Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Para isso já têm os Verdes

Jerónimo de Sousa, que falava no final de uma reunião de dois dias do Comité Central, voltou a defender “uma convergência” à esquerda, que junte “todos os que estão empenhados num projecto claro de ruptura com a política de direita” em vigor. Contudo, neste espaço de “forças políticas e sociais” de esquerda Jerónimo não inclui a “ala esquerda” do PS e o BE porque, argumenta, as mudanças não se fazem “com paliativos” ou com “bons sentimentos”.

Mais do que o sectarismo, o que impressiona  nestas declarações é a confirmação de que, por detrás do apelo a uma convergência de esquerda, o PCP está a falar de si próprio e das suas organizações satélite. A direcção do PCP encara o seu partido como uma ilha auto-suficiente. Diálogos e convergências só com quem pensar o mesmo que "o Partido". Tudo o resto são "paliativos". Mesmo não tendo nenhuma estratégia, ou sequer ambição, para dialogar com os sectores críticos do partido socialista, o PCP  não se coíbe de passar a vida a louvar  a importância de uma "convergência" à esquerda. Convergência com os seus clones, como se percebe.


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publicado por Pedro Sales às 13:18
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Sábado, 21 de Junho de 2008
Um importúnio chamado realidade

O espaço de opinião nos jornais rege-se por regras bem distintas das reservadas para a informação. Mas, mesmo sendo uma interpretação subjectiva da realidade, convém não ter com esta uma relação tão distante como a hipótese do petróleo chegar aos 40 dólares na próxima semana. A crónica de hoje de Pulido Valente vai por este caminho, tendo o prolífico colunista descoberto que o “o Bloco e, em parte, o PC resolveu aproveitar o Europeu para uma campanha contra o futebol”. “O Bloco até descobriu uma conjura imensa entre a “comunicação social” e as forças do capitalismo para anestesiar os portugueses com as proezas de Ronaldo? Prova do crime? O tempo que a televisão perdeu com o campeonato.“

 

Um único problema. Não dei por nenhum dirigente do Bloco, ou do PCP, ter dito qualquer coisa de que se assemelhe vagamente à tese levantada por Pulido Valente, quanto mais uma campanha organizada. Aliás, talvez valha a pena reparar que VPV não só não apresenta uma única citação como não nomeia quem andou a difundir tal “campanha”. É compreensível. Para quê deixar que a realidade atrapalhe uma boa crónica? Curiosamente, que eu tenha reparado, o único político que se insistiu na tese da anestesia do Euro, “alimentado a milhões de euros pelo Governo na televisão "pública" que devia ser "diferente, foi Pacheco Pereira. Pulido Valente anda desatento. Faz umas boas décadas que Pacheco Pereira deixou o “marxismo vulgar”. 


PS: Uma dúvida. Para além dos conceitos marxistas, como a alienação, a única vez que VPV usa as aspas neste delirante artigo é quando se refere à comunicação social. Como não está a citar ninguém, será que isso quer dizer que Pulido Valente encara a comunicação social como uma entidade metafórica?

 

PS1: Vale a pena ler o que diz Vítor Dias sobre este assunto.
 



publicado por Pedro Sales às 20:30
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008
O que resta

As autoridades chinesas prometem esmagar os protestos no Tibete, uma ameaça que é para levar a sério tratando-se, como é o caso, de um regime ditatorial que sabe impor a sua colossal força económica para garantir o silêncio e conivência internacional perante o sistemático desrespeito pelos direitos humanos. Um único problema. Os Jogos Olímpicos têm que ser um sucesso que não pode ser importunado. Os Jogos Olímpicos não são uma prova desportiva para a gerontocracia de Pequim. São o supremo acto de branqueamento de um regime que usa a memória histórica de Mao para legitimar socialmente o trabalho escravo e conta com a simpatia de um capitalismo que nunca convive mal com a falta de liberdade politica e sindical quando esta lhes garante os melhores salários e os melhores horários.

Alheio a tudo isso, o PCP garante que “está cada vez mais claro que estes incidentes têm como objectivo político comprometer os Jogos Olímpicos". Em nome de um sectarismo só possível a quem nunca compreendeu a queda do muro, resta ao PCP a associação a regimes como o chinês ou o da Coreia do Norte. Convenhamos que não é um grande cartão de visita para quem, entre portas, se reivindica portador de um discurso de defesa dos valores democráticos e da liberdade sindical.

Actualização: Já que o regime chinês, e o seu impecável registo de respeito pelos direitos humanos, merece tanta compaixão na caixa de comentários destes post, limito-me a deixar aqui os relatórios da Amnistia Internacional de 2007 e 2003...muito antes do apedrejamento de cidadãos chineses que o pacífico regime de Pequim apenas procurou suster.

publicado por Pedro Sales às 15:58
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Sectarismo cansado e sem futuro
Líder da Autoeuropa vetado pelo PCP para o Congresso da CGTP. António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e militante do Bloco de Esquerda, não passou na triagem para a lista para o Conselho Nacional, a ser votada pelo congresso de 15 e 16. Controlada pelo sector mais ortodoxo do PCP, a direcção daquele sindicato excluiu o nome de Chora, quer como delegado, quer como potencial membro do Conselho Nacional. António Chora fala mesmo de "veto político" e recusou o convite para assistir ao congresso dos próximos dias 15 e 16. A Autoeuropa representa 20% dos filiados no sindicatos dos metalúrgicos, um valor que sobe para mais de metade se lhe somarmos as empresas do parque industrial de Palmela. Nenhum dos seus dirigentes conseguiu lugar nos cinco nomes do sindicato que fazem parte da lista candidata ao Conselho Nacional da CGTP.

O problema não é só António Chora ser do Bloco de Esquerda. À frente da Comissão de Trabalhadores da maior fábrica em território nacional, negociou um acordo em que aceitou trocar dias de trabalho e metas de produtividade pela garantia dos postos de trabalho e de investimento futuro na empresa. O acordo foi um sucesso e tornou-se mesmo uma referência internacional. Ninguém foi despedido e, depois de dois anos de congelamento salarial, os aumentos têm sido bem superiores à inflação. A empresa continua em Portugal e tem assegurada a produção para um par de anos, investindo mais 500 milhões de euros.

O sindicato dos metalúrgicos, e os sectores mais ortodoxos do PCP, nunca lhe perdoaram o acordo. Consideraram-no uma cedência. Ao contrário da Autoeuropa, onde sempre fizeram campanha contra a comissão de trabalhadores e contra António Chora, o seu modelo foi o que foi seguido na Opel da Azambuja. Quando a administração da GM propôs um acordo semelhante ao que vigorava em Palmela, lançaram a empresa numa série de greves inconsequentes até que, em referendo, os trabalhadores recusarem a estratégia da Comissão de Trabalhadores e aceitarem o acordo proposto pela empresa. Só que, por essa altura, alguém com maior sentido negocial já tinha aceite um acordo mais favorável à GM em Saragoça. O acordo podia não ter resultado e evitado a deslocalização da Opel, é certo, mas a casmurrice de sindicalistas que tentam combater o capitalismo globalizado do século XXI com as estratégias do século XIX, traçou inapelavelmente o destino 1200 trabalhadores.

É este o modelo sindical que não suporta exemplos como o de António Chora. Cansado e velho, acumula derrotas e acrescenta desesperança à classe trabalhadora que diz representar, enquanto continua sentado há mais de 20 anos nos gabinetes dos sindicatos. António Chora ficou de fora. Em seu lugar entrou Manuel Bravo, antigo delegado sindical da Merloni, uma empresa deslocalizada vai para mais de 3 anos. De então para cá é funcionário do sindicato dos metalúrgicos.

publicado por Pedro Sales às 14:47
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
Espera-se que seja esta senhora a abrir o debate
O Parlamento discute hoje uma interpelação do PCP sobre "liberdades e direito civis".
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publicado por Pedro Sales às 15:04
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Processo Limpeza Em Curso (PLEC)
O comité central do PCP retirou a Luísa Mesquita a confiança política enquanto deputada e enquanto vereadora na câmara municipal de Santarém, deixando àquela direcção regional do partido a decisão sobre outras sanções disciplinares.

O PCP perdeu a confiança no autarca que elegeu, pela terceira vez, para a Câmara Municipal da Marinha Grande, João Barros Duarte, e retirou-lhe a confiança política. O desentendimento entre o autarca, de 73 anos, e o partido agudizou-se nas últimas semanas, a tal ponto que a concelhia anunciou a sua renúncia ao actual mandato, numa conferência de imprensa marcada para o efeito, no passado dia 2, à qual ele não compareceu. Em vez de aceitar a decisão que havia sido tomada e que, segundo o partido diz em nota à imprensa, tinha sido acordada entre o PCP e Barros Duarte no dia 11 de Setembro, este apresentou baixa médica na câmara e afastou-se, ficando incomunicável.
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publicado por Pedro Sales às 21:28
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
Há dois anos, quando o candidataram, devia ser um jovem que corria a maratona em 2h30
PCP substitui presidente da câmara da Marinha-Grande por vice-presidente. Em conferência de imprensa, o dirigente comunista Filipe Andrade apontou a necessidade de renovação e a idade de Barros Duarte (73 anos) como as causas para esta substituição a meio do mandato.


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publicado por Pedro Sales às 17:12
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