Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
Interesse público?

Câmara de Lisboa suspendeu montagem da Feira do Livro e pondera cancelamento do subsídio. Alegando uma peculiar noção de interesse público a Câmara indica, num extenso comunicado, que:


"Mostrando-se intransigente em relação aos pavilhões da Leya, que representa autores como Lobo Antunes, Lídia Jorge e Saramago, a APEL corre o risco de perder o subsídio camarário: a autarquia pode vir a invocar a perda de interesse público do evento, por via da possível ausência destes autores."


Pode ser que tenha escapado a António Costa, mas os lisboetas não se têm deslocado todos os anos à Feira do Livro por causa do autor A ou Z, mas porque gostam da Feira. Há muito que os passeios no Parque Eduardo VII fazem parte da tradição anual de milhares de pessoas e transformaram a Feira num dos mais populares eventos culturais de uma cidade em que eles não abundam. Pior. Ao associar o interesse público à presença de certos autores, defendendo as pretensões de uma editora interessada em gozar de um tratamento de excepção,  a Câmara aceita a chantagem dos grandes grupos editoriais. Este ano são os pavilhões especiais que a Leya teima em montar. Mas, aberto o precedente, quem é que garante que a chantagem da Leya não vai subir de tom? E o que pensarão as outras dezenas de autores e editoras que, no entender da Câmara, não são dignos do interesse público? Se a decisão é mais do questionável, a justificação é inaceitável. Uma trapalhada, agora com a mão de António Costa.


Actualização: Através do Gabriel Silva, na caixa de comentários deste post, fiquei a saber que as afirmações citadas no site do Público não constam do comunicado da CML. Curiosamente, deixaram também de constar na notícia do Público.pt... Aguardemos, então, para ver como é que se resolverá este cada vez mais complicado imbróglio.


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publicado por Pedro Sales às 10:53
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008
Obviamente, censurava-o
Se nunca leu uma crítica literária que começa por pesar o livro em análise, não perca mais tempo. O Expresso publicou no seu site a "crítica" (as aspas são minhas) ao mais recente livro de Miguel Sousa Tavares (via corta-fitas). O caso mereceu alguma atenção porque a direcção do jornal recusou a publicação deste mesmo texto no jornal, e a autora, Dóris Graça Dias, argumentava ter sido censurada pelo facto de Miguel Sousa Tavares também escrever no Expresso. O seu caso parece simpático, e propício às teorias da conspiração que tanto sucesso costumam fazer, mas não resiste a uma leitura do seu texto. É confrangedor. Nem a um aluno do 1.º ano da extinta Universidade Independente se perdoava um texto tão desconexo. Em nenhum momento se critica o livro de Miguel Sousa Tavares. Não li o "Rio das Flores", nem pretendo ler, mas não é preciso conhecer o livro para perceber que tudo o que motiva Dóris Graça Dias é a sua embirração com o sucesso editorial de Miguel Sousa Tavares. Não deixa de ser curioso, aliás, que a informação mais detalhada que nos transmite sobre a obra é a sua tiragem e peso.

Tudo o que MST disser sobre a sua própria escrita, o seu romance histórico é gratuito. Que o escreveu a pedido de muitas famílias, que passou três anos muito duros, quase dois a documentar-se e um fechado em casa a escrever, sem viajar: nada disto interessa a um leitor; nada disto interessa à literatura, diz Dóris Graça Dias. Não interessa à literatura, como não devia importar à critica literária. Que as declarações do autor, posteriores à publicação do livro, sirvam de instrumento epistemológico para a análise de uma obra literária diz mais sobre a qualidade da “critíca” do que sobre o “Rio das Flores”. O seu texto foi censurado? Sei lá. Censurável era publicá-lo.
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publicado por Pedro Sales às 23:01
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
Indústria do tabaco preocupada com a má imagem dos livros
Uma pequena editora britânica está a publicar, em pequenos livros de bolso com um grafismo semelhante ao dos maços de tabaco, uma selecção de contos e pequenas histórias de alguns dos principais nomes da literatura mundial. Kafka, Tolstoi, Conrad ou Stevenson, são alguns dos autores que viram algumas das suas obras "embrulhadas" neste visual distintivo. Uma verossimilhança que preocupa uma das maiores empresas tabaqueiras, a British American Tobacco, que exige a retirada imediata de circulação d´"As neves de Kilimanjaro", de Hemingway. Diz a empresa que o grafismo da obra em questão é demasiado similar à da imagem distintiva da Lucky Strike, podendo levar o público a pensar que a empresa apoiou, patrocinou ou está de alguma forma relacionada com os livros editados, uma associação "que pode diminuir a confiança na marca Lucky Srike". Compreende-se. A pessoa comprar um livro, pensando que está a comprar uma maço de tabaco, e reparar que os seus pulmões não se ressentem da compra é uma daquelas coisas que destrói a a confiança e o bom nome de uma marca. Isto há coisas...

publicado por Pedro Sales às 13:36
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