Domingo, 29 de Junho de 2008
um santo domingo

depois de Pinto da Costa, Carolina e Vojtyla, quis o Senhor juntar Cavaco, Maria e Grrratzinger.

 

Aproveitamos a santa ocasião para dar vivas pela raça lusa, abençoada pelos Céus, pobrezinha mas asseadinha.



publicado por Vasco Carvalho às 00:39
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008
O buzinão

Milhares de portugueses acordaram hoje decididos. O preço dos combustíveis não pára de subir e o dia de hoje é tão bom como outro qualquer para se marcar uma posição. Levantaram-se, tomaram o pequeno-almoço e entraram no carro decididos a buzinar até chegar ao trabalho. Ao seu lado, quem ia nos transportes públicos deve ter achado tudo aquilo um bocado estranho. A mim também.  



publicado por Pedro Sales às 13:07
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
Este país não é para pobres

Vinte anos depois da adesão à União Europeia, e mesmo contando com as centenas de milhões de euros em apoios comunitários, Portugal continua a ser o país mais desigual da Europa e aquele onde a pobreza mais se faz sentir. Como nos indica o estudo de Bruto da Costa, hoje destacado pelo Público, a pobreza é persistente e afecta principalmente as crianças, os velhos e o interior do país. Pior. Como salienta o estudo, “a sociedade portuguesa não está preparada para apoiar as medidas necessárias para um verdadeiro combate à pobreza”, tendendo a encará-la como o resultado do “enfraquecimento da responsabilidade individual” e da “preguiça” dos pobres.


Uma posição que encontra lugar na blogosfera liberal e na maioria das colunas de opinião da nossa imprensa. Lestos a exigir a demissão do Estado de todas as suas funções que não se limitem à estrita soberania do país, ignoram olimpicamente o país ilustrado na reportagem do Público, onde as pessoas que vivem nos bairros sociais deixam de saber o que é carne a meio do mês, só têm medicamentos quando alguém lhos oferece e não compram roupa e lavam-na à mão porque não há dinheiro para a energia.


É esse o país esquecido que vive dos apoios sociais que o Estado subsidia com o dinheiro dos impostos. São os pobres que vivem do Rendimento Social de Inserção, permanentemente diabolizado pelo mesmo Paulo Portas que passa os dias a falar da “tirania fiscal”. A mesma direita que, revelando maior preocupação com o “combate a fraude dos pobres do que com o combate à pobreza”, se esquece de referir que a carga fiscal nacional é inferior à média europeia.


Parece bem defender a redução do papel do Estado, mas bem mais complicado é explicar o que é que isso significa num país pobre e desigual como o nosso. Os pobres já pagam, percentualmente, muito menos impostos. Uma redução significativa da carga fiscal não traria grande impacto nas suas condições de vida. Pelo contrário, a redução do Estado, deixaria as suas marcas. Sem os apoios garantidos pela redistribuição social do dinheiro dos impostos, os mais pobres não teriam acesso à educação, saúde e aos complementos sociais que lhes permitem ir subsistindo no meio de várias provações.

 

De resto, até já são conhecidos os resultados deste programa liberal.  Ao contrário do que defendiam os seus apoiantes, os gigantescos cortes de impostos para as classes mais ricas, aprovados por Bush, não só não geraram o desenvolvimento económico defendido como fizeram aumentar as desigualdades sociais e hipotecaram as contas públicas. O liberalismo não é só um disparate económico. Num país como o nosso é uma violência social.



publicado por Pedro Sales às 18:35
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
O pópó dos senhores juízes

O Conselho Superior da Magistratura, ouvido esta tarde no Parlamento, deu o seu apoio global à proposta de lei do Governo que introduz um novo mapa judiciário. Mas entre os reparos deixados à proposta, ficou o aviso do vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça: a competência atribuída aos juízes-presidentes das comarcas de distribuírem os lugares de estacionamento pode gerar conflitos graves.

Daí que o melhor, no entender do órgão superior dos juízes, seja dar ao próprio Conselho Superior de Magistratura a palavra final sobre quem estaciona o carro onde, em cada um dos tribunais de comarca do País. «Isto não pode ser resolvido pelo juiz-presidente», de cada tribunal, pelo «seu melindre» -- defendeu o Juiz Conselheiro Ferreira Girão, invocando a sua «experiência» em estruturas associativa.  É que, justificou, «a gestão do parque automóvel» por vezes «desencadeia guerras autênticas».



publicado por Pedro Sales às 09:52
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
Quando a realidade supera a ficção

 



publicado por Pedro Sales às 08:58
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
peregrinação prêt-à-porter

Carlos Gil, o peregrino.org, vai a Fátima por si e "em seu nome, acendo o nº de velas prometido no Santuário". Salvação assegurada por 2500 euros. (via mais cedo ou mais tarde).



publicado por Vasco Carvalho às 14:00
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Domingo, 11 de Maio de 2008
e agora, tutuuu tututuuu tututuum?

e mais Ban via Deus.

 

Caciques locais, claques, testas de ferro, bandoleiros e consulados honorários. Figuras do associativismo desportibo, do poder local democrático, das SADs e do Natal dos Hospitais. Histórias de ascenção no aparelho PSD, nas revistas cor de rosa, do rock, do euro 2004, da pop, do apito dourado e da TV. Sou só eu a pensar que está por escrever uma boa biografia do clã Loureiro?



publicado por Vasco Carvalho às 02:18
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
País pin e pon

O Governo vai transferir para as autarquias o poder de delimitação da Rede Ecológica Nacional. Ora, aí está uma ideia esperta. Entregar a gestão dos terrenos mais cobiçados pelos promotores imobiliários a quem tem o licenciamento urbanístico como principal fonte de receita. Mais valia pôr as raposas a guardar o galinheiro.

Uma decisão que se vem juntar ao facilitismo simplex dos PIN e PIN+, a solução engenhosa encontrada pelo Governo para fazer tábua rasa de toda a legislação ambiental e permitir a construção nas zonas protegidas. Não foi só a desanexação da REN na Comporta para permitir um gigantesco empreendimento turístico. Só para falar no Alentejo, temos também a Herdade do Pinheirinho ou o projecto Costa Terra, em Rede Natura. Como também são o Tróia Resort, as 30 mil camas na Mata de Sesimbra; A Herdade do Barrocal em Monsaraz; a Herdade do Mercador em Mourão, a Herdade dos Almendres em Évora, ou os 11 projectos que se preparam para transformar o Alqueva numa gigantesca banheira para regar os seis campos de golfe que estão em construção num Alentejo sem água e crescentemente desertificado. Ninguém defende que não se possa protagonizar projectos turísticos de baixa intensidade em zonas ambientalmente protegidas, mas não deixa de causar alguma estranheza a atracção fatal dos promotores imobiliários pela construção de milhares de camas em tudo o são Parques Naturais, Rede Natura ou Rede Ecológica Nacional. 

É este o legado do primeiro governo liderado por um antigo ministro do ambiente. Subordinar a política de ordenamento do território, e protecção ambiental, ao lobby do betão, transformando todo o pais num imenso Algarve. Ou na revisitação de um certo projecto arquitectónico que vigorou na Guarda no final dos anos 80.

publicado por Pedro Sales às 16:40
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Em nome de quem?
A edição desta semana do Programa Parlamento, transmitido ontem pela RTP2, juntou deputados do PS, PSD, PP e Bloco para discutirem o combate à corrupção, um tema rapidamente aproveitado por Nuno Melo (PP) e Helena Terra (PS) para efectuarem um comício contra o bastonário da Ordem dos Advogados. É justo que estes dois partidos não se revejam nas declarações de Marinho Pinto. Questão diferente, e totalmente inaceitável do ponto de vista da representação política, é que enviem deputados a um programa para falarem enquanto advogados. Com várias matizes, o argumento central foi sempre o mesmo: "Eu, como advogado, não me revejo no actual bastonário da Ordem". Só que ninguém os convidou como advogados, mas como deputados. Como o próprio nome indica, quem participa no programa Parlamento representa um grupo parlamentar, não é suposto estar lá em nome dos seus interesses particulares. O que se passou ontem contribui para o descrédito do Parlamento e torna pertinentes todas as dúvidas sobre a representatividade dos deputados. Respondem perante os eleitores ou perante os escritórios onde exercem?

Depois do episódio sucedido com Jorge Neto, advogado que participou activamente na OPA sobre a PT, e que aproveitou uma audição parlamentar ao presidente da CMVM para levantar várias questões sobre a OPA entretanto falhada, várias vozes se levantaram exigindo um regime de incompatibilidades mais rígido. Totalmente de acordo, mas antes de aí chegar talvez fosse mellhor começar pelo mais simples: resolver a confusão que vai na cabeça de alguns deputados, que parecem não entender onde acaba a sua profissão e começa o seu cargo político. É nessa sobreposição de interesses, muitas vezes conflituantes, que começa toda a promiscuidade entre os negócios e a política.

publicado por Pedro Sales às 12:02
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Então, bom Natal (principalmente porque é o último que passam por cá)
Este vídeo, como se pode ler na página do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, retrata a "Festa de Natal organizada pelo SEF na Unidade Habitacional de Santo António", o "espaço destinado a acolher cidadãos estrangeiros à espera de repatriamento". Bonitas palavras para classificar um centro de detenção para os imigrantes que vão ser expulsos do país. Com uma cara que varia entre o espanto e o enfado, própria de quem sabe que está à beira de ser recambiado para o país de onde tentou "dar o salto", os imigrantes (que se encontram detidos) são tratados pelo representante do Governo como "utentes". Assim mesmo. Utentes, como se estivessem num centro de saúde ou transporte público. Mas o melhor é mesmo a mensagem do padre presente, o qual insiste em lembrar a história de que Maria, mãe de Jesus, só chegou a Nazaré porque se foi recensear. Um motivo de orgulho para aqueles imigrantes sem papéis, está bom de ver. Mas a analogia não deixa de ser curiosa, permitindo-nos perceber que, fosse hoje, e não havia cristianismo. Sem documentos e passaporte, um qualquer burocrata teria enviado a peculiar progenitora de Jesus à precedência.

publicado por Pedro Sales às 12:35
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Workaolic II
Parece que o Departamento Central de Investigação e de Acção Penal (DCIAP) vai investigar os meandros da não devolução ao Estado do edifício onde funciona o Casino de Lisboa. Estranho é que o assunto tenha que ser investigado criminalmente. Num país normal, e com um governo normal, a primeira coisa que o partido socialista teria feito era revogar os despachos de Telmo Correia que não fossem simples actos de gestão – o que não é, manifestamente, o caso. Mas esta fúria legislativa, que se parece apossar dos governantes nos últimos instantes antes de correrem as cortinas do ministério, é uma história que vem de longe. Basta lembrar que o ruinoso contrato para a administração do Hospital Amadora-Sintra, cujas contas não são validadas vai para seis anos e que já custou ao Estado mais de 70 milhões de euros, foi assinado pelo ministro Arlindo Carvalho, do PSD, 9 dias depois da primeira vitória de António Guterres. Na altura, como agora, ninguém no Governo se lembrou de ver se o acordo defendia os interesses públicos e se acautelava mecanismos transparentes de controlo das despesas invocadas pela administração hospitalar. O resultado é o que se sabe. Sempre seria engraçado saber o que é que a actual ministra da Saúde pensa dessa omissão de Maria de Belém.

publicado por Pedro Sales às 17:20
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Alguém se enganou no número de telefone
Há dois António Pinto Ribeiro. Um, é o ex-programador da Culturgest e um dos princiais especialistas em política da cultura. O outro é advogado, especializado na defesa dos direitos humanos. O Governo nomeou António Pinto Ribeiro para ministro da cultura. O advogado.

publicado por Pedro Sales às 16:32
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008
Que país é este?

Mais vale uma ambulância que leve rapidamente o paciente a uma verdadeira urgência, do que serviços que não conseguem fazê-lo com a qualidade necessária. Tem sido esta, invariavelmente, a resposta de Correia de Campos a todos quantos todos quantos têm criticado o encerramento de 30 SAP´s e urgências hospitalares. É por isso que a transcrição da conversa entre o INEM e os bombeiros de Favaios e Alijó demonstra, de uma forma destrutiva, a falência do plano do Governo: não só não se preocupou em abrir novas urgências nos centros de saúde ainda a funcionar, como continua sem garantir a ambulância.

E fica ainda o retrato de um país esquecido, abandonado e onde as ambulâncias mais próximas ficam a 60 quilómetros e demoram 1h20 a chegar. Bem pode o Governo, seguindo a moda do momento, dizer que é um problema de comunicação. Pelo contrário, há muito que os portugueses perceberam de uma forma exemplar a política do Governo para a Saúde. Não há nenhum plano de requalificação, tudo o que existe e tem sido feito tem apenas um fim: conter as despesas do Estado. Agora, como já se viu ontem no Expresso, multiplicam-se os comentadores a exigir que a oposição apresente alternativas. Não se sabe bem porquê, visto que o SNS é uma das raros matérias em que os portugueses não têm razões para temer a comparação com os indicadores internacionais de referência. Em 30 anos, o SNS catapultou um país com números do terceiro mundo para indicadores de referência que nos colocam à frente de alguns países escandinavos. Em que área da economia, ciência ou investigação é que isso acontece? Mesmo no privado. Que empresa portuguesa é que pode dizer que está entre a elite mundial na sua área?

Mas, querem uma alternativa? Não é muito difícil. O OE para 2008 consagra 380 milhões de euros para empresas de consultoria técnica e de comunicação. Uma absurda duplicação de recursos de um Governo que conta com centenas de assessores e técnicos nos ministérios, institutos, serviços centrais ou regionais. O Estado paga a assessores cuja única tarefa é adjudicar serviços a empresas externas. Podiam começar por aí e cortar mais de 90% nessa despesa de propaganda e auto-justificação das decisões políticas do Governo. Ficava mais barato do que desertificar o país e deixar as populações a mais de uma hora de um serviço de pré-emergência hospitalar. E podiam ter a certeza que os portugueses percebiam a política.

publicado por Pedro Sales às 14:13
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008
O bom
As notícias que dão conta da desumanidade das juntas médicas são manifestamente exageradas. Ontem mesmo, em carta enviada ao Público, Paulo Teixeira Pinto indica que passou “à situação de reforma em função de relatório de junta médica”. Certamente ainda mal refeito da forma como foi corrido do BCP e da Opus Dei, este banqueiro de 46 anos foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.

PS: Teixeira Pinto nega ter recebido 1o milhões de euros de "indemnização pela rescisão do contrato” com o BCP, garantindo que apenas recebeu a “remuneração total referente ao exercício de 2007”: 9.732 milhões de euros em "compensações" e "remunerações variáveis". Nada como ser preciso nestas coisas. E pedir ao Estado, através da tão vilipendiada Segurança Social, que lhe conforte as agruras da vida.

publicado por Pedro Sales às 23:42
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o mau
Ana Maria Brandão, portadora de cervicalgia e lombalgia degenerativas que a mantêm na cama vai para mais de quatro anos, soube a semana passada que a Junta de Freguesia onde trabalha lhe vai deixar de pagar o ordenado. Depois da Caixa Geral de Aposentações lhe ter negado a reforma antecipada, os 400 euros que recebia da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães eram a única forma de sustento de uma mulher que gasta mais de 200 euros mensais em medicamentos.

publicado por Pedro Sales às 23:30
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e o vilão
Em Novembro do ano passado, depois de ter sido instada pela Caixa Geral de Aposentações a apresentar-se ao trabalho, Ana Maria Brandão regressou à junta de freguesia, tendo cumprido o horário laboral sentada numa cadeira e encostada a uma parede, sempre acompanhada pelo pai. Nesse mesmo dia, e perante a exposição mediática do caso, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou que ela iria entrar novamente de baixa médica. Não tendo conseguido encontrar uma Junta tão compreensiva como a que avaliou o temente Paulo Teixeira Pinto, e apesar de não lhe terem mandado fazer nenhum exame, Ana Maria Brandão foi novamente considerada apta. Agora, nem recebe da Caixa Geral de Aposentações nem pela Junta de Freguesia. Deve ser a isto que se referem quando falam na perda da autoridade do Estado. Já nem uma palavrinha do ministro das Finanças livra os funcionários públicos.

publicado por Pedro Sales às 23:26
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
Ontem, no Prós e Contras, estavam todos de acordo sobre a excelência do LNEC
A passagem pedonal da estação de metropolitano do Terreiro do Paço está a apresentar fissuras, apenas um mês depois de ter sido inaugurada. As primeiras infiltrações surgiram depois da chuva que caiu nos últimos dias em Lisboa.Segundo os técnicos, esta zona, que ainda está em obras, está com problemas já que tem uma má impermeabilização, uma vez que esta só pode ser feita em tempo seco e não com chuva. 17 anos e 300 milhões de euros depois, as obras monitorizadas e fiscalizadas pelo LNEC continuam a meter água. Também, quem é que se ia lembrar que uma estação parcialmente debaixo do rio iria precisar de ser impermeabilizada?

publicado por Pedro Sales às 17:37
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
Cosmopolitismo de fachada
Até há poucos dias nunca tinha ouvido falar no nome. Parece que Cristina Areia é uma das vedetas das telenovelas juvenis da TVI. Talvez por isso foi convidada pela junta de freguesia para abrilhantar a festa de Natal das escolas de Alfama. A sua tarefa era simples. Anunciar o nome das crianças à medida que iam subindo ao palco receber umas prendas. Mas a Cristina é uma rapariga sensível e tradicionalista. Há nomes que lhe fazem espécie. A Bárbara Reis, no Público do passado sábado, conta como, em pouco tempo, a menina conseguiu insultar quase todas as pessoas presentes na festa:

- Hania! Ai credo, o que é isto? Ah, é indiana...Pronto, está bem.
- João bin[qualquer coisa]. Bin?! Será primo do Bin Laden. Cuidado, se calhar é melhor irmos embora.

- Ramona! Mas o que é se passa em Alfama? Que nomes esquisitos! Dantes era só Maria de Lourdes e Anas Cristinas, não era?

- Ana! Um nome normal, viva a tradição, viva!
- Regiane. O que passou pela cabeça destes pais?

Neste último ponto teve razão. O que passou pela cabeça de dezenas de pais para não se levantarem e interromperem este espectáculo degradante? Neste país dos brandos costumes, parece que os familiares das Anas Cristinas acham normal que alguém insulte e envergonhe em público uma criança porque não se chama Maria Albertina. O que não deve ter passado pela cabeça da Cristina Areia é que muitos deles nasceram no nosso país e são tão portugueses quanto ela, mas isso para o caso até é indiferente. Mais revelador é que esta vedeta da televisão é a voz de um país que se diz tolerante mas que se conforma com estas gratuitas demonstrações de xenofobia. Uma voz que tem autoridade e impunidade porque, à sua volta, todos se calam e encolhem. Os pais das Anas ou porque tiveram vergonha ou porque até acharam piada. Os outros, os pais das Ramonas e das Regianes é que me preocupa. Porque o seu silêncio é a mais violenta demonstração de como funciona o racismo dos pequenos gestos do dia-a-dia e de como este está interiorizado pelas suas vítimas. Ninguém se levanta porque não é suposto protestarmos numa casa que não é a nossa. É assim este Portugal natalício. Andamos o ano todo a tentar vender lá fora uma imagem de cosmopolitismo e modernidade, para, cá dentro, percebermos que o cosmopolistmo que aceitamos e toleramos se esgota nos Antónios, Marias e Silvas. Já agora, alguém podia explicar à Cristina que não se deve gozar com o nome dos outros. É que alguém pode olhar para o dela e reparar que Areias é nome de camelo. O que explica alguma coisa.

publicado por Pedro Sales às 15:29
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007
É assumir o risco




Fotos de cabelinho à paulo bento
Ver também riscoaomeioexatamentameioepamesmomeio.


Aqui há dias, enquanto aproveitava um telefonema para exercitar a minha veia Lusitana - queixava-me portanto - ouvi uma coisa curiosa. Como resposta ao meu lamento pela falta de tempo para cortar o cabelo obtive: 'desde que não andes com um cabelinho à Paulo Bento'.

Como emigrante a minha interacção com a figura de Paulo Bento é diária mas distante. Mal me lembro de quando jogava à bola, não estava em Portugal quando entrou para treinador e nunca vi nenhum jogo do Sporting desde então. Fico-me pela imprensa desportiva online que consumo aqui e ali, sempre intermitente e de frases curtas. Aí, à distância e filtrado, Paulo Bento não parece diferir de outros: os soundbytes da ordem ao sabor dos resultados. E ninguém fez referência ao cabelinho, nunca.

Mas quando me disseram 'cabelinho à Paulo Bento', soou bem, natural, Luso mesmo. Mas como é que eu me esqueci que o 'olha práquele cabelinho' - seguido de arroto - faz todo o sentido? O inho que serve de escala para tudo. O escárnio constante, exacto e cortante, ideal para passar o tempo entre a jola e a cuspidela conjunta de cascas de tremoços. Pensando bem, o escárnio em inho é Portugal-redux. Desde que não vá aterrar no sapato do Senhor Doutor, serve para passar a tarde e mantém a discussão no acessório que o essencial é triste demais.

Adenda: Ou complicado demais. O pessoal que coma tremoços tailandeses e beba cerveja pelo copo de plástico comprado no LIDL e está bom de ver que isso é progresso não-referendável. Envolve mistérios que não podemos compreender. E como é sabido não é possível referendar todas as maravilhas do Senhor. Portanto, não precisamos de ouvir, não precisamos de explicar, não precisamos de argumentar. O bloco central está cá é para decidir e o resto é demagogia e gentes de morais dúbios. Só falta avisar com fumata bianca.

É o que temos feito nas últimas décadas. É o que vamos continuar a fazer. Certo? ... E de repente Paulo Bento começa a parecer um tópico mais feliz de conversa. O ciclo eterno continua, num país perto de si.

publicado por Vasco Carvalho às 01:47
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Sem comentários
No último sábado à noite, em Lisboa, pouco depois das 23 horas, presenciei o seguinte diálogo. Três adultos, com pouco mais de 30 anos, e duas crianças entre os cinco e os seis, saem de um restaurante italiano. Perante a insistência dos pequenos em calcorrearem o passeio a grande velocidade, a mãe vira-se para o maior e diz-lhe para vir para o pé dela "se não queres que te aconteça o mesmo que à Maddie". Perante o ar despreocupado do filho, a mãe lembrou-o novamente. "Já te esqueceste? Foi aquela criança inglesa que desapareceu e que os pais nunca mais encontraram".

publicado por Pedro Sales às 16:51
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
E têm relações sexuais 7 vezes por semana e lêem 10 livros por mês
De acordo com o Eurobarómetro, ontem divulgado em Bruxelas, apenas 3% dos portugueses admitem fugir ao fisco, um valor inferior à dos restantes países europeus (5%). Segundo o Diário de Notícias, o mesmo estudo indica que os portugueses são o povo europeu que mais confia na máquina fiscal, acreditando que existe um elevado risco dos incumpridores serem detectados pelas autoridades.

publicado por Pedro Sales às 19:04
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
Vá lá, só mais um esforço e passamos a ter água no quintal
(Costa de Caparica, Inverno 2006)
O Presidente da República, Cavaco Silva, alertou hoje para a necessidade de aproximar os portugueses ao mar e defendeu que se deve passar da retórica para a acção nesta matéria.

publicado por Pedro Sales às 10:51
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
O estado da nação
Fotografia de Paulete Matos


publicado por Pedro Sales às 08:52
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Os métodos da ASAE parecem estar a fazer escola
Um homem morreu quinta-feira "poucos minutos" após entrar no hospital de Ponte de Lima, depois de a ambulância que o transportava ter estado parada "perto de 20 minutos" à ordem da Brigada de Trânsito, denunciou hoje um seu familiar.

Cerca das 16.00 foi solicitado o transporte ao Hospital de Ponte de Lima à empresa Ambulâncias Arcuenses, que presta serviço à unidade de saúde local. A viagem, que em condições normais demora cerca de 15 minutos, levou muito mais, já que, garante a família, apenas a paragem à ordem da BT rondou os 20 minutos. "Qual não foi o espanto da minha irmã [mulher da vítima] quando, a caminho do hospital, vê a ambulância parada na estrada pela BT. É inacreditável o que aconteceu", acusa Armanda.

"A Brigada seguiu a ambulância para se assegurar, junto do hospital, se o caso era urgente ou não e decidir se autuava ou não pela utilização das luzes de emergência. Acabou por não autuar", disse a mesma fonte.

Três dias depois, a GNR continua sem esclarecer o sucedido, limitando-se a dizer que vai abrir um inquérito interno. Para ver se passa a indignação com este estúpido e, potencialmente, assassino excesso de zelo.

publicado por Pedro Sales às 17:02
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
Se é para dar porrada

e atirar poeira para os olhos, já temos o Avelino Ferreira Torres.

"Quem está lá no alto, que é Deus,
quer que eu seja o presidente da Câmara
."
Amen, brother.


publicado por Vasco Carvalho às 16:29
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
Vergonhoso
Miguel Barreira/AP
Como se já não bastasse a justíssima fama de arruaceiros que têm os jogadores da selecção nacional de futebol, agora também temos um treinador que agride, ao soco, os adversários. Vergonhoso não é empatar. Da forma como a equipa está a jogar, até foi uma sorte. Vergonhoso é não aceitar a mediocridade, e falta de ambição, do futebol praticado e implicar com o primeiro jogador que se encontra pela frente. Daqui a uns minutos deve ser a conferência de imprensa. Ou muito me engano ou ainda vai sobrar para o árbitro.

Actualização: Não há nada mais previsível que o futebol português. Sete minutos depois de escrever, lá apareceu o Scolari a criticar o árbitro pelo resultado."É muito sábio esse árbitro", ou "devem chamar a atenção ao Platini" sobre a arbitragem, foram apenas algumas das pérolas ouvidas. A agressão, claro, também foi culpa do homem do apito. "O jogador que diga se lhe toquei num único cabelinho", desafiou. Mas não é muito redutor culpar a arbitragem, pergunta o jornalista? "Não, não, a culpa é minha", resmunga, visivelmente desagradado com a perguntas, e vira as costas.

publicado por Pedro Sales às 23:00
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Domingo, 9 de Setembro de 2007
Compre-me isso, Portugal
Como se sabe, a Procuradoria Geral da República decidiu não abrir nenhum inquérito ao eventual favorecimento da Somague, na sequência do financiamento ilícito ao PSD, ficando-se as investigações à construtora civil limitadas ao incumprimento fiscal. Uma decisão que poupou muitas dores de cabeça, principalmente a Diogo Vaz Guedes, que teria que responder à PGR porque razão pagou, à margem da lei e sem o declarar, mais de 230 mil euros a um partido que estava à beira de chegar ao governo. Há perguntas que mais vale não fazer. Gente respeitada, e que deu a cara durante tanto tempo pelo inquestionável Compromisso Portugal, não deve ser importunada com minudências.

ps: O título deste post foi descaradamente roubado a um artigo publicado na imprensa, por um grupo de economistas, criticando a forma acrítica e parcial como a imprensa económica cobre as actividades e propostas do Compromisso Portugal.

publicado por Pedro Sales às 16:42
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Sábado, 8 de Setembro de 2007
Não tínhamos saudades disto
A naturalidade, e a falta de ambição, com que se foram encarando sucessivos empates com equipas menores deu nisto. Não foi hoje que as coisas correram mal, mas quando o treinador foi justificando embaraçosos empates dizendo que os adversários "correram muito". Foi aí que arrastámos, sem nenhuma razão, o apuramento para os resultados dos últimos jogos. Agora, uma selecção nacional marcada pelas lesões no eixo da defesa, e pela má forma do início de época de muitos jogadores, ficou à mercê de um ressalto num jogo menos feliz para voltarmos às contas a que já não estávamos habituados. Não havia necessidade.

publicado por Pedro Sales às 23:45
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
Há coisas fantásticas, não há?
Nos últimos tempos é rara a semana em que não recebo um sms da TV Cabo avisando-me que vão proceder a obras na minha zona para melhorar o serviço. De cada vez que isso acontece, a powerbox que tenho em casa fica mais instável e as interferências que, a principio, afectavam apenas um ou outro canal estendem-se agora a tudo o que mexe no ecrã.

Depois de dois telefonemas, e quase uma hora à espera para ser atendido, continuo sem encontrar uma alma caridosa, ou uma “amiga” da campanha publicitária mais idiota dos últimos tempos, que me atenda. Envie um e-mail, vai-nos dizendo uma voz automática. Pois. Não têm ninguém para atender as chamadas e querem que eu acredite que, se mandar um mail, alguém me vai responder em tempo útil. Que o meu filho acredite no pai natal e na história da carochinha é normal, e até saudável, que a TV Cabo julgue que eu ainda vou nessas histórias é que já me começa a parecer insultuoso.

Agora, o que é engraçado é que andam para aí uns senhores que passam a vida na imprensa a garantir-nos que os serviços públicos monopolistas só prestam maus serviços e não respeitam os clientes. Até pode ser, mas nunca devem ter posto os olhos em cima destas maravilhas do capitalismo global entregues a oligopólios privados e governadas num obscuro portuguesing, com os seus call centers a funcionar em outsorcing e sem parar de fazer downsizing ao seu pessoal.


publicado por Pedro Sales às 16:42
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
Uma desculpa esfarrapada
O Governo, em declarações à Lusa, indicou que a interrupção da regularização de trabalhadores estrangeiros ilegais se deveu aos “indícios da existência de pessoas que, enganosamente, procuram difundir e influenciar imigrantes no sentido de os convencer de que o artigo 88.º permitiria requerer ao SEF a sua regularização extraordinária”. (Público, 31 Agosto, sem link) Pelo meio deixou no ar que os "intermediários inescrupulosos" são advogados. É uma desculpa, no mínimo, original. Quem sabe, não veremos o Governo daqui a uns dias a dizer que suspendeu a cobrança do IVA por causa das fraudes, ou a anunciar o fim da acção social escolar porque há famílias que fazem falsas declarações de rendimentos. Fica apenas uma dúvida. Quando é o governo que não cumpre a lei, como é que é? Suspende-se o ministério, a ministra, ou fica tudo na mesma?

Quando alguém não cumpre a lei, tenta-se descobrir o esquema e julgar os infractores, não se suspende a aplicação da legislação, como José Magalhães nos quer fazer acreditar que esteve na origem da motivação governamental. Como é bom de ver, ninguém suspendeu esta medida por causa de advogados pouco escrupulosos, nem por causa da invasão de imigrantes à espera da legalização. Ao contrário do que sucedeu em Espanha e Itália, onde foram abertos processos extraordinários de legalização, o Governo socialista sempre recusou esse processo. Não sei se as associações de imigrantes estão certas quando falam em mais de 100 mil ilegais no nosso país. Serão, certamente, muitos milhares. Já cá estavam, não foi preciso nenhuma "invasão" de paquistaneses ou indianos. Muitos estão cá há anos, inscritos e a descontar para a segurança social. São os párias da nossa sociedade, de onde só conhecem os deveres e quase ninguém se preocupa com os seus direitos. Não aparecem nas estatísticas, não têm voz, não existem.

Ao pé do emprego da minha mulher trabalha uma dessas imigrantes que o governo desconsidera. Brasileira, está há mais de 3 anos no mesmo café. Sem papéis, trabalha 12 horas por dia, seis dias por semana. Está grávida e teve várias hemorragias. Devia estar em casa a descansar, mas está a trabalhar com medo de perder o emprego e das ameaças do patrão. O que devia estar nos jornais não é a magna questão de saber se a advocacia é “uma profissão séria e de gente séria”. É o tratamento que o nosso país dá a esta gente, os novos escravos do século XXI. Há "intermediários inescrupulosos", diz o Governo. Deviam ter vergonha e olhar para as leis de imigração que têm sido aprovadas em Portugal.

publicado por Pedro Sales às 16:58
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