Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Tudo como dantes no quartel d´Abrantes

Concorrência: não há concertação de preços nem abuso da posição dominante nos combustíveis. Não sei se existe, ou não, concertação de preços, mas só um anjinho é que acalentou alguma esperança sobre a eficácia deste estudo. A Autoridade da Concorrência elabora, trimestralmente, um relatório público sobre o mercado de combustíveis. São 32 estudos sobre a formação de preços que nunca detectaram a concertação entre os concorrentes para condicionar o mercado. Para provar juridicamente que existe concertação de preços não basta constatar a semelhança de preços entre os concorrentes. É preciso provar que existiram contactos entre as empresas para combinar o preço, o tipo de actividade que não costuma ser feita por e-mail ou através de carta registada. Basta seguir a imprensa e copiar os preços praticados pelo vizinho do lado para se obter o tal “paralelismo de preços” de que fala o presidente da Autoridade da Concorrência. O relatório encomendado pelo governo faz parte da galeria de actos inúteis da governação. Só teve um propósito. Permitir ao Governo ganhar algum tempo para aliviar a pressão popular e tentar sacudir a água do capote.
 



publicado por Pedro Sales às 14:44
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
A gasolina está a aumentar porque o mercado quer proteger o ambiente...

Entre 2000 e 2005, o capital especulativo nos mercados de energia passou de 3000 milhões de dólares para 90000 milhões de dólares. Entre 2003 e 2008, o número de contratos de futuro no mercado de Nova Iorque cresceu 364% e a procura mundial de petróleo, no mesmo período, só cresceu 8,2%.  


António Costa e Silva, Presidente executivo das Partex, no Expresso da Meia Noite

 

Cavaco Silva argumentava, na última campanha presidencial, que duas pessoas com a mesma informação chegariam sempre à mesma conclusão. Está visto que o Presidente da República não conhece o João Miranda. No seu último artigo no DN, defende que "o aumento dos preços do petróleo é um sinal de que o petróleo é um bem escasso que acabará por se esgotar". Nunca foi segredo que o petróleo é um bem finito, razão pela qual o argumento de João Miranda só teria sentido se conseguisse associar o aumento especulativo à existência de estudos que indicassem a deterioração das reservas mundiais de crude. Pelo contrário. Se há um ciclo constante nos últimos anos é a descoberta de poços de condições históricas no Brasil e Venezuela, país que, com a agora famosa linha de Orinoco, tem a capacidade para se tornar num produtor ao nível da Arábia Saudita. Mas, que importa isso, quando se pode defender mais uma vez a crença na infalibilidade do mercado e refutar a necessidade de regulação dos mercados?



publicado por Pedro Sales às 10:17
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
O liberalismo escolhe as suas vítimas
Ao longo das últimas seis décadas, o rendimento real das famílias de classe média norte-americana cresceu duas vezes mais com os presidentes democratas do que com os republicanos. Mais significativo, o rendimento das famílias pobres cresceu seis vezes mais depressa quando os democratas estiveram no poder. [New York Times]


publicado por Pedro Sales às 23:13
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Alguém falou em cartel?

“Desde o final de Janeiro de 2008 até ontem, o preço da gasolina de 95 octanas, em Portugal subiu 13,2 por cento e o do gasóleo 6 por cento, enquanto o do petróleo tipo Brent, que serve de referência para a Europa, subiu 16  por cento”. De acordo com esta informação, publicada ontem na secção de economia do Público, o jornal fez uma chamada de capa desvalorizando o recente aumento da gasolina e dizendo que os “combustíveis sobem menos do que o petróleo”.

Sucede que, como o jornal deveria saber, se não é possível fazer uma transposição directa entre o preço de qualquer matéria prima e o  do seu produto final, muito menos é possível essa leitura num mercado em que a carga fiscal representa mais de 60% do seu preço final. Depois, há ainda que contar com o preço da transformação do produto, transporte e distribuição, custos de operação e taxa de lucro da petrolífera e revendedor. Curiosamente, nem o facto de, no mesmo perídodo temporal, o dólar se ter desvalorizado 7% face ao euro é referido pelo jornal, ignorando assim a vantagem que é comprar em dólares para depois vender em euros...

Em todo o caso, não é preciso ser-se um brilhante economista para perceber que o aumento de 16% do crude não pode ser responsabilizado por um aumento da gasolina superior a 3 a 5 %. Mas esta aumentou 13%, uma média bem superior à dos restantes países europeus. O aumento do crude tem servido de pretexto para o aumento sem precedentes da gasolina e para as empresas petrolíferas registarem lucros recorde, mas é uma desculpa que tem as pernas curtas. Curiosamente, ninguém parece encontrar os responsáveis pela liberalização deste mercado e que nos garantiam, há apenas quatro anos, que a concorrência ia tornar a gasolina mais barata. Aonde é que andam escondidos, agora que a concertação de preços em prejuízo dos consumidores se começa a tornar cada vez mais evidente?


publicado por Pedro Sales às 15:58
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Novas oportunidades
Porque decidiu trabalhar com Luís Filipe Menezes?

Cunha e Vaz: Porque neste momento, apesar de ter um boa carteira de clientes, interessava-me também poder aceder a outro tipo de clientes, mais próximos do Estado. Mas não consigo, não sei porquê. Tenho competência para tratar de seis empresas do PSI20, para ser agente da UEFA durante três anos consecutivos, mas não me deixam tratar de nenhuma instituição pública.
 
O “interesse” de Cunha e Vaz no PSD é elucidativo da cadeia de interesses que se constroem à volta dos partidos do poder. Se repararmos que, só no OE de 2008, estão inscritos 388 milhões de euros em despesas de consultoria e que não há festa nem festança lançada pelo Governo onde não apareça o vídeo promocional, o powerpoint ou o aparato cénico montado por uma empresa de comunicação, percebe-se melhor o “interesse” de Cunha e Vaz. Fazer no Estado o mesmo que fez no PSD, eis o sonho deste aprendiz de feiticeiro.


publicado por Pedro Sales às 16:08
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Normalíssimo

Confirmando uma tendência dos últimos dias, as acções da Mota Engil voltaram a ser as mais valorizadas do PSI 20. Uma subida em flecha que, vá-se lá saber porquê, coincide precisamente com as notícias da contratação de Jorge Coelho. “Nome de Jorge Coelho como CEO bem recebido pelo mercado”, resume hoje o Jornal de Negócios, num artigo em que 3 dos 4 analistas contactados preferiram manter o anonimato. Está na cara que é uma contratação normal, como diz o Partido Socialista.

publicado por Pedro Sales às 23:32
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
picar o ponto
Ainda as primárias: Barack Obama é entrevistado no Hardball de 2 Abril (41 m) e a United Church of Christ (coligação de que faz parte a Trinity Church) publica este anúncio no NYTimes de 4a feira.

Ainda o dia das mentiras: António Borges acusa o governo de perseguição nas empresas públicas mas parece esquecer os 2.2 mil milhões de euros que a EDP pagou à Goldman Sachs em Julho de 2007. E António Borges não foi nem vice-presidente nem director da Goldman Sachs: foi um parceiro de piscina.

Ainda a crise do subprime: a NPR  fala em casino em auto-gestão e avança com uns números:

The value of the entire U.S. Treasuries market: $4.5 trillion.

The value of the entire mortgage market: $7 trillion.

The size of the U.S. stock market: $22 trillion.

OK, you ready?

The size of the credit default swap market last year: $45 trillion.

(Texto e ficheiro áudio do programa da NPR aqui, com link para a melhor história do dia das mentiras)

E logo à noite não se esqueçam de ver a Oprah.

publicado por Filipe Calvão às 11:00
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Terça-feira, 18 de Março de 2008
A mão invisível está com cãibras I
Estranhamente, e quando a questão já não é saber se estamos em recessão mas perceber a natureza da sua dimensão, a blogosfera liberal em peso está calada ou a assobiar para o lado. Compreende-se. Afinal, tanto latim a tentar explicar-nos os mecanismos infalíveis da mão invisível e, quando as coisas começam a dar para o torto, lá tem que ser o dinheiro público a intervir e a nacionalizar as perdas dos lucros privados. Isto tem dias que mais vale estar calado.

Só para se perceber as consequências de um mercado desregulado, e a casmurrice de andar a tentar negar a crise há mais de sete meses, vale a pena lembrar que a Reserva Federal dos EUA injectou 30 mil milhões de dólares para assumir os riscos do crédito de maior risco do Bear Strearns. No rescaldo do furacão Katrina, emprestou 10,5 mil milhões para acudir aos problemas humanitários. Prioridades...


publicado por Pedro Sales às 21:07
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Os barões são para as ocasiões
Depois de ter andado semanas a ameaçar com uma comissão de inquérito à actuação do Banco de Portugal no caso BCP, Menezes recuou. Que não, que "somos um partido responsável, com sentido de Estado". Como a mudança de agulha teve lugar depois de uma reunião com os outrora detestados barões do partido - quase todos a trabalhar na banca e com ligações ao BCP e Banco de Portugal -, fica a impressão que o súbito apreço de Menezes pelo "sentido de Estado" lhe terá sido assoprado ao ouvido por alguém mais sisudo e com pouca vontade de ver a elite laranja no Parlamento a justificar-se perante os deputados. Isto como vai já vai mal, não é preciso piorar. E esperar que não chegue ao banco do Dias Loureiro e amigos.

publicado por Pedro Sales às 16:22
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007
Para Uma História Sanitária da Academia Portuguesa
Este post do Miguel Vale de Almeida lembrou-me um anúncio do departamento de gestão do ISCTE. Era um anúncio que se dirigia a todo aquele ou aquela que se aprestava para escolher a sua futura licenciatura. O mais importante no anúncio era uma legenda que comentava uma fotografia parecida com esta aqui em cima e que dizia: "Esta será a última cadeira da tua licenciatura em Gestão".
Perante isto, e já lá vão alguns anos, uns quantos entre nós refilámos contra a banha-da-cobra que presidia à propaganda em causa. Altas instâncias do ISCTE, no entanto, responderam que não se tratava de uma "falsa promessa", como nós acusávamos, mas que sim se tratava de um "estímulo". Acabei por aceitar o argumento e, na verdade, até acabei por fitacolar o anúncio-panfleto sobre a tampa da sanita cá de casa; se era um "estímulo" para tantos, então também poderia sê-lo para os visitantes cá de casa, ajudando-os a sentirem a nossa sanita como se fosse sua, o que é sempre complicado. Infelizmente a coisa resultou tão bem que houve algum malandro ou alguma malandra que se sentiu suficientemente à vontade para levar o panfleto-anúncio consigo. Se o virem por aí, é favor trazerem novamente. É que a malta por aqui gosta de fazer merda à grande e à francesa, como só os grandes líderes de gestão sabem fazer.

publicado por José Neves às 21:13
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007
Uma dúvida metafísica
Ainda estou indeciso a tentar perceber o que é mais ridículo. Se Menezes criticar uma eventual OPA socialista ao BCP para, logo a seguir, sugerir um nome ligado ao PSD, se aqueles que, perante o desmoronar da credibilidade, imagem e independência do maior banco privado, defendem a privatização da Caixa Geral de Depósitos.


publicado por Pedro Sales às 14:11
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
Foi um sucesso pá, não foi?
A mensagem vem repetida, a uma só voz, em toda a imprensa portuguesa. A cimeira Europa-África foi um sucesso alterando o paradigma das relações entre os dois continentes. Doravante partilhamos a “mesma agenda”. Que sentido tem isto? Como é que o continente onde se encontra a maioria dos países mais miseráveis do mundo pode ter a mesma agenda do bloco comercial mais poderoso do planeta? Qual é a agenda comum entre um operário qualificado alemão e um trabalhador agrícola moçambicano, que passa quase toda a sua a vida sem sair do latifúndio onde trabalha? E entre a economia francesa e do Chade. A "mesma agenda" não passa de um eufemismo para a liberalização e desregulação dos mercados. Foi esse o caminho para o desenvolvimento que a Europa propôs a África. Não deixa de ser irónico que os líderes de um gigante agrícola altamente subsidiado, fechado e regulado se dirijam, paternalistamente, para os países pobres ou em vias de desenvolvimento e exijam a abertura total e desregulação do seu mercado como condição para o seu interesse. O que é bom para nós nos desenvolvermos e tornarmos ricos não serve para vocês. Nós temos a receita. É o liberalismo assimétrico no seu esplendor

Que tenha sido um dos poucos líderes decentes a bater com a porta, o presidente do Senegal, ou a principal potência industrial, a África do Sul, a dizer que os acordos de parceria economia não servem é sintomático. Parece que alguns ditadores provocam dores de cabeça a Gordon Brown e demais líderes europeus. Passam a vida a falar de bom governo e governança enquanto as empresas europeias florescem com acordos leoninos assinados às claras com as piores tiranias. Mas, como sempre, as dores de cabeça e os embaraços que contam ainda têm lugar com a autonomia que só a democracia permite.

publicado por Pedro Sales às 14:27
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Bem vistas as coisas, a pobreza (já) é o seu negócio
Mesmo longe da cimeira Europa-África, Gordon Brown quis provar que também é homem para ter as suas preocupações humanitárias, apresentando um plano para conquistar 20 grandes multinacionais para apoiar os países mais pobres no seu esforço de desenvolvimento. Para começar, Brown diz estar já em negociações com empresas como a Vodafone, Google ou Wall-Mart. Sim, leram bem, a Wall-Mart. Aparentemente o primeiro-ministro britânico quer-nos fazer acreditar na responsabilidade social de uma empresa cujas práticas comerciais e laborais deram origem à inédita situação de ter a sua entrada em Inglewood - subúrbio de Los Angeles onde jogam os Lakers - vetada num referendo pela população local . Os argumentos? A destruição do pequeno comércio e a degradação dos salários da região. Como se vê, um currículo exemplar para apoiar os mais pobres dos pobres. Afinal, poucos se podem orgulhar de ter um tão vasto trabalho com a pobreza. Da sua expansão, pelo menos.

publicado por Pedro Sales às 06:24
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Domingo, 25 de Novembro de 2007
Pasta
Enzo Rossi é um empresário italiano que, durante um mês, tentou viver com os mil euros que pagava aos operários da sua fábrica de pastas alimentares. Ele a sua mulher, que também trabalha na empresa, tentaram gerir a sua vida com dois mil euros. Como o dinheiro, mesmo poupadinho, só chegou até ao dia 20, Rossi resolveu aumentar os vinte empregados em 200 euros por mês. O episódio tornou-se um caso em Itália, e já correu mundo. Quando lhe começaram a chamar "empresário comunista", respondeu que não. Que é egoísta. Quer empregados motivados e despreocupados com a ginástica mental para pagar as contas, disse. Uma evidência.

A forma como o episódio tem sido contado pela imprensa faz lembrar uma frase de Freitas do Amaral durante a contestação à invasão do Iraque. Quando questionado porque razão se foi alinhando com posições políticas mais comuns à esquerda, Freitas respondeu que nunca mudou. O panorama politico é que se desviou para a direita. De facto, vivemos tempos extraordinários. Os trabalhadores desapareceram e deram lugar aos colaboradores, as bolsas ressuscitam a cada notícia de despedimento e o que devia ser a norma, aumentar empregados que recebem bastante abaixo do salário médio, tornou-se a excepção. Dá direito a excursão de ministros, a seminários em faculdades de gestão e a dezenas de entrevistas. É uma espécie de intervalo na programação do noticiário para apresentar um “comunista” no seu habitat natural. Um freak show. Com tanto elogio, parece que ninguém perdeu tempo para fazer as contas e reparar que o generoso aumento só vai durar até ao dia 24 de cada mês.

publicado por Pedro Sales às 07:55
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007
Not The Daily Show, With Some Writer

Mesmo em greve, os argumentistas do Daily Show continuam a provocar ondas. Aqui, num dos imensos piquetes de greve, desmontam de forma implacável os argumentos usados pelos grandes estúdios. Mesmo sem o Jon Stewart, vale a pena ver.

publicado por Pedro Sales às 20:59
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Alegria no trabalho




Contrariamente aos velhos do Restelo que teimam em insistir que nos call center impera a subcontratação e os baixos salários, este anúncio é a prova definitiva sobre a sua visão distorcida do mercado. A Marta já não atende os telefonemas e tem um qualquer posto de chefia, provando como as carreiras são estáveis e valorizadas, o ambiente é espaçoso e impera a motivação no trabalho. Para além disso, os empregados são seleccionados na Elite Models e, como é regra na maioria das empresas, só usam computadores da Apple. Há o país real, o país do Governo e um país qualquer que ninguém conhece e que aparece nos anúncios.

(Actualizado)Para todos aqueles que pretendam uma ideia mais consentânea com o que se passa nestas empresas, vale a pena ver o blogue da Ferve, fartos destes recibos verdes

publicado por Pedro Sales às 08:51
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