruxelas já não pinga da mesma forma, o governo socialista também tem uma visão para modernizar Portugal. De há duas semanas a esta parte, tudo o que é ministro e secretário de Estado anda a calcorrear o país, qual funcionário do Círculo de Leitores, a distribuir computadores. A boa nova tem até uma vantagem. Cabe dentro de um bonito saco de papel e pode ser entregue em mão. Mais uma vez, a fé na crença tolhe a visão e não deixa perceber que continua a faltar o resto. A começar por uma população com competências para o usar, num país em que mais de 36% dos jovens não chega ao 10.º ano. O computador é uma ferramenta que, por si, nada resolve. Alguém devia explicar isso ao engenheiro Sócrates, mas temo que ele esteja demasiado ocupado a tornar o país num imenso Media Markt.

publicado por Pedro Sales às 08:10
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Sábado, 8 de Setembro de 2007
Há bits e biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiits
O Departamento de Justiça dos Estado Unidos declarou-se contrário à manutenção da neutralidade da internet, o princípio que garante a igualdade no acesso a todas as páginas da rede. Com esta decisão, está dado um importante passo para uma velha pretensão dos principais operadores: poder cobrar dinheiro directamente aos sites garantindo, em troca, um acesso prioritário às suas páginas. As auto-estradas podem estar a chegar à net, mas desta vez não é para garantir uma maior rapidez. Apenas pretendem deixar os pequenos produtores e negócios indesejados na berma da estrada regional.

Esta discussão pode parecer estranha no nosso país, onde todas as decisões verdadeiramente importantes nunca são debatidas e raramente são escrutinadas, mas nos EUA tem sido alvo de intensa atenção legislativa e das entidades reguladoras. A democraticidade da internet sempre passou pela manutenção de uma arquitectura interna não hierarquirizada. Todos os sites e conteúdos são tratados de igual forma, destacando-se pela sua relevância.

Para justificar a sua pretensão de pôr fim à regulamentação na net, entregando-a à regulação feita pelo mercado, o Departamento de Justiça recorda que os consumidores encaram com naturalidade a existência de serviços com diferente rapidez na distribuição do correio postal. Uma analogia sem qualquer sentido, uma vez que, na net, os consumidores também já pagam diversas velocidades no acesso, desde o modem analógico, até à adsl e às potentes redes das maiores empresas. O que está em causa não é a velocidade no acesso, mas a igualdade de tratamento de todos os conteúdos. Quem quiser um mail mais rápido, ou um blogue que não fique horas para ser aberto bem pode começar a pensar em abrir os cordões à bolsa. Os dias da gratuitidade na net podem ter os dias contados.

O alcance desta medida é também outro. Lá, como cá, a maioria dos operadores estão ligados a empresas de comunicações que não vêm com bons olhos o crescimento e proliferação dos serviços de telefone pela net, como o Skype, sentindo-se ameaçados no seu modelo de negócio tradicional. Remetendo-o para o fim da linha, afectam a qualidade do serviço até o tornar obsoleto. Ou isso, ou a Skype aceita pagar aos operadores, passando a cobrar por um serviço que está apenas a consumir a largura de banda já paga pelos seus clientes. Admirável mundo novo em que se esmaga a concorrência, cobrando duas vezes por um serviço, e se diz que é para garantir a liberdade do mercado. A net é mesmo a rede das redes. Até na metáfora da vida.

publicado por Pedro Sales às 11:35
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
Dúvidas

Publicidade para o Renault Dauphine, anos 60, Brasil

Há só uma dúvida que me fica na cabeça. Quem estará a mentir: a publicidade brasileira dos anos 60, anunciando 16 quilómetros por litro ou a indústria automóvel actual, anunciando um admirável mundo novo no que diz respeito ao consumo de combustíveis? É que o Toyota Prius, referência global da solução eco-consciente para o novo milénio, faz uns estrondosos 17,5 km por litro.

Mesmo admitindo a falsidade de publicidade com 40 anos, o facto é que as estatísticas para os EUA mostram bem que de 1980 ao Prius não há um corte radical, mas uma lenta evolução: um automóvel novo nos EUA fazia em média 10 km/litro em 1980, 11 km/litro em 1990 e perto de 13 km/litro em 2000.

Ao mesmo tempo, e por estes dias, na Shell eco-marathon(sic) correm protótipos que chegam aos 3000 km por litro, ordens de magnitude de diferença. É certo que do protótipo à comercialização vai um grande passo, mas já podíamos começar a pôr os travões (metáfora rasteira, eu sei) ao imenso spin verde que envolve os actuais modelos comerciais 'amigos do ambiente'. Servirá para vender jornais da especialidade, preencher o vazio na televisão ou mesmo para massajar o ego do suposto consumidor consciente. Mas não venham com a conversa da 'nova mentalidade eco-responsável para um novo milénio'. É que com amigos como estes...

publicado por Vasco Carvalho às 06:13
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Domingo, 19 de Agosto de 2007
Pesadelo digital
A notícia já tem um par de dias, mas não a vi reproduzida por cá em nenhum lado. O Google encerrou, no dia 15 de Agosto, o seu serviço de venda e aluguer de filmes. Desde essa data, todos os vídeos comprados nos EUA deixaram de funcionar. A empresa promete ressarcir, com 2 dólares, todos os tolos que compraram filmes através de uma plataforma que só os permitia ver num computador, com um programa especialmente criado para o efeito. Descontinuado o software, os vídeos passaram a ser zeros e uns sem nenhum sentido a encher o disco rígido.

É a verdadeira caixa de Pandora, a confirmar os piores receios sobre os incontáveis modelos que limitam o acesso e reprodução dos formatos digitais adquiridos legalmente. As músicas compradas na loja do iTunes não funcionam noutro aparelho que não o iPod, e têm uma qualidade tão baixa que se tornam irreproduzíveis na aparelhagem de qualquer pessoa que consiga distinguir a Britney Spears do Tom Waits. O mesmo acontece nas dezenas de lojas que usam a protecção digital da Microsoft, com a agravante destas músicas nem funcionarem no aparelho construído pela empresa de Bill Gates - que tem um formato proprietário próprio para o Zune. Confuso? Claro. Se qualquer destes formatos for ao ar, e os dois últimos são sérios candidatos, todos os que investiram na aquisição de música digital vêem-se, de um dia para o outro, com uma pilha de lixo informático que não lhes serve absolutamente para nada.

O mesmo sucede com as, por enquanto, tímidas venda digitais de filmes, com a proliferação de formatos proprietários como o agora encerrado pelo Google ou o da Amazon. O primeiro fechou a loja e o segundo tem restrições tão absurdas que chega a comportar-se como um daqueles programas que infectam e tomam conta dos computadores. Não devia ser assim. A transição para suportes digitais (que é inevitável) deveria significar uma maior liberdade e comodidade para o utilizador, não a subordinação aos absurdos caprichos das editoras e distribuidoras que mandam para as urtigas os direitos dos consumidores e assumem práticas comerciais inaceitáveis em qualquer outro modelo de negócio. Alguém imagina o que é que aconteceria se, de um dia para o outro, a Sony dissesse que todos os seus televisores deixavam de funcionar, compensando os seus clientes com 20 ou 30 dólares?

A transição para um modelo em que a aquisição de um produto deixa de significar a sua presença física, não quer dizer que quem o comprou não seja seu dono. Comprar é bem diferente de alugar, ou, pelo menos, costumava ser. A União Europeia, sempre tão atenta aos monopólios comerciais, e a ASAE e PJ que parecem dedicar-se a perseguir os miúdos que partilham música na net, podiam começar a prever estas coisas e a preocupar-se com os direitos dos consumidores nesta época digital. A maioria destas plataformas ainda só funciona nos EUA, mas o futuro passa por aqui e a maioria destes serviços prepara-se para dar o salto do atlântico e aterrar na pacata Europa.

PS: O suplemento Digital de ontem do Público (que não se encontra disponível na net) entrevista um significativo conjunto de artistas nacionais sobre os riscos da pirataria. O resultado não anda muito distinto do que já aqui tinha escrito sobre a indústria mais estúpida do mundo. A maioria dos artistas, mesmo os que consideram justo o encerramento dos sites de transacção de ficheiros digitais, insurge-se claramente contra as práticas comerciais das maiores multinacionais, dizendo que não investem em novos formatos e autores, denunciam as percentagens ridículas das vendas que sobram para os autores ou os custos proibitivos, para a realidade nacional, da maioria dos discos. Só pelo suplemento, vale a pena comprar a edição de ontem do Público.

Os artistas têm razão noutro aspecto: a redução do IVA dos discos. Não há nenhuma justificação para que os filmes e livros beneficiem do IVA reduzido aplicado às actividades culturais e um disco tenha que pagar 21% de imposto.

publicado por Pedro Sales às 16:00
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
Os longos braços da censura Socrática

"Politicamente só existe aquilo que o povo sabe que existe", disse Salazar, durante a inauguração do Secretariado de Propaganda Nacional, em 26 de Outubro de 1933.

Um estudante de doutoramento de Caltech acaba de lançar uma ferramenta de busca na Wikipédia que promete dar que falar. É só inserir o nome ou morada IP de uma organização e, voilá, temos o historial de alterações da Wikipedia submetidas por essa morada. (ver história da Wired ou o site aqui: se não der é porque meio mundo está a aceder ao site). A Wired lista já algumas das mudanças (onde as mudanças feitas pelo servidor da FOX News já estão a dar que falar) .

E então experimentei o seguinte: o sufixo do Governo Português .gov.pt (ver CEGER para uma listagem de gov.pt). Depois é ir aqui para ver qual a morada IP correspondente: neste caso, 193.47.185 (0 a 255, ocupam a banda de IP). Depois é só ir ao motor de busca para ver a máquina de contra-informação a funcionar.

Pelos dias em que rebentou o escândalo Sócrates-UNI (início de Abril de 2007), alguém (IP 193.47.185.124) apagou:

"Universidade Independente is presently (06-04-2007) under investigation on alleged irregularities on several matters. The Portuguese Prime Minister alleged university degree by this university is presently under a huge public discussion and media storm. A strong case is being build up against possible false declarations by José Sócrates on his university degree. Under heavy pressure, the Portuguese Prime Minister promised to clarify the situation..."

e apagou também o "briefly" em "he briefly attended the ''Instituto Superior de Engenharia de Lisboa'' .

A luta de posts e contraposts repete-se nos dias seguintes, onde se afiança que "He completed an MBA" e apaga a sua média de curso ("12 out of 20"), bem como a descrição da vida pessoal: "Sócrates, a father of two who is divorced, lives in Lisbon and is a registered elector of the municipality of Covilhã (central inland Portugal) where he lived throughout his childhood and teen years with his father, a divorced architect."

Já em Julho também acharam por bem apagar uma parte de biografia de Luís Amado: "He is married (separated, long time affair with an Executive member of the World Bank; Mrs.Sarah Cliffe) and has two children". Passou a " married and has two children".

Ficam aqui os resultados desta busca: José Sócrates versões 1,2,3,4 e Luís Amado 5

PS: A Wikipedia não estava a dormir. Aqui fica a acusação de "vandalismo" ao IP 193.47.185

User talk:193.47.185.124
From Wikipedia, the free encyclopedia
Jump to:
navigation, search

[edit] April 2007

Please do not delete content from articles on Wikipedia, as you did to José Sócrates. Your edits appear to be vandalism and have been reverted. If you would like to experiment, please use the sandbox. Thank you. MER-C 12:26, 9 April 2007 (UTC)

PS2: Ver aqui para os resultados de um reverse IP ao número 193.47.185.124 apontando para o CEGER, que gere a banda de IPs do Governo, de 0-255, correspondente aos sufixos .gov.pt. É seguir a seta ali junto à Calçada da Estrela.


No site do CEGER pode ler-se a sua missão:

"Por delegação do Primeiro-Ministro o Ceger funciona na Presidência do Conselho de Ministros, na directa dependência do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. O Ceger dá suporte à Governação nos domínios das Tecnologias da Informação e Comunicação. Compete-lhe garantir a utilização mais eficaz das Tecnologias da Informação e comunicação, e particularmente da Internet, para criar melhor Governo."


Desinformar, portanto. "Por delegação do Primeiro-Ministro".

(screenshot da wikipedia com alterações registadas)
(screenshot com aviso de vandalismo)
(screenshot com alterações realizadas por IP do CEGER)



publicado por Vasco Carvalho às 18:38
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Terça-feira, 31 de Julho de 2007
Tudo é relativo
O mais recente suponhamos da Via Láctea via NASA. Aqui se percebem as dificuldades de imaginar a nossa própria galáxia.

PS 1: É claro que o Zero de Conduta não se responsabiliza por possíveis erros induzidos por bebedeiras ou sabotagens por parte da NASA.
PS 2: Filipe não desesperes, as tuas malas estarão algures na imagem.


publicado por Vasco Carvalho às 17:29
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Sábado, 28 de Julho de 2007
Governo virtual
O Ministério da Justiça criou um centro de mediação de conflitos e arbitragem no Second Life. Está certo. Como não consegue resolver os crónicos atrasos do nosso sistema judicial, alguém deve ter dito ao ministro Alberto Costa que talvez fosse melhor alhear-se de vez da realidade e criar uma ilha no jogo da vida virtual. Fica a consolação provinciana de que “somos os primeiros”. Pois, por alguma razão mais ninguém se lembrou de colocar o sistema judicial a regular um jogo de computador...

Aparentemente, ninguém no governo terá reparado no ridículo que é criar uma mediação de conflitos virtual ao mesmo tempo que se deixa, todos os anos, prescrever milhares de processos e outros milhares se arrastam por tempo indeterminado. Processos que custam dinheiro a sério, e não trocos virtuais. Que contam na vida das pessoas e na economia do país.

Este gesto, aparentemente insignificante, é uma das melhores metáforas sobre o “moderno” estilo de governação de José Sócrates. Mediar o quê e para quê? Não importa, o que conta é a forma e a forma é como aparece nas notícias. Dá a ideia de que somos modernos e tratamos a tecnologia por tu. Depois, se não houver ninguém para encher as salas virtuais, não há problema: contrata-se uma agencia de casting virtual. Se não existir, melhor. Ainda vamos a tempo de criar uma e dizermos que, mais uma vez, estamos no pelotão da frente. 

ps: Sobre os verdadeiros números do Second Life, vale a pena ler este artigo da Wired 

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publicado por Pedro Sales às 16:10
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
1000000000000000000000...
10^20, é o número de possíveis configurações de um tabuleiro de damas. E claro, sendo um jogo finito basta resolver de trás para a frente, anotando a melhor estratégia para a possível história de cada jogo. É portanto possível resolver o jogo de forma a nunca o perder.

Foi isso que provou Jonathan Schaeffer (também aqui). Depois de anos e anos em que os seus 200 computadores jogaram todos os possíveis jogos de damas, a equipa de Schaeffer publicou agora um algoritmo que não pode ser derrotado.

E aí reside a ironia: na quimera da invencibilidade, a espécie conseguiu perceber a forma de sair sempre, mas sempre, derrotada.

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publicado por Vasco Carvalho às 15:56
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Sábado, 21 de Julho de 2007
Foi bonita a festa, pá
18 ministros e secretários de Estados, um por distrito, distribuíram hoje 360 computadores portáteis a formandos do programa “Novas Oportunidades”. Não sei o que foi mais serôdio e provinciano nesta cerimónia. Se a crença de que, distribuindo um computador a cada um, se resolvem os problemas de infoexclusão e a desigualdade no acesso à informação, se a facilidade com que os assessores de comunicação mobilizam todo o governo para uma pura acção de propaganda.
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publicado por Pedro Sales às 23:33
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007
Guerra SMS no PSD
Segundo o DN de hoje, a guerra fraticida no PSD entrou no Século XXI. Depois do visionário Santana Lopes ter vendido toques polifónicos de "Paz, Pão, Povo e Liberdade" por 2 Euros, é agora a vez de Marques Mendes e Luís Filipe Menezes se defrontarem via mensagens escritas.

Fontes fidedignas fizeram chegar ao Zero de Conduta uma amostra do ambiente frenético que se vive na Social Democracia Portuguesa.


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publicado por Vasco Carvalho às 07:04
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2007
25 anos de criação destrutiva
Elk Cloner: The program with a personality

It will get on all your disks
It will infiltrate your chips
Yes it's Cloner!
It will stick to you like glue

It will modify RAM too

Send in the Cloner!

Há 25 anos atrás o mundo acordava com Leonid Brezhnev e deitava-se com Ronald Reagan. Portugal estava encalhado com Ramalho Eanes, Pinochet sangrava o Chile e uma Thatcher pouco popular salvava o mandato com uma manobra de diversão chamada Malvinas.

Algures na Pennsylvania, alguém deu um Apple II a um puto de 15 anos, Richard Skrenta. E a meio de Julho de 1982, aí estava a sua criação: Elk Cloner, o primeiro vírus de computador. Não fazia mais do que infiltrar-se via floppy e aparecer no ecrã de computadores alheios com a mensagem 'Elk Cloner: the program with a personality'.
Aí começa também a história da indústria de software anti-vírus: 25 anos depois é um oligopólio estável a gerar 4 biliões de dólares ao ano em receitas (o que é mais ou menos o PIB da Nicarágua por exemplo). Mais um exemplo da capacidade de criação destrutiva de um teenager.
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publicado por Vasco Carvalho às 17:33
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