Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Prioridades

O Partido Popular, que passa os dias a criticar a presença do Estado em áreas com a Educação e Saúde, defendeu ontem a intervenção do Governo para resolver o “grave” problema causado pela última reunião do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol. É a imagem externa do país, "que tem que tem dos melhores jogadores e treinadores do mundo", que está em causa, alerta o deputado Abel Batista, antes de exigir “que a tutela intervenha rapidamente no sentido de mostrar que tutela efectivamente o sector"...



publicado por Pedro Sales às 08:28
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Nacionalismo Oval
Depois de mais um sorteio para mais uma a fase de apuramento para mais uma grande competição internacional, logo surgiram vozes - o televisivo Rui Santos, por exemplo - a reclamarem a criação de duas divisões europeias que separassem o "trigo" do "joio", a fim de assim se evitar que as selecções de maior nomeada tivessem que realizar jogos cansativos que só servirão para cumprir calendário. Assim, a selecção de Portugal não deveria ter que jogar com os seleccionados da Albânia e de Malta.
Não vou discutir os méritos e os deméritos destas propostas. Mas vale assinalar que elas acompanham uma certa "sensibilidade geopolítica", sensibilidade que se mostra cada vez mais irritada com toda a conflituosidade política associada aos nacionalismos de leste e que começa agora a deixar para trás a euforia celebratória que antes brindara o estilhaçamento nacionalista da URSS e da Jugoslávia. (O mesmo, embora com contornos diferentes, sucede a respeito de Timor). Resta saber se estas propostas que defendem uma competição a "duas velocidades" têm cabimento no quadro das actuais tendências da economia mundial do futebol profissional, tendências marcadas pela lógica de expansão capitalista do jogo.
Acrescento, no entanto, um argumento que os patriotas lusitanos podem brandir a favor das "duas velocidades" e da tese da separação do "trigo" do "joio": é que assim sempre evitavam os empates entre o trigo e o joio, como aquele 1-1 obtido por Portugal na Arménia. Por outro lado, convém não menosprezarmos as vantagens das teses das "duas velocidades": seguindo estas teses, teríamos sido poupados, por exemplo, aos inúmeros elogios feitos à selecção portuguesa de rugby no recente mundial da modalidade.
Ressalvo, por fim, que nada me move contra o rugby. Pelo contrário. É porque a modalidade me interessa que ademais critico a onda nacionalista que sobre ela se abateu no Verão passado. Isto porque quer-me parecer que a forma como alguns jogadores e muitos propagandistas e marketeiros do rugby comentaram a performance da selecção portuguesa se limitou a reproduzir os estereótipos mais simplistas que pairam sobre uma modalidade complexa: a ênfase colocada em virtudes como a "honra", a "coragem" e a "bravura", cristalizadas no episódio da berraria do hino nacional, acabou por reduzir, uma e outra vez, a complexidade de um jogo inteligente à imagem primária da força bruta.
O cunho aristocrata da modalidade - sublinhado aqui e ali nos elogios ao amadorismo de grande parte dos jogadores - parece aliás dar-se bem com estas virtudes guerreiras. Assim é em Portugal mas também noutras paragens: pelas ruas de Buenos Aires, podia-se ver recentemente um outdoor da VolksWagen (que julgo também ter apoiado a selecção de rugby portuguesa) no qual se legendava a equipa de rugby argentina com um slogan que, mais coisa menos coisa, rezava assim: "animais que se comportam como cavalheiros".


publicado por José Neves às 18:29
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007
É assumir o risco




Fotos de cabelinho à paulo bento
Ver também riscoaomeioexatamentameioepamesmomeio.


Aqui há dias, enquanto aproveitava um telefonema para exercitar a minha veia Lusitana - queixava-me portanto - ouvi uma coisa curiosa. Como resposta ao meu lamento pela falta de tempo para cortar o cabelo obtive: 'desde que não andes com um cabelinho à Paulo Bento'.

Como emigrante a minha interacção com a figura de Paulo Bento é diária mas distante. Mal me lembro de quando jogava à bola, não estava em Portugal quando entrou para treinador e nunca vi nenhum jogo do Sporting desde então. Fico-me pela imprensa desportiva online que consumo aqui e ali, sempre intermitente e de frases curtas. Aí, à distância e filtrado, Paulo Bento não parece diferir de outros: os soundbytes da ordem ao sabor dos resultados. E ninguém fez referência ao cabelinho, nunca.

Mas quando me disseram 'cabelinho à Paulo Bento', soou bem, natural, Luso mesmo. Mas como é que eu me esqueci que o 'olha práquele cabelinho' - seguido de arroto - faz todo o sentido? O inho que serve de escala para tudo. O escárnio constante, exacto e cortante, ideal para passar o tempo entre a jola e a cuspidela conjunta de cascas de tremoços. Pensando bem, o escárnio em inho é Portugal-redux. Desde que não vá aterrar no sapato do Senhor Doutor, serve para passar a tarde e mantém a discussão no acessório que o essencial é triste demais.

Adenda: Ou complicado demais. O pessoal que coma tremoços tailandeses e beba cerveja pelo copo de plástico comprado no LIDL e está bom de ver que isso é progresso não-referendável. Envolve mistérios que não podemos compreender. E como é sabido não é possível referendar todas as maravilhas do Senhor. Portanto, não precisamos de ouvir, não precisamos de explicar, não precisamos de argumentar. O bloco central está cá é para decidir e o resto é demagogia e gentes de morais dúbios. Só falta avisar com fumata bianca.

É o que temos feito nas últimas décadas. É o que vamos continuar a fazer. Certo? ... E de repente Paulo Bento começa a parecer um tópico mais feliz de conversa. O ciclo eterno continua, num país perto de si.

publicado por Vasco Carvalho às 01:47
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Domingo, 12 de Agosto de 2007
Diálogos Pacheco-Lança



[Batem à porta, entra Lança, uma empregada do lar]

Pacheco: “Ó minha senhora, desculpe que lhe diga, é uma lindíssima mulher…
Lança: “ahhh?”

Pacheco: “ahhh? O que é que ela diz?”

Lança: “Isso é a minha filha”.

Pacheco (pega nas mãos da empregada): “Olha, tem as mãos quentes. Tu não fazes ideia, esta senhora e as outras acordam a velhinha ali do lado todas as manhãs, sabes como? Dando beliscões na velhinha…o barulho que elas fazem a rir… Olha, ontem vi uma… não estava nua… estava a vestir-se…”
Lança: E o senhor gosta de ver, né, e o senhor gosta…

Pacheco: Eu não vejo quase nada, ó minha senhora… eu não vejo quase nada… chegue-se aqui... olha para este espanto... é uma mulher linda... anda é muito vestida... quero vê-la na praia...
Lança: “Ele é fogo, o sôr Luiz é fogo…”

Pacheco: O quê? pego fogo…? Queres levar um livro? Não te faz mal nenhum…


Continuar a ler a entrevista de Guilherme Pereira a Luiz Pacheco.

publicado por Vasco Carvalho às 18:03
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Momentos anti-climax em tempo real: usando o Record como janela
Real Madrid-Belenenses
Minuto a Minuto, Jogada a Jogada.

Min 2: As equipas encaixam mutuamente com calma, sem grandes esforços, em ritmo de pré-época, mas já com mais precisão táctica.

Min 13:
Sinal mais inicial do Belém, mas o detentor de La Liga a equilibrar as operações: a diferença de valores individuais, dentro e fora de campo, é, afinal, conhecida...

Intervenção do leitor Pedro Azevedo por volta do Min. 25:
com todo o repeito pelo sempre HISTÓRICO BELENENSES este dito Real Madrid só nos consegue mesmo é suspreender PELA NEGATIVA quando em termos de orçamento deve de "gastar" só nas botas (se é que as paga ÓBVIAMENTE!!!) o MESMO que o Belenenses têm para todas as despesas a época TODA!!!!!!

Min 30: Grande jogada de Mendonça na direita, sentando o campeão do Mundo Cannavaro e obrigando com remate cruzado Casillas a atrapalhar-se: melhor ocasião de golo do jogo!

Intervenção do leitor João Ribeiro por volta do final da primeira parte:
Vamos, azuis do Restelo. Portugal está convosco! Boa sorte.


Intervenção do leitor Diogo Pedro ao intervalo:
sao 11 contra 11 o real eh uma equipa a fazer, novos jogadores, o belenenses ja ta feita. sao 11 contra 11, os orçamentos n interessam pa nada deixem se de desculpas. mas quer me parecer q o real so n marcou ainda por azar.

Min 47:
O Real pressiona de início, mas a defesa azul aguenta-se bem ao balanço

Min 77: O gigante Real não consegue ultrapassar a resistência do David de Belém, que não enjeita atacar...


Min 90 - GOLO DO REAL POR RAÚL. Robinho remata fraco e cruzado da esquerda, Marco parece segurar mas a bola passa-lhe por baixo a vai para a baliza; Raúl só toca a confirmar um golo injusto para o excelente jogo dos azuis...

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21:57 - FIM DA PARTIDA.
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Intervenção do leitor Miguel Pereira no pós-jogo:
Da forma como o Belenenses se bateu, acho que não merecia este resultado. O guarda-redes foi muito mal batido, mas isso só acontece a quem joga. E que banho de humildade deu o Belenenses!!


Tudo comme il faut. Do futebolês aos mitos fundadores. Primeiro, as equipas encaixam mutuamente, mas há um "sinal mais do Belém" apesar da dimensão estratosférica do oponente. Imaginem o que "devem de gastar". Das bancadas ouve-se que nem as próprias botas pagam. Só falta o grito: "chulos". A metáfora fácil de David vs. Golias está sempre lá: ele senta o campeão do Mundo e obriga o outro a atrapalhar-se. Onde joga um Português, joga a nação: "Portugal está convosco". Alguém objecta: São 11 contra 11, "os orçamentos n interessam pa nada deixem se de desculpas ". Pobrezinho e asseadinho, mas honrado. Honrado sim, "aguenta-se bem ao balanço" e "não enjeita atacar", esse "David de Belém". E no final esse desfecho injusto: aos 90 minutos "Marco parece segurar mas a bola passa-lhe por baixo e vai para a baliza". É o fado, é o fado. Que honrado é este "banho de humildade". E fica a vitória moral e o culto de um David, na versão Portuguesa, sempre perdedor: "Só acontece a quem joga." Foi uma honra.

Adenda pós-pós jogo: "
Estamos muito moralizados por entrarmos na Europa com o pé direito", são as declarações pós-jogo do Presidente Cabral Ferreira à Renascença. Todo o frenezim da derrota passa agora para o Blog do Belenenses onde se pode ler que "perder no último minuto com um frango do tamanho do mundo só me pode deixar feliz". Hey, got to celebrate when you can: este mês é o aniversário de Rolando, "muito certinho hoje". Sempre é melhor que a época passada quando depois de "16 jogadores com gripe" rebentou a bomba: "Ivan com papeira!!!"


publicado por Vasco Carvalho às 21:51
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