Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Duzentos mil

Fotografia esquerda.net

José Sócrates não ficou impressionado com a manifestação que juntou 200 mil portugueses contra as alterações ao código laboral. Ignorar olimpicamente um sinal como este já não é uma demonstração de resolução e confiança no rumo do governo, é puro autismo politico e a demonstração que, por detrás das palavras de circunstância, ainda ninguém no Governo percebeu bem o “aviso” de Soares. Os velhos hábitos são difíceis de perder e o fato do político forte e decidido é o único que Sócrates conhece e no qual se sente à vontade. Infelizmente, como já toda a gente percebeu, as demonstrações de força e resolução sobram sempre para os do costume. Uma atitude que contrasta com a forma vacilante como trata a Igreja (capelanias militares), ou as grandes superfícies comerciais -  taxa dos sacos de plástico que morreu ainda antes de o ser. Poucas coisas fazem mais para encher estas gigantescas manifestações que esta bipolaridade política. Como Sócrates há de perceber em 2009.



publicado por Pedro Sales às 09:11
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Sábado, 24 de Maio de 2008
Dupla personalidade?

Depois do artigo do CAA no Correio da Manhã, as edições de hoje do DN e do Expresso também colocam a descer o secretário-geral da UGT, João Proença, por este “dirigente socialista e sindicalista ter decidido ficar caladinho na reunião da Comissão Política do partido em que se discutiu o novo Código Laboral”. O Expresso diz mesmo que Proença “não queria que se ouvisse o que tinha a dizer”. A julgar por esta notícia, que tem passado praticamente despercebida, é bem possível. No preciso momento em que o governo negoceia as novas leis laborais com as centrais sindicais, o dirigente máximo da UGT tem participado nas sessões organizadas pelo partido que suporta o Governo para “explicar o Código do Trabalho aos militantes do PS”. Dupla personalidade, como questionou um jornalista, ou embaraço com as consequências públicas da sua personalidade?


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publicado por Pedro Sales às 19:44
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Sectarismo cansado e sem futuro
Líder da Autoeuropa vetado pelo PCP para o Congresso da CGTP. António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e militante do Bloco de Esquerda, não passou na triagem para a lista para o Conselho Nacional, a ser votada pelo congresso de 15 e 16. Controlada pelo sector mais ortodoxo do PCP, a direcção daquele sindicato excluiu o nome de Chora, quer como delegado, quer como potencial membro do Conselho Nacional. António Chora fala mesmo de "veto político" e recusou o convite para assistir ao congresso dos próximos dias 15 e 16. A Autoeuropa representa 20% dos filiados no sindicatos dos metalúrgicos, um valor que sobe para mais de metade se lhe somarmos as empresas do parque industrial de Palmela. Nenhum dos seus dirigentes conseguiu lugar nos cinco nomes do sindicato que fazem parte da lista candidata ao Conselho Nacional da CGTP.

O problema não é só António Chora ser do Bloco de Esquerda. À frente da Comissão de Trabalhadores da maior fábrica em território nacional, negociou um acordo em que aceitou trocar dias de trabalho e metas de produtividade pela garantia dos postos de trabalho e de investimento futuro na empresa. O acordo foi um sucesso e tornou-se mesmo uma referência internacional. Ninguém foi despedido e, depois de dois anos de congelamento salarial, os aumentos têm sido bem superiores à inflação. A empresa continua em Portugal e tem assegurada a produção para um par de anos, investindo mais 500 milhões de euros.

O sindicato dos metalúrgicos, e os sectores mais ortodoxos do PCP, nunca lhe perdoaram o acordo. Consideraram-no uma cedência. Ao contrário da Autoeuropa, onde sempre fizeram campanha contra a comissão de trabalhadores e contra António Chora, o seu modelo foi o que foi seguido na Opel da Azambuja. Quando a administração da GM propôs um acordo semelhante ao que vigorava em Palmela, lançaram a empresa numa série de greves inconsequentes até que, em referendo, os trabalhadores recusarem a estratégia da Comissão de Trabalhadores e aceitarem o acordo proposto pela empresa. Só que, por essa altura, alguém com maior sentido negocial já tinha aceite um acordo mais favorável à GM em Saragoça. O acordo podia não ter resultado e evitado a deslocalização da Opel, é certo, mas a casmurrice de sindicalistas que tentam combater o capitalismo globalizado do século XXI com as estratégias do século XIX, traçou inapelavelmente o destino 1200 trabalhadores.

É este o modelo sindical que não suporta exemplos como o de António Chora. Cansado e velho, acumula derrotas e acrescenta desesperança à classe trabalhadora que diz representar, enquanto continua sentado há mais de 20 anos nos gabinetes dos sindicatos. António Chora ficou de fora. Em seu lugar entrou Manuel Bravo, antigo delegado sindical da Merloni, uma empresa deslocalizada vai para mais de 3 anos. De então para cá é funcionário do sindicato dos metalúrgicos.

publicado por Pedro Sales às 14:47
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
nesta pororoca, o da esquerda é o walter e o da direita é o pereira
Bem sei que que chego atrasado à campanha linka-para-o-abrupto. E imagino que isto possa irritar os outros membros do Clube de Amigos de Walter Benjamin. Mas a verdade é que ao ler isto: «No fundo, sindicatos e governo querem o mesmo, só que com tempos diferentes e com benefício de gerações diferentes, ou de tempos diferentes da mesma geração. Os sindicatos que representam a geração actual exigem que esta não seja muito sacrificada em nome do futuro, o Governo coloca mais a ênfase na sustentabilidade a prazo, dez anos pelo menos, e adia os problemas de fundo de insustentabilidade estrutural do "modelo social europeu", onerando mais o presente para fazer durar mais uns anos um sistema que está condenado a prazo»; acabei por me lembrar disto: «The conformism which has dwelt within social democracy from the very beginning rests not merely on its political tactics, but also on its economic conceptions. It is a fundamental cause of the later collapse. There is nothing which has corrupted the German working-class so much as the opinion that they were swimming with the tide».

publicado por José Neves às 13:33
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
200 000
Foto de Paulete Matos
A CGTP juntou ontem 200 mil pessoas contra o governo e a flexigurança. Foi uma das maiores manifestações em 30 anos de democracia. 200 mil não é apenas um número impressivo, é o sinal de uma alteração qualitativa da organização política do descontentamento social no nosso país. Em primeiro lugar é um sinal, evidente, da vitalidade dos sindicatos. E é um sinal que, por detrás do sorriso de Sócrates com os 3% do défice, há um cada vez maior número de portugueses que não agradece os "parabéns" do primeiro-ministro ao espírito de sacrifício dos portugueses. Quem vê o poder de compra diminuir pelo 9.º ano consecutivo, e ainda vê o ministro das finanças garantir que não existirá "folga" enquanto não se chegar aos 0,4% de défice, não encontra muitas razões para festejar. Não foi apenas uma franja de comunistas e bloquistas quem ontem se manifestou. A desvalorização que o primeiro-ministro fez do protesto é um dos sinais do autismo que parece ter tomado conta do governo a meio do seu primeiro mandato. Continuar a agitar o papão comunista ainda pode custar bem caro ao primeiro-ministro.

PS: Não foi só o governo quem entendeu desvalorizar a manifestação. No mesmo dia em que coloca na capa uma foto do Zidane e outra da Deborah Kerr, o Público não encontrou espaço para uma foto desta gigantesca manifestação, em mais uma prova de que a imprensa está definitivamente tomada pela esquerda.
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publicado por Pedro Sales às 15:07
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